maio 10, 2009

No mundo da fantasia

Não me peçam para sonhar. Conheço-me. Num instante fico perdida na construção de um mundo novo, habitado por um novo Homem.
Vou falar-vos do meu novo Homem.

Tem o coração na cabeça, um cérebro no coração e uma fragrância suave a mel sai dos seus lábios quando fala.
Das suas mãos há sempre uma flor pronta a ser oferecida porque este homem consegue fazer nascer beleza só de pensar nas coisas belas. É um pouco mágico o novo Homem.
Também é pintor. O novo Homem é quem desenha as suas próprias paisagens e todas as suas criações ganham vida assim que as pinta. É por isso com muita alegria que o novo Homem usa os seus pincéis e põe ao serviço dos outros novos Homens o seu talento.


O novo Homem sabe que ninguém tem de ser melhor que alguém porque todos são apenas uma tonalidade da mesma cor no quadro gigante que juntos estão a pintar. Não se discute o tom, a espessura da pincelada ou os desenhos dos outros criadores. O novo Homem respeita a criação do outro. A obra-prima é de todos, com todos e por todos.

Agora embrenhada no meu mundo de sonho vejo que aqui tudo brilha de tanta transparência. O Homem novo não tem pele. Nada há do que se proteger. Nada há a esconder. Não precisa desse revestimento porque são lindas as suas entranhas e devem ser mostradas.
Se está feliz podemos ver o seu coração bater muito forte. Se está triste fica mais lento. E diante da míuda dos seus sonhos, do primeiro filho e daquele encontro há tanto esperado, o estômago aperta. Sabemos sempre o que novo Homem sente. O novo Homem não engana o outro. Como não há mentira, tudo é verdade. E o novo Homem caminha sem fardos.



O novo Homem sabe o que é importante. Não trabalha por isso quinze horas por dia e dedica alguns, escassos e cansados, minutos às pessoas que ama. O novo Homem vive cada momento como a bênção única que é. Por isto, o novo Homem não conhece o arrependimento.

O novo Homem é livre e mantém-se em liberdade. Não cria laços de escravidão com aquilo que possui. Basta-lhe o suficiente e por isso nunca, nada lhe falta. Por não viver em função do que tem, o novo Homem dorme tranquilamente, come com satisfação e vive contente consigo.

O novo Homem dá liberdade ao outro, não possuindo ninguém. Cada um é o único dono de si mesmo e responsável por se construir. O novo Homem ajuda nessa construção mas respeita o projecto individual do seu semelhante. Este respeito impede a mágoa e o ressentimento. O novo Homem ama o seu próximo e por isso o liberta.

E se vissem os olhos do novo Homem… Grandes, riem-se para nós. Apenas conseguem ver a perfeição. Há pedaços de sol nos olhos do novo Homem e por isso vêem luz em tudo e em todos.

Que pena sermos apenas homens. E já velhos…
IdoMind

About the world I paint...

maio 06, 2009

Depois do Passeio

Advertência
O que se segue é o resultado de um teste publicado no post anterior “Vamos a um passeio”. Quem não fez o teste e gostaria de o fazer, talvez seja melhor ler este post depois…

Depois do Passeio

Conforme combinado, vou plantar o resultado do teste “ Vamos a um Passeio”.
Antes disso, as respostas desta jardineira foram as seguintes:

  1. A minha floresta está repleta de árvores centenárias. Muito fortes.Muito seguras de si.Viveram tanto que entendem. Estão tranquilas. Sinto sabedoria na minha floresta e sei que estou protegida.
  2. Apanhei imediatamente a chave e levei-a na mão. Porquê? Porque achei que todas as chaves são sempre precisas...revelam-nos coisas para lá das portas.
  3. O muro que apareceu não tinha mais que uns escassos centímetros. Cerca de duas fieiras de pedras rústicas, daquelas que ainda hoje em dia vemos a dividir os terrenos em certas aldeias. Bastou-me levantar um pouco a perna, dar um passo e passei muito facilmente o muro. Olhei depois para trás e pensei “ Que pena terem construído isto aqui, não se enquadra nada neste sítio”.
  4. A casa que me apareceu era simples. Não que fosse modesta ou pobre, mas prática, sem grandes adornos ou detalhes meramente estéticos ou decorativos. Simples nesse sentido. Todas as divisões tinham tudo o que era necessário, nem mais, nem menos. Uma casa para morar com conforto sem excessos. Senti-me bem na casa, mas não era minha.Não era para ficar. Parti.
  5. O meu lago….ui…era algo saído de um conto fabuloso qualquer. Meio místico, meio secreto. Havia nele uma atracção misteriosa. As águas não eram nem quentes, nem frias. Tépidas, temperadas. Não mergulhei porque o meu lago não tinha fundo. Eu sabia que a sua profundidade era tanta que o lago não tinha fim, então não entrei.

Agora aqui vai o significado de cada símbolo utilizado para aceder os recantos da nossa mente:
A floresta – simboliza a forma como estamos e nos sentimos na nossa vida neste momento.
A chave – simboliza a forma como vemos a amizade.
O muro – simboliza a forma como vemos e ultrapassamos os problemas que surgem.
A casa – simboliza a forma como vemos e nos relacionamos com a nossa família mais directa.
The best for last…
O lago – simboliza a forma como vemos e nos comportamos ao nível sexual.

