junho 16, 2010

A ver se nos entendemos

Não esperes por mim. Não dependas do meu não ou do meu sim. Por favor, não me obrigues a escolher por ti. Carrego já o peso suficiente de uma viagem que quis árdua. Não posso levar-te. Nem à bagagem que trazes contigo. Os desertos por onde já passei ficaram-me com tudo o que era inútil. E nas escarpas livrei-me do que podia levar-me ao abismo. Sei agora que o essencial não tem peso e que cada lugar tem uma pergunta para nós.

Ainda que quisesse, não oiço as tuas perguntas. Estão codificadas pelos pensamentos que pensas. Pelos sentimentos que sentes. Pelas lembranças que relembras. São perguntas para ti.  Por isso, não te percas nas soluções dos outros. Depressa compreenderás que o mesmo remédio produz efeitos diferentes. Não escorregues no vomitado lógico de ninguém. A razão só faz verdadeiro sentido quando é filha da tua experiência.
Nem sigas a luz de uma lamparina qualquer. De outra fé que não a tua. Aquela que te faz encostar o carro à berma ou esconder numa casa-de-banho e pedir baixinho “por favor, por favor ajuda-me, por favor”.  Essa fé. Que nem sabes a quem estás a dirigir. Talvez à vida que no fundo pressentes que cuida de ti. A fé que te vai revelar que não estás sozinho. E que tens sempre uma nova oportunidade.

A existência é demasiado vasta para que caminhes por cima das minhas pegadas. Firma as tuas. Imprime no Tempo o testemunho da tua vinda. E que as marcas que deixares falem da tua valentia frente a cada decisão de seres sagrado no profano.
É o que tento. Então, não me faças nem santa nem demónio. Sou só uma mulher a tentar chegar a Casa. Se soubesses da exaustão presa a alguns passos jamais me pedirias pressa. Jamais exigirias que chegasse à Hora que queres. 

Compreenderias que te compreendo mas que obedeço a outro ritmo. A outro relógio. E talvez fosses ao meu encontro. Talvez me trouxesses uma fatia de bolo de chocolate que partilharíamos sentados junto a uma árvore. Sem perguntas. Sem esperar nada. Só porque é bom comer uma fatia de bolo de chocolate comigo. Só porque gostas de me ver feliz. Só porque brilhas sempre que amas. Só por Ti.
Por nós, vive por Ti.
E deixa-me viver por mim.
Não me atinjas com a culpa de ter outros desejos. De sonhar. De ser Eu.
E eu não sou o que tu esperas. Nem posso.
Porque quem seria Eu, se todos esperamos coisas diferentes?

IdoMind
About getting things straight

junho 02, 2010

Estava eu tão sossegada!

Acabei de receber um pedido de ajuda por fax .
Alguém a narrar os seus infortúnios junto da Banca e das Finanças que conduziram à penhora do vencimento e da sua habitação. Alguém que desabafa que já não tem o que dar de comer aos filhos.
Não conheço a pessoa.
Explica que está a enviar este SOS para escritórios e empresas, reconhecendo que não tem vergonha de dizer que precisa de ajuda. O desespero engoliu o orgulho.
Pede-me 1 Euro.
Fiquei a olhar para o fax. Na parte final, senti a honestidade angustiante de quem já nada tem a perder e tenta, o que provavelmente nunca lhe havia passado pela cabeça,  expor a sua miséria. E esperar que alguém responda ao grito.
Pode ser logro. Pode ser mentira. Pode ser oportunismo.
Pode não ser.
E aqui fico eu, a tentar perceber que escolha me está a ser pedida.

As voltas que obrigámos o Universo a dar para que paremos. A vida que foi já não pode ser mais. Descurámos do essencial tão distraídos que ficámos com o supérfluo. A alma foi esvaziando à medida que enchemos os nossos frigoríficos com comida que deixamos passar de prazo.  Levámos o coração à fome para alimentar um vaidade fútil. Insaciável. Como ficámos pequenos nas nossas manias egoístas da uma grandeza oca.Tornámos-nos surdos uns aos outros ouvindo só aqueles e aquilo encaixável na nossa realidade de faz-de-contas.
Afogados na nossa fartura nem vimos que mesmo ali ao lado havia uma mulher com dois empregos...
Deixámos de nos preocupar com tudo excepto connosco. Até quando Damos pedimos factura para o IRS.
Guiados pela ambição, os pais abandonaram os filhos. Para lhes dar o melhor, deixaram de lhes Amor. E agora temos crianças que não sabem amar. E tão pouco sabem ser amadas. Não deixam. Negámos o dever sagrado de segurar as mãos das crianças. Aprenderam por isso a andar sozinhas.
Que esperávamos? Que confiassem? Que crescessem fortes? Seguras? Pois se não sabem quem são. Inventámos uma nova categoria de paternidade – Monoparentalidade. O nome é tão assustador quanto as suas consequências. Que estamos a receber.
E também temos agora uma nova categoria de Filhos – os Filhos de Fim-de-Semana. Criámos uma geração de crianças sem norte. Sem Pais. Mas com muitos brinquedos e roupa de marca. E ensinamos-lhes o que é competir logo no infantário…

