Quando um Jardineiro lança as suas sementes ao solo, deixa que estas escolham onde querem cair. Ao fazê-lo o Jardineiro está deixá-las escolher que tipo de crescimento vão ter, se a sua evolução de semente a flor vai ser mais rápida ou mais lenta, mas confia que todas vão conseguir.Observar as suas escolhas é um processo delicioso, constatar que algumas escolhem solo árido, outras ficam escondidas debaixo de pedras e outras escolhem o solo fértil, arado e bem cuidado. Estas terão um crescimento fácil, encontram todas as condições necessárias para crescer e florir, mas as outras irão enfrentar adversidades, além das naturais que todas encontrarão, como ter de se esforçar para empurrar a pedra e poder apanhar sol ou furar o solo duro com raízes fortes para poderem receber os nutrientes necessários que ali se encontram à sua espera.
O Jardineiro não pode interferir, pelo menos directamente. A única coisa que o Jardineiro pode fazer é observar e oferecer mais água ao solo árido e à flor que está debaixo da pedra, mas estas vão crescer com indícios de falta de nutrição adequada. E isto o Jardineiro não pode alterar, foram as suas escolhas enquanto sementes. Quando elas forem já flores, poderão esforçar-se mais para captar os nutrientes que lhes estavam em falta ou virarem-se na direcção do sol, mas o Jardineiro nunca deverá mudá-las de lugar, afinal foram as suas escolhas.
E nós, quantas vezes ao dia temos a pretensão de mudar as flores que estão no nosso Jardim de lugar, para que elas possam ter direito a melhores condições? Ao fazê-lo não nos estamos a esquecer das escolhas que essas flores fizeram enquanto sementes? É, claro, que a nossa obrigação como Jardineiros é de ajudar, mas tal como no nosso Jardim, só podemos oferecer melhores condições, o aceitá-las ou não, já não é da nossa competência.
Será assim tão difícil aceitar que o Mundo é um grande Jardim e que todos nós fomos sementes que fizeram as suas escolhas?