Que tal? Eu adorei este passeio. Divertido e revelador, inspirou-me a poderar sobre as respostas dadas. Confesso que fiquei surpreendida com a incisão dos resultados. Foi nos detalhes que me revi e acredito que cada um imaginou e imaginará os cenários de forma totalmente diferente, também enriquecidos dos pormenores que faz de nós singulares.
Uma pequena nota, não fiquem assustados se responderam que montaram uma tenda na beira do lago e passavam o dia dentro de água. Conheço um médico, que dizem, é excelente….

IdoMind

maio 04, 2009

Vamos a um passeio...?

Venham até aqui, ao meu jardim. Não vai demorar nada. Aproveitem para tirar os sapatos por um bocadinho. Sentem-se ou deitem-se onde quiserem. Vamos fazer um teste?
Foi um amigo quem me ensinou este teste e achei-o tão revelador que simplesmente tenho de o semear partilhando-o convosco. Escrevam, se quiserem, as vossas respostas para se lembrarem melhor na altura de ver os resultados e para nos rirmos todos uns com os outros.
Tudo o que é preciso é boa vontade e descontracção. Ah! E a imagem que vale é a primeira que aparecer, não vale forjar…
Vamos lá então regadores:

1. Imaginem-se de repente numa floresta.
Como é a vossa floresta?
Tem muitas árvores, poucas, grandes, pequenas, de uma espécie ou de várias espécies? Conseguem ver o céu?
Vejam os detalhes da vossa floresta e como se sentem lá.
Já está?

Vamos então caminhar um pouco. Seguem em frente por um caminho que aparece e andam por algum tempo até que,


2. Encontram uma chave
O que fazem?
O que fizeram com o chave? Porquê? Porquê é que fizeram isso com a chave?

Retomam agora o vosso caminho e andam cerca de quinze minutos tranquilos e sem grandes preocupações na mente, até que à vossa frente,


3. Surge um muro
Como é o muro? Alto, baixo? De que material é feito? Observem o muro e registem as suas características.
Conseguem passar o muro? Como é que o fazem?


Continuam a caminhada. Voltam a andar por um bom bocado até que lá à frente começam a avistar uma casa. Aproximam-se.


4. Como é a casa?
Entram nela? Se sim, como é o interior da casa? Como e que se sentem em relação a essa casa?
Esperem aí um pouco e sintam a vossa reacção face à casa.
Ficam na casa?

Vão agora explorar o terreno à volta. Sobem uns montes e depois de uma pequena colina,



5. Aparece um lago.
Como é o lago? Como são as águas? E a temperatura? Alguma coisa de especial em relação ao lago?
Mergulham? Porquê?
Como se sentem?

Acabou o teste. Obrigada pelo passeio.
Amanhã, pelas 8horas da manhã, vou publicar os resultados para que cada um analise as suas respostas.
As minhas foram…surpreendentes. E também as vou pubicar. Espero que apreciem tanto quanto eu esta pequena viagem ao nosso interior.
Até amanhã. Às 8h.

IdoMind
about enjoying the ride...
Olá a todos,
A pedido da Shin_Tau e também para dar mais tempo a todos os regadores, informo que o resultado do teste será publicado no dia 06/05/2009 pelas 8h da manhã.Parece que amanhã a festa é no Grimoire....
Um abraço a todos e conto com a vossa compreensão.
IdoMind

abril 30, 2009

A confusão

Apetece-me chorar várias lágrimas. Daquelas grossas que quase fazem barulho quando caem. Dar um berro a alguém. Dizer finalmente ao mundo que estou aqui e sem medo do que possam pensar de mim.
É claro que não vou fazer nada disto. É feio mostrar que sou humana e que também me canso.

Talvez me sente sossegada à procura das razões que me levaram a julgar as emoções uma coisa má. Em que momento e face a que evento conclui que viveria melhor sem manifestar aquilo que me torna única – os sentimentos.

Sim. Tenho de mergulhar fundo nesta missão de resgate do sentir. Vou começar por ir lá atrás, quando tudo começou, no seio da minha família, quando era ainda um pequeno ser curioso a tactear a realidade.
Lembro-me de olhar para os meus pais com o respeito e a confiança com que se olha para quem assume a responsabilidade de nos tornar pessoas. Deles nada esperava, porque não sabia o que esperar da vida, nem o que esta tinha para me dar. Na altura apenas existia. Tudo era novo, tudo era simples. E ali estava eu pronta desvendar todas as possibilidades de cada dia. Era inocente e era feliz. Ria até rebolar no chão se tinha vontade e chorava em igual proporção se estava triste.


