janeiro 25, 2011

Procura-se... qualquer coisa

Na sexta-feira fui almoçar com um cliente e amigo muito especial. Almoço descontraído. Restaurante perto da praia. Boa comida. Boa conversa. Dois copos de vinho. A conversa melhorou... Voltámos ao escritório com o astral lá para a cima e a vontade de trabalhar muito em baixo.

- Tenho aqui a solução dos teus problemas – anunciou orgulhoso abraçando uma revista e um jornal.
- Deixa-me estar sossegada se faz favor. A tua última brincadeira não correu bem, lembras-te? - Adverti no meu tom Aviso n.º 1
Ignorando o sinal, colocou diante dos meus olhos a Focus. Na capa da revista podia ler-se em letras garrafais  “COMO FICAR RICO.”
Soltei uma gargalhada. Claro!
- Vês?!! E agora os outros problemas – disse enquanto se sentava comodamente mesmo à minha frente, de perna cruzada, indício que a coisa iria demorar. Abriu e jornal e começou a ler:
Não me contive. E rimos os dois que nem parvos. Determinado a testar os limites do meu conservadorismo, continuou.
- Tens outras alternativas igualmente interessantes:

Como as crianças que fazem uma gracinha bem sucedida, leu mais um, comentando:
- "Como sei que gostas de morenos"
Fiquei agarrada ao jornal, estupefacta com a variedade e quantidade de anúncios desta natureza. Desconhecia por completo. Ao constatar o meu entusiasmo com a novidade correndo o jornal com olhos enquanto ria sozinha, ele próprio reconheceu: “ O que é que eu fui fazer!!”
O meu interesse não se ficou a dever aos pretendentes nem à possibilidade de encontrar o príncipe via “Love Mail” (nomenclatura desta rubrica no jornal). Não. O meu interesse, como em tudo, prendeu-se com a motivação daquelas pessoas. O que leva alguém a levantar-se um dia, dirigir-se nem sei onde e pedir - “Quero publicar isto:
Para mim foi o escancarar da porta para uma nova realidade! Não é mito, anda mesmo tudo à Procura. 
Ele procura Ela. Ela procura Ele. Ele procura Ele e Ela Procura Ela.
Pelos vistos toda a gente anda para aí desencontrada. Será isto serviço público? 

Quando foi que se tornou tão complexo relacionarmo-nos uns com os outros que precisamos de procurar Amor no mesmo lugar onde se procura um emprego, uma casa ou um carro para trocar…
Desde o principio do mundo que homens e mulheres se conhecem. Se apaixonam. Desapaixonam. Choram e voltam a apaixonar-se. Cometem erros. Aprendem. Erram outra vez e mais outra e mais outra e é no erro que vão sendo felizes. Mas até hoje não conheci ninguém que desistisse de Encontrar. Mesmo os que acham e se tentam convencer que isso do amor já, ainda ou nunca foi com eles. No fim de tudo a única grande verdade é que “The greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return.

Como os animais (dos quais cada vez mais me convenço não estamos afinal assim tão distantes) sentimos necessidade de par. Julgava eu que diferíamos deles na forma como satisfazemos essa carência. Ao ler alguns destes anúncios pude perceber que não.
Alguns fizeram surgir de imediato na minha cabeça a imagem de um tigre. O predador “jovem cavalheiro, apresentável, honesto e sem vícios” à caça, ardilosamente esperando o telefonema que lhe irá garantir a refeição dessa noite…
Mas nisto de tratarmos do nosso umbigo, não há espaço para sexismos inconvenientes e eis que as predadoras também saem atrás da presa:

Necessidades diferentes, o mesmo método. A mesma forma de pensar. A mesma ausência de responsabilidade pelos próprios sentimentos e dos outros.
Vale tudo. No meu tempo acrescentava-se “menos tirar olhos”. Hoje em dia, e depois de algumas coisas que li, nem sei se esta segunda parte continua a fazer sentido.

É mesmo para aqui que queremos ir? Darmo-nos indiscriminada, inconsequente e (quanto a mim) inconscientemente uns aos outros? Sem no fundo estar a dar nada… Sem deixar nem trazer o que quer que seja de muito bom.
É isto que nos faz bem, que nos realiza? Usarmos e sermos usados. Não parar diante de cada pessoa que se cruza connosco e OLHAR para ela. É assim que gostamos que nos façam?

