maio 10, 2010
Uma questão de talento
abril 26, 2010
Parcialmente Nublado...ou não?
IdoMind
abril 16, 2010
My Shin´s Day!!!!
abril 15, 2010
Quando não há saída
Lá para o final do dia, e como o muro não desaparece, chamo a cabeça de volta para junto do pescoço. “ Anda lá, é só mais um desafio. Faz o que fazes tão bem – pensa.” Diz a mesma voz que me ensinou a acreditar no impossível. O burburinho do mundo confunde-me. Rodeio-me por isso do silêncio que preciso para falar comigo e ouvir o que tenho a dizer-me. É assim, calada e quieta, que faço o exercício da honestidade. Onde foi que podia ter ido pela avenida ampla da esquerda e fui pela ruela estreita mais à direita. De propósito. Que palavras a dançar nos meus lábio abafei. Que gestos pendentes anulei. Deixei novamente que pensamentos descontrolados dessem vida aos meus temores.
A ignorância é um luxo que se paga caro. Ainda ando aos trambolhões pela toca abaixo aprendendo que O País das Maravilhas pode ser pouco maravilhoso. E mais profundo do que pensava. De quando em quando ainda acho que há insignificâncias no Universo. Coisas mínusculas e sem importância que vão passar despercebidas. Como se o Universo fizesse pausas e não me prestasse atenção. Como se eu não fosse o Universo. Depressa, e cada vez mais depressa, é-me mostrado que tudo importa. Que tudo volta.
Este é o meu pecado – recusar-me a ser Deus. E a que é a maior das bênçãos torna-se na maldição que me leva a momentos como estes. De joelhos, em sincera confissão.
Conheço bem as minhas fraquezas. Tu conheces as tuas. Negá-lo é perpetuar a repetição da mesma dor. Das mesmas quedas. Das mesmas perdas…
E eu estou tão cansada…Tu não estás?
Prometo-me vigiar-me. Com muito amor, porque faz parte de ser humano não ser perfeito.
Prometo-me aceitar-me. Sem culpa, porque as diferenças são a cor do mundo.
Prometo-me mudar-me. Sempre, porque as mudanças são boleias das estrelas.
Sei que a felicidade não é uma opção. Só o tempo que demoro a reconhecê-lo.
Como este.
março 29, 2010
Foram as vozes...
Fui homem como tu. Sei tudo sobre os teus cansaços. Senti o peso da pele que se oferece aos rigores da Terra. A mesma pele que recebe a carícia e a ofensa. Conheci a bondade e a intolerância. Comi com santos e falei com demónios. Lutei com os meus. Fui tentado. Tive medo. Tive tanto medo. março 26, 2010
"Está difícil fingir que está fácil"
Esqueci-me de onde vim. Do meu propósito. Dos que comigo aqui vieram para relembrar. Esqueci-me dos empurrões que combinei. Dos corações partidos que agendei. E daquelas palavras difíceis, tão duras de ouvir, que escrevi e dei a decorar. As lágrimas, grossas, que me aproximam da compreensão dos meus defeitos. Dos sonhos que julgo que são meus. E que afinal vêm de outro lugar. Daquele poço no meio do estômago onde o ego e o anjo se encontram à espera da digestão. Sinto o corpo dorido das brincadeiras que planeei contigo, sentados lá, no nosso sítio na eternidade. Não me lembro quantos pontos valem as decepções. Quantas casas avançamos por cada “desculpa” que não dissermos. Para que nível passamos se conseguirmos travar a tempo aquele beijo. Se vence quem sofrer mais. Quem se camuflar mais. Quem for forte até fim e resistir à força maior que parece trazer-nos uma e outra vez ao Encontro. Não sei se é mesmo assim que deve ser, aguentar de pé amparados pelo orgulho, solitário, de não dar o braço a torcer. Não me lembro. E levo-nos a sério… E dói a sério. Como se fosse possível estar separada de ti.