Tudo mudou quando fui apresentada ao Bem e ao Mal. Afinal havia fronteiras para a minha liberdade de me descobrir através do mundo lá fora. Eu não podia tudo. Aceitei. Afinal se os meus pais diziam que eu não podia tudo, era porque não podia…
A minha alma de aventureira começou a encolher a cada instrução do que era aceitável e daquilo que era totalmente proibido. Comecei a preocupar-me em memorizar os comportamentos mais adequados conforme as situações e as pessoas. Já não era tão feliz. Permanecia, no entanto, inocente. Achava que tudo deveria ter um sentido que eu ainda não tinha entendido. Os adultos, e não apenas os meus pais, agiam assim, de acordo com aquelas arrumações mentais. Alguém tão pequeno como eu não podia estar certo. Porque isto significava que os grandes estavam errados. Pois, porque também me ensinaram que havia o Certo e o Errado. Comecei a encontrar um padrão: para alguma coisa, havia sempre a coisa contrária e apenas uma era boa e certa. Continuei a aceitar. E a encolher.

Foi em casa que aprendi a controlar as emoções. As meninas bonitas não choram, não se zangam, não têm medo de nada, não pedem ajuda… As meninas bonitas não reclamam atenção com gestos carinhosos excessivos ou actos de rebeldia despropositados. As meninas bonitas aguentam o peso daquilo que não compreendem.
Eu fui uma menina bonita.

Veio a escola. A ansiedade do primeiro dia do meu maior sonho era demasiada para que eu aguardasse pelas 13 horas. Pelas 12h estava à porta da escola, à espera, escondida pela mochila duas vezes maior que eu.
Na escola também pensavam como os meus pais. Tudo bem arrumado e catalogado em certos e errados, em bons e maus, em correcto e incorrecto, podes e não pode, deves e não deves. Rendi-me às evidências e fiz minhas, as lições dos adultos.
Os finais de tarde com os primos a assaltar as hortas dos vizinhos conheceram um fim. Não tivemos mais o prazer de partilhar o saque composto de cenouras, tomates e maçarocas de milho, tão corajosamente conseguidos. A Rosa Ú não era para brincadeiras, arriscámos a vida cada vez que colhemos uma flor do seu quintal…

Já treinada a comportar-me, fui refinando o modo de agir. Chegou o primeiro emprego e os “deves isto e não deves aquilo” “se fizeres isso vão pensar isto.”,”se fosse a ti não arriscava”, “hoje não que o chefe está mal disposto”.

Toma um comprimido se tens dores, vai tomar um café se estás mal e só te apetece gritar, fuma um cigarro para aliviar a raiva de não poderes dar um murro na mesa. Finge que estás morta para disfarçar a vontade de morrer…
Faz o que for preciso, mas sê uma menina bonita e não incomodes os outros com aquilo que sentes. Por favor.

O primeiro namorado… O auge da manipulação e do domínio dos sentimentos. Eu sei, devia ser ao contrário, mas vi-me confrontada com a necessidade de esconder o amor, de o dar em pequenas medidas, de o reservar para certos momentos. Não é assim com toda a gente? Fui percebendo que este campo é o mais perigoso para mostrar verdadeiramente o que nos vai no coração. Disseram-me que não se pode mostrar o quanto se ama porque isso vai assustar. Dizer que se está magoada, nem pensar!! Meio caminho andado para perdermos todo e qualquer valor. Além de que o parceiro vai perceber que temos fraquezas e esse é o princípio do fim. O conveniente é ir mostrando, com recato e algum controlo, que até gostamos da pessoa. Conter a maior parte dos abraços que temos vontade de dar, pois, de contrário, vai achar que somos tontinhas ou, pior, carentes. Impõe-se alguma contenção de emoções para que funcione. Não queremos que pensem que somos instáveis.

Cheguei aqui. Não fosse a minha busca de sentido para tudo isto, certamente já tinha esquecido que tenho coração. Que este bate e que também, uma vez por outra, sente.
Como estavam longe, os adultos, da essência da vida… Nada há de errado em mostrar dor ou tristeza. Também não há nada de errado em mostrar amor. Não faz de nós menos. Pelo contrário, é partilhando um choro ou estendendo uma mão que revelamos a grandeza dentro de nós. É preciso ser grande para dizer que nem sempre fazemos tudo do melhor modo e que doi colher os frutos da sementeira.
Com esta honestidade damos espaço a quem nos ama de também ser grande e de juntos gerarmos amor e mais amor uns pelos outros. De nos conhecermos na verdade e consequentemente de nos respeitarmos.

Hoje já ofereço oportunidade a quem me ama de demonstrar esse afecto, aceitando o ombro que por vezes tanto preciso e agarrando a mão que me segura quando tudo me diz para largar.

Longo tem sido o caminho. Reconheço de onde vim e sei para onde quero ir. Sei que não foi de Kripton (talvez de um planeta por ali perto..) pelo que não sou, nem quero ser mais uma super-mulher. Nem uma menina bonita...
Quero ser eu. E eu também sou frágil apesar da minha força. Também sofro embora aguente. Também sinto ainda que finja.
Vou voltar a ser pequena, despir-me diante do mundo e, outra vez inocente, olhar para lá das fronteiras que me desenharam.
Querem vir comigo?
IdoMind
About my fellings...

abril 22, 2009

Horizontes





Posso ir para a China se quiser. Posso pôr um par de sandálias nos pés e ir pregar aos peixes de todos os oceanos. Posso casar. Posso só namorar. Um ou muitos. De cada vez ou ao mesmo tempo. Posso dar um abraço à minha mãe e esquecer as diferenças.

