março 11, 2011

Peace of Cake

Como é que eu faço? Se queres mesmo saber, exige somente vontade. Parar. 
O tempo. A raiva. A auto-comiseração. As emoções anãs. O medo…
Parar. Antes daquela palavra, parar. Antes daquele gesto, parar. Naquele pensamento, parar. E ficar, assim, parada até vir a certeza que estou a ser eu a dar o meu melhor. Que estou a reflectir todas as cores da minha alma. Que Sou Deus a espalhar amor. O Sol em explosões de Luz e de Calor. Que sou Arquitecta com as mãos na Obra. A voz doce que acorda. A verdade. Mesmo a difícil de aceitar. E se calhar, sobretudo essa.

Exige a intenção bem acordada de Ser todas as coisas. O rigor que o caminho impõe, porque certas portas só se abrem quando certas portas são encerradas. De vez ou só por algum tempo. O discernimento para distinguir umas de outras. A humildade para voltar atrás quando percebo que me enganei. Um ou vários pedidos de desculpas.
Exige disposição para recomeços. A flexibilidade para entrar por uma janela. E paciência. Primeiro comigo. É dentro de mim que começa o granjeio das flores que espero desabrochar nos outros.
Tenho dias. E depois tenho aqueles dias…é assim que a Vida mostra que quer mais de mim. E então sorrio. Amorosamente respeitando-me. Sem pressas. Se a minha escolha ainda não é sublime, paro. E sorrio outra vez porque descobri a Sabedoria…

Todos os dias começam então com sorrisos. Com o ouvir a manhã a pedir-me para nascer de novo. Porque posso. A morte e a vida pertencem-me. Sou princípio sem fim. Sou Agora sem antes nem depois. Eu sou a aliança do Tudo. Eu sou casada com o mundo.
É com responsabilidade que assumo esta União.
Por isso paro muito mais…
Pergunto-me muito mais…
Observo-me muito mais…
E transformo-me.
Se conseguires fazer o mesmo, toda a Terra e todo o Céu se encherão de homens com asas. Homens-anjo. A poisar em galhos e nas estrelas. Aqui e lá, levando e trazendo, a Essência de toda a Vida.  

É assim que eu faço, paro a minha humanidade quando chega solteira. Egoísta e de alguma forma magoada. Ou divorciada da claridade que me faz cintilar. Peço-lhe, com carinho, que sinta as penas no coração e se deixe elevar rumo ao Alto.
É assim que eu faço, vigio-me…
IdoMind
About uncovering the diamond

março 03, 2011

Passado a quanto me obrigas a obrigar

Se eu viesse limpinha não me assustavas tanto. Terias graça. Serias a graça. A prenda pedida há tantas orações atrás. Em tantas noites de Inverno. E eu seria criança, a delirar com cada rasgo do papel de embrulho. Sem saber o que está na caixa e feliz com isso porque fosse o que fosse e como fosse, seria bom.
Viveria a alegria inofensiva da descoberta de ti. Dos detalhes que te compõem. Carregava nos botões todos para ver o que faziam. Esticava as mãos e tocava-te. Sem medo de partir, de ferir, de estragar. Se eu viesse limpinha ia brincar contigo sem medo de cair… 
Até podíamos correr! Ir para longe de casa. Deixar os lugares seguros e entrar pelo mundo adentro. Deixar um “dupla maravilha esteve aqui” escrito numa árvore ou numa pedra qualquer.
Se eu viesse limpinha dava-te a mão confiando que não a largarias. Que não me deixarias sozinha e perdida num lugar escuro, algures. Fazíamos tudo num dia. E se houvesse o dia a seguir, sorriamos para o Sol e dizíamos obrigado por podermos brincar de novo.

Mas não venho limpinha. 


Já tive de procurar a luz e depois acendê-la para sair das cavernas onde de repente me vi abandonada. Já tive de fazer o caminho de volta sem mapa. Já perdi as asas e regressei a pé. Já demorei muito a tratar alguns ferimentos. Já me esfolei toda e tive de ficar de cama. Sei ao que sabe o vazio que vai ocupando o espaço antes preenchido pelas mensagens matinais, os convites atrevidos a meio da tarde e os beijos demorados que obrigavam a ir depressa para o carro. Sei muito sobre cansaço. Impaciência. Nãos. Estúpidos e sem razão. Apenas cansados. Porque não apetece. Porque é tarde. Porque é cedo. Porque chove. Porque está muito calor. Até que me canso…

Venho suja e cansada.

Venho cheia de memórias de chãos cobertos de cacos. De os pisar. Passar por cima deles ouvindo o estilhaçar de corações mais frágeis que o meu. E que eu não cuidei. Nem lidei com o cuidado requerido. Lembro-me de ter sido egoísta e feito só à minha maneira. De não me ter esforçado porque não era preciso, alguém fazia a força por dois. Trago palavras proibidas. As que causaram zanga. Olhares de reprovação. Alguns “ és incrível” e várias horas frente ao mar a duvidar de mim. Lembro-me de não ter jeito para fazer o jeito. E de me sentir desajeitada.
Se eu viesse limpinha vestia-te. Tu sentias a minha pele e eu sentia o teu toque. Tu percebias como sou delicada e eu percebia que és suave. Tu vias porque tenho medo e eu via que nada há a temer.
Se eu viesse limpinha não estava aqui a escrever. Estava aí a dizer-te…
IdoMind

about the future more than certain

fevereiro 23, 2011

Irra!

