setembro 08, 2010

Decisions Decisions

Já não sei dizer sim ou não como os miúdos dizem. Porque sim ou porque não. Porque querem ou porque não querem. Porque têm tempo ou não têm. Porque lhes apetece mesmo isso ou têm fome de outra coisa. Nãos ou sins rápidos, daqueles que ganham sempre aos “mas”.
Os meus estão assim, precedidos de muitos mas. Pergunto-me se estou a crescer ou só a ficar velha. Cuidadosa. A olhar para o semáforo antes de atravessar a estrada esperando que fique total, inquestionavelmente verde. Bem devagar, porque as correrias podem fazer cair. E magoar. Com a idade tudo fica mais lento, até sarar as mazelas de uma queda. O crescimento ensina-nos isso. A velhice faz-nos temê-lo.
Neste país de ninguém, entre a sabedoria e o medo, nascem as minhas decisões. E os nãos e sins que preferia manter talvezes…até não haver carros, nem gente, nem passeios, nem o perigo de tropeçar, alcançando, ilesa, o outro lado.



“Se viver fosse para ser seguro, serias inquebrável” – diz a sabedoria. “Terias vindo feita de matéria que não deita nem sangue nem lágrimas”. É para doer. É para correr. É para sentir… E continuar. Mais crescida. Nunca só mais velha.
É para lembrar a sorrir da tragédia que foi o primeiro amor não correspondido. O namorado impotente que veio depois e nos fez sentir “comível só em caso de necessidade”. O Natal em que soubemos que o ex-marido era pastor… E abanar a cabeça pensando como eram importantes os detalhes que não tinham importância nenhuma. E outros que foram tão importantes que nos mudaram e nos deram um par de olhos novo. As pessoas às quais pedimos ajuda na definição de quem somos. E como as amaldiçoámos por toda a raiva, desespero e frustração, que nos atiraram para lugares escuros. Bastava ter acendido a luz do respeito por nós. Dizer, com a serenidade que a compreensão sempre traz, que não estamos, naquele momento, capazes de fazer diferente. E assumir as nossas escolhas de pé…

Se viver fosse para ser seguro não haveria Amor.
Pelos pais que têm o dom de espetar as facas onde ferem mais. Pelos irmãos que nos fazem agradecer estarem aqui connosco a partilhar o mesmo sobrenome e um caminho nem sempre relvado. Os filhos que ensinam a dar. Mesmo quando não dão nada. Mesmo quando não merecem receber. O homem de outra que abana as prateleiras de uma moralidade, afinal, não tão bem arrumada.
É porque há Amor que sabemos que estamos vivos. Quanto mais cresço, ou envelheço, mais acredito que ele está na origem e no fim de tudo. E no Meio, onde vamos sendo obrigados a fazer opções. A ir ou a ficar.
Tudo passa. Todos passam. Ficamos nós. Com os frutos da nossa colheita. Gostava plantar um vasto campo de trigo que amadureça e dê semente para o meu pão.  Gostava de me orgulhar do trabalho que fiz. De ter cumprido a missão com mérito. E agradecer com o coração cheio de emoção ter estado cá. 
Alma com pele de mulher a dizer sim ou não como os miúdos.
IdoMind

About Righteousness

setembro 06, 2010

Sempre em frente



Este Verão foi comprido. Muito mais comprido que todos os outros Verões. E esquisito. O passado veio a correr lá de trás e sentou-se ao nosso lado na praia. Toalha com toalha, forçando conversas que tinham ficado esquecidas entre uma noite mal dormida ou outra. Entre uma ferida ou outra. Entre um “ não faz mal”, “paciência” “ou outro.
O passado estendeu-se ao sol connosco e tornou-se presente.

O meu veio aos gritos. Parece que já tinha tentado falar antes, mas o barulho dos meus planos calou-o. Queria dizer-me que sou o que sou por tudo o que já fui. E que é verdade, também sou o que deixei que fizessem de mim. Lembrou-me do silêncio que sempre preferi porque algumas palavras foram, simplesmente, demasiadamente dificeis de ouvir. Foram palavras terremoto que me estremeceram e abriram fendas do tamanho da indiferença com que passei a defender-me. E que esta solidão onde tanto gosto de me perder, tornou-me mais pobre porque não enriqueci nem fiz enriquecer. O passado mostrou-me que a solidão é um vício – satisfaz corroendo por dentro. E afastando-nos do que está fora.


Fiz muito mal os meus enterros. Percebi-o na noite deste Verão comprido em que desci do castelo para jantar com a vida. Apanhei desprevenidos uns amigos habituados aos meus muros. Ali, naquela noite, com aquelas pessoas fui quem sou antes das noites mal dormidas, das feridas e dos “ não faz mal”.Nunca o meu coração apanhou tanto ar. Todas as portas foram abertas e lançado o convite para entrarem.

Estive muito tempo sem escrever no Jardim. Quis que o primeiro artigo depois das férias fosse para eles. Foi a primeira vez que consegui falar com sobre algumas experiências que mudaram o rumo da minha vida e da minha familia. O que senti com isso. Como foi doloroso. Nem eu, até àquele momento tinha percebido como foi de facto doloroso. Ouviram-me. Calados. Impressionados. Estupfactos. Era fácil ler nos olhos deles a surpresa, enquanto pensavam “fogo..”.Eu,  era como se estivesse a ser atropelada por um camião. Sentia a força do embate enquanto lhes contava quem era eu afinal. Claro, chorei. Muito. E choraria mais porque naquela noite aproximei-me um pouco mais de quem quero ser.
Tive direito a um curativo no dedo, de fazer inveja a muito enfermeiro. Tive amor do melhor que há – aquele que nos aceita tal como somos. E tive o respeito de pessoas que admiro. Até parece conversa de revistas cor-de-rosa ou destes livros que agora andam na moda, mas há coisas que temos realmente de senti-las na pele para percebermos que as verdades mais simples, são as únicas verdadeiras.