Porque nos afastámos demasiado, estamos a ser forçados a fazer o regresso. Então a vida está a encarregar-se de nos nivelar. De nos trazer de volta a Nós. Perdemos-nos na viagem. Encantámos-nos tanto tanto com o fogo de artificio que não vimos a Terra a rachar ao meio. E lançámos mais umas canas. Para entretenimento, enquanto a dor de muitos era abafada pelo barulho da nossa festa particular.
Calou-se o ruído. Acabou-se o conforto do emprego estável e ordenado certo que nos mantinha na mediocridade de fazer só o necessário. Nunca mais. Nunca melhor. Nunca bem. Apenas o indispensável para afastar a atenção de nós.
Acabou-se o dinheiro para comprar os mesmos analgésicos contra a solidão.  Contra a falta de coragem para tomar as decisões que se impõem. Contra as noites mal dormidas a pensar noutra pessoa que não aquela que ali está a dormir ao nosso lado. Já não dá para esquecer o assunto com um par de botas novas ou aquela viagem ao Brasil.
Caímos dos nossos pódios feitos de areia e ficámos todos da mesma altura.
A tua aflição é agora a minha. E a minha a de todos. Eu e tu e todos a perceber, finalmente, que somos IGUAIS.
Agradeço por isso a crise. Este pedaço difícil de estrada. Todos os fins de mês que parecem nunca mais chegar. 
Abençoo a dura prova de aceitar o que não podemos mudar. 
A impermanência que nos leva a pedir milagres.
E a enviar faxes a pedir 1 Euro.
IdoMind
about all the good hidden in the worst  

maio 31, 2010

Uma Limpeza

Vai. Mas vai mesmo. Não te fiques pelo conforto desse chão que pisas em círculos, sem que te leve, na verdade, a lado algum. Substitui as paisagens já gastas, para que os teus olhos de novo se abram. E de novo Vejam. Há todo um universo que te está a escapar. Do lado de fora da tua caixa aguarda-te o Infinito.
Não ouves o barulho distante das alternativas que desprezaste? Não te assaltam por vezes à noite, enquanto descansas? Enquanto desligas do programa seleccionado, a funcionar em automático. Não ouves? Aquele ruído miudinho a rondar-te a cabeça mesmo antes de adormeceres?  Não é cansaço. Não é stress. Não é nenhum dos motivo que inventas para justificar uma vida menor. E injustificável.
São as vozes abafadas de quem és realmente. Daquilo que queres quase desesperadamente. De quem amas a sério. É a felicidade que congelaste a gritar para se estilhaces o gelo. Ali está ela, suspensa, à espera que te tornes Homem. Não queres ser feliz? Deixa então de ser cobarde e vai.
Vai romper com o que já não te serve. Vai dizer adeus a quem nunca na verdade quiseste. Ou simplesmente deixaste de querer porque tudo tem o seu prazo e a sua função. 
Este é o tempo de regressar ao Caminho. E devolver o Outro ao seu. Ousa Ser quem te sonhas, porque acabaste de acordar com vontade de Viver. 
Não te escondas atrás dos teus filhos. Das tuas contas. Do mártir que habituaste a alimentar-se de piedade. Das obrigações famintas de reconhecimento. Parte o espelho e mostra-te sem distorções.
Vai cortar os fios das dependências que te adoecem antes que te matem. Ninguém precisa de ti ao meio. Se estiveres, está por inteiro. Quando saíres, sai de vez. Cura ou desiste mas não fiques a infectar. Amputa se necessário todos os cordão que te agarram os pés e impedem de crescer. A alma mirra a cada certo que não é o teu.


És ímpar. Assim como o teu Destino. E o de todos nós. O meu Destino precisa do teu.
Preciso que tenhas a Coragem de dizer: “Este sou eu”. E sejas.
Que ponhas os teus lábios ao serviço do meu anjo.
Não anules uma vida que pode ser… a Nossa vida.

Sê responsável contigo. Com os teus sentimentos. Mesmo com os infantis. Sobretudo com esses. Com os despropositados. Que nem sabes de onde vieram. E com aqueles que te assustam tanto que os injurias com mil nomes só para os manteres à porta do teu coração. Como se conseguisses. Cuidado para quem levas os teus últimos pensamentos à noite. E para quem vão os primeiros logo pela manhã. Não fujas. E não te ponhas a antever um filme de guerra ou um drama. Podes estar enganado, sabes. Pode ser afinal uma história de amor pendente de um capítulo escrito por ti.
Sente-TE. E tudo estará bem se for para teu bem.