Não te menti. Nunca te disse que iria ser fácil. Nunca te prometi ser a versão feminina de ti. Ir por onde tu vais. Gostar do que tu gostas. Ou sequer tentar. Nunca me escondi atrás de um sim resignado. Nem concordei só para evitar levantar poeira. O que tiveste foi a mim. No bom e no mau, sempre eu. Esperavas que o tempo, umas partilhas e alguns abraços em momentos importantes me mudassem? Esperavas que o teu empenho fosse compensado de alguma maneira? Julgaste que andava enganada acerca de quem sou e que iria encontrar-me quando te encontrei?

Porque misturas tudo? Não basta que esteja contigo? Livremente. Verdadeiramente. Porque quero. Porque fazes sentido ao meu lado. Porque é no teu peito, de olhos fechados, a sentir-te, que sei que estou onde devo estar. Não é isto suficiente? Escolhi-te…
Abri-te a porta de casa e, aos poucos, reconheço, a do coração. Não vou pedir desculpa por ter uma velocidade diferente da tua. Nem por transportar uma vida anterior. Outros homens. Quase sempre as mesmas marcas. Nenhuma fez de mim cobarde. Estou aqui contigo, não estou? E a aceitar-te como único. A viver-nos como uma estreia.
Não confundas uma maneira de ser com falta de amor. Nenhum outro motivo me faria convidar-te ao meu Caminho. Não tenho medo, e até gosto, da solidão. Não sinto qualquer relógio a dar horas e todas as minhas necessidades podem ser satisfeitas com menos complicações. É por te querer que me dou ao trabalho de esclarecer. De falar. De sair fora de mim e mostrar-me. Quero que também me queiras. A mim. Não aquela que foste desenhando na esperança que ganhasse vida. E se achares que é intolerável ter-me assim, amar-me assim, respeitar-me assim, agradeço que te dês ao trabalho de esclarecer. De falar. De te mostrares.
Se vou chorar? Possivelmente. Mas prefiro chorar um pouco agora, que muito lá mais à frente.

Sei que confundirás também esta frontalidade, com frieza. Pensarás “ falas assim porque não te custa perder-me. Na realidade nunca estiveste comigo” e como estarás errado…
Não te experimentei. Não foste um teste. Não embarquei à espera do naufrágio. Não foi nada disso. Talvez o meu muito seja um nada para ti. Talvez precises do que eu ainda não sei dar. Que nunca venha a saber, porque dou de outra maneira. Não sei…

Para mim o Amor É e permite Ser. Acolhe. Cresce na diferença e agradece por ela. Acaricia os cabelos e pergunta “ É mesmo isso que queres? “ E fica connosco a ver-nos a aprender. Muitas vezes com os erros. Puxa-nos para ele, volta a acariciar os cabelos e diz, com os olhos resplandecentes de orgulho,“ amo-te tanto, tonta.”
Este é o meu Amor.
É este que tenho para oferecer. Julguei que soubesses. Agora sabes.
O meu Amor é o amor dos destemidos. O que liberta. Sabe que a Estrada nos devolve tudo o que nos pertence e por isso confia. 
O meu Amor é o Amor dos comprometidos com a sua verdade. Esta é a minha. 
IdoMind
About transparency

fevereiro 18, 2011

Não deixes que eu Te deixe

Obrigada.
Obrigada.
Obrigada.
Podia ficar a dizer-Te isto o dia todo.

IdoMind
about amazing events

fevereiro 16, 2011

A minha é assim

A chuva forte parecia querer partir o vidro da janela do quarto e entrar por ali adentro. Levantei-me para espreitar, na esperança que não fosse tão mau como imaginava. Era pior! Os portões do Inferno foram abertos no Oeste! Tudo alagado. Muitas coisas a voar. Ah! Mesmo do tipo de dias que eu gosto…
Comecei logo a falar sozinha. Sou como aquelas máquina de calcular do chinês, só trabalho a sol. Nos dias invernosos, como o de hoje, tenho de fazer um esforço acrescido para achar que a vida é bonita.
Rotina normal: a minha chávena de leite de soja enquanto passo os olhos pelas principais notícias do dia, vejo como andam os astros e vou ao Grimoire. Ia chorando a rir. Vejam porquê aqui .
Esta minha mais nova...
Inspirada, também deixo uma imagem.