Eles não sabem mas eu vou aqui dizer que aquela noite só foi possível por causa dos mexilhões. Ainda que viva 100 anos vou lembrar-me sempre da satisfação do meu Amigo a atirar-me com um saco de mexilhões aos pés. Foi pescar todo o dia enquanto ficámos na praia. Havíamos comentado que o que sabia bem eram uns mexilhões para petisco, mas isso não ia ser possível por um motivo qualquer que não me recordo.
No final do dia lá começa a desenhar-se no horizonte o perfil do nosso pescador enquanto se dirigia a nós com o equipamento todo (há coisas com que não se brinca). Trazia alguns peixes e…um saco cheio de mexilhões!
 “ Era isto que querias?” E atira com os mexilhões aos meus pés. Todo satisfeito. Ficou feliz por nos poder fazer feliz. Ele nem gosta de mexilhões…
Guardarei sempre a expressão dele e este gesto de quem se preocupa. De quem está atento. De quem ama amar. E cuidar...
Nunca ninguém seria tão digno dos meus segredos como estas pessoas. Partilhei, por isso, o impartilhável com elas. O passado ainda não passou. Talvez não passe.
Passei eu.
Alguma coisa mudou. Apetece-me ficar por aqui, fora do castelo, a apanhar mexilhão…


IdoMind

about cleansing


julho 22, 2010

Let´s talk about sex, baby



Quando foi que se tornou tão complicado fazer amor? Deitarmo-nos com alguém só porque é bom sentir outra pele. Outro coração a bater no nosso peito. Entoar a dois a música que cresce entre um carinho e uma palavra.
Quando foi que misturámos tudo? A vontade com manipulação. O prazer com culpa. O desejo com controlo. Como se a maior força em nós fosse controlável. Mais fácil seria domar uma tempestade.
De onde veio a necessidade que tornar feio o Belo?
Dois corpos com duas almas a celebrar a Criação. É vida que damos e vida que recebemos com a Entrega. Mas levámos o tempo para a cama e só é verdadeiro o que dura. O que sobrevive a uma noite. A mais que dois ou três telefonemas. 
Esta nossa incapacidade de aceitar que o eterno não se congela num momento. Numa pessoa. Num sentimento…Tiremos deles o que tivermos de tirar. E demos tudo o que tivermos para dar. Este é o segredo. Eternizar cada momento naquele momento. Não haverá qualquer outro igual. É só vivê-lo porque a existência não se repete. Nada podemos perpetuar além dos sorrisos deixados nos arquivos da nossa história. A transformação é uma graça. Negá-la é dizer não a nós mesmos. É ficar sempre do mesmo tamanho. Muitas vezes, perder o que é Nosso para manter o que não Nos pertence. Nos lençóis faz-se, então, um campo de batalha.

Preparamos as nossas armas. Antevemos os movimentos do adversário. Planeamos tantas estratégias. Munimo-nos de toda a informação possível que achamos que nos possa a ajudar nesta guerra, como todas, sem sentido.
O sexo tornou-se um jogo. Perigoso. Doloroso. E o divino foi manchado pela nossa humanidade insegura e pequena. Ficou tudo mais cansativo. O antes e o depois. Muitos antes não chegam sequer a ser por causa dos depois que ainda não são. Entrar e sair de um quarto é hoje um trajecto arriscado. Não basta querer ir. Estar. Não. Há regras. Implacáveis. Podemos ficar o resto dos dias a pagar o preço por sermos homens e mulheres com fome do Invisível. De tocar a Essência de todas as coisas, no momento único em que os portões se abrem e a Perfeição se revela.

O sexo foi acorrentado a uma morada. Como Deus a uma religião. Porque temos de ser únicos. Especiais. É por isso que reduzimos sempre o que mais amamos. À exacta medida dos nossos braços. Confinado às fronteiras que tanto lutamos depois para defender. Uns dias perdemos terreno. Outros avançamos uns metros. A vida passa. Uma discussão, outra mentira, aquele grito que causa aquela lágrima. O brilho vai-se apagando…
O Amor é rebelde à exclusividade. O Amor também está no sexo. Mesmo naquele que não partilha as mesmas contas. Basta querer. 
IdoMind
About Heavenly Things

julho 11, 2010

Eclipsando-me



Já não sou a menina assustada a tentar merecer amor.
Já não preciso de ser a melhor aluna da turma. A mais quieta. Escondida no fundo da sala.
Já não tenho de ser Invisível para me proteger. Nem de me proibir de gritar quando sinto que está demasiado difícil. Já posso chorar…As pessoas choram.
Percebi agora que a fragilidade só incomoda quem é incapaz de abraçar.
Já posso perdoar. Quem não me abraçou. Nem me deu a mão no caminho para escola.
Não faz mal. Foi no desamparo que fundei os meus pilares. Para que nunca estivesse desamparada. E cedo percebi que ninguém pode emprestar pernas. Cada destino é Único e tem de ser trilhado sozinho.