Devem os meus braços estender-se mais uma vez, apalpando às escuras a tua presença ausente? É tão alto o teu castelo. E como são imponentes as minhas muralhas. Sei que estamos exaustos do Combate. Das perdas que ainda cá estão, por detrás dos gestos pensados. Dos passos cautelosos e lentos de adultos e bons alunos. Caem muito as crianças. Mas depressa voltam a correr como imortais.
Achas que podemos reinventar as regras?
Achas que podemos começar de novo? Todos os dias. Todos os minutos. Estabelecer uma nova meta chamada " Nós".
Em nome do amor vou fazer por me lembrar o quanto te amo.Todos os dias.Todos os minutos.Agora.De novo...
IdoMind
março 22, 2010
O Jardim Acorda
Este Inverno foi o mais longo dos Invernos.Trouxe um frio que não conhecia e nada me aqueceu. Assim fiquei, encolhida sobre mim, para que o pouco calor não se perdesse e eu, por fim, esquecesse acerca do mundo que é redondo e dá a cada coisa o seu tempo. Mesmo os Invernos longos não são eternos.Numa destas manhãs, pareceu-me ouvir um apelo imperceptível que vinha lá de fora. A medo fui-me trazendo até à entrada do ninho onde aninhada aguardei a chegada da que sei que sou. Era a força da vida que cantava, anunciando a promessa dos começos que quisermos começar. Era a força da vida a renovar as minhas forças. Cantavam os pássaros, as árvores e até o mar bradava com a alegria de quem sabe que também a sua solidão estava a acabar. A nostalgia das praias desertas em breve partirá.
Era Primavera. Era isso que estava a acontecer. A despedida das trevas expulsas pela luz. Mais uma vez…
Tive vontade de chorar. Pelo que passou e doeu tanto. Pelo que ainda não passou e continua a doer. Pelas feridas novas que vou arranjar enquanto conduzo o Carro Sagrado. Estou parada com um pé na caverna e o outro no relvado cada vez mais verde. O Sol, ainda príncipe, manda-me tirar a roupa que abafa o brilho. E convida-me ao trabalho. É tempo de plantar. De perder as mãos na Terra semeando em solo rico as sementes do meu amanhã.. É tempo de fazer. De refazer. De desfazer. É tempo de acordar. Sacudir o que foi e preparar o que vai ser.
Sou a jardineira do meu jardim. Esta é a missão. Cuidar do meu pedaço de existência. Como puder. Com o que tiver. Guiada pela sabedoria de todas as outras colheitas. Dos dias de sol e dos dias de chuva, que me levaram a crescer. Dos muitos dias assim assim em que tive de escolher. Das Primaveras que não compreendi senão no Inverno seguinte.
Plante eu com humildade para aceitar que o meu jardim não é o melhor. O maior. O mais bonito. É só um pingo de cor, uma gota de orvalho, a quietude perfeita de uma manhã no cenário infinito da criação. E é lindo, assim humilde, cumprindo a sua parte no Desenho Divino.
Aguarde eu com Fé, os frutos que ainda batalham no ventre da Mãe rumo ao Céu. Não me deixe esta certeza no final feliz. Ainda que não o esperado. Todas as flores são bonitas se nelas procurarmos a sua beleza. E se me perfumarem o caminho, ainda que preferisse rosas, vou agradecer aos malmequeres.
Haja Amor no meu jardim. Na jardineira que dele trata. Nos que por nós passam. Nos que param. Nos corações que namoram com os actos. E com os pensamentos. Reconheça eu o Amor de que tudo é feito e viva assim em Amor comigo e contigo.
janeiro 26, 2010
Daqui até Mim
Onde está a tal linha que divide o deserto, a floresta e os mil oceanos dentro de nós. Onde acaba o território árido em que estão sepultadas as dores e as mágoas e todas as palavras feias que nos nos disseram. Onde se escondem as pedras que ferem. Que nos rasgam os passos.Vejo gente pedregosa. Com acessos difíceis. Ladeada de escarpas impossíveis de escalar. De vencer. São a gente das montanhas onde é sempre Inverno. Onde faz sempre frio. Onde a noite cai mais rápido. Isoladas no seu rigor sobrevivem dos hábitos a que a solidão obriga. Só contam consigo. Só esperam o pior. Não adormecem e por isso não sonham. O meu coração aperta mais um pouco. Bastava que baixassem a cabeça para que dessem conta do imenso vale que jaz a seus pés… Onde o Sol repousa os seus raios e a Mãe opera os seus milagres.