E que tal é a vossa criança interior?
IdoMind
about the truth inside

fevereiro 11, 2011

The day that you stop running - Is the day that you arrive

Ouve-se com frequência “Viver não custa, custa é saber viver.” 
Discordo inteiramente. Viver não custa nada e saber viver menos ainda. 
Saber viver é igual a saber respirar. Inato. Natural. Não se aprende. Relembra-se.
Mas porque viver como sabemos é demasiado simples, fazemos então o extraordinário- complicamos...
Tudo! Desde aceitar um singelo convite, a mudar a cor do cabelo ou ter um filho.
Eu também tenho a tendência para querer perceber todos os porquês, das coisas, das pessoas, da existência. 
Para antever as todas consequências de todos os actos. E depois temê-las...Tanto, que acabo por ficar quieta. Tão quieta que às vezes parece que morri.
Digo muitas vezes que da próxima quero vir com livro de instruções...
É quando me canso de mim mesma que me lembro Saber viver. Entrego e entrego-me.
Parto os copos, os pratos e tudo o que estiver no armário se achar que a minha felicidade está na minha desarrumação.

Desejo-vos, neste dia do prazer, que DES-COM-PLI-QUEM!
Just Enjoy the Ride!!!


Shut the gates and sunset
After that you can't get out
You can see the bigger picture
Find out what it’s all about
You're open to the skyline
You won't want to go back home
In a garden full of angels
You will never be alone

But oh the road is long
The stones that you are walking on
Have gone

With the moonlight to guide you
Feel the joy of being alive
The day that you stop running
Is the day that you arrive

And the night that you got locked in
Was the time to decide
Stop chasing shadows
Just enjoy the ride

If you close the door to your house
Don't let anybody in
It's a room that's full of nothing
All that underneath your skin
Face against the window
You can't watch it fade to grey
And you'll never catch the fickle wind
If you choose to stay

But oh the road is long
The stones that you are walking on
Have gone

With the moonlight to guide you
Feel the joy of being alive
The day that you stop running
Is the day that you arrive

And the night that you got locked in
Was the time to decide
Stop chasing shadows
Just enjoy the ride

Stop chasing shadows
Just enjoy the ride
IdoMind
about the ride

fevereiro 08, 2011

Insólitos Ido


Hora: 21h45m. Local: Pingo Doce.

Habitualmente, faço as minhas compras cerca de vinte a quinze minutos antes do encerramento do super mercado. É quanto me basta para escolher os legumes, a fruta, agarrar 500 gramas de tofu, outras 250 gramas de seitan e, nas semanas difíceis, ir buscar um Toblerone e uma caixinha de bombocas.

Gosto de ir quando tudo está silencioso. Mais quieto. A hora em que as mães estão a fazer as coisas próprias de mães e os pais entretidos no Facebook. Não é porque me considere melhor que qualquer outra pessoa para me misturar com elas no cumprimento das tarefas mais prosaicas. Tem a ver com o meu pragmatismo. Prefiro os corredores desimpedidos. Sem a gritaria das crianças já cansadas, arrastadas pela secção da higiene e presas pela mão, enquanto a sua progenitora decide se tem o cabelo normal, oleoso ou seco. Para mal dos pequenos, ainda se puseram a inventar os caracóis perfeitos e o liso escorregadio…
Eu e o meu carrinho, numa condução suave e tranquila, estacionando sem tropeços junto às minhas prateleiras. Que, àquela hora, já estão repostas. Outra vantagem das compras tardias.
E não há filas.

Na caixa, um homem à minha frente aguardava a saída do talão e outro, atrás de mim, segurava duas caixas de lâmpadas. Simpática, como me é natural, disse ao senhor das lâmpadas que poderia passar-me à frente, uma vez que não está a ser uma semana fácil, e, além do Toblerone e das bombocas, mesmo por cima da courgettes, jaziam várias embalagens de gomas.
- Agradeço, mas tenho todo o tempo do mundo - respondeu-me com um sorriso descontraído, como quem tinha, de facto, todo o tempo do mundo.
Sorri de volta.

- O Woody Allen tem razão, sabe?
- Também acho - respondi-lhe - na minha próxima vida também quero vivê-la de trás para a frente- e pisquei-lhe o olho.
Percebi que ficou surpreendido. Não esperava com certeza que uma devora-gomas (reparei que tinha mirado de soslaio a minha terapia em forma de tijolinhos e ursinhos cobertos de açúcar) fosse capaz de ler pensamentos e muito menos que soubesse alguma coisa sobre o irreverente realizador Nova Iorquino.
Sorrimos os dois.

- É verdade... Agora que sei tantas coisas, não consigo fazer outras tantas. (Devia andar a passear pelos cerca de cinquenta e poucos anos). Agora que sei o que importa, vejo, com algum lamento, que não dei importância à vida. A maior parte de nós anda muito enganado quanto às nossas prioridades. Eu andei. E agora, com tempo para tudo, nada tem tempo para mim. A terra continuou a girar enquanto estive parado a achar que estava a viver.

E ficou a olhar para alguma coisa que não estava ali. Ou que eu não via.

- Mas olhe que a Terra é redonda. Passa muitas vezes pelo mesmo lugar. Ela não pára, mas espera. Espera por nós sem parar - pensei eu em voz alta, sem a cabeça ter ido a tempo de ajudar-me a não ser chica-esperta.