Agradeço ao Meu Destino. Tudo o que não percebi e reconheço agora perfeito. A minha solidez que é filha de uma infância curta. Esta força nascida e criada da severidade. De tantas tardes a ser adulta. Da ausência de pequenos almoços levados à cama ou de um beijo de boa noite. Já não acho que isso é normal.

Já não sou a que dispensa beijos de boa noite.Ou de bom dia. Ou outros quaisquer. O Amor é demasiado bonito para ficar guardado. Já posso mostrá-lo. Não é fraqueza. Nem me faz menor. Já não preciso ser indiferente. Escudar-me dos sentimentos porque também há aqueles que fazem doer. Já posso arrumar alguma memórias…

Deito fora as mágoas antigas. De nada me servem a não ser impedir o novo. Como uma barragem a travar a corrente da vida. Nunca ninguém me fez mal porque hoje eu gosto de mim. Então cheguei como e quando devia chegar. Agradeço a todos. Os que me viram. Os que não me viram. Os que fingiram não me ver. Os que ficaram… Do fundo do meu coração obrigado por terem aceite a vossa parte na minha história. Espero ter encantado a vossa.

E é assim que quero ser. Encantadora de histórias. A deixar estrelas a brilhar por onde passo. Gargalhadas que afastam a escuridão.  Oferecer, a quem quiser apanhar,  as palavras que me nascem dos lábios e das mãos. Falam do milagre que somos. Do nosso Dom. Da vastidão de onde viemos. E para onde nos dirigimos. Essa é a minha e a tua natureza – Vasta. Infinita. Nada há que queiras que te seja negado. Nada há que necessites que te esteja vedado. Nada há que que seja Teu, que percas. Ou nunca encontres.

Que eu saiba querer. E pedir.
Sejam poucas as necessidades, pois é grande a Abundância.
Que eu reconheça o que é Meu.Quer encontre, quer seja encontrada. 

Que a Verdade me guie em todos os momentos porque sou a voz do céu. E tu também. Não me mintas. Não me omitas. Não me faças perder. Não me leves ao erro. Vamos demorar mais a chegar. E levaremos dor. Permite-te escolher em consciência. E eu farei o mesmo.
Que a Fé seja o farol das noites mais negras da minha alma. E me mostre o caminho seguro por entre as rochas. Que seja o Sol na manhã seguinte. E na outra, e na outra, e na outra…
Que o Amor esteja em mim.
No que penso, no digo  e no que sinto para que esteja em ti, em todos e em tudo.

Que assim seja
IdoMind
About cycles

julho 08, 2010

E não é que sou humana?



Bastou pedir. Bastou sonhar. Bastou querer com toda a força desamarrar a voz deste Desejo. Meio inconfessável. Por pouco, quase pecado. Bastou assumir que sou mulher e que a lua não está assim tão lá alto. Parece que a trago no bolso às vezes. Ou num pendente junto ao peito. Bastou confiar na Ordem que tudo governa. Bastou dizer que é a minha vez.

Tirar os sapatos e sentir a vida aos pulos. Deixar-me ir. Eu não tenho sempre de ficar. Nem assistir da janela à festa que passa diante da minha casa, branca e arrumada. Talvez saia para a rua e me junte à multidão que se deixa apaixonar. Que anda nas nuvens sem asas.Talvez passe todos os dias por uma caixa de correio e deixe lá um beijo num pedaço de papel. Sem dizer que é meu… E vá o resto do caminho pelo passeio a rir sozinha porque estou mais parva e é tão bom. Talvez me junte à multidão que paga o preço por todos os instantes em que foi mais importante mostrar Amor que ter razão. Vergonha. Ou medo. Por cada minuto que valeu a pena esquecer o feitio. Mudá-lo até. E não conseguir voltar a lembrar como era antes, porque quem ama só tem o depois.

Apeteceu-me largar a carapaça e correr para o mar mais depressa. Uma tartaruga nudista. Livre. Feliz por não ter porque se esconder. Nem carregar nada às costas. Guardo apenas o que é leve e que cabe no coração. Bastou perceber que nem toda a carga me pertencia. E arranjei espaço dentro de mim. Esvaziei-me.  Ficam-me mal as culpas. As memórias antigas dos erros que até o tempo já se esqueceu. Menos eu. Bastou perdoar-me para ver que nada havia afinal a perdoar. Mesmo quando penso que falho, o alvo é atingido e o planeta gira mais uma vez.

Bastou perceber que não há nuncas nem sempres. Por isso deixei de dizer adeus. Tudo é um eterno até já. Não há perdas. Definitivos. Coisas irreparáveis. Tudo tem uma função. Tudo. Cabe-nos relembrar qual. Se quisermos. Podemos adiar as nossas tarefas, mas ninguém as fará por nós. Bastou sorrir a cada arregaçar de mangas. Olhar para as peças dispersas do puzzle e  aceitar o desafio de as unir. Com paciência. Com confiança que  encaixamos num sítio. Numa pessoa. Que vamos encaixando em muitos sítios. Noutras pessoas.

Depois de olhar para cima, respirei, e dei um passo cá em baixo. Aquele que estava suspenso. E não é que o Universo de facto conspira!
Parece que estava mesmo ali, à espera que eu chegasse outra vez, com uma nova oportunidade, embrulhadinha com um laçarote,  para me oferecer. Obrigado. Ao que quer que seja que me acompanha na demanda sagrada de Ser inteira. E me permite não acertar à primeira. Nem à segunda. Que não desiste e me resgata uma e outra vez pousando-me docemente no lugar que é o meu lugar.