Estas minhas palavras não encerram qualquer tipo de censura às escolhas de ninguém. Não sou contra nem a favor do sexo casual. Não faço juízos sobre a solidão e o cansaço de cada um. E até onde se pode ir para tentar mudar esses estados.
É só preocupação sincera com o que está por detrás duma forma de vida que chamamos moderna mas na qual não vislumbro qualquer espécie de progresso.
Mas posso ser só eu, a observar este nosso mundo a dirigir-se para o Vazio.
Fecho com chave d´ouro

IdoMind

About what we´re doing to ourselfs 

janeiro 24, 2011

Desafio dos 7

Fui desafiada!
Logo eu que não gosto de desafios. Mas aceitei este que a Shin-Tau me lançou.



7 coisas que tenho de fazer antes de morrer:

- escrever um livro;
- ter A conversa com o meu pai;
- apaixonar-me tipo filme, ficar toda viradinha ao contrário;
- construir um centro de acolhimento para crianças desprotegidas;
- mudar-me para ao pé do mar;
- dar a volta ao mundo;
- encontrar-me. A sério, gostava de me encontrar antes de morrer.

7 coisas que mais digo:

- “Peço justiça” (evidentemente);
-  De que signo é que és?
-  Não posso, vou treinar.
-  Diz a verdade.
-  Não, não sou de cá. A minha nave ficou sem combustível.
-  E se não for assim como estás a ver?
-  Obrigado.

7 coisas que faço bem:

- falar;
- escutar;
- cozinhar;
- piadas;
- pacificar;
- arranjar soluções;
- asneiras… é o que faço melhor.

7 defeitos:

- obstinada;
- individualista;
- solitária;
- masoquista;
- impaciente;
- incoerente :) 
- mole.

7 qualidades (Tantas?)

- boa-pessoa;
- sensata;
- muito bem humorada;
- de confiança;
- humilde;
- generosa;
- sonhadora ( bueeeeeeeeeeé)


7 coisas que adoro:

- O mar. A praia para onde fujo para me sentir.
- Fazer amor.
- Estar sozinha a ouvir música enquanto leio.
- Cinema. É mesmo paixão.
- Água. Adoro nadar e adoro tomar banho.
- Conforto.
- Coincidências…

7 coisas que detesto:
 ( não há nada que eu deteste a não ser as palavras detestar e odiar, acho que têm demasiada força no sentido negativo. Prefiro dizer 7 coisas que gosto menos)

- Mediocridade, pequenez;
- Falta de educação;
- Chegar ao cinema e ter o meu lugar habitual ocupado;
- E gosto ainda menos, calhar um casalinho papa-pipocas atrás ou à minha frente! 
   (afinal talvez haja alguma coisa que deteste)
- Ficar na sacana da fila do supermercado que dá sempre problemas!
- Vulgaridade... não gosto mesmo nada de vulgaridade;
- Frio. Arrasa comigo.


7 pessoas que vão responder ao desafio


Quem achar piada e quiser aceitar o desafio está à vontade. Pessoalmente aconselho.
Foi engraçado verificar que demorei muito a encontrar 7 qualidades ao passo que os 7 defeitos me levaram cerca de 40 segundos a escrever. Deixei as 7 coisas que tenho de fazer antes de morrer para o fim porque só me lembrava de 2.
Tudo isto diz muito…
IdoMind

about this challenge

janeiro 19, 2011

O Colo e a Palmada

Dizem que entre a principal característica do nosso pai e a principal característica da nossa mãe, se esconde o segredo da nossa Missão. Talvez todos tenham razão e eu precise de ajuda profissional, mas para mim isto faz sentido. Soa-me a verdadeiro.

A minha irmã não atribui aos meus pais as características que eu atribuo. As nossas missões devem, por isso, de ser diferentes. O que reforça a coerência da premissa.
Porque para falar do meu pai preciso de tirar férias e escrever um livro, pus-me a pensar na minha mãe e apeteceu-me escrever sobre essa mulher como não há outra. A sério, não há. Para equilíbrio do Universo.

Influenciou-me muito. E só agora, eu própria mulher, vejo o quanto. Foi uma coisa assim para o subtil, mas a Baixinha, fez "estragos". Ainda hoje não me entendo com os homens. Ainda hoje acho que consigo suportar várias toneladas de carga sozinha. Lido mal com a o meu lado feminino. Ainda hoje me custa chorar. Tudo obra da minha mãe. E para alguém com uma altura a rondar o pigmeu é realmente Obra!
Se é bom ou mau? É o que eu escolher fazer com esta compreensão.

É inegável o poder das Mães. E é sobretudo inegável que há muitos tipos de mães. Mas a roda da existência sorteou-nos com a nossa. Porquê?
Porque não se trata de sorte. É exactamente DESSA  mãe que precisámos e precisamos para nos construirmos. Para nos destruirmos. E voltarmos à reconstrução. Ou destruirmo-nos mais um bocadinho, de dedo apontado à infância miserável e ao péssimo trabalho dos nossos progenitores.