Posso ir apanhar túlipas para a Holanda no Inverno e fazer surf na Costa Rica durante o Verão. Posso dançar em qualquer lado a qualquer momento. Posso deitar a língua de fora ao rapaz do supermercado da minha rua. Posso dizer agora aquele adeus difícil.

Posso pintar o cabelo de cor de rosa e dar depois mais um abraço à minha mãe por uma nova diferença. Posso morar no campo ou na praia. Posso ouvir Mozart ou Ratos do Porão. Posso usar amarelo com vermelho. Posso vender tapetes em Marrocos.

Posso ser budista. E ali ao lado, espreitar o hinduísmo. Posso descobrir que acredito apenas em mim. Posso permitir-me o silêncio. Posso esconder-me dos outros. Até decidir convidá-los para a minha toca.. ou não. Posso beijar um sapo.

Posso respirar fundo e trazer do estômago quem eu sou. Posso gostar de mim, perdoar-me por não ser perfeita. Posso aceitar-me. Admitir que há muito lixo para deitar fora e muito alcatrão para pisar. Posso amar mais. Posso amar muito mais. Dar-me. Estar. Inteira e com verdade. Posso não ter tanto medo.
Posso viver. E se não chegar, posso então decidir participar.
Posso sempre vestir um sorriso.
Posso ESCOLHER…

Também posso não fazer nada. Por algum tempo,por muito tempo ou pelo tempo necessário a reunir forças para fazer tudo o que posso ou estar tão cansada que a única alternativa é fazer alguma coisa.
Importante é saber que posso.
E vocês, o que podem?
IdoMind
about being all I could be...and more

abril 16, 2009

Para ti, Jardineira Incansável do Meu Jardim



Era tudo tão diferente.
Nessa altura ainda não te via.
A profundeza dos teus olhos ainda não me prendia,
o fogo que dança em ti ainda não me encantava,
nem a tua inquietude contagiante me alimentava.
Ali estava eu, tão ausente…


Tudo era mesmo diferente.
Também ainda não te conseguia ouvir.
Que linguagem estranha era aquela do sentir?
As mãos pedintes, assim esticadas, procurando-me.
Os gritos sempre incompreendidos, acordando-me.
E ali continuava eu, tão distante.

Hoje sou diferente e tu… singular
Na entrega pura que te fez ficar junto a mim,
nesta estrada que já vai ficando comprida.
Plantamos agora pedaços do céu num jardim,
regamos com magia, partilhamos a vida tão florida
fazendo do grande amor, o nosso ar.

Amo-te.
Finalmente.
PARABÉNS!

abril 11, 2009

Ovos da Páscoa

O Jardim está a preparar-se para receber amanhã, Domingo de Páscoa, os seus ovos.

Reza a lenda que na quinta-feira santa os sinos saem das igrejas de todo o mundo e voam até Roma, onde fazem uma fila e esperam pelas bênçãos do Papa. Na viagem de regresso vão deixando cair ovos nos Jardins de todo o Mundo, que as crianças e adultos, no Domingo de manhã, procuram para receberem as bênçãos também.

Os sinos das Igrejas estão em silêncio desde essa quinta-feira e só no dia de Páscoa rejubilam e nos envolvem com os seus sons, por isso, no Domingo quando ouvirem os sinos, lembrem-se de olhar à vossa volta e procurar os ovos de ouro que este período tão bem plantou dentro de nós!

Oiçam os sons que vão ecoar no Vosso Jardim e aceitem-nos como indicações de onde devem plantar, semear, nutrir, cuidar, as vossas sementes.

Que assim seja sempre!

abril 03, 2009

HOJE VI DEUS


Num acto de bravura sem igual na vida desta tímida jardineira, lanço aqui uma semente até à data escondida nas profundezas do meu mundo privado.
Tenho por hábito, no final de cada dia, escolher um momento que por algum motivo me tenha dito algo de especial e a que chamei “Hoje vi Deus”. Fica registado no diário que mantenho dos meus devaneios, como este, entre outros igualmente permeados de sonho e fantasia.

Para mim é importante “ver Deus” todos os dias, por forma a não esquecer que no meio da loucura que confundimos por sanidade, das nossas pressas para ir a lado nenhum, do cinzentismo social que elegemos a cor da moda, a Verdade e a Beleza rompem por entre as mais espessas muralhas que erguemos, mostrando-nos a grandeza desta experiência e a expondo a nu a Grande Ilusão.

Ninguém fica indiferente ao toque do sagrado. Independentemente das nossas crenças religiosas, ou da ausência destas, todos, a determinada altura, sentimos a mão de algo que nos transcende. Este momento é único porque não o conseguimos ignorar e porque, mesmo que não nos apercebamos de imediato, muda-nos.
Ateístas, gnósticos, simplesmente distraídos e até alguns inflexiveis, todos uma altura ou outra já foram parados para sentir que há mais entre o céu e a terra do que pode imaginar a nossa vã filosofia.
Eu acredito que há. É essa minha percepção das coisas misteriosas, para mim maravilhosas, que guardo sob a forma de palavras no registo da passagem por esta minha vida tão cheia de riqueza. E cada vez vejo mais tesouros.
Hoje, sexta-feira, dia de Vénus, decidi partilhar os meus tesouros. Bem sei que parece ridículo, mas tenho constatado que as coisas verdadeiras na vida são ridículas...Então aí vai, because:



A semana passada fui testemunha de uma descida do céu à terra e é por esse momento que vou começar esta partilha “ Hoje vi Deus” porque me emocionou de modo particular.