Suspiro e a minha atenção é cativada pelo desfile de exuberância da gente amazona. Orgulhosas da sua beleza inigualável. Vestem-se de fruta exótica que oferecem num bandeja enfeitada de elogios e risos que embriagam. São a gente ilusão. Trazem a inveja.Trazem o cíume. Sobrevivem dos insectos, tontos e meios cegos, que apanham nas suas teias invisíveis do faz-de-conta. Tudo é aparente. A verdade é tratada com antipressivos e não há imperfeição que alguma maquilhagem não disfarce. Mas por detrás da camuflagem colorida há apenas um vazio sem fim. Para onde não espreitam. Mais um antidepressivo e a festa continua. São os que mais me doem porque são a gente morta a fingir que está viva. Se conseguissem despregar os olhos do umbigo e descobrir o horizonte tapado pelas palmeiras ocas…
Eu sou de areia. Eu vivo nas montanhas. Eu enfeito-me. Eu sou toda a gente que foge de si. E dos outros. Eu sou a inadaptada que se adapta. Outras vezes sou só a que corre para o seu esconderijo, mais ou menos florestado, mais ou menos desértico, mais ou menos longínquo, para evitar a Grande Aventura. E os aventureiros que nos desafiam a conhecer outras paisagens. A percorrer outros caminhos. A perder-me…
Tu também és Eu a ser toda a gente. Tu também tens uma ilha linda num mapa só teu. Também és amarelo, escarposo e maquilhado. Tu também tens medo.
Somos todos jardins plantados sobre terrenos acidentados porque a vida não é plana.
Que o deserto seja travado com água da nossa Nascente. Que a montanha sirva apenas para nos levar mais perto do céu. Que na floresta encontremos a verdadeira Riqueza.
Que nós sejamos nós a fazer o melhor.
janeiro 21, 2010
On/Off

Não me perguntes outros porquês, porque não sei responder. Quero e quero muito. Tanto que perco o sono só em pensar que não vou ter. Ou que vou perder.
Hoje dormi uma hora. O meu travesseiro não aconselha, mantém-me bem acordada para me impedir de fugir à noite de tudo o que vou fugindo de dia.
Porque é que é tão importante isto ou aquilo. Esta ou aquela palavra. Um convite. O olhar especial. Dinheiro… Ser bonita. Coisas e mais coisas. Porque esta urgência do que está para lá de mim.
São agora três da manhã e acho que, afinal, tudo o que quero é sentir-me segura.
No trabalho. Nas relações. Comigo. É só uma questão de segurança.Talvez seja mais honesto dizer controlo. Eu quero controlar. Chego à arrogância de querer controlar os meus sentimentos. De domar as emoções.
Como tu, quero evitar o sofrimento. Quero ficar segura de sofrer. Algumas lágrimas trazem lâminas que nos dilaceram. E aprendemos que chorar dói. Para evitar a dor, a jeito de vacina, imunizamo-nos contra o que faz doer – a própria vida.
É por isso que choramos cada vez menos e nos zangamos cada vez mais. Desprezamos o milagre que somos aceitando uma pequenez que não temos.
É por isso que não nos VEMOS uns aos outros. Não ouvimos os gritos presos nas mesmas laringes que nos dizem bom dia. Todos os dias. É por isso que não nos sentimos.