O problema das mães é serem seres humanos. Cada mãe é só uma pessoa. Com um coração que bate a sua própria música. Como o nosso bate a nossa. E depois aparecemos nós. Vimos por aí abaixo, cair mesmo a meio da história dela. A mãe passa a ser um coração, a bater duas músicas.  
Mas continua a ser só uma pessoa. Com dias de sol e outros dias de céu muito carregado. Vários dias de trovoada. A minha tem destes…são tipos enxurrada, duram pouco mas arrasam tudo à volta.

Há uma qualquer ideia tão enraizada em nós que as mães são, e têm de ser, capazes de inenarráveis proezas que lhes exigimos o comportamento de heroínas. E é com dificuldade que toleramos o facto de não serem perfeitas. Indignamo-nos até e manifestamos a nossa desilusão quando não fazem o que seria expectável de uma mãe. Quando, no fundo, não correspondem à Mãe dos nossos sonhos.

O contrário também é verdade. Há mães que vestem os filhos com botas vermelhas e uma capinha. Olham e vêem neles o super-homem que nunca viram no pai ou que entretante desistiram de ver. E manipulam assim uma relação sagrada. Porque também há mães que se destroem...
Que se consomem no processo de viver a vida que não é delas, recriando-se nas suas crias. Ou morrendo devagar tentando.
Conhecem bem a culpa e como usá-la. Cobram e protestam, umas veementemente, outras de forma mais polida, que as amem, que as visitem, que as informem de como corre o trabalho, como estão os míudos e se já trocaram de nora, que as deixem ser a sombra reflectida em todas as paredes, a gerente lá de casa... Algumas conseguem. Por isso alguns filhos mentem. E outros afastam-se.

Para os filhos das mães ausentes;
Para os filhos das mães demasiado presentes;
Para os filhos das mães frias;
Para os filhos das mães instáveis;
Para os filhos das mães mártires;
Para os filhos das mães-carreira;
Para os filhos das mães rígidas e das mães moles;
Para os filhos das mães que preferem ser outra coisa,

- Não as julguem. Amem-nas.

São benditas. Todas. E bendito é fruto do ventre de cada uma delas. Não é isso suficiente para terem o nosso obrigado? Para erguer a bandeira branca e correr para os braços delas?
O Amor é o caminho que te leva à tua mãe e o que a traz até ti.
Ama-a acima de tudo. Acima do passado, acima dos feitios, dos orgulhos, do que é pequeno.  
Ama-a mesmo que ela não te ame como queres ser amado.
A tua mãe é como tu – humana.
Faz a tua parte.
Ela fez e está a fazer a Sua.

IdoMind
About karma

janeiro 07, 2011

O Prazer

Sexta-feira. O meu dia preferido da semana. Também gosto dos outros (quase todos) mas sexta-feira traz-me alegria. Boa disposição. Vontade de não me aborrecer com nada e deixar passar o que, por exemplo, numa terça-feira à tarde, iria dar discussão certinha.

É o dia do prazer.

Termina agora a primeira semana do Novo Ano que se adivinha longo. É bom que o aligeiremos com algum prazer. Ou muitos.
Vou começar em grande! Hoje não há cá receita nenhuma. Aproveitem o fim-de-semana para O prazer dos prazeres - o bem-bom. Há lá coisa melhor que fazer amor?
Bem feitinho com muita consciência à mistura, do que se está a fazer... 
Deixo-vos uma dica que talvez possa ser útil. Não fiquei só a rir depois de verem, mudem o que funciona menos bem e experimentem formas para funcionar melhor. 
É só clicar aqui.


(Não sei porquê, alguns ecrãs abanam e outros não. Espero que o vosso abane, é muito mais giro)
IdoMind
about kidding with serious stuff

janeiro 04, 2011

Nem sei que título dar

“ Eu gosto dela. Não sei é se vou gostar amanhã. Imagine que ela muda ou eu conheço alguém. Que começa a incomodar aquilo dela descascar as batatas para dentro do lava-louças ou dormir com a frestazinha da janela aberta. Quero poder ser livre para decidir a toda a hora com quem quero estar. Não sei o que fazer.”

A história é simples. Numa viagem de férias ao estrangeiro, um homem conhece uma mulher. Até aqui tudo normal. Vê estrelinhas, ouve os sinos a tocar, o coração acelera e conclui, obviamente, que está apaixonado. Normal.
O homem regressa e como não faz mais nada que pensar naquela mulher, compra um bilhete e pede-lhe que venha para Portugal viver com ele. Menos normal, mas muito bonito…
Ela vem. E fica. Corre tudo bem. Passa um ano. A janela continuava aberta sem que isso incomodasse. Mas havia um problema que começava a ensombrar a felicidade do casal – a permanência ilegal dela no País. Impedida de se candidatar a um emprego, de andar despreocupada num centro comercial, de conduzir... Estava limitada a uma meia-vida.
E o ser humano suporta quase tudo, menos a limitação. Seja de que espécie for. Tudo que nos limite, mais cedo ou mais tarde gera a rebeldia, nos melhores casos, ou ressentimento, nos piores. Antes que isso acontecesse, o homem foi procurar uma solução. Trazendo também uma sugestão que de tão engenhosa me fez ter a certeza que a nossa raça irá sobreviver sempre a todo o tipo de catástrofes naturais ou outras.