O instrumento para esta manifestação divina foi um homem cuja constituição física robusta só é comparável à imensa doçura do seu olhar. Grande, forte, sólido, nada faria esperar que ensinasse a dançar...E foi uma das suas aulas que fui experimentar. Com muita, muita relutância. Como referi, sou tímida e estar numa sala repleta de mulheres semi-despidas a bambalearem-se, acho que pode considerar-se um grande passo no sentido de vencer os meus traumas… A chamada terapia de choque. Freud ficaria orgulhoso de mim.
Estava um pouco constrangida e percebi na pele o significado da expressão “peixe fora de água”. Deslocada do meu habit natural, tentava seguir os passos que ele ia ensinando. Valeu-me a companhia de um Amigo, que não me deixou enfrentar sozinha aquela selva de braços, pernas e seios a saltar por todo o lado.

Foquei o meu olhar no professor na tentativa de me abstrair e executar a missão a que me propus: sobreviver àquela aula.

Nesse momento, ele fechou os olhos e enquanto movia o corpo, balançando-se, dizia “sintam a música”, “sintam a música”. Disse esta frase três vezes, elevando gradualmente o tom de voz até que à terceira vez, sempre de olhos cerrados, disse “sintam a música - AQUI!” e bateu com a mão no peito, no sítio do coração. Foi um grito vindo da alma aquele “AQUI”.
Vi-o então brilhar uma luz mais forte, porque percebi que o Amor habitava naquele homem quando dançava.
Tive vontade de sentar-me na sala e ficar ali, apenas a vê-lo dançar. Agradeci profundamente a benção daquele momento mágico de puro SER.
Depois disso, esqueci todas as pessoas que ali estavam.Esqueci que era envergonhada e esqueci também os meus bloqueios. Dancei, pulei, mexi-me. O melhor que consegui. Tudo o que queria era misturar-me naquela energia linda que irradiava dele.

Lembro-me que no caminho para casa ainda ia meio atordoada a reviver o instante. Lamentei não ter fechado os olhos e ter-me rendido à vontade genuína de lhe dar um grande abraço no final e agradecer-lhe por me ter mostrado Deus.

E está feito.
As pequenas felicidades, as grandes alegrias e o amor constante, estão por todo o lado, mas entram apenas onde os deixam entrar. Hoje abri aqui uma janela e gostava muito que cada um procurasse abrir também algumas e o partilhasse, se assim pedir o vosso coração.
Quem sabe se os vossos tesouros não são também as riquezas de outros…
Fica o convite.
IdoMind
...about living brighter, better and dancing

março 25, 2009

Uns Graõzinhos de Adubo


Foi grande a satisfação desta jardineira pelas reacções provocadas pela semente anterior “Exame de Consciência: precisa-se”. Percebi, todavia, que não me fiz entender de forma inequívoca, o que não posso ser de modo algum... Gosto que me entendam bem. Nesse sentido vou aqui transcrever a resposta que dei ao Viajante, um regador atento deste pequeno canteiro e um homem, que a minha intuição, diz ser generoso e empenhado em fazer o Caminho o melhor possível.

Aqui vão estes grãos de adubo:

“Sou apenas uma, mas consciente das duas que vivem em mim. O meu pedido, em tudo o que escrevo, tem sido apenas um, que aceitemos os dois cães que habitam em nós e escolhamos aquele que queremos alimentar.

Sou a mesma que usa da doçura mas sem abdicar da verdade. Sou a mesma que dá carinho sem excluir a frontalidade. Sou, acima de tudo, a mesma que escolhe ser ela própria.
Sim. Quando escrevi este texto estava zangada. Não retiro, porém, uma vírgula. É o que penso sem tirar, nem por. Sou uma pessoa tranquila, que raramente perde a calma ou se deixa controlar por emoções. Este post foi fruto do cansaço pela dor que uma “vitima” tem vindo a provocar em alguém que amo muito.

Claro que é mais fácil estar do lado de vítimas do que do lado do pseudo-vitimizador. É tão mais fácil compreender o coitadinho que o corajoso. Este é o perigo das "vitimas".Por isso são a mais vil forma de manipulação, porque é a mais funcional. Então aqui (blogesfera, internet...) tudo se torna ainda mais simples porque ninguém nos conhece, então podemos dar a imagem que queremos, ser aquilo que quisermos, até a pobre vitima com quem os amigos são “maus”.

Estava zangada porque não suporto nada que seja subreceptício. Que rasteje na escuridão. Não suporto os “sons de baixa-frequência”… Eu sou barulhenta, faço-me notar, faço-me ouvir. E Deus me ajude a ser sempre assim. Com todos, eu tenho essa responsabilidade para que escolham se me querem ouvir ou não.