Pergunto-te se não queres conhecer o Amor. Mas aquele que é mesmo amor. Livre! 
Aquele que não tem de fingir uma vontade que não tem. Nem de carregar nos botões de controlo que já conheces tão bem. O amor incompatível com a manipulação das culpas e dos erros que não deixas que se esqueçam. Sempre que te convém. O amor que não tem de mentir. Nem vir no carro a pensar numa desculpa qualquer, para mais uma falta de amor...
Fica atento a ti. 
Estás a Amar?
IdoMind
about clean souls

maio 27, 2010

Tenho isto para ti



Há situações que nos entristecem. Há situações que nos incomodam. Há situações que arrasam connosco. Mas são só situações.
Há pessoas que nos magoam. Tanto. Há pessoas que não nos vêem, mesmo quando estamos aos saltos à frente do nariz a dizer “ estou aqui, estou aqui”. Há pessoas que nunca conseguimos fazer felizes. 
Mas são só pessoas.
Somos todos, só pessoas na vida uns dos outros. A criar situações.

Esqueço com frequência que estou aqui ao teu serviço. Ao nosso. Que preciso de ti e tu precisas de mim. Tu e eu somos sinais nos cruzamentos. Pistas combinadas no Caminho. É na intercessão que te encontro. Sempre. E tu a mim. Eu sou o sentido proibido que te obriga a voltar atrás. Eu sou a luz vermelha que te faz parar. E aguardar. Depois trocamos e passas a ser tu quem me impõe um limite de velocidade. Que me mandas virar à direita naquela rua onde costumo ir em frente. Tu és o sinal de estacionamento permitido…
O aviso de estrada com curvas. Que eu ignoro...


Algumas paisagens distraem-me tanto que precisas de crescer para que eu repare em ti, ali especado no passeio, indicando-me a direcção. Já precisaste de proibir o trânsito para me afastar de alguns becos sem saída. Obrigado. Não te percebi. Pensei que era má vontade. Intransigência. Cheguei a pensar que não gostavas de mim. Julguei-te egoísta. Julguei-te perdido. Julguei-te tão longe da Essência. 
Afinal estavas só a Ajudar-me.


Como eu te ajudo. Não me julgues. Confia que estou a fazer a minha parte. Com honestidade. Comprometo-me a ser Fiel. Com o que sinto ecoar no meu coração. Com o que fica depois do lamento, da decepção, da raiva e do desespero, do desejo que não satisfiz. Com tudo que sei, porque sei, ser a minha Verdade.
Conta por isso com todas as palavras que não gostarias de ouvir. E com o silêncio que gostarias de ver quebrado. Conta com a solidão. Certo que estarei sempre contigo, mesmo quando não estou. 


Comprometo-me a mostrar-te todas as cartas para que não tenhas de adivinhar o que tenho na mão. No meu jogo ninguém perde.
Confia na minha escolha. Que não é impensada. Nem insensível. Alheia às tuas angústias ou dores. Será uma escolha sentida. Confia em mim empenhada em ser melhor. E escolhe.

Só temos de ser transparentes para que a Luz brilhe nos dois.

IdoMind
about fireflies

maio 25, 2010

A sombra

Somos feitos às metades. Que nos fazem aos bocados. Rompem-nos. Ficamos por aí espalhados e tentar perceber se ainda temos pés. E onde estão eles plantados. Há ventos que nos arrancam as raízes. Empurram-nos para tão longe que quando queremos voltar, já nos esquecemos de como fazê-lo. Aprendemos então que as nossas pernas podem andar de muitas maneiras diferentes. Desconfio até, que as minhas fazem mais que andar. Desenham projectos. Combinam viagens e até marcam partidas para lugares que não me apetecia nada conhecer. Ou revisitar…
As minhas metades estão numa espécie de guerra. Não se falam, excepto para discutirem qual delas tem razão. Uma tem de ter razão. Só uma. As metades não entendem que a razão está em todo o lado ao mesmo tempo. E é por isso que tudo tem uma razão. A sua razão.
Que não é melhor. Que não é pior. A mais bonita ou a mais hedionda. A razão de cada coisa é perfeita. Incomparável a qualquer outra razão porque é única. Uma razão feita à medida. Por alguma razão…
Eu acredito no propósito que me trouxe aqui. E a ti. E nos fez em metades.
Reconheço a Beleza também à noite. O brilho da Lua ainda é brilho. Luz que ilumina. Eu ainda sou eu quando sou egoísta. Quando me nego a dar. Porque não quero. Não tenho vontade ou sem saber bem porquê. Continuo a ser eu quando prego cancelas no meu jardim e fixo o sinal de proibido entrar. Só porque não estou capaz de fazer melhor. Eu não perco o meu rumo por me perder de vez em quando. Eu nunca me perco se vou à minha procura.
Gosto da música triste que me deprime ainda mais nos momentos em que vem aquela saudade. Tanto quando a outra alegre que celebra comigo um dia radioso de praia. Tenho dias de querer ficar calada. De vazio. Vejo o fosso que me separa dos outros com contentamento. Não gosto de toda a gente a todas as horas. De algumas pessoas até nem gosto a hora nenhuma.
Esta minha metade ruim que teima em ser. Porque sim. E que nem a minha metade boa consegue domar. Mais uma discussão. Outra insónia. 
Mas eu sinto-me eu mesmo quando a doçura dá lugar à zanga. Eu sou eu quando corro, quando ando, quando páro. Até sou eu quando faço o que julgava jamais fazer. Quando te magoo. De propósito. Porque nem sempre sei quem sou afinal e preciso que me digas. Ou me ajudes a descobrir.
Por isso, ambos temos razão. E no fim tudo cumpre a sua parte.
Mesmo as metades que nos fazem aos bocados.