O processo mais simples de regularizar a situação da sua “Pocahontas” (como ele lhe chamava) seria casar. E ele até nem se importava. Mas colocavam-se as questões com que iniciei este artigo. E se ele se arrependesse? Se se apaixonasse noutra viagem qualquer. Ou no trabalho. Se simplesmente não quisesse mais? Não lhe estava a apetecer fazer uma cama em que não quisesse deitar-se depois. Foi então que teve uma ideia…
A ideia, para a qual não consegui ainda encontrar o adjectivo à altura, foi a seguinte: seria juridicamente possível que a mulher outorgasse, em simultâneo com o acto de casamento, uma Procuração Irrevogável, conferindo-lhe poderes a ele, homem, para em qualquer altura requerer o divórcio dissolvendo assim o matrimónio?
Fiquei a olhar para a pessoa à minha frente a tentar perceber se estava a falar a sério ou a ter um ataque de humor negro.
Estava a falar a sério.

Demorei alguns minutos a responder-lhe, perdida entre a veneração por uma cabeça capaz de uma ideia destas e o ruído da fé em histórias de amor perfeitas a partir-se dentro de mim.
Este homem queria uma garantia para o Amor. Com condições e um prazo. Brutal. 
É só levar um pouco mais longe o conceito de casamento enquanto contrato e, porque não, prever que possa ser denunciado unilateralmente em caso de insatisfação ou de uma oferta melhor. Tipo TV cabo. Porque não estabelecer-se um período experimental?
Talvez não devesse ter aberto esta porta...

Para quem está a ler e pensar “mas olha, está bem pensado…muito bem pensado, é possível?” se calhar não fazia mal nenhum perguntarem-se:
“ Quem sou eu nos relacionamentos.”
E muito mais pertinente, tem resultado? 

To be continued
IdoMind
About don´t run over people
p.s. Pocahontas o caraças!

dezembro 30, 2010

Inventário 2010 - o Lado Luminoso

Reli o que escrevi ontem. “ Anda lá IdoMind Maria, devem ter acontecido coisas boas, afinal foram muitos dias, muita gente a entrar e a sair, muitos sítios por onde andaste. Não paraste. Lembra-te lá da parte que te fez rir. Que te pôs a sonhar. Do que, nem que tenha sido por segundos, restaurou a tua fé na bondade dos homens e num futuro radioso para todos. Tu consegues. ”
De facto, e depois de exorcizar os defuntos, observo de pé o campo de batalha e a luta teve as suas tréguas.

Pegadas que ficam deste ano
É lamechas, eu sei, mas em 2010 senti a força da Amizade. O que é ser Amigo e ter Amigos. Saber que se estendermos a mão haverá alguém para a segurar pode ser o bastante para conseguirmos continuar. Mesmo que nunca estendamos a mão. Menção especial ao rei-pescador que me mostrou que na nossa casa cabem tantos quantos o nosso coração pode albergar. Obrigado.

Frases que deixam eco:
  1. “Somos bastante mais felizes com dinheiro do que com Amor” – frase de um caranguejo. Ao que o mundo chegou!
  2.  "Há borlas que nos saem muito caras” – frase de um homem experiente.
  3. “O inferno é aqui. Eu podia estar a experimenta-lo vivendo a morte do meu filho como a coisa mais horrível que me aconteceu. Escolho aceitar que foi a escolha dele, que fez sentido no caminho dele.” – frase de quem sabe ao que veio.
  4. “Há dias em que tudo o que me apetece é ser uma pessoa desaparecida”- frase de uma contabilista… casada.
  5. “Em tudo o que disseres procura sem simples e clara. Certifica-te que te entenderam. Uma comunicação transparente é a porta para uma existência mais pacífica.” – esta é minha, também tenho os meus momentos.
  6.  "Um homem sem expectativas é um homem livre.” – frase proferida após a venda judicial, para pagamento às finanças, de TODOS os bens da empresa e pessoais (inclusivamente da casa onde morava a família 
  7. E por fim, na noite de Natal “ A base disto tudo é uma boa alimentação.” – autoria do grande Sr. Borges…
Tive revelações arrebatadoras
  1. Nada do que precisamos nos falta.
  2. Ainda assim, não custa pedir.
  3. É importante pensar bem. Imaginar o amanhã. 
  4. E depois fazer alguma coisa, os sonhos constroem-se de acções
  5. A palavra é a nossa espada. O seu manejo exige responsabilidade.
  6. Tudo volta. Viver melhor só depende de vivermos conscientes do que enviamos.
  7. Sem Amor não Somos, vamos sendo...
Fiz coisas más das quais não me arrependo:

  1. Recusei ajuda num projecto em que não acreditava. Nem tudo o que é causa social é uma causa totalmente desinteressada.
  2.  Promovi o despedimento de algumas pessoas. E fiz muito bem.
  3.  Deixei de ir à Missa (e depois despedi as pessoas...)
  4. Perguntaram-me “ acha que sou má-pessoa?” e eu respondi a verdade. Mas disse que nada na vida é definitivo.
  5. Tive inveja da minha vizinha de 300kg e do seu infatigável namorado de 60kg. Mas estava fragilizada nesse dia. “ Ai, ai que é tão bom” às 3 da manhã faria qualquer um cometer este pecado mortal!
  6. Menti para que fosse feita justiça. E lá vão dois pecados mortais…
  7. Last but not the least, fiz amor com alguém com quem moralmente não devia. Esta foi mesmo muito má. Aquilo do estar fragilizado não pega pois não? E eu que pensava que só acontecia aos outros…

(Urgente: em 2011 voltar á Missa!)

Estou bem contente por ter decidido escrever isto. Ainda me ri sozinha a lembrar-me destes momentos. O Best of da IdoMind…
E no fundo é isso que conta – sairmos melhor até do pior.
E só por isso 2010 acaba com saldo positivo.
A todos, um bom balanço…
IdoMind
about moving on

dezembro 29, 2010

Foi um conjunto esquisito de 365 dias


Com alguma surpresa, e nem sempre de forma muito encantadora, descobri que sou bastante mais forte do que a minha fraca figura faz adivinhar. Senti, a arder na pele, o significado da palavra humanidade. Percebi-me Mulher. Com todas as implicações. E complicações. Os dias passavam e quem eu achava que era, padeceu, erro a erro, às mãos de quem me fui fazendo. Esperneei até ao fim. Estava tão acostumada a mim…
Só tornei tudo mais difícil. Perdas, perdas e mais perdas. Assim que pensava “ bom, não pode ficar pior…” rapidamente me mostravam que estava enganada. Pode sempre ficar pior.
Não sou bonita. Particularmente interessante ou detentora de um corpinho-calendário. Mas sou inteligente. Não esperta. Inteligente. Todos os anos entre as melhores alunas da turma. Porque aprendo à primeira. Porque me adapto. Porque correspondo. Nunca importou muito questionar, o importante era cumprir.
Tentei usar o mesmo padrão, mas 2010 não me deixou.
Tive de aprender uma coisa nova - a fazer perguntas. E desta vez não foi à primeira, nem à segunda, nem à terceira. Finalmente lá alcancei que as perguntas são como as respostas, há as certas e as erradas. Eu não estava a fazer as perguntas certas.
Quando começou a doer, entendi que tinha chegado lá. Eram aquelas. Como picadas de abelha a ferrar-me a alma.
Foi preciso deixar de fazer sentido pedir para que tudo ficasse igual. Foi preciso que a solidão deixasse de ser tão doce companhia. Foram precisas noites frias e apenas uma almofada. Problemas muito mais altos que eu. Com bocas enormes prontas a mastigar-me. Foi preciso desesperar como os mudos desesperam. Foi precisa a Espera.

Até que fiz A pergunta: o que é que quero.

Quando não sabemos o que queremos a Vida faz-nos experimentar um pouco de tudo. Não é por maldade ou que tenha um qualquer sentido de humor distorcido. Trata-se de respeito. Temos de ser nós a dizer-lhe como nos sabe melhor andar por cá. O que nos põe a brilhar. Até lá provamos o amargo que fica depois da digestão do que o nosso estômago não tolera bem. Conhecemos o medo. Aquele a sério, que vem sem a esperança. Fazemos asneiras. Tantas Meu Deus. E às vezes até temos vergonha de nós…
O ano que se despede levou-me ao meu Abismo. Ainda bem. Virar a cabeça para o lado e fingir que não está lá, já não resulta. Este é o tempo da Verdade. Se foi fácil olhar nos olhos da minha? Não. Tive de me ver morrer.
Quem virá depois disto ainda não sei. Seja quem for será mais Verdadeira…


IdoMind
about going to Hell to see how beautiful Heaven is

novembro 18, 2010

Para ser notado, sê do contra

Será que há pessoas perfeitas? Deve de haver. Só assim consigo entender a voracidade de algumas críticas ao comportamento alheio. Só pessoas perfeitas já perderam o tempo suficiente consigo para perder tempo com os outros. Já tiraram as lascas dos olhos e por isso vêm os enormes galhos que pendem das outras vistas. As pessoas perfeitas vêm melhor, pensam melhor e andam bem mais depressa. Devem andar, porque sempre estão à frente de toda a gente.