Obviamente que não sou uma ilha. Nem quero. Vivo, convivo, observo, escuto e, com tudo isto, aprendo. Ou pelo menos tento. Já tive boas e más experiências como toda gente. Já ri muito e chorei em doses que deviam ser proibidas. Já conheci gente maravilhosa e outra assim não tão maravilhosa. Por tudo agradeço. Isto não é só conversa bonita. Agradeço mesmo.Voltando atrás, não alteraria nada se tudo foi necessário para chegar aqui como cheguei. Cresci, mudei e continuo a crescer e a mudar.
Obrigada a todos, aos que comigo continuaram e aos que seguiram outros rumos.

O Viajante fala em “mais evoluída”.Não sei do que fala. Ainda não vejo nenhuma auréola na minha cabeça, nem noto penas nas costas... Estou em evolução. Assim como o Viajante. Como a Shin-Tau, como outros… É natural que provoque lágrimas, como já mas provocaram. Ocasionalmente devo causar dor, como já me causaram a mim. Não gosto de toda a gente, assim como toda a gente não gosta de mim. Chama-se VIDA!
Nem o Mestre agradou a todos. Nem o Mestre a todos curou. Continua a chamar-se VIDA!
O importante é que sejamos fieis e verdadeiros para que o nosso e vosso caminho se cumpra.

Viajante, há dias em que penso se o meu sacrifício limpasse os males do mundo e desse uma nova oportunidade de começarmos de novo, eu caminhava para a cruz com um sorriso nos lábios. Do fundo do meu coração…O meu texto foi e é dirigido para aqueles que querem carregar uma cruz mas que todos os dias a amaldiçoam. Essa cruz torna-se a única razão de viver e curvados com o seu peso passeiam-se à nossa frente para chamar a nossa atenção, para atrair a nossa solidariedade, para roubar a nossa energia. Algumas pessoas sem cruz não reparamos nelas…sabe que é verdade. Todos temos cruzes, o segredo está em mudar a posição perante ela.Mais uma vez a resposta é o Amor.” E agora acrescento, por tudo aquilo que carregamos e se assim for logo percebemos que nada estamos a carregar mas apenas a apoiar.
Deixo agora um pensamento a todos aqueles que com muita dificuldade leram as minhas palavras: cuidado, examinem-se também a fim de perceber se aquilo que alimentam é uma relação de simbiose em que todos crescem e se entreajudam nesse crescimento ou se estão a dar guarida a parasitas.

Ambas as semente lançadas tiveram como alvo os pulgões que primeiro tiram a beleza da planta, depois lhe tiram a força e por fim a matam e não as abelhas que apenas extraem o pólen para fazer mel…
A todas as abelhas, às flores e às relações saudáveis num jardim onde todos podem beber as gotas da chuva enviadas pelas nuvens e os raios de sol descidos do céu… as minhas mãos, o meu abraço e o meu sorriso..sempre.
IdoMind
about my garden...

março 19, 2009

Exame de Consciência: Precisa-se!

Das três formas de manipulação de energia, há uma em especial que não tolero: a da vítima.

À medida que fui estando mais presente de mim, no meu percurso por terras do planeta azul, fui constatando que o nosso afastamento da Fonte nos levou a procurar a Água uns nos outros.
Convencidos que fomos deixados ao abandono e sentindo a necessidade inerente pela energia de que somos feitos e que nos une a todos, passámos a tirá-la onde é mais simples - aqui, no relacionamento com os outros. Dos outros.

Sabem bem do que falo. Daquela dor de cabeça horrível depois de um telefonema com o fulano X; da quebra de vitalidade após o encontro com a senhora Y; da irritação pelo comportamento agressivo do chefe ou a tristeza pelas palavras sempre distantes da namorada.
O facto é que todos tentamos, das mais variadas formas, roubar a Energia Vital dos outros.

Obviamente que este roubo não é feito com dolo. Não o fazemos de forma consciente ou intencional. Quer dizer, a maior parte de nós. Outros haverá que querem e conseguem propositadamente alimentar-se às expensas dos outros. Quero acreditar, todavia, que por regra actuamos mais sob o impulso de padrões de comportamento velados do que com intenção de prejudicar.

Um dos modos mais frequentes e mais eficazes para a prática deste crime é a auto vitimização. Vestirmos a roupa do coitado a quem tudo corre mal. De quem ninguém gosta. Do sacrificado a quem todas as responsabilidades são exigidas. Daquele que apenas dá e a quem ninguém se lembra de retribuir.

Também aqui sabem do que falo. Todos conhecemos uma “vítima”.

Se tenho alguma paciência com as “vitimas” que ainda não descobriram que a Energia está à nossa disposição a todo o tempo e em todos os lugares bastando ir buscá-la, com aqueles que já sabem o Caminho para a Fonte e que esta é inesgotável, sou implacável!
Não posso e não permito, enquanto Ser de Luz, assistir ou condescender com comportamentos nefastos à minha Caminhada… e à da “vítima”.

O que é isso de magoar alguém? O que é ser “mau” para alguém?
Em verdade vos digo, assim como não podemos magoar Deus, é impossivel magoar alguém.
A mágoa é fruto das expectativas que criamos em relação aos outros. A mágoa vem de sentimentos mal aceites. A mágoa é o ego ferido a manifestar-se.
Então devo agradecer “ainda bem que me magoaste porque me permitiste ver o que não queria”.