O rapaz da caixa, ouvia-nos congelado. Não demonstrava grande pressa para ir embora. Também lhe li o pensamento: “ Está qualquer coisa a escapar-me, mas esta m***a é profunda...”

O senhor das lâmpadas, fixou-me e perguntou num tom pesado:
-  E o que ficou para trás?
- É lá que deve estar - afirmei com a certeza de quem sabe o quanto custa caminhar carregada de malas com roupa que já não serve.
- O que foi apenas serviu para nos preparar para o que pode ser. Se há coisas que diz que já não pode fazer, não perca esse tempo que diz que tem, e faça as que pode.
Quando me inteirei da minha insolência, pedi-lhe desculpa. Quem era eu para estar com conselhos. Eu! Cuja vida dava, mesmo, um filme indiano!
Sem pedir autorização, deu-me um abraço.
- Não peça desculpa por ser espontânea. É na espontaneidade que se esconde a nossa essência. E eu gosto da sua.
Engoli em seco enquanto pensava "oh Meu Deus!"

Eu e o senhor das lâmpadas saímos juntos do Pingo Doce, acompanhou-me até ao carro e convidou-me para almoçar esta semana juntamente com a esposa.

Não toquei no Toblerone, nas bombocas e num tijolinho sequer…
Idomind
about going with the flow


Para quem não conhece fica o texto do Woody Allen:

"A minha próxima vida”, de Woody Allen
Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voila! Acaba como um orgasmo!

fevereiro 05, 2011

Live and let live

Eu espero. Tu esperas. Todos esperamos. Quase sempre sem muito alcançar. Apenas desesperando. Azedando. Arrancando do coração, com mágoa, as pessoas-ideia que plantámos na cabeça. Porque é que têm de ser tão reais? Com defeitos e isso. Com problemas que lhes vão furtando a paciência que lhes exigimos que tenham. O tempo todo. Com patrões cegos e ordens parvas que se cumprem porque é assim que tem de ser. Mastiga-se a raiva e ingere-se a dose de veneno diária. Sem perder a compostura. A aflição que é mantermo-nos compostos com as veias envenenadas. Mas como a pessoa-ideia está sempre bem-disposta, um bom-dia menos caloroso é inaceitável. Não pelo menos sem as perguntas que não apetecem resposta ou a retaliação que não encontra força para o embate. Já não se termina o pequeno-almoço…

As pessoas-ideia às vezes só precisam do seu tempo. E da nossa compreensão. Só isso.


E nós precisamos de não as imaginar mas sim de conhecê-las. De tapar com tolerância as fendas abertas pela decepção de descobrirmos ao nosso lado alguém que apenas é de carne e osso. Não voa. Não lê pensamentos. Não é feito de ferro ou outra matéria indestrutível. Carne e osso. Onde podemos infligir golpes e abrir feridas.
Nós sim, temos poder quando somos importantes para as pessoas-ideia. Tanto que elas até pensam em mudar-se por nós. É assim que algumas personalidades se escondem nas sombras. Amordaçadas, obscurecendo gradativamente. Até ao dia em que fazem o que não era esperado…

Ninguém nos pode desiludir porque ninguém nos pode iludir. Essa é a ilusão. A verdade é que nós fazemos isso tudo sozinhos. Vemos o que queremos ver. Às vezes, o que conseguimos, porque ainda estamos a aprender muito acerca de nós. São as quedas do muro que nos levam para o outro lado. À travessia dos nossos limites. Se quisermos. Se não temermos continuar e ir uns metros mais além de quem pensamos que somos. Espreitar o que por lá anda. Ter a ousadia de vestir uns padrões diferentes para a etapa que se segue.Ou aspirar à santidade e seguir nú.

Hoje, olho para ti e tento Ver-te.
Também quero que me Vejas. Anda cá e senta-te: "esta sou eu". 
Nem sempre fui assim. E também não é assim que vou morrer. Conta comigo para estar contigo até ambos sentirmos que somos melhores juntos que sozinhos. Ou com outro alguém. Até sentires que a vida é mais gira comigo por perto. Até te sentires grande e feliz. A tocar as nuvens de tão alto. Não te quero pessoa-ideia. Quero-te a ti. Por isso apenas espero que te sejas fiel. A ti. Sempre a ti. Estarás a deixar-me Ver-te. A escolher dar-te a mão ou um abraço de despedida.

De mim podes esperar a mesma liberdade para te conheceres a ti mesmo que eu espero que me concedam para me conhecer.
Sem culpa. Sem vergonha. Sem medo.
Liberdade para Ser, sendo, nem sempre o que se espera mas o que É. 
IdoMind
about cutting the strings

fevereiro 04, 2011

Bem bom ser mimada...e mimar também

No Grimoire há conhecimento. Confiável. Fruto de estudo sério e empenho verdadeiro. No Grimoire há bons conselhos. Sempre boa música. Fotos que nos ficam na memória. É no Grimoire que mora o Alegria…
Parece que agora também há doces. A Shin ofereceu-me um. Conheço-a. Sei que não foi por cortesia fraterna nem medo de represálias judiciais :)
É porque ela vê qualquer coisa no Jardim.
Aceito por isso, feliz, a prenda da minha mais nova.