Bastou aceitar que não estava preparada. Talvez não fosse a hora combinada. Com as pressas cheguei adiantada e não esperei. E fui lenta a reconhecê-lo.
Hoje estou aqui de novo. E tu também. Se é que alguma vez foste embora. Sabe bem saber-te por perto. Incluído no meu Plano. 
Suponho que bastou não teres conseguido avançar sem aquela peça que sou eu que guardo. 
A que encaixa.
Basta agora experimentar…

IdoMind
About loose ends

junho 29, 2010

Pode ser que passe!

Agora só falta povoar o silêncio.Tapar com risos o barulho do vazio que se faz ouvir mais que nunca. Cobrir as paredes com fotografias parvas do beijo à homem-aranha ensaiado no chão da sala. Ou do ramo lindo de túpilas oferecidas no dia em que fugimos à hora de almoço para fazer amor.
Falta que me sujes a cozinha toda, na tentativa esforçada de cozinhar uma refeição especial, porque vou à frente no Campeonato das Surpresas Privado que organizámos. E marcar meio ponto a mais pela sobremesa, deliciosamente surpreendente…

Falta partilhar a manta no sofá. As emoções da última temporada do Dexter. O colo em que repouso e, por fim, adormeço. O colo em que confio. E dar o meu. Passar as dedos, suavemente, demoradamente, pela cabeça que sei cansada com as exigências do mundo. Acariciar-te, porque sei das tuas batalhas e da força que inventas para pareceres bem mesmo quando não estás. E quanto mais te conheço, mais te respeito. Falta dizer-te isto.
Vem, deita-te aqui ao meu lado. Faltam umas mãos à volta da minha cintura na cama. A segurar-me como se ali fosse onde eu sempre devesse estar. Falta calor. A presença de outro corpo colado ao meu no encaixe perfeito de duas partes que são uma. Falta acordar e ver-te.







Andei tão enganada por tanto tempo. Tenho a vida que imaginei ideal. Silenciosa. Tão quieta. À minha maneira. Sem a intromissão de outras maneiras a atrapalhar. A desarrumar a minha vontade. A contrariar os meus apetites egoístas. Está tudo como eu quero. Quando eu quero.
Para descobrir,que afinal, assim não quero.
Já chega. Gosto muito de mim, mas estou a ficar sem assunto neste diálogos amonologados que tenho comigo própria. Falta a ajuda para o meu vestido azul, que nunca consigo apertar até ao fim. E para tratar dos grelhados nos fins-de-semana com os amigos. Não quero ser sempre eu a desligar a televisão. Ou a luz da casa-de-banho. Já não tem piada dormir de peúgas…

Falta medir a altura contigo. Crescermos os dois juntos, a ouvir cada centímetro nascido da nossa união. Falta compreender que há muito mais para lá das nossas grandes perdas ou pequenos ganhos. Que a vida não é o resultado de somas e subtracções. Falta entender que é a dividir que se dá o milagre e tudo multiplica.
Falta experimentar contigo esta magia. E todas as outras que sei. Levar-te pela mão ao mundo que já não quero só meu.
Falta amor.
Daquele tipo que me faz escrever sobre beijos à homem aranha e festinhas na cabeça. Esse amor. Que não tem vergonha. Que fala. Que se mostra. O Amor que se divide. E aumenta.
Estou aqui. Com o meu amor. Para ser dividido.
Agora, só faltas tu…


IdoMind
about loving and caring, hugging and kissig...and so what?


junho 16, 2010

A ver se nos entendemos

Não esperes por mim. Não dependas do meu não ou do meu sim. Por favor, não me obrigues a escolher por ti. Carrego já o peso suficiente de uma viagem que quis árdua. Não posso levar-te. Nem à bagagem que trazes contigo. Os desertos por onde já passei ficaram-me com tudo o que era inútil. E nas escarpas livrei-me do que podia levar-me ao abismo. Sei agora que o essencial não tem peso e que cada lugar tem uma pergunta para nós.

Ainda que quisesse, não oiço as tuas perguntas. Estão codificadas pelos pensamentos que pensas. Pelos sentimentos que sentes. Pelas lembranças que relembras. São perguntas para ti.  Por isso, não te percas nas soluções dos outros. Depressa compreenderás que o mesmo remédio produz efeitos diferentes. Não escorregues no vomitado lógico de ninguém. A razão só faz verdadeiro sentido quando é filha da tua experiência.
Nem sigas a luz de uma lamparina qualquer. De outra fé que não a tua. Aquela que te faz encostar o carro à berma ou esconder numa casa-de-banho e pedir baixinho “por favor, por favor ajuda-me, por favor”.  Essa fé. Que nem sabes a quem estás a dirigir. Talvez à vida que no fundo pressentes que cuida de ti. A fé que te vai revelar que não estás sozinho. E que tens sempre uma nova oportunidade.

A existência é demasiado vasta para que caminhes por cima das minhas pegadas. Firma as tuas. Imprime no Tempo o testemunho da tua vinda. E que as marcas que deixares falem da tua valentia frente a cada decisão de seres sagrado no profano.
É o que tento. Então, não me faças nem santa nem demónio. Sou só uma mulher a tentar chegar a Casa. Se soubesses da exaustão presa a alguns passos jamais me pedirias pressa. Jamais exigirias que chegasse à Hora que queres. 