As pessoas perfeitas podem, com a legitimidade de quem sabe o que vai no coração do lado, julgar o que é bom e o que é mau. Determinar o que é fútil e o que é importante. Prescrever formas de estar e de agir. Exigir que concordemos com elas. Afinal são perfeitas…
Por enquanto ainda ando meio ocupada a entender-me. Continuo a seguir as raízes da minha árvore, a ver onde me levam. De onde venho. Quando a razão falha em explicar algumas dores talvez não haja nenhuma razão, apenas um esquecimento. São muito longas algumas histórias e às vezes, a meio, não nos lembramos de como começou. Da personagem irritante que nos consegue tirar do sério. Nos piores dias! Ou da outra cujas palavras magoam muito mais que todas as outras. E deixam eco. Da que sabe fazer-nos rir. Dos heróis que persistem ao nosso lado. Ombro a ombro, capítulo a capítulo…

Eu não sou uma pessoa perfeita. Ainda oiço mais do que falo. As perguntas excedem em muito as respostas. Sou aluna. Atenta, mas aluna. Ainda não sei tudo sobre todas as coisas e confio em quem sabe um pouco sobre algumas. Ainda só dou opiniões quando me são pedidas. Ainda admito poder enganar-me. Não ser a portadora da verdade. Ainda permito a liberdade de pensamento. A liberdade de sentimento. A liberdade de cada um Ser. Sem julgar que Eu Sou melhor.
Porque sou imperfeita…
IdoMind
about respect

novembro 16, 2010

IdoMind Maria, IdoMind Maria....


Gosto de mim exausta. De braços caídos e coração despejado dos medos que me confinam ao tamanho mais pequeno que tenho. Gosto de mim quando nada importa. Nada incomoda. Nada preocupa. Quando o futuro é este instante em que, sem saber, estou a entregar. Conseguisse eu ter a força para deixar de ser forte quando basta ser humilde para aceitar que parte da Vida é feita de espera. E de esperança.

A Spontaneous Revolution de Elle Moss



Gosto de mim vazia. Do que foi e do que é. Limpa das marcas que desenharam os limites do meu mapa. E passo as linhas invisíveis deixadas pelas duras lições aprendidas de gatas, cansada demais para me impedir de dar novos passos numa direcção que não conheço. Talvez vá sendo tempo de deixar de ser salmão e permitir-me ir na corrente. O Caminho pode ser árduo mas não é injusto. O meu é paciente. Tem de aguardar que eu me esgote para poder pegar -me ao colo e levar-me à boleia. Gosto de mim conduzida pelo meu Caminho. Sem fugir. Nem fingir.
Quando sou capaz de dizer “vem”. Abrir a porta descalça e receber com um sorriso as mãos que trazem a chave da etapa que se segue. Gosto de mim vencida a acolher as bênçãos disfarçadas de escolhas difíceis. Percebendo que apenas o arrependimento não tem remédio. E então se de vez em quando eu não for exemplar? Se só pensar em mim? Se não quiser saber da conta-corrente agrafada a cada gesto? E então se de vez em quando me apetecer ser mulher? De luas, apetites e fragilidades. De dúvidas…

Custa morrer. Enterrar aquele bocado de nós onde ancorámos todo o resto. É como se tivéssemos esquecido a nossa língua ou acordássemos numa rua que não a nossa. Sem a padaria do outro lado da estrada, o multibanco na esquina ou o estacionamento ao pé da farmácia onde temos sempre lugar. Fica tudo um pouco esquisito. Fora do sítio. E precisamos de tempo para nos habituarmos ao que mudou. A nós, que também já não somos os mesmos. 
Eu não sou a mesma. Ainda bem. Cheguei aqui para compreender que vou chegar mais além. Para lá da certeza que me conheço porque sou obra inacabada.
Gosto tanto de mim a gostar de andar por cá..