IdoMind

About everything

maio 21, 2010

Uma branca

E não é que os dias melhores vieram? A minha querida sexta-feira chega acompanhada do sol abrasador de que tinha tantas saudades.
Deixo aqui o resultado do aturado exame de consciência que me tomou de assalto nesta confusa semana, que agora, e finalmente, termina.

Fui muito ao passado. 
Lembrei-me de coisas que julgava esquecidas. Reconheci certas dores que pensava já não doerem. 


Percebi que Eu sou aquilo que me lembro. A soma das minhas memórias moldou-me. Devo a todos pretéritos o meu presente. A todas as quedas, este andar mais lento e cuidadoso…


Se eu não me lembrasse de ontem, hoje dava-te um abraço como se nunca tivéssemos discutido, discordado ou teimado num orgulho estúpido que nos vai tapando a vista para o teu e o meu melhor. 
Dizia-te outra vez como te respeito como se nunca te tivesse dito. Pedia-te ajuda como se nunca ma tivesses recusado. Aprenderia a conhecer-te de novo, olhando-te como se nunca te tivesse visto.


Se eu esquecesse o que ficou para trás, recebia a sorrir o que está a minha frente. Arriscaria como se nunca tivesse perdido. Acreditaria como se nunca me tivessem enganado. Entregaria o coração como se nunca o tivessem partido. 


Cada dia seria isso, Um dia. Podia ser O dia.

Pintaria os lábios de vermelho. Vestia aquele vestido. Esquecendo como me acho feia. Deslocada.  Sempre fora do tempo e do espaço das outras mulheres. Tirava as ligaduras destas feridas antigas que custam a sarar. E ia para a rua, livre.


A memória fez-me medrosa. Prudentemente contida. A memória fez-me fazer uma casinha bonita nas nuvens onde vivo sozinha.
Se começasse de novo sem carregar o velho, talvez voasse. Talvez crescesse. E tudo teria uma dimensão diferente. 
Guardaria esta memória. Apenas Eu mudo de tamanho…
IdoMind
About digestions

maio 19, 2010

Vincent



Hoje deu para aqui. Para o meu Vincent.
Então,


Aos Vicents em nós.
À tristeza, às dúvidas, à vontade de correr de volta para o útero.
Ao medo de estar enganado. De ser diferente. A toda a roupa preta. 
Ao nevoeiro de Londres que nos deixa invisíveis. Aos dias de chuva.
Ao quarto preto que pintamos de sombras.
Às assombrações. 
A todas as memórias que nos apertam o estômago. 
Aos momentos em nos vimos abandonados. E chorámos.
À outra metade escura escondida atrás do sorriso cintilante. Cínico. 
Ao desejo secreto que todos desapareçam. 
Ao fracasso que inventamos para não tentar. 
A tudo o que não existe a não ser numa alma dorida.
Aos corações que não querem sentir. 
Aos sentimentos maus de que temos vergonha. 
À culpa. Aos monstros que criamos.
Aos contrários. 
Ao equilíbrio.
Seja breve o desespero.
Seja iluminada a escuridão.
Ela também fala. E muito tem a dizer.
Às saudades de um abraço. Aos erros corrigidos.
A todos os pedidos de desculpa. Às despedidas necessárias.
À imperfeição. A este segundo perfeito.
À lua e ao sol à luta dentro de mim. 
A nós.
A dias melhores.


IdoMind


about opposites

maio 17, 2010

Fingidos

Sim, é importante saber que mundos contróis dentro de ti quando não estás a erguer paredes cá fora.
É importante saber porque te escondes. O que te assusta tanto assim para achares que tens de ser dois. Ou até três. Tantos quantos necessários para que não te descubram. A ti. O verdadeiro.  Aquele que aparece no espelho de manhã enquanto escovas os dentes e que mal reconheces. Se experimentares ficar a olhar por mais um bocado, talvez te lembres do homem por detrás do a máscara. Experimenta enfrentar o teu reflexo e dizer várias vezes em voz alta “ eu, eu, eu, eu, eu..” sem tirar os olhos dos teus olhos.
Di-lo até que surjas. E vais surgir. Vais emergir das entranhas do lago plácido e escuro onde tens hibernado. Pode ser que sintas uma tontura. O sono foi longo. Podes não conseguir à primeira porque não estás habituado a perder o controlo sobre ti. E a ver-te.