Compreenderias que te compreendo mas que obedeço a outro ritmo. A outro relógio. E talvez fosses ao meu encontro. Talvez me trouxesses uma fatia de bolo de chocolate que partilharíamos sentados junto a uma árvore. Sem perguntas. Sem esperar nada. Só porque é bom comer uma fatia de bolo de chocolate comigo. Só porque gostas de me ver feliz. Só porque brilhas sempre que amas. Só por Ti.
Por nós, vive por Ti.
E deixa-me viver por mim.
Não me atinjas com a culpa de ter outros desejos. De sonhar. De ser Eu.
E eu não sou o que tu esperas. Nem posso.
Porque quem seria Eu, se todos esperamos coisas diferentes?

IdoMind
About getting things straight

junho 02, 2010

Estava eu tão sossegada!

Acabei de receber um pedido de ajuda por fax .
Alguém a narrar os seus infortúnios junto da Banca e das Finanças que conduziram à penhora do vencimento e da sua habitação. Alguém que desabafa que já não tem o que dar de comer aos filhos.
Não conheço a pessoa.
Explica que está a enviar este SOS para escritórios e empresas, reconhecendo que não tem vergonha de dizer que precisa de ajuda. O desespero engoliu o orgulho.
Pede-me 1 Euro.
Fiquei a olhar para o fax. Na parte final, senti a honestidade angustiante de quem já nada tem a perder e tenta, o que provavelmente nunca lhe havia passado pela cabeça,  expor a sua miséria. E esperar que alguém responda ao grito.
Pode ser logro. Pode ser mentira. Pode ser oportunismo.
Pode não ser.
E aqui fico eu, a tentar perceber que escolha me está a ser pedida.

As voltas que obrigámos o Universo a dar para que paremos. A vida que foi já não pode ser mais. Descurámos do essencial tão distraídos que ficámos com o supérfluo. A alma foi esvaziando à medida que enchemos os nossos frigoríficos com comida que deixamos passar de prazo.  Levámos o coração à fome para alimentar um vaidade fútil. Insaciável. Como ficámos pequenos nas nossas manias egoístas da uma grandeza oca.Tornámos-nos surdos uns aos outros ouvindo só aqueles e aquilo encaixável na nossa realidade de faz-de-contas.
Afogados na nossa fartura nem vimos que mesmo ali ao lado havia uma mulher com dois empregos...
Deixámos de nos preocupar com tudo excepto connosco. Até quando Damos pedimos factura para o IRS.
Guiados pela ambição, os pais abandonaram os filhos. Para lhes dar o melhor, deixaram de lhes Amor. E agora temos crianças que não sabem amar. E tão pouco sabem ser amadas. Não deixam. Negámos o dever sagrado de segurar as mãos das crianças. Aprenderam por isso a andar sozinhas.
Que esperávamos? Que confiassem? Que crescessem fortes? Seguras? Pois se não sabem quem são. Inventámos uma nova categoria de paternidade – Monoparentalidade. O nome é tão assustador quanto as suas consequências. Que estamos a receber.
E também temos agora uma nova categoria de Filhos – os Filhos de Fim-de-Semana. Criámos uma geração de crianças sem norte. Sem Pais. Mas com muitos brinquedos e roupa de marca. E ensinamos-lhes o que é competir logo no infantário…

Porque nos afastámos demasiado, estamos a ser forçados a fazer o regresso. Então a vida está a encarregar-se de nos nivelar. De nos trazer de volta a Nós. Perdemos-nos na viagem. Encantámos-nos tanto tanto com o fogo de artificio que não vimos a Terra a rachar ao meio. E lançámos mais umas canas. Para entretenimento, enquanto a dor de muitos era abafada pelo barulho da nossa festa particular.
Calou-se o ruído. Acabou-se o conforto do emprego estável e ordenado certo que nos mantinha na mediocridade de fazer só o necessário. Nunca mais. Nunca melhor. Nunca bem. Apenas o indispensável para afastar a atenção de nós.
Acabou-se o dinheiro para comprar os mesmos analgésicos contra a solidão.  Contra a falta de coragem para tomar as decisões que se impõem. Contra as noites mal dormidas a pensar noutra pessoa que não aquela que ali está a dormir ao nosso lado. Já não dá para esquecer o assunto com um par de botas novas ou aquela viagem ao Brasil.
Caímos dos nossos pódios feitos de areia e ficámos todos da mesma altura.
A tua aflição é agora a minha. E a minha a de todos. Eu e tu e todos a perceber, finalmente, que somos IGUAIS.
Agradeço por isso a crise. Este pedaço difícil de estrada. Todos os fins de mês que parecem nunca mais chegar. 
Abençoo a dura prova de aceitar o que não podemos mudar. 
A impermanência que nos leva a pedir milagres.
E a enviar faxes a pedir 1 Euro.
IdoMind
about all the good hidden in the worst  