São os efeitos secundários da tal vacina que nos torna resistentes à vida. Perdemos a faculdade de sermos humanos a desfrutar da nossa a humanidade.
E não será esta a pior forma de sofrimento?
Vou aterrar a minha nuvem.
Que as minhas lágrimas sejam breves. Que os erros sejam mestres.
janeiro 15, 2010
To live or not to live
Já andei um bocado. Vi muitas coisas. Vivi outras quantas. Já caí. Levantei-me e lá fui, de novo. Já fiz asneiras. Já me arrependi. Disse o que não sentia. Já fiz o contrário do que queria. Algumas lições estão aprendidas. Muitas ainda para aprender. Depois há aquelas em que pareço sempre reprovar. Se ao menos houvessem passagens administrativas nisto da evolução.
Uma e outra vez deparo-me com a mesma situação. Com a mesma pessoa. Com os mesmos obstáculos. Com as mesmas amarras que me impedem de fazer diferente.
E quando o tempo passa, sem que eu tenha deixado de ser eu, igual a mim mesma, pergunto-me sempre qual será o limite de tentativas. Qual será o prazo para adiar uma vida? Um amor…
Ultimamente, sempre que estico os braços sinto como é estreito o meu mundo. Caibo apenas eu. E este é o preço pago pelos cobardes – a solidão. A pobreza, porque nada recebe quem nada dá.
Se estou destinada ao que quer que seja, a quem quer que seja, cada vez que dou um passo atrás quando podia dar mil em frente, estarei a fazer uma escolha ou a executar uma ordem? Estarei eu a fugir, como penso que estou, ou a ir afinal ao encontro do que está marcado?
Talvez…
Ou talvez o Fim da história já esteja escrito bastando-me escolher se o quero a cores ou a preto e branco. Com ou sem ilustrações. Simples, como um conto mágico ou a puxar para o drama intrincado.
Talvez seja inevitável o Final Feliz.
Talvez…
IdoMind
janeiro 11, 2010
Para 2010

A magia está no ar. Ao meu redor, dança iluminada.
Seja eu, finalmente, capaz de a trazer.
Pois este é o tempo da alegria semeada.
Há a bater no peito este acreditar.
A força que se juntou em mim, a pulsar .
Agradecendo a dávida a ser recebida.
Cada chegada que me levou a uma partida.
Sinto o chamamento desta vida, irrepetível e singular.
Agora que sou outra, a que estava à espera, escondida,
E aqui chegada, tão cansada, tão crescida.
Sinto. Sei. No final, tudo o que importa é amar.
A mim. A ti. Os segundos que me são dados.
Transformá-los em pedaços de algodão.
Converter a dor em lição.
Esta é a alquimia do coração.
Descobrir que não há caminhos errados,
Fomos todos abençoados
Por destinos entrelaçados
Nesta sagrada união.
dezembro 22, 2009
Passo Um

Certas coisas e palavras que nem pensar em fazer ou dizer. Algumas pessoas a quem nem pensar em pedir o que quer que seja. Mesmo que precise muito. Desculpas e obrigados que nunca atravessaram a barreira entre a cabeça e os lábios porque nem pensar em proferi-los. Dúvidas que nem pensar em esclarecer. Fraquezas que nem pensar em mostrar que tenho. A fragilidade de mulher que nem pensar em admitir. Estes sentimentos agarrados à minha humanidade que nem pensar em partilhar...
Lá, onde dói, é para onde me dirijo porque Tudo o que há sou Eu e Eu sou Tudo o que há. A faca que fere e o golpe que sangra. As costas e o chicote. No fim temo-me apenas a mim mesma.