É importante estares disposto a mudar. É importante assumir que és uma farsa. Esta talvez seja a parte mais difícil. Mas sabes que és. Não dizes o que pensas. Não fazes o que dizes. Apertas a mão de tanta gente que não gostas. Sorris sempre…
Tens desculpa para tudo isto. Dás-lhe  o nome de responsabilidade, de cortesia, de obrigação e até de educação.
Eu chamo de farsa.
Tu dizes – saber viver.
Eu pergunto  - será mesmo?

Conheço bem o conforto dessa paz fabricada. Debilmente mantida. Inútil. Mais cedo ou mais tarde vais ter de lutar. Vais ter de por pontos finais. Vais ter de te mostrar… 
É a própria vida que o impõe. Para teu bem.
Vai ser impossível continuar a respirar o mesmo ar.  Viver na mesma casa. Ouvir as mesmas coisas. Uma e outra vez e mais outra, o mesmo discurso, as mesmas queixas e as mesmas acusações que já sabes de cor. E que vais deixar de suportar. Mais cedo ou mais tarde. Escolhe se queres enlouquecer primeiro.

Vai ser impossível sustentar a mentira que inventaste para impedir os nãos que também fazem parte nisto de crescer. As despedidas inevitáveis que rasgam bocados de nós. As palavras zangadas que nos tingem de tristeza.

Porque mentes? Porque crias tantas versões de ti por cima do gesso do teu verdadeiro Eu?
Que necessidade é essa de nos dares apenas a Ilusão do que és?
É assim tão pouco o Amor que te tens?
É importante responder. Porque vai ser impossível travar a volta da farsa.

IdoMind
                                                                                                   About reflections

maio 10, 2010

Uma questão de talento





Se ao menos não fosse tão teimosa. Se ao menos as minhas raízes não fossem tão profundas. Se eu conseguisse agradecer sempre e ver para lá da curva para onde me dirijo. Se eu não fosse tão forte e quebrasse de vez em quando expondo esta fragilidade revestida de ferro.
Se eu chorasse à tua frente…
Se eu te dissesse como são longas algumas noites…
Que há uma imensidão de coisas que não entendo. E te pedisse para ficares mais um bocado. Que bebesses mais um café e me ajudasses a ouvir-me enquanto falo para ti. Tu que me reflectes para eu me veja feita de branco e de preto. Parte nuvem, parte terra a querer subir  com os pés amarrados pelo medo de largar.
Se eu te mostrasse a miúda que mora em mim…

A curiosa que fala com estranhos. Que quer espreitar o que vai nas outras cabeças. A que nada teme. A miúda ingénua que não sabe o que é julgar. Nem julgamentos. E em todos encontra o Sol.
Ser grande é deixar de dormir com os olhos abertos. Eu sei. Mas gosto tanto de me sentar no chão. Andar descalça. E de vez em quando não fugir da chuva que cai de repente. Continuar na mesma passada a sentir as gotas molhar-me a roupa sem pensar em constipações ou em aparecer encharcada no trabalho. Adoro gelado.

Um dia podíamos tirar a tarde e irmos comer um. Sujar as mãos todas e partilhar um segredo. Correr sem ser no ginásio ou para emagrecer. Fazer um pacto… de sermos miúdos um para o outro. Dizer sempre a verdade. Perdoar rapidamente. Viver como aventureiros do grande futuro que inventamos agora.
Não me sabias aventureira, não é?
Mas também se sobe às árvores de fato e salto alto.Também se brinca maquilhada. Se olhares para lá da mulher que te mostro, poderás ver-me aos pulos a convidar-te para vires sonhar.

Talvez tenha de dizer-te aquilo que espero que adivinhes. Não acreditar tanto que estás a percebes o filme e colocar legendas.
Melhor ainda. Levantar-me da cadeira de onde assisto a vida passar e realizar a minha própria história.
Há um papel para ti… Podes ser homem ou miúdo.. Mulher ou miúda. Advogada, astronauta ou bombeiro. Podes ser aquele amigo que me segue até onde a Terra acaba ou o desconhecido que me sorri no metro das 8h10m. Podes ser o amor da minha vida. Podes ser o amor de muitas vidas. Podes ser eu a ser outra coisa.
Podemos ser felizes.
Afinal a felicidade não está no meu, nem no teu desempenho mas no simples facto de estarmos aqui, neste momento, um com outro a participar noutro episódio… 
IdoMind
about directing

abril 26, 2010

Parcialmente Nublado...ou não?