Há umas regras. Responder a algumas coisas e passar o selo a 15 blogistas.

As questões:
Nome: A míuda que se importa
Uma música: How to disappear completely dos Radiohead 
Humor: Inteligente. Nem sempre apreciado (ou entendido lol)
Uma estação do ano: Verão. Claro!
Como prefere viajar: Por mar, de barco ou a nado…
Série: Dexter
Frase ou palavra mais dita por você: tá frio!
O que achou do selo: Inesperado. 

Não vou passar para 15 blogistas. Vou entregar apenas a 4 por razões especiais:
- à Maria Izabel Viegas que está em Obras de Edificação de um sitio novo Simples Assim 
- à Márca Toito que começou há pouco tempo a lançar as suas belissimas Armadilhas do Tempo  
- a Luisa Sal com o seu Cristal de Cura a crescer devagar mas muito bem.
- à Mimi...No Portal Mágico aprende-se a maior das magias - a simplicidade.

Não dou selos a blogistas homens...Não pode ser!
Vou dar ao que merece todos os mimos: o meu querido António. 
Ele já recebeu este selo mas não quero saber. Uma carrinha cheia de selos seria pouco para reconhecer o trabalho que o Ursinho tem vindo a desenvolver ao longo deste tempo directamente da sua Cova...

Shin muito obrigada.
Love You

IdoMind
about gifts

janeiro 26, 2011

No lo creo, pero

Admiro as pessoas que não acreditam em nada. Que não precisam de Deus para justificar uma vida, sempre curta demais. Árdua tantas vezes. Atravessam as tempestades agarrados ao barco, de unhas pregadas nos remos, contando apenas com a sua própria força. Sem confiar nas marés que mudam. Sem olhar para as estrelas. Sem escutar os ecos das memórias entoados para nós pela eternidade que há em tudo. Lá se levantam um dia atrás do outro. Lá andam. Lá fazem o que lhes ensinaram a fazer. O que todos fazem. Só existe o que cabe dentro dos olhos. E dificilmente concebem o que os sentidos não reconhecem.

Conheço muita gente que não acredita em nada. Quando as deixo, fico sempre a pensar como conseguem configurar que toda a nossa perfeição, toda a nossa complexidade não sirva qualquer outro propósito além de comer, procriar e, no fim, morrer. Assim, sem mais nem menos. Que os pouco mais de 85 anos que duramos, se reduzam unicamente a uma demonstração da nossa valentia face às condições adversas que temos de enfrentar durante esta viagem em que nos vimos embarcados. Que não questionem porquê e de onde chegam tais adversidades. Os problemas do costume. As barreiras de sempre. O mesmo tipo de pessoa que nos dificulta o passo seguinte. A doença diagnosticada no momento menos próprio, arruinando os planos. Um filho tão diferente de nós. Que tem prazer em contrariar-nos e conduzir-se de forma desastrosa. Aquele telefonema que mudou o nosso dia. Ou aquele que mudou até a nossa vida.
Eu vejo assim: foi preciso que um jovem baterista abandonasse os Açores, deambulasse pelas ruas de Lisboa até encontrar uma nortenha, baixinha e mau-feitio, para que EU estivesse aqui, uma infância atribulada mas espectacular depois, uma licenciatura na profissão que me fez crescer rápido depois, um divórcio engraçado depois, muitas quedas não muito engraçadas depois, a escrever sobre o sentido da vida.
Eu vejo, maravilhada, a quantidade de pessoas que entraram no jogo para que eu fizesse as minhas jogadas e, simplesmente, é-me impossível aceitar o acaso.

Ainda que houvesse eventos fortuitos, porque diabo me estariam a acontecer a mim? Ou a ti. Aqueles. Não outros. Aqueles eventos fortuitos. Que nos obrigam a decisões diferentes das iniciais. Que nos levam noutra direcção. A avaria no carro que nos impede de chegar a tempo de assinar um contrato ruinoso. A farmácia fechada para obras que nos torna clientes da farmácia do lado onde encontrámos Aquela pessoa. O corte de energia no escritório que nos faz chegar a casa mais cedo e... que muda o nosso estado civil.

Se há coisa que me faz ganhar o dia é uma boa coincidência! 
Sei que são Eles a dizer-me que não é bem por ali ou a confirmar que é mesmo por onde estou a ir. Que aquilo, pelo que estou esforçar-me tanto, não é para mim. Que é preciso largar. E não há problema. Mais adiante espera-me melhor. Maior. Mais adequado.  