Eu sou a que se vê a ser também o que não é e que decide Mudar. A que se silencia para se ouvir. Quieta para sentir de onde vem a dor. Reconhecê-la. E depois… apagar o “nem pensar” e escrever “porque não?”.
dezembro 19, 2009
O que foi e o que pode ser
Jamais saberei que paisagens perdi ao longo dos trilhos que abandonei para continuar por este que atravesso. Onde me levariam esses caminhos em cuja entrada tantas vezes parei procurando adivinhar o que se ocultava para lá da curva, onde a visão acaba e a fé começa. Prostrada pelo medo das pedras e das armadilhas, guardiãs da felicidade prometida, continuei pela vereda conhecida. De longe mais segura. Até ter deixado de o ser. Não há estradas sem pedras. Não há tesouros sem armadilhas. Hoje sei-o. Jamais saberei que pessoas ficaram por conhecer nos sítios que evitei, para permanecer neste quadrado quentinho e confortável, em que me aninho sobre mim mesma porque é difícil cair no mundo. Essa bola com vontade própria que quero tanto entender. Ver os porques mesmo antes dos porquês. Tornar a minha colheita menos dolorosa. Receber apenas quem me quer receber. Ser imune aos nãos que fazem ferida. Mas nada há que não se colha.Nem as omissões.Pessoa alguma entra sem ser desejada.E todos temos espadas. Que usamos. Hoje também o sei.
Se podia ter feito diferente? Sim. Podia ter decidido desnudar-me do orgulho. Dos pequenos egoísmos. Daquilo que não importa e mostrar-me, limpa, sem as capas que me protegeram de viver. Que adiaram os voos imprevistos que os sonhos marcam no descanso da razão.
Sim, podia ter sido diferente. Se não tivesse tremido quando o pés exigiam firmeza. Se não tivesse duvidado tanto quando bastava uma decisão. Se as rédeas dos meus cavalos nunca tivesses saído destas mãos. Hoje seguro-as, depois de tanto empurrar o chão para me erguer das quedas. Se eu não paralisasse a cada convite para dançar.
Quanto ficou para trás sempre que não quis seguir em frente...
Tudo o que É, é criação e o que foi não volta assim a ser. Não igual. Não da mesma maneira. Com o mesmo cheiro ou sabor que não quis experimentar.
Jamais saberei se seria capaz de fazer bem aquele trabalho que nunca tinha feito, nem quis fazer.
Jamais saberei se aquela rapariga do restaurante, que apanhei a chorar, precisava de ajuda. De uma amiga.
Jamais saberei se a minha avó sabia o quanto eu a admirava. Que ainda menina, já pedia nas minhas orações para ser sempre forte como ela. Agora restam apenas estas saudades.
Jamais saberei se quem partiu teria ficado se eu tivesse falado. Se o silêncio que uso para me murar tivesse sido quebrado pelas palavras e as desculpas sentidas que morreram no pensamento.
Eu jamais saberei o que ficou por sentir na vida que não escolhi ao lado de alguém. Junto de ti, numa tarde de domingo qualquer a ver filmes deitados no sofá com a manta de lã por cima. Nunca saberei...
Que eu as veja... e não tema mais entrar.
IdoMind
about living and learning
dezembro 07, 2009
As pequenas mortes na vida
Vai onde tiveres de ir. Segue o chamamento que levas os dias a ignorar. Vai. Nada temas porque a voz que ouves é a tua a lembrar-te do que te prometeste. São os ecos intemporais dos teus passos a chamar por ti.Larga tudo o que tiver de ser largado. O caminho faz-se melhor sem malas. Sem o passado que pesa. O homem que foste dissolveu-se no homem que és. Agora. Nesta decisão de agir ou não agir. De dar ou não dar. De dizer ou calar. De partir ou ficar. De tentar…
É tempo de largar se há muito tempo não choras a rir. Se a última surpresa que tiveste foi a mudança lugar da padaria no teu supermercado. Ou a planta que colocaram na entrada do teu emprego.É tempo de seguir se há muito tempo não conheces alguém cor-de-rosa. Ou azul claro. Alguém que tenhas levado para casa no coração, depois de teres trocado algumas, simples, palavras. Mas que são as últimas que te lembras antes de adormecer com um leve sorriso.