Sem dúvida que terminar uma relação com alguém porque já não se ama, vai magoar. Seria então preferível continuar a dar meio-amor, meios-beijos, meios-abraços. Seria melhor não libertar a pessoa e condená-la com isso a nunca sentir a experiência de ser amado em plenitude?

É magoar alguém não querer estar com a pessoa porque a acha aborrecida, cansativa ou simplesmente porque não nos apetece? Será melhor fazer um sacrificio e aturá-la?
Imaginem agora que são essa pessoa aborrecida e que alguém está a fazer o sacrificio de vos aturar. Mas é claro que não sabem disso. Pelo contrário, até acham que aquela pessoa gosta de estar convosco. Que tal a sensação?

Mil vezes a sinceridade! Mesmo que vá magoar.

Não sou má por fazer as minhas escolhas e por viver a minha vida como eu a quero viver com quem a quero viver.
É a minha única liberdade!
Vender a minha alma e recusar-me a fazer opções duras é um preço que não estou disposta a pagar a troco de ser “boazinha”.

Que pena que não consigamos gostar de toda a gente a todo o tempo e corresponder sempre com aquilo que esperavam de nós. Tudo seria tão mais simples. E nós seríamos perfeitos.Mas não seríamos nós.
Portanto, não admito que me manipulem com a culpa de não fazer o que esperavam de mim, de não dizer aquilo que queriam de ouvir de mim, de não ser aquilo que querem que eu seja, mas aquilo que sou.

Para as vítimas: quando viverem a VOSSA VIDA e não a do marido, a dos filhos, a dos pais ou dos amigos, verão que a vida dos outros, as palavras dos outros e os actos dos outros afinal não têm assim tanta importância.
E se não gostam dela, mudem-na, por favor. Mas não queiram arranjar adeptos que vos dêem palmadinhas nas costas e vos consolem a pobreza de espirito.

Estou aqui para ajudar todos os meus irmãos que queiram ser ajudados.
Nunca os que que sentaram à beira do Caminho à espera de boleia. E muito menos aqueles que ainda me apontam o dedo e me querem responsabilizar por escolher não parar, abrir a porta do carro e transportá-los.
Peço também a mesma ajuda.Não me deixem sentada à boleia. Não parem, a não ser para me dizer " é essa a pessoa que queres ser?"
Muita consciência é que ao que apelo. Muita frontalidade. Connosco próprios primeiro e com todos o outros depois.

IdoMind
about the way I walk...

março 10, 2009

As sementes

Quando um Jardineiro lança as suas sementes ao solo, deixa que estas escolham onde querem cair. Ao fazê-lo o Jardineiro está deixá-las escolher que tipo de crescimento vão ter, se a sua evolução de semente a flor vai ser mais rápida ou mais lenta, mas confia que todas vão conseguir.
Observar as suas escolhas é um processo delicioso, constatar que algumas escolhem solo árido, outras ficam escondidas debaixo de pedras e outras escolhem o solo fértil, arado e bem cuidado. Estas terão um crescimento fácil, encontram todas as condições necessárias para crescer e florir, mas as outras irão enfrentar adversidades, além das naturais que todas encontrarão, como ter de se esforçar para empurrar a pedra e poder apanhar sol ou furar o solo duro com raízes fortes para poderem receber os nutrientes necessários que ali se encontram à sua espera.
O Jardineiro não pode interferir, pelo menos directamente. A única coisa que o Jardineiro pode fazer é observar e oferecer mais água ao solo árido e à flor que está debaixo da pedra, mas estas vão crescer com indícios de falta de nutrição adequada. E isto o Jardineiro não pode alterar, foram as suas escolhas enquanto sementes. Quando elas forem já flores, poderão esforçar-se mais para captar os nutrientes que lhes estavam em falta ou virarem-se na direcção do sol, mas o Jardineiro nunca deverá mudá-las de lugar, afinal foram as suas escolhas.

E nós, quantas vezes ao dia temos a pretensão de mudar as flores que estão no nosso Jardim de lugar, para que elas possam ter direito a melhores condições? Ao fazê-lo não nos estamos a esquecer das escolhas que essas flores fizeram enquanto sementes? É, claro, que a nossa obrigação como Jardineiros é de ajudar, mas tal como no nosso Jardim, só podemos oferecer melhores condições, o aceitá-las ou não, já não é da nossa competência.
Será assim tão difícil aceitar que o Mundo é um grande Jardim e que todos nós fomos sementes que fizeram as suas escolhas?

Tudo está onde deveria estar!


Que assim seja sempre!

março 03, 2009

Gosto dos dias em que acordo e vou inspirar o meu jardim IV


Todas as mudanças necessárias são possíveis e quando começam acontecem a uma velocidade nem sempre fácil de acompanhar. E quando assim é, aumenta o apetite para dar rumo à compreensão do que posso fazer pelo Jardim. Descobrir novos aromas? Reinventar os canteiros? Repovoá-los para atrair novos seres ao jardim, para os poder ouvir, escutar o seu silêncio, sentir a sua presença e recordá-los com um sorriso no pensamento.