Nos últimos tempos tenho passado por experiências que me levaram a reavaliar valores e sobretudo relações.
Ponderar sobre o que ainda faz sentido manter na minha vida, cada vez maior (estranha, dirão alguns...) e aquilo ou aqueles de quem me devo despedir, reconhecendo a importância que tiveram na minha caminhada rumo a mim. E agradecendo-lhes.
O bem não é sempre bem e o mal não é sempre tão mau.
Tudo é parcialmente nublado.
Acredito que quem segue o Jardim, dá por si muitas vezes a pensar " Mas onde diabo foi ela buscar isto?"
Geralmente as minhas partilhas são bocados dos meus pensamentos, pedaços dos meus sentimentos sobre a vida conforme a vou vivendo. Por vezes são fruto de sonhos que tive, de algum encontro, de uma coincidência engraçada. Pode não parecer mas as sementes que aqui lanço têm uma razão de ser. Escrevo por um motivo...e com uma finalidade.
Explico-vos isto porque hoje me apetece-me partilhar convosco um video da Pixar. São cerca de 5 minutos que me fazem pensar várias horas. 
Até onde devemos ir, até onde devemos aceitar, até que ponto sofrer por aquilo que julgamos ser O correcto ? Como saber quando continuar e quando desistir. Haverá valores que se devem sobrepor à nossa felicidade individual?
Se tiverem paciência vejam. Se tiverem vontade, partilhem.



IdoMind
about cloudy things

abril 16, 2010

My Shin´s Day!!!!

Eu e tu. Somos sempre eu e tu.
Os anos passaram. Já lá vão alguns. Quase todos bastante dificeis.
E agora que olho para trás parece que a infância foi a mais longa das alturas.
Sobretudo a tua, que nunca na verdade largaste.
Mais uma férias. Faltas, muitas faltas e mais uma falsificação de assinatura.
Mais uma briga com o matulão repetente da escola que se meteu com a míuda do 1.º ano.
Mais uma mochila perdida...
Mais uma mentira aos pais.
E a tua força minha irmã. Essa tua força que vem de tal forma de ti que a Terra poderia girar duas vezes por dia.
Sabes, não estás muito diferente dessa criança rebelde, inconformada, que não ia embora para casa com um não.
Continuas inocente. Acreditas nas coisas e, Meu Deus, acreditas nas pessoas. De verdade. Com intensidade. Dedicas-te. Oferesces-te. Sofres, quando te dás conta que afinal só tu continuaste criança... No mundo perfeito que queres, os adultos deviam viver a brincar e brincar de viver. Acreditando que tudo isto é apenas um recreio.
As tuas pressas. A tua urgência no fazer. E rápido!
Ainda me irritas um bocado com isso mas também é por isso que te respeito.Tu és a que faz sempre alguma coisa...Porque é que toda a gente não vai brincar contigo, não é? :)
Tu és a que dança de mãos dadas cantando a todos que se juntem à festa.
Tu e eu, agora mulheres, à procura de nós.
Continuo assim, como na foto, por trás de ti, guardando-te. Mesmo quando parece que não me importo contigo. Mesmo quando não me vês. Como os anjos.
Tu e eu. No príncipio, agora e, gostava muito, sempre...
Amo-te
Parabéns

E se ainda tinhas algumas dúvidas que sou capaz de qualquer coisa por ti, aqui vai...

abril 15, 2010

Quando não há saída

Invento uma. Pode não ser logo. Preciso quase sempre de esperar que o pânico passe. Às vezes calha de chorar quando o medo fica mesmo assustador. Vem o desespero e espero um pouco mais. Não o contenho, não o controlo e não me iludo. A pedra está ali. É enorme. Praticamente um muro. Fico pequena. Falo sozinha. Lamento ser pequena e falar sozinha. Sento-me a ter pena de mim por tudo o que me acontece e que não mereço. Lá para o final do dia, e como o muro não desaparece, chamo a cabeça de volta para junto do pescoço. “ Anda lá, é só mais um desafio. Faz o que fazes tão bem – pensa.” Diz a mesma voz que me ensinou a acreditar no impossível.
Repouso então os olhos no que está à minha frente. De que forma trouxe eu isto à minha vida. A Lei é justa, só devolve o que geramos. Que filhos dei eu à luz cuja maternidade me custa agora reconhecer.
O burburinho do mundo confunde-me. Rodeio-me por isso do silêncio que preciso para falar comigo e ouvir o que tenho a dizer-me. É assim, calada e quieta, que faço o exercício da honestidade. Onde foi que podia ter ido pela avenida ampla da esquerda e fui pela ruela estreita mais à direita. De propósito. Que palavras a dançar nos meus lábio abafei. Que gestos pendentes anulei. Deixei novamente que pensamentos descontrolados dessem vida aos meus temores.