maio 31, 2010

Uma Limpeza

Vai. Mas vai mesmo. Não te fiques pelo conforto desse chão que pisas em círculos, sem que te leve, na verdade, a lado algum. Substitui as paisagens já gastas, para que os teus olhos de novo se abram. E de novo Vejam. Há todo um universo que te está a escapar. Do lado de fora da tua caixa aguarda-te o Infinito.
Não ouves o barulho distante das alternativas que desprezaste? Não te assaltam por vezes à noite, enquanto descansas? Enquanto desligas do programa seleccionado, a funcionar em automático. Não ouves? Aquele ruído miudinho a rondar-te a cabeça mesmo antes de adormeceres?  Não é cansaço. Não é stress. Não é nenhum dos motivo que inventas para justificar uma vida menor. E injustificável.
São as vozes abafadas de quem és realmente. Daquilo que queres quase desesperadamente. De quem amas a sério. É a felicidade que congelaste a gritar para se estilhaces o gelo. Ali está ela, suspensa, à espera que te tornes Homem. Não queres ser feliz? Deixa então de ser cobarde e vai.
Vai romper com o que já não te serve. Vai dizer adeus a quem nunca na verdade quiseste. Ou simplesmente deixaste de querer porque tudo tem o seu prazo e a sua função. 
Este é o tempo de regressar ao Caminho. E devolver o Outro ao seu. Ousa Ser quem te sonhas, porque acabaste de acordar com vontade de Viver. 
Não te escondas atrás dos teus filhos. Das tuas contas. Do mártir que habituaste a alimentar-se de piedade. Das obrigações famintas de reconhecimento. Parte o espelho e mostra-te sem distorções.
Vai cortar os fios das dependências que te adoecem antes que te matem. Ninguém precisa de ti ao meio. Se estiveres, está por inteiro. Quando saíres, sai de vez. Cura ou desiste mas não fiques a infectar. Amputa se necessário todos os cordão que te agarram os pés e impedem de crescer. A alma mirra a cada certo que não é o teu.


És ímpar. Assim como o teu Destino. E o de todos nós. O meu Destino precisa do teu.
Preciso que tenhas a Coragem de dizer: “Este sou eu”. E sejas.
Que ponhas os teus lábios ao serviço do meu anjo.
Não anules uma vida que pode ser… a Nossa vida.

Sê responsável contigo. Com os teus sentimentos. Mesmo com os infantis. Sobretudo com esses. Com os despropositados. Que nem sabes de onde vieram. E com aqueles que te assustam tanto que os injurias com mil nomes só para os manteres à porta do teu coração. Como se conseguisses. Cuidado para quem levas os teus últimos pensamentos à noite. E para quem vão os primeiros logo pela manhã. Não fujas. E não te ponhas a antever um filme de guerra ou um drama. Podes estar enganado, sabes. Pode ser afinal uma história de amor pendente de um capítulo escrito por ti.
Sente-TE. E tudo estará bem se for para teu bem.

Pergunto-te se não queres conhecer o Amor. Mas aquele que é mesmo amor. Livre! 
Aquele que não tem de fingir uma vontade que não tem. Nem de carregar nos botões de controlo que já conheces tão bem. O amor incompatível com a manipulação das culpas e dos erros que não deixas que se esqueçam. Sempre que te convém. O amor que não tem de mentir. Nem vir no carro a pensar numa desculpa qualquer, para mais uma falta de amor...
Fica atento a ti. 
Estás a Amar?
IdoMind
about clean souls

maio 27, 2010

Tenho isto para ti



Há situações que nos entristecem. Há situações que nos incomodam. Há situações que arrasam connosco. Mas são só situações.
Há pessoas que nos magoam. Tanto. Há pessoas que não nos vêem, mesmo quando estamos aos saltos à frente do nariz a dizer “ estou aqui, estou aqui”. Há pessoas que nunca conseguimos fazer felizes. 
Mas são só pessoas.
Somos todos, só pessoas na vida uns dos outros. A criar situações.

Esqueço com frequência que estou aqui ao teu serviço. Ao nosso. Que preciso de ti e tu precisas de mim. Tu e eu somos sinais nos cruzamentos. Pistas combinadas no Caminho. É na intercessão que te encontro. Sempre. E tu a mim. Eu sou o sentido proibido que te obriga a voltar atrás. Eu sou a luz vermelha que te faz parar. E aguardar. Depois trocamos e passas a ser tu quem me impõe um limite de velocidade. Que me mandas virar à direita naquela rua onde costumo ir em frente. Tu és o sinal de estacionamento permitido…
O aviso de estrada com curvas. Que eu ignoro...


Algumas paisagens distraem-me tanto que precisas de crescer para que eu repare em ti, ali especado no passeio, indicando-me a direcção. Já precisaste de proibir o trânsito para me afastar de alguns becos sem saída. Obrigado. Não te percebi. Pensei que era má vontade. Intransigência. Cheguei a pensar que não gostavas de mim. Julguei-te egoísta. Julguei-te perdido. Julguei-te tão longe da Essência. 
Afinal estavas só a Ajudar-me.


Como eu te ajudo. Não me julgues. Confia que estou a fazer a minha parte. Com honestidade. Comprometo-me a ser Fiel. Com o que sinto ecoar no meu coração. Com o que fica depois do lamento, da decepção, da raiva e do desespero, do desejo que não satisfiz. Com tudo que sei, porque sei, ser a minha Verdade.
Conta por isso com todas as palavras que não gostarias de ouvir. E com o silêncio que gostarias de ver quebrado. Conta com a solidão. Certo que estarei sempre contigo, mesmo quando não estou. 


Comprometo-me a mostrar-te todas as cartas para que não tenhas de adivinhar o que tenho na mão. No meu jogo ninguém perde.
Confia na minha escolha. Que não é impensada. Nem insensível. Alheia às tuas angústias ou dores. Será uma escolha sentida. Confia em mim empenhada em ser melhor. E escolhe.

Só temos de ser transparentes para que a Luz brilhe nos dois.