Por vezes, ao deixar de lado as exigências do ego, tenho a oportunidade de sentir com maior sensibilidade o mundo que me rodeia, do qual faço parte, e, de perceber que a grande gratificação se vê reflectida nos outros.



Gosto dos dias em que acordo e vou inspirar o meu jardim.
E de lá ficar com um sorriso no pensamento.

março 01, 2009

A crise chega ao Jardim




Covilhã, onze e pouco da manhã. Cerca de sete pessoas aguardavam para ser atendidas na Conservatória. Ao balcão, três funcionários. Não, desculpem dois funcionários. Esperem, esperem afinal está uma funcionária no balcão…
De repente, pelo meio dia, desapareceram dois para o almoço e ficou apenas uma funcionária, sozinha e encarregue do serviço de registo predial, comercial e automóvel.
Ninguém queria acreditar no que tinha acabado de acontecer. Ainda por cima o balcão era corrido, com cerca de doze metros, e a funcionária, pequena e magra, encontrava-se sentada numa das pontas. Maior era a impressão de termos sido abandonados e condenados a horas de espera.
Uma senhora meio incrédula perguntou se a colega tinha ido à casa de banho..
A mesma senhora dizia como que a pedir socorro: “
Mas eu comprometi-me às 14horas estar num lugar.Estão à minha espera. Não posso faltar, só me pagam 2,50€ por hora mas é uma cliente certa e conta comigo.” Repetia “Comprometi-me , disse que fazia o serviço..”
Vi aflição nos olhos daquela humilde senhora que não protestou, não reclamou, não desancou a funcionária, apenas pensava em voz alta, talvez na esperança que alguém saltasse o balcão para dentro e lhe desse a fotocópia não certificada que foi ali para pedir (serviço de 5 minutos).




Tudo isto me fez pensar, enquanto também eu esperava que os outros dois funcionários fizessem de novo o truque e aparecessem no mesmo passe de mágica com que desapareceram.
Depois do que vos contei fiquei convencida que não há crise.
A crise somos nós.Há uma grande crise interior de valores e de prioridades.
Perdemos a fé nas regras básicas que nos permitem viver mais pacatamente uns com os outros. O respeito, o gesto gentil tão fácil que nos é cada vez mais díficil dar. A cortesia voluntária que deu lugar ao “
mas eu cheguei primeiro” “ pois, tenho muita pena mas…”
Perdemos o brio em nós.Não há gosto no que se faz.
O estado do país é apenas o reflexo do estado a que cada um de nós se deixou chegar…
Não é bonito, mas é a verdade.Com que legitimidade nos queixamos se a meio da tarde já se está a olhar para o relógio, aguardando com ânsia a hora de ir embora.Quantas vezes não deixamos para amanhã o que com alguma boa vontade e profissionalismo faríamos hoje.
Lamentavelmente olhamos para o trabalho como um mal necessário.
Mas o trabalho é mais um ramo da árvore da nossa vida que se não for devidamente tratado, acarinhado, nutrido acabará por trazer doença aos outros ramos, ao tronco e por fim condenará a árvore ao perecimento.
O trabalho é uma benção. Põe-nos comida na mesa. Paga o nosso tecto. E temos um. É mais do que milhares e milhares de pessoas podem dizer. Não é perfeito? À semelhança do Mestre, olhem para a alvura dos dentes e não para o cão morto à beira da estrada (quem tem ouvidos que ouça…).
No fundo é simples:
Se fazemos o que gostamos, então façamo-lo! Mas a sério. Com empenho, com determinação, com amor, tomando consciência das consequências do nosso trabalho e da forma como o desempenhamos, na vida dos outros. Sejamos o melhor de nós também no trabalho.
Se não fazemos o que gostamos é mais complexo, mas nada que um pingo de honestidade não resolva, admitindo que tanto nos faz qual o impacto que a nossa falta de interesse no emprego tem nas outras pessoas. Sejamos então pelo menos o melhor que conseguirmos e ousemos fazer uma escolha diferente: mudar de atitude…ou de trabalho.
Sejam diferentes para Vosso e Nosso bem.
Because IdoMind
about life...

Gosto dos dias em que acordo e vou inspirar o meu jardim III

As flores são mediadoras da união do masculino com o feminino. Dependem do vento, de animais e algumas de si mesmas para poderem dar continuidade à sua espécie. Elas exibem o seu forte poder de atracção pela diversidade de padrões de cores e aromas.
A sua sensibilidade ajuda-me a ser mais eu, a viver, enfeitiçado pelo seu perfume, os dias de acordo com aquilo que faz mais sentido. Quero senti-las cada vez mais próximas, enchê-las de mimos, dar-lhes atenção, ajudá-las a crescer com compaixão e simpatia pelos outros. Todavia, existem flores que recusam a nossa ajuda e exigem a sua privacidade para crescer. Por vezes, desrespeitamos esse seu desejo e insistimos em ajudá-las a crescer e a sua reacção nem sempre é agradável, mesmo quando a nossa intenção é a melhor possível. Vivendo e aprendendo.

Gosto dos dias em que acordo e vou inspirar o meu jardim.
Como é bom ficar enfeitiçado pelo seu perfume.
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