Reconheço toda a ajuda que recebi, sobretudo a que me esqueci de pedir, e o meu coração sabe, naturalmente sabe, que não ando por aqui desacompanhada.
Eu sei que sou mais que um corpo envolvido numa pele. Sou todos os corpos envolvidos numa única alma. Há bocados de mim em ti. É por isso que apareço quando precisas que eu apareça. Ou desapareço quando querias que eu nunca tivesse partido. É por isso que sinto as tuas dores e tu, mesmo que ainda não saibas ou não acredites, sentes as minhas.
Eu sei isto. Que somos a mesma coisa e que vamos para o mesmo sítio. Que não há fim. Nem fins. A única tragédia é desconhecê-lo.

Algures vou continuar a brincar ao faz-de-conta que é a sério. Levo daqui o bem que fiz. E algumas contas para pagar. Junto à colecção mais esta experiência de fé num destino inacabado e inacabável.
Eu acredito e tenho dias tão espinhosos. Sem a parte da flor. Custam-me tanto.
Como conseguem as pessoas que não acreditam em nada?
Admiro-as.

IdoMind
about the wonderful
Nota: Há pessoas que não acreditam em nada mas que vivem a sua vida como Mestres. Ensinam-nos, pelo exemplo, que o conhecimento ou crenças não são condição para a prática da bondade, da compreensão e do amor pelos outros. Não é sobre estes que falo aqui.

janeiro 25, 2011

Procura-se... qualquer coisa

Na sexta-feira fui almoçar com um cliente e amigo muito especial. Almoço descontraído. Restaurante perto da praia. Boa comida. Boa conversa. Dois copos de vinho. A conversa melhorou... Voltámos ao escritório com o astral lá para a cima e a vontade de trabalhar muito em baixo.

- Tenho aqui a solução dos teus problemas – anunciou orgulhoso abraçando uma revista e um jornal.
- Deixa-me estar sossegada se faz favor. A tua última brincadeira não correu bem, lembras-te? - Adverti no meu tom Aviso n.º 1
Ignorando o sinal, colocou diante dos meus olhos a Focus. Na capa da revista podia ler-se em letras garrafais  “COMO FICAR RICO.”
Soltei uma gargalhada. Claro!
- Vês?!! E agora os outros problemas – disse enquanto se sentava comodamente mesmo à minha frente, de perna cruzada, indício que a coisa iria demorar. Abriu e jornal e começou a ler:
Não me contive. E rimos os dois que nem parvos. Determinado a testar os limites do meu conservadorismo, continuou.
- Tens outras alternativas igualmente interessantes:

Como as crianças que fazem uma gracinha bem sucedida, leu mais um, comentando:
- "Como sei que gostas de morenos"
Fiquei agarrada ao jornal, estupefacta com a variedade e quantidade de anúncios desta natureza. Desconhecia por completo. Ao constatar o meu entusiasmo com a novidade correndo o jornal com olhos enquanto ria sozinha, ele próprio reconheceu: “ O que é que eu fui fazer!!”
O meu interesse não se ficou a dever aos pretendentes nem à possibilidade de encontrar o príncipe via “Love Mail” (nomenclatura desta rubrica no jornal). Não. O meu interesse, como em tudo, prendeu-se com a motivação daquelas pessoas. O que leva alguém a levantar-se um dia, dirigir-se nem sei onde e pedir - “Quero publicar isto:
Para mim foi o escancarar da porta para uma nova realidade! Não é mito, anda mesmo tudo à Procura. 
Ele procura Ela. Ela procura Ele. Ele procura Ele e Ela Procura Ela.
Pelos vistos toda a gente anda para aí desencontrada. Será isto serviço público? 

Quando foi que se tornou tão complexo relacionarmo-nos uns com os outros que precisamos de procurar Amor no mesmo lugar onde se procura um emprego, uma casa ou um carro para trocar…
Desde o principio do mundo que homens e mulheres se conhecem. Se apaixonam. Desapaixonam. Choram e voltam a apaixonar-se. Cometem erros. Aprendem. Erram outra vez e mais outra e mais outra e é no erro que vão sendo felizes. Mas até hoje não conheci ninguém que desistisse de Encontrar. Mesmo os que acham e se tentam convencer que isso do amor já, ainda ou nunca foi com eles. No fim de tudo a única grande verdade é que “The greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return.

Como os animais (dos quais cada vez mais me convenço não estamos afinal assim tão distantes) sentimos necessidade de par. Julgava eu que diferíamos deles na forma como satisfazemos essa carência. Ao ler alguns destes anúncios pude perceber que não.
Alguns fizeram surgir de imediato na minha cabeça a imagem de um tigre. O predador “jovem cavalheiro, apresentável, honesto e sem vícios” à caça, ardilosamente esperando o telefonema que lhe irá garantir a refeição dessa noite…
Mas nisto de tratarmos do nosso umbigo, não há espaço para sexismos inconvenientes e eis que as predadoras também saem atrás da presa:

Necessidades diferentes, o mesmo método. A mesma forma de pensar. A mesma ausência de responsabilidade pelos próprios sentimentos e dos outros.
Vale tudo. No meu tempo acrescentava-se “menos tirar olhos”. Hoje em dia, e depois de algumas coisas que li, nem sei se esta segunda parte continua a fazer sentido.