IdoMind
about not knowing  what the hell I´m doing and still be cool about it

novembro 11, 2010

Se soubesses

Muda a forma como me olhas. Experimenta ver-me como nunca me viste. Adivinha-me. Talvez eu seja diferente do que julgas. Talvez não tenhas nada a temer. Nada de que te defender. Nada a invejar.
Não sabes como me deito. Nem como me levanto. 
Que angústias, mágoas e pedradas me acertaram no coração. Os buracos que abriram. Não sabes em que penso quando estou sozinha. Que rezo quando tenho medo de não conseguir. Sim, também tenho medo de não conseguir. E sim, também não gosto todos os dias de mim. Nem de ninguém, porque nada faz muito sentido num mundo onde se calcam almas para outras ficarem mais altas. 
Ainda que quisesses, nesses dias, não me encontrarias na escuridão em que  encolho. O meu escuro é muito escuro. Não sabes as voltas que tenho de me dar para sair de lá. Para me despregar do chão, compreendendo que prostrada tudo me parece maior do que é.

Não queiras ser eu. Nem como eu. Terias de ter perdido tanto... Sangrado um bocado. Duvidado de Deus. Do Bem. Do Amor. Terias de ter vergonha de ti por teres desistido. Por não teres tentado. Por seres cobarde. Terias de ter carregado muitas culpas. Chorado muitas noites, pedindo, no intervalo da dor, um novo começo. Não te desejo nada disso.

Também tu és o resumo da estrada que te trouxe até aqui. Foi assim tão fácil que lhe dês tão pouco valor? Foi assim tão leve que prefiras pisar a do lado? Ou foi tão dura que queiras trocá-la por outra qualquer? 
Não presumas que algum caminho é melhor que o teu. Mais suave de fazer. Não chames sobre ti a sombra, por veres o sol brilhar mais intensamente em alguns jardins enquanto noutros apenas chove. Isso é só o que parece. Tudo sob este céu tem a sua porção de luz e de trevas. Eu também… 

Não te consumas com as minhas escolhas. Medita nas tuas. E deseja-me sorte. Alegria. Amigos que são Irmãos. Saúde para continuar. Motivos para agradecer. Deseja-me o tal príncipe. De sorriso branco e a galope direitinho aos meus braços. Imagina-me muito muito feliz a comemorar a Vida. Sabes porquê? Por ti. 
Porque o amor cria o amor e a generosidade gera generosidade. Porque o que deres, receberás. 
Está é a Lei. Esta é a dádiva. Desejo que a saibas usar e seja abundante a tua ceifa.
IdoMind
About who don´t

novembro 04, 2010

Cortar ou Colar?

É verdade, estou com dúvidas. Daquele género que não costumo ter. Procuro usar de transparência e honestidade em todos os relacionamentos que estabeleço, pessoais e profissionais. Digo apenas o que penso. Faço apenas o que tenho vontade ou sei que devo fazer porque fico melhor se o fizer, mesmo que a vontade não seja muita. De uma maneira geral quem me conhece sabe e conta com a minha frontalidade. Nem sempre sou muito simpática mas tento ser construtiva. Em nada que digo pretendo magoar ou atingir voluntariamente as susceptibilidade de quem quer que seja, mas não me coíbo de manifestar o meu desacordo,  a minha reprovação e às vezes, com quem gosto muito, a minha tristeza.

Empenhada em levar a vida da forma mais leve que puder, distribuo a minha boa disposição, a minha amizade e o meu amor por onde passo. Com quem estou. Porém se tiver de dar um berro, não é por acreditar nos astros, que o berro fica por dar. Dou mesmo. Se tiver de dizer que não, digo sem ficar muito preocupada com a forma como o meu não vai ser ouvido. Se alguém fez um bonito serviço, sou a primeira a constatar: “bonito serviço hã?”. Uma vez que não sou por natureza impulsiva, os meus actos, assim como as minhas palavras são fruto de maturada ponderação e reflectem realmente o que sinto e o que penso. Nessa medida considero-me imparcial e objectiva. Falho muitas vezes, não tenho duvidas. Conto então com a frontalidade dos outros para me aperfeiçoar. Isto não é conversa da treta ou um conjunto de frases catitas para encher um post. É mesmo assim que é.

Porque não sou perfeita lido muito bem com as imperfeições alheias. Se as pessoas são importantes para mim aprendo a aceitá-las com esses “ defeitos” falando deles com naturalidade,  se em conversa surgir, que essa forma de estar e ser talvez não seja a melhor para a própria pessoa . Se não são importantes para mim simplesmente reduzo o meu contacto ao mínimo com tais pessoas e vivo bem com isso, reconhecendo que não tenho pinta de Madre Teresa e não tenho de gostar de toda a gente. Não perco grande tempo a pensar nas pessoas que não me dizem nada. Ou que deixaram de dizer.

Faz agora um ano que uma amiga, mesmo amiga, se portou menos bem comigo. Na altura falei com ela. Com muita dor, com muita consciência. Em momento algum lhe apontei o dedo ou a acusei do que quer que fosse. Disse-lhe tão só que bastaria ter dito a verdade. E bastaria. Ela sabia. A confiança foi-se. Amizade sem confiança não é amizade. Pelo menos para mim. E nestas circunstâncias não vale a pena. Ficámos assim. Passámos a cumprimentarmo-nos apenas com a educação que se espera das pessoas adultas e pronto.