É tempo de mudar se não sentes vontade de ir respirar o mar ou não tens ideias parvas. Se ficas com a telha e a resolves arrastando os móveis de casa, a tarde toda. Ou a pensar em revestir com papel de parede aquele canto de quem vai da cozinha para a sala. É definitivamente tempo de largar se já não dás beijos de olhos fechados… Ou pensas se fechaste a garagem enquanto fazes amor.
Vai, se perdes mais tempo a olhar para o relógio que a celebrar todas horas que passam… Larga e vai procurar-te. Vai desenhar-te. Pinta a imagem mais bonita que tens de ti. Fá-lo por ti. Por nós.
http://grimoiredomago.blogspot.com/2009/12/abrir-mao-do-que-temos.html
dezembro 03, 2009
Este é para ti!

Pouco normal, dirão alguns. Porque aderimos também a um acordo tácito sobre o que é aceitável. Quanto mais aderentes, mais aceitável. Mais normal…
Também gosto de normalidade. Mas quando me traz satisfação. Quando a compreendo e aceito porque há coisas que são como são. Que nos dá a oportunidade de sermos o que quisermos ser.
Não gosto da normalidade que me escraviza a normas que não entendo. Que o meu coração não reconhece. Que não encontram eco em mim. Sim, faço todos os dias a escolha anormal de ser absolutamente honesta comigo. De qualquer modo, já não consigo enganar ninguém, vai sendo cada vez mais difícil pentear as antenas atrás das orelhas.
Vi tanta zanga logo pela manhã. Olhos reluzentes de mágoa, protegidos com uma capa de orgulho. Vi bocas fechadas a dizer “dói tanto!”.
Enquanto olhava, pensava que se fossem capazes de ser mais doces uns com outros, nenhum de nós estaria ali. Estaríamos talvez em casa a tomar o pequeno-almoço ao som do nosso albúm preferido. Talvez a preguiçar mais uns minutos nos lençóis de flanela e a pensar como a vida é boa. Talvez na brincadeira com outros bloggers.
Mas não estaríamos ali, azedos e amargos à procura de alguém que confirmasse que estávamos certos. Que a razão estava, inteira e indubitavelmente, do nosso lado. De um lado e do outro, dois seres humanos muito feridos, com memória apenas do que tinha sido mau. Nenhum se lembrava já dos piqueniques junto ao rio quando vinham da escola, do primeiro beijo, de todas as vezes que fizeram amor e sentiram que o seu lugar era ali, um com o outro.
Saí sem saber bem para quê. Quando dei por mim estava a comprar um chupa-chupa. Não correu bem, só havia um enorme, vermelho, de um boneco chamado Noddy. Paciência. Foi mesmo esse que ofereci à cliente, que olhou para mim. Olhou para chupa, voltou a olhar a olhar para mim e solta um sorriso que me fez ganhar o dia.
Disse-lhe: “ Lá fora a vida continua, com chupa-chupas, bombons e muitas coisas boas para saborearmos. É só escolhermos do que queremos alimentar-nos”.
Percebi que ela percebeu que o que nos levava ali era despropositado. Que estava a dar importância e adensar um sentimento que não era inocente, como aquele chupa-chupa escandalosamente infantil. Do outro lado do mundo, enquanto ela estava numa luta em que ninguém vence, havia alguém que dedicava uma vida a fazer doces. Para crianças. E para adultos no intervalo do crescimento. Para jardineiras destravadas de sensatez...
Senti-a a voltar lá atrás, à pureza dos momentos que não se repetem e dos sentimentos limpos de expectativas frustradas.
Fiquei imensamente feliz por ver o peso desvanecer-se do rosto dela e dar lugar à ansiedade de sair dali para estar sozinha com o chupa, que segurava com carinho nas mãos.
Decidi, por uma semana inteira, oferecer um chupa a alguém. Sem motivo algum. E se me perguntarem porquê, responderei, à míuda:
“ Porque o mundo precisa da tua doçura.”