A ignorância é um luxo que se paga caro. Ainda ando aos trambolhões pela toca abaixo aprendendo que O País das Maravilhas pode ser pouco maravilhoso. E mais profundo do que pensava. De quando em quando ainda acho que há insignificâncias no Universo. Coisas mínusculas e sem importância que vão passar despercebidas. Como se o Universo fizesse pausas e não me prestasse atenção. Como se eu não fosse o Universo. Depressa, e cada vez mais depressa, é-me mostrado que tudo importa. Que tudo volta.

Este é o meu pecado – recusar-me a ser Deus. E a que é a maior das bênçãos torna-se na maldição que me leva a momentos como estes. De joelhos, em sincera confissão.
Conheço bem as minhas fraquezas. Tu conheces as tuas. Negá-lo é perpetuar a repetição da mesma dor. Das mesmas quedas. Das mesmas perdas…
E eu estou tão cansada…Tu não estás?
Bom, tenho de fazer qualquer coisa quanto a este muro. Quero continuar. Quero ver o que está para lá deste bocado de chão. Ainda de joelhos, ainda em silêncio, olho para cima e peço ajuda.
Prometo-me vigiar-me. Com muito amor, porque faz parte de ser humano não ser perfeito.
Prometo-me aceitar-me. Sem culpa, porque as diferenças são a cor do mundo.
Prometo-me mudar-me. Sempre, porque as mudanças são boleias das estrelas.
Sei que a felicidade não é uma opção. Só o tempo que demoro a reconhecê-lo.
A felicidade sou eu a agradecer todos os muros que ergo para chegar mais perto do Céu.
Como este.
Idomind
About Recognizing

março 29, 2010

Foram as vozes...


Fui homem como tu. Sei tudo sobre os teus cansaços. Senti o peso da pele que se oferece aos rigores da Terra. A mesma pele que recebe a carícia e a ofensa. Conheci a bondade e a intolerância. Comi com santos e falei com demónios. Lutei com os meus. Fui tentado. Tive medo. Tive tanto medo.
A lua estava quase cheia no Olival quando pedi que fosse afastado de mim o cálice. Já lhe adivinhava o sabor…Foi de joelhos que aceitei que fosse feita a Sua vontade e não a minha, porque era homem e não lembrava que a vontade Dele é a Nossa.

Fui espada como tu. Dividi. Feri.Trouxe guerra a cada casa conforme as batalhas a travar. As prisões a derrubar. As escolhas a fazer. A Vontade Maior a cumprir.
Fiz a minha Mãe chorar…

Eu ateei o fogo que queima e que limpa. Eu fui desordem.
Ensinei. Quem quis ouvir ouviu. Falei perigosamente. Livremente. O poder das palavras reside no seu uso oportuno. Necessariamente corajoso. Ideia alguma foi plantada sem as forças do vento contrário. Atirei as pedras que agitaram a placidez da ignorância. E as que deram Vida.
Fui homem como tu, no meio de outros homens como nós. Escarneceram de mim. Tantos dedos apontados. Tantos braços levantados. Só porque me atrevi a ser Eu. Porque permaneci fiel ao meu plano. Porque Me ouvi e fui até ao fim do caminho. Só porque a verdade assusta. Sendo pequenos como podemos fazer coisa grandes? Se formos só homens como podemos agir como Deuses?

Fui isto e muito mais. Este é o meu testemunho. Tudo faz parte. Aceita quem és e para onde vais. Decide quem queres ser e para onde irás a seguir. Escolhe. Tranquilamente. Amorosamente. Tudo faz parte. Tecer a coroa de espinhos e usá-la.
Olha para o Alto, de onde vens, sempre que a noite estiver demasiado escura para ver os sinais. Fala comigo quando olhares ao teu redor e te achares sozinho. Escuta-me à hora do almoço naquele banco virado para a praia dos pescadores. Eu não páro de existir porque não acreditas em mim mas só o saberás quando o quiseres saber.
Reconhece-me em todas as faces… e verás.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. E fui só um homem. Como tu.
Se tens ouvidos, ouve…

IdoMind
About The Exemple

março 26, 2010

"Está difícil fingir que está fácil"

Esqueci-me de onde vim. Do meu propósito. Dos que comigo aqui vieram para relembrar. Esqueci-me dos empurrões que combinei. Dos corações partidos que agendei. E daquelas palavras difíceis, tão duras de ouvir, que escrevi e dei a decorar. As lágrimas, grossas, que me aproximam da compreensão dos meus defeitos. Dos sonhos que julgo que são meus. E que afinal vêm de outro lugar. Daquele poço no meio do estômago onde o ego e o anjo se encontram à espera da digestão.