Estive afastada por alguns meses e o sofrimento causado pela perda de alguém que me era tão querido assumiu contornos de uma memória distante que recordamos com lamento mas sem qualquer peso no coração. Demoro a abandonar as coisas, mas quando deixo é mesmo de vez e não volto a chapinhar no assunto.

Foi então que uma coisa estranha e, para mim, inédita, começou a acontecer. Ela passou a irritar-me. A voz dela, o risinho parvo que eu nem ouvia, agora parecem amplificados por um megafone invisível. Vejo-a e sinto alguma repulsa. Preferia não a ver.
Ora, nunca tive este tipo de sentimentos por ninguém. Nunca. Como disse, processo e resolvo. O assunto morre juntamente com a pessoa e eu sigo. Está a incomodar-me sentir isto por ela. É inevitável que nos cruzemos. Ela conhece-me bem e já percebeu que agradeço que nem sequer me diga olá. Sou muito expressiva… Mas isto está a ser a pedra no sapato que me impede de andar confortável.
Será que não está resolvido? Terei eu ainda alguma coisa a ver nisto? Não acredito no perdão portanto sei que não se trata de a desculpar ou não. Um ano depois até tenho a agradecer-lhe.
Sei é que não gosto nada destes sentimentos. Sei que em condições normais não estaria a sentir nada. Sei que não me apetece andar a arranjar carma. O que eu não sei é o que fazer…
IdoMind
about being a nice person 

outubro 26, 2010

Pesos

Estou aqui há um bom bocado. Já escrevi cinco ou seis linhas por cinco ou seis vezes. Apaguei tudo. As palavras não chegam. Já senti isto antes. Querer dizer o que descobri não ter linguagem. É uma coisa qualquer que se passa dentro de nós sem que a consigamos explicar. Sentimos só. Está lá, a trabalhar no silêncio. A roer as estruturas da pessoa que fomos aprendendo a chamar eu.


Vem devagar, disfarçada de insatisfação. Rouba-nos aos poucos todos os esconderijos onde, refugiados da Voz que chama por nós, vamos fingindo uma paz que há muito nos declarou guerra. Vamos-nos convencendo que é por bondade, piedade e até amor que nos aprisionamos a decisões sem sentido. Sem sabor. Desprovidas de outro sentimento senão mágoa pelo sacrifico que ninguém parece reconhecer  e rasgos de raiva nos dias em que o peso nas asas dói mais um bocadinho.


E sabemos que aquele não é já o nosso lugar. Todos sabemos quando os lugares deixam de ser nossos. Ou para nós. Basta perceber que estamos piores… em tantas coisas. A impaciência pronta a disparar a mais uma pergunta estúpida. Quando estamos piores todas as perguntas nos parecem estúpidas. O cansaço sufoca a tolerância. Também ficamos mais cansados mais depressa.  De tudo. O querer desligar o telefone que nem sequer tínhamos vontade de atender. Responder à pressa e por favor porque na verdade não há nada a dizer e muito pouco que se queira ouvir. Estamos piores quando sabemos de olhos fechados as respostas que devem ser dadas. E o diálogo se converte na soma pobre de dois monólogos.
Nos lugares a que já não pertencemos passamos a agir como visitas. Estamos ali mas pertencemos lá.

Somos pássaros, a ver da gaiola, o sol a por-se mais uma vez. A noite vem e as grades apertam. Resta-nos imaginar… Que voamos. Que provamos. Que cantamos. Que vamos. Não importa onde. O destino é um detalhe. O que conta é cruzar os céus e descobrir uma migalha escondida em cada nuvem. E imaginamo-nos a planar no imenso azul, perdidos num tempo e num espaço da outra vida que não vivemos. Estamos piores quando imaginamos muito e voamos pouco.
Quando a nossa liberdade é hipotecada pela segurança de ser igual a todos os outros.

E o medo de abrir a porta e partir é baptizado de responsabilidade. Afinal construíram-se coisas, criaram-se laços, assumiram-se compromissos. Dependências.
Que seria do mundo se quebrássemos os laços sempre que estes se tornam nós? Apertados e complexos. Que nos magoam os pulsos e estrangulam o coração. Pode ser que volte a ser como antes…Que as fendas que estalaram sejam reparáveis. Esqueciveis. Pode ser que volte a ser bonito. Inocente. Verdadeiro.
O dia passa e o sol, de novo, se põe. Pode ser que amanhã seja diferente.

IdoMind
about getting myself together real soon
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