É mesmo para aqui que queremos ir? Darmo-nos indiscriminada, inconsequente e (quanto a mim) inconscientemente uns aos outros? Sem no fundo estar a dar nada… Sem deixar nem trazer o que quer que seja de muito bom.
É isto que nos faz bem, que nos realiza? Usarmos e sermos usados. Não parar diante de cada pessoa que se cruza connosco e OLHAR para ela. É assim que gostamos que nos façam?

Estas minhas palavras não encerram qualquer tipo de censura às escolhas de ninguém. Não sou contra nem a favor do sexo casual. Não faço juízos sobre a solidão e o cansaço de cada um. E até onde se pode ir para tentar mudar esses estados.
É só preocupação sincera com o que está por detrás duma forma de vida que chamamos moderna mas na qual não vislumbro qualquer espécie de progresso.
Mas posso ser só eu, a observar este nosso mundo a dirigir-se para o Vazio.
Fecho com chave d´ouro

IdoMind

About what we´re doing to ourselfs 

janeiro 24, 2011

Desafio dos 7

Fui desafiada!
Logo eu que não gosto de desafios. Mas aceitei este que a Shin-Tau me lançou.



7 coisas que tenho de fazer antes de morrer:

- escrever um livro;
- ter A conversa com o meu pai;
- apaixonar-me tipo filme, ficar toda viradinha ao contrário;
- construir um centro de acolhimento para crianças desprotegidas;
- mudar-me para ao pé do mar;
- dar a volta ao mundo;
- encontrar-me. A sério, gostava de me encontrar antes de morrer.

7 coisas que mais digo:

- “Peço justiça” (evidentemente);
-  De que signo é que és?
-  Não posso, vou treinar.
-  Diz a verdade.
-  Não, não sou de cá. A minha nave ficou sem combustível.
-  E se não for assim como estás a ver?
-  Obrigado.

7 coisas que faço bem:

- falar;
- escutar;
- cozinhar;
- piadas;
- pacificar;
- arranjar soluções;
- asneiras… é o que faço melhor.

7 defeitos:

- obstinada;
- individualista;
- solitária;
- masoquista;
- impaciente;
- incoerente :) 
- mole.

7 qualidades (Tantas?)

- boa-pessoa;
- sensata;
- muito bem humorada;
- de confiança;
- humilde;
- generosa;
- sonhadora ( bueeeeeeeeeeé)


7 coisas que adoro:

- O mar. A praia para onde fujo para me sentir.
- Fazer amor.
- Estar sozinha a ouvir música enquanto leio.
- Cinema. É mesmo paixão.
- Água. Adoro nadar e adoro tomar banho.
- Conforto.
- Coincidências…

7 coisas que detesto:
 ( não há nada que eu deteste a não ser as palavras detestar e odiar, acho que têm demasiada força no sentido negativo. Prefiro dizer 7 coisas que gosto menos)

- Mediocridade, pequenez;
- Falta de educação;
- Chegar ao cinema e ter o meu lugar habitual ocupado;
- E gosto ainda menos, calhar um casalinho papa-pipocas atrás ou à minha frente! 
   (afinal talvez haja alguma coisa que deteste)
- Ficar na sacana da fila do supermercado que dá sempre problemas!
- Vulgaridade... não gosto mesmo nada de vulgaridade;
- Frio. Arrasa comigo.


7 pessoas que vão responder ao desafio


Quem achar piada e quiser aceitar o desafio está à vontade. Pessoalmente aconselho.
Foi engraçado verificar que demorei muito a encontrar 7 qualidades ao passo que os 7 defeitos me levaram cerca de 40 segundos a escrever. Deixei as 7 coisas que tenho de fazer antes de morrer para o fim porque só me lembrava de 2.
Tudo isto diz muito…
IdoMind

about this challenge

janeiro 19, 2011

O Colo e a Palmada

Dizem que entre a principal característica do nosso pai e a principal característica da nossa mãe, se esconde o segredo da nossa Missão. Talvez todos tenham razão e eu precise de ajuda profissional, mas para mim isto faz sentido. Soa-me a verdadeiro.

A minha irmã não atribui aos meus pais as características que eu atribuo. As nossas missões devem, por isso, de ser diferentes. O que reforça a coerência da premissa.
Porque para falar do meu pai preciso de tirar férias e escrever um livro, pus-me a pensar na minha mãe e apeteceu-me escrever sobre essa mulher como não há outra. A sério, não há. Para equilíbrio do Universo.

Influenciou-me muito. E só agora, eu própria mulher, vejo o quanto. Foi uma coisa assim para o subtil, mas a Baixinha, fez "estragos". Ainda hoje não me entendo com os homens. Ainda hoje acho que consigo suportar várias toneladas de carga sozinha. Lido mal com a o meu lado feminino. Ainda hoje me custa chorar. Tudo obra da minha mãe. E para alguém com uma altura a rondar o pigmeu é realmente Obra!
Se é bom ou mau? É o que eu escolher fazer com esta compreensão.