IdoMind
about fireflies

maio 25, 2010

A sombra

Somos feitos às metades. Que nos fazem aos bocados. Rompem-nos. Ficamos por aí espalhados e tentar perceber se ainda temos pés. E onde estão eles plantados. Há ventos que nos arrancam as raízes. Empurram-nos para tão longe que quando queremos voltar, já nos esquecemos de como fazê-lo. Aprendemos então que as nossas pernas podem andar de muitas maneiras diferentes. Desconfio até, que as minhas fazem mais que andar. Desenham projectos. Combinam viagens e até marcam partidas para lugares que não me apetecia nada conhecer. Ou revisitar…
As minhas metades estão numa espécie de guerra. Não se falam, excepto para discutirem qual delas tem razão. Uma tem de ter razão. Só uma. As metades não entendem que a razão está em todo o lado ao mesmo tempo. E é por isso que tudo tem uma razão. A sua razão.
Que não é melhor. Que não é pior. A mais bonita ou a mais hedionda. A razão de cada coisa é perfeita. Incomparável a qualquer outra razão porque é única. Uma razão feita à medida. Por alguma razão…
Eu acredito no propósito que me trouxe aqui. E a ti. E nos fez em metades.
Reconheço a Beleza também à noite. O brilho da Lua ainda é brilho. Luz que ilumina. Eu ainda sou eu quando sou egoísta. Quando me nego a dar. Porque não quero. Não tenho vontade ou sem saber bem porquê. Continuo a ser eu quando prego cancelas no meu jardim e fixo o sinal de proibido entrar. Só porque não estou capaz de fazer melhor. Eu não perco o meu rumo por me perder de vez em quando. Eu nunca me perco se vou à minha procura.
Gosto da música triste que me deprime ainda mais nos momentos em que vem aquela saudade. Tanto quando a outra alegre que celebra comigo um dia radioso de praia. Tenho dias de querer ficar calada. De vazio. Vejo o fosso que me separa dos outros com contentamento. Não gosto de toda a gente a todas as horas. De algumas pessoas até nem gosto a hora nenhuma.
Esta minha metade ruim que teima em ser. Porque sim. E que nem a minha metade boa consegue domar. Mais uma discussão. Outra insónia. 
Mas eu sinto-me eu mesmo quando a doçura dá lugar à zanga. Eu sou eu quando corro, quando ando, quando páro. Até sou eu quando faço o que julgava jamais fazer. Quando te magoo. De propósito. Porque nem sempre sei quem sou afinal e preciso que me digas. Ou me ajudes a descobrir.
Por isso, ambos temos razão. E no fim tudo cumpre a sua parte.
Mesmo as metades que nos fazem aos bocados.


IdoMind

About everything

maio 21, 2010

Uma branca

E não é que os dias melhores vieram? A minha querida sexta-feira chega acompanhada do sol abrasador de que tinha tantas saudades.
Deixo aqui o resultado do aturado exame de consciência que me tomou de assalto nesta confusa semana, que agora, e finalmente, termina.

Fui muito ao passado. 
Lembrei-me de coisas que julgava esquecidas. Reconheci certas dores que pensava já não doerem. 


Percebi que Eu sou aquilo que me lembro. A soma das minhas memórias moldou-me. Devo a todos pretéritos o meu presente. A todas as quedas, este andar mais lento e cuidadoso…


Se eu não me lembrasse de ontem, hoje dava-te um abraço como se nunca tivéssemos discutido, discordado ou teimado num orgulho estúpido que nos vai tapando a vista para o teu e o meu melhor. 
Dizia-te outra vez como te respeito como se nunca te tivesse dito. Pedia-te ajuda como se nunca ma tivesses recusado. Aprenderia a conhecer-te de novo, olhando-te como se nunca te tivesse visto.


Se eu esquecesse o que ficou para trás, recebia a sorrir o que está a minha frente. Arriscaria como se nunca tivesse perdido. Acreditaria como se nunca me tivessem enganado. Entregaria o coração como se nunca o tivessem partido. 


Cada dia seria isso, Um dia. Podia ser O dia.

Pintaria os lábios de vermelho. Vestia aquele vestido. Esquecendo como me acho feia. Deslocada.  Sempre fora do tempo e do espaço das outras mulheres. Tirava as ligaduras destas feridas antigas que custam a sarar. E ia para a rua, livre.


A memória fez-me medrosa. Prudentemente contida. A memória fez-me fazer uma casinha bonita nas nuvens onde vivo sozinha.
Se começasse de novo sem carregar o velho, talvez voasse. Talvez crescesse. E tudo teria uma dimensão diferente. 
Guardaria esta memória. Apenas Eu mudo de tamanho…
IdoMind
About digestions

maio 19, 2010

Vincent



Hoje deu para aqui. Para o meu Vincent.
Então,


Aos Vicents em nós.
À tristeza, às dúvidas, à vontade de correr de volta para o útero.
Ao medo de estar enganado. De ser diferente. A toda a roupa preta. 
Ao nevoeiro de Londres que nos deixa invisíveis. Aos dias de chuva.
Ao quarto preto que pintamos de sombras.
Às assombrações. 
A todas as memórias que nos apertam o estômago. 
Aos momentos em nos vimos abandonados. E chorámos.
À outra metade escura escondida atrás do sorriso cintilante. Cínico. 
Ao desejo secreto que todos desapareçam. 
Ao fracasso que inventamos para não tentar. 
A tudo o que não existe a não ser numa alma dorida.
Aos corações que não querem sentir. 
Aos sentimentos maus de que temos vergonha. 
À culpa. Aos monstros que criamos.
Aos contrários. 
Ao equilíbrio.
Seja breve o desespero.
Seja iluminada a escuridão.
Ela também fala. E muito tem a dizer.
Às saudades de um abraço. Aos erros corrigidos.
A todos os pedidos de desculpa. Às despedidas necessárias.
À imperfeição. A este segundo perfeito.
À lua e ao sol à luta dentro de mim. 
A nós.
A dias melhores.