Sinto o corpo dorido das brincadeiras que planeei contigo, sentados lá, no nosso sítio na eternidade. Não me lembro quantos pontos valem as decepções. Quantas casas avançamos por cada “desculpa” que não dissermos. Para que nível passamos se conseguirmos travar a tempo aquele beijo. Se vence quem sofrer mais. Quem se camuflar mais. Quem for forte até fim e resistir à força maior que parece trazer-nos uma e outra vez ao Encontro. Não sei se é mesmo assim que deve ser, aguentar de pé amparados pelo orgulho, solitário, de não dar o braço a torcer. Não me lembro. E levo-nos a sério… E dói a sério. Como se fosse possível estar separada de ti.

Devem os meus braços estender-se mais uma vez, apalpando às escuras a tua presença ausente? É tão alto o teu castelo. E como são imponentes as minhas muralhas. Sei que estamos exaustos do Combate. Das perdas que ainda cá estão, por detrás dos gestos pensados. Dos passos cautelosos e lentos de adultos e bons alunos. Caem muito as crianças. Mas depressa voltam a correr como imortais.


Achas que podemos reinventar as regras?
Achas que podemos começar de novo? Todos os dias. Todos os minutos. Estabelecer uma nova meta chamada " Nós".

Podíamos começar assim: antes de qualquer jogada, sentarmo-nos uns instantes, três segundos que sejam já serão suficientes expirar a poluição alojada nos pulmões. Que nos contamina e adoece a alma. Inspirar então de olhos fechados percebendo que no relógio da existência temos a duração de uma borboleta. E o mesmo processo de transformação.
Obrigado por todos os rasgos que desferiste no meu casulo.
Fico a dever-te as minhas asas…
Obrigado por também te esqueceres que tu és eu a tentar chegar a casa. E eu sou tu a tentar lembrar-me do caminho.
Tu e eu… nos intervalos da verdade a brincar aos faz de conta.
Tu e eu a achar que isso existe para nos descobrirmos o mesmo sopro de Deus. O mesmo sangue. A mesma carne. A mesma alma. O mesmo destino - AMAR.

Em nome do amor vou fazer por me lembrar o quanto te amo.Todos os dias.Todos os minutos.Agora.De novo...
IdoMind

about doing it better

março 22, 2010

O Jardim Acorda

Este Inverno foi o mais longo dos Invernos.Trouxe um frio que não conhecia e nada me aqueceu. Assim fiquei, encolhida sobre mim, para que o pouco calor não se perdesse e eu, por fim, esquecesse acerca do mundo que é redondo e dá a cada coisa o seu tempo. Mesmo os Invernos longos não são eternos.

Numa destas manhãs, pareceu-me ouvir um apelo imperceptível que vinha lá de fora. A medo fui-me trazendo até à entrada do ninho onde aninhada aguardei a chegada da que sei que sou. Era a força da vida que cantava, anunciando a promessa dos começos que quisermos começar. Era a força da vida a renovar as minhas forças. Cantavam os pássaros, as árvores e até o mar bradava com a alegria de quem sabe que também a sua solidão estava a acabar. A nostalgia das praias desertas em breve partirá.

Era Primavera. Era isso que estava a acontecer. A despedida das trevas expulsas pela luz. Mais uma vez…

Tive vontade de chorar. Pelo que passou e doeu tanto. Pelo que ainda não passou e continua a doer. Pelas feridas novas que vou arranjar enquanto conduzo o Carro Sagrado. Estou parada com um pé na caverna e o outro no relvado cada vez mais verde. O Sol, ainda príncipe, manda-me tirar a roupa que abafa o brilho. E convida-me ao trabalho. É tempo de plantar. De perder as mãos na Terra semeando em solo rico as sementes do meu amanhã.. É tempo de fazer. De refazer. De desfazer. É tempo de acordar. Sacudir o que foi e preparar o que vai ser.

Sou a jardineira do meu jardim. Esta é a missão. Cuidar do meu pedaço de existência. Como puder. Com o que tiver. Guiada pela sabedoria de todas as outras colheitas. Dos dias de sol e dos dias de chuva, que me levaram a crescer. Dos muitos dias assim assim em que tive de escolher. Das Primaveras que não compreendi senão no Inverno seguinte.
Plante eu com humildade para aceitar que o meu jardim não é o melhor. O maior. O mais bonito. É só um pingo de cor, uma gota de orvalho, a quietude perfeita de uma manhã no cenário infinito da criação. E é lindo, assim humilde, cumprindo a sua parte no Desenho Divino.

Aguarde eu com Fé, os frutos que ainda batalham no ventre da Mãe rumo ao Céu. Não me deixe esta certeza no final feliz. Ainda que não o esperado. Todas as flores são bonitas se nelas procurarmos a sua beleza. E se me perfumarem o caminho, ainda que preferisse rosas, vou agradecer aos malmequeres.

Haja Amor no meu jardim. Na jardineira que dele trata. Nos que por nós passam. Nos que param. Nos corações que namoram com os actos. E com os pensamentos. Reconheça eu o Amor de que tudo é feito e viva assim em Amor comigo e contigo.

IdoMind
About my garden

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