IdoMind


about opposites

maio 17, 2010

Fingidos

Sim, é importante saber que mundos contróis dentro de ti quando não estás a erguer paredes cá fora.
É importante saber porque te escondes. O que te assusta tanto assim para achares que tens de ser dois. Ou até três. Tantos quantos necessários para que não te descubram. A ti. O verdadeiro.  Aquele que aparece no espelho de manhã enquanto escovas os dentes e que mal reconheces. Se experimentares ficar a olhar por mais um bocado, talvez te lembres do homem por detrás do a máscara. Experimenta enfrentar o teu reflexo e dizer várias vezes em voz alta “ eu, eu, eu, eu, eu..” sem tirar os olhos dos teus olhos.
Di-lo até que surjas. E vais surgir. Vais emergir das entranhas do lago plácido e escuro onde tens hibernado. Pode ser que sintas uma tontura. O sono foi longo. Podes não conseguir à primeira porque não estás habituado a perder o controlo sobre ti. E a ver-te.

É importante estares disposto a mudar. É importante assumir que és uma farsa. Esta talvez seja a parte mais difícil. Mas sabes que és. Não dizes o que pensas. Não fazes o que dizes. Apertas a mão de tanta gente que não gostas. Sorris sempre…
Tens desculpa para tudo isto. Dás-lhe  o nome de responsabilidade, de cortesia, de obrigação e até de educação.
Eu chamo de farsa.
Tu dizes – saber viver.
Eu pergunto  - será mesmo?

Conheço bem o conforto dessa paz fabricada. Debilmente mantida. Inútil. Mais cedo ou mais tarde vais ter de lutar. Vais ter de por pontos finais. Vais ter de te mostrar… 
É a própria vida que o impõe. Para teu bem.
Vai ser impossível continuar a respirar o mesmo ar.  Viver na mesma casa. Ouvir as mesmas coisas. Uma e outra vez e mais outra, o mesmo discurso, as mesmas queixas e as mesmas acusações que já sabes de cor. E que vais deixar de suportar. Mais cedo ou mais tarde. Escolhe se queres enlouquecer primeiro.

Vai ser impossível sustentar a mentira que inventaste para impedir os nãos que também fazem parte nisto de crescer. As despedidas inevitáveis que rasgam bocados de nós. As palavras zangadas que nos tingem de tristeza.

Porque mentes? Porque crias tantas versões de ti por cima do gesso do teu verdadeiro Eu?
Que necessidade é essa de nos dares apenas a Ilusão do que és?
É assim tão pouco o Amor que te tens?
É importante responder. Porque vai ser impossível travar a volta da farsa.

IdoMind
                                                                                                   About reflections

maio 10, 2010

Uma questão de talento





Se ao menos não fosse tão teimosa. Se ao menos as minhas raízes não fossem tão profundas. Se eu conseguisse agradecer sempre e ver para lá da curva para onde me dirijo. Se eu não fosse tão forte e quebrasse de vez em quando expondo esta fragilidade revestida de ferro.
Se eu chorasse à tua frente…
Se eu te dissesse como são longas algumas noites…
Que há uma imensidão de coisas que não entendo. E te pedisse para ficares mais um bocado. Que bebesses mais um café e me ajudasses a ouvir-me enquanto falo para ti. Tu que me reflectes para eu me veja feita de branco e de preto. Parte nuvem, parte terra a querer subir  com os pés amarrados pelo medo de largar.
Se eu te mostrasse a miúda que mora em mim…

A curiosa que fala com estranhos. Que quer espreitar o que vai nas outras cabeças. A que nada teme. A miúda ingénua que não sabe o que é julgar. Nem julgamentos. E em todos encontra o Sol.
Ser grande é deixar de dormir com os olhos abertos. Eu sei. Mas gosto tanto de me sentar no chão. Andar descalça. E de vez em quando não fugir da chuva que cai de repente. Continuar na mesma passada a sentir as gotas molhar-me a roupa sem pensar em constipações ou em aparecer encharcada no trabalho. Adoro gelado.

Um dia podíamos tirar a tarde e irmos comer um. Sujar as mãos todas e partilhar um segredo. Correr sem ser no ginásio ou para emagrecer. Fazer um pacto… de sermos miúdos um para o outro. Dizer sempre a verdade. Perdoar rapidamente. Viver como aventureiros do grande futuro que inventamos agora.
Não me sabias aventureira, não é?
Mas também se sobe às árvores de fato e salto alto.Também se brinca maquilhada. Se olhares para lá da mulher que te mostro, poderás ver-me aos pulos a convidar-te para vires sonhar.

Talvez tenha de dizer-te aquilo que espero que adivinhes. Não acreditar tanto que estás a percebes o filme e colocar legendas.
Melhor ainda. Levantar-me da cadeira de onde assisto a vida passar e realizar a minha própria história.
Há um papel para ti… Podes ser homem ou miúdo.. Mulher ou miúda. Advogada, astronauta ou bombeiro. Podes ser aquele amigo que me segue até onde a Terra acaba ou o desconhecido que me sorri no metro das 8h10m. Podes ser o amor da minha vida. Podes ser o amor de muitas vidas. Podes ser eu a ser outra coisa.
Podemos ser felizes.
Afinal a felicidade não está no meu, nem no teu desempenho mas no simples facto de estarmos aqui, neste momento, um com outro a participar noutro episódio… 
IdoMind
about directing
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