É inegável o poder das Mães. E é sobretudo inegável que há muitos tipos de mães. Mas a roda da existência sorteou-nos com a nossa. Porquê?
Porque não se trata de sorte. É exactamente DESSA  mãe que precisámos e precisamos para nos construirmos. Para nos destruirmos. E voltarmos à reconstrução. Ou destruirmo-nos mais um bocadinho, de dedo apontado à infância miserável e ao péssimo trabalho dos nossos progenitores.

O problema das mães é serem seres humanos. Cada mãe é só uma pessoa. Com um coração que bate a sua própria música. Como o nosso bate a nossa. E depois aparecemos nós. Vimos por aí abaixo, cair mesmo a meio da história dela. A mãe passa a ser um coração, a bater duas músicas.  
Mas continua a ser só uma pessoa. Com dias de sol e outros dias de céu muito carregado. Vários dias de trovoada. A minha tem destes…são tipos enxurrada, duram pouco mas arrasam tudo à volta.

Há uma qualquer ideia tão enraizada em nós que as mães são, e têm de ser, capazes de inenarráveis proezas que lhes exigimos o comportamento de heroínas. E é com dificuldade que toleramos o facto de não serem perfeitas. Indignamo-nos até e manifestamos a nossa desilusão quando não fazem o que seria expectável de uma mãe. Quando, no fundo, não correspondem à Mãe dos nossos sonhos.

O contrário também é verdade. Há mães que vestem os filhos com botas vermelhas e uma capinha. Olham e vêem neles o super-homem que nunca viram no pai ou que entretante desistiram de ver. E manipulam assim uma relação sagrada. Porque também há mães que se destroem...
Que se consomem no processo de viver a vida que não é delas, recriando-se nas suas crias. Ou morrendo devagar tentando.
Conhecem bem a culpa e como usá-la. Cobram e protestam, umas veementemente, outras de forma mais polida, que as amem, que as visitem, que as informem de como corre o trabalho, como estão os míudos e se já trocaram de nora, que as deixem ser a sombra reflectida em todas as paredes, a gerente lá de casa... Algumas conseguem. Por isso alguns filhos mentem. E outros afastam-se.

Para os filhos das mães ausentes;
Para os filhos das mães demasiado presentes;
Para os filhos das mães frias;
Para os filhos das mães instáveis;
Para os filhos das mães mártires;
Para os filhos das mães-carreira;
Para os filhos das mães rígidas e das mães moles;
Para os filhos das mães que preferem ser outra coisa,

- Não as julguem. Amem-nas.

São benditas. Todas. E bendito é fruto do ventre de cada uma delas. Não é isso suficiente para terem o nosso obrigado? Para erguer a bandeira branca e correr para os braços delas?
O Amor é o caminho que te leva à tua mãe e o que a traz até ti.
Ama-a acima de tudo. Acima do passado, acima dos feitios, dos orgulhos, do que é pequeno.  
Ama-a mesmo que ela não te ame como queres ser amado.
A tua mãe é como tu – humana.
Faz a tua parte.
Ela fez e está a fazer a Sua.

IdoMind
About karma

janeiro 07, 2011

O Prazer

Sexta-feira. O meu dia preferido da semana. Também gosto dos outros (quase todos) mas sexta-feira traz-me alegria. Boa disposição. Vontade de não me aborrecer com nada e deixar passar o que, por exemplo, numa terça-feira à tarde, iria dar discussão certinha.

É o dia do prazer.

Termina agora a primeira semana do Novo Ano que se adivinha longo. É bom que o aligeiremos com algum prazer. Ou muitos.
Vou começar em grande! Hoje não há cá receita nenhuma. Aproveitem o fim-de-semana para O prazer dos prazeres - o bem-bom. Há lá coisa melhor que fazer amor?
Bem feitinho com muita consciência à mistura, do que se está a fazer... 
Deixo-vos uma dica que talvez possa ser útil. Não fiquei só a rir depois de verem, mudem o que funciona menos bem e experimentem formas para funcionar melhor. 
É só clicar aqui.


(Não sei porquê, alguns ecrãs abanam e outros não. Espero que o vosso abane, é muito mais giro)
IdoMind
about kidding with serious stuff

janeiro 04, 2011

Nem sei que título dar

“ Eu gosto dela. Não sei é se vou gostar amanhã. Imagine que ela muda ou eu conheço alguém. Que começa a incomodar aquilo dela descascar as batatas para dentro do lava-louças ou dormir com a frestazinha da janela aberta. Quero poder ser livre para decidir a toda a hora com quem quero estar. Não sei o que fazer.”

A história é simples. Numa viagem de férias ao estrangeiro, um homem conhece uma mulher. Até aqui tudo normal. Vê estrelinhas, ouve os sinos a tocar, o coração acelera e conclui, obviamente, que está apaixonado. Normal.
O homem regressa e como não faz mais nada que pensar naquela mulher, compra um bilhete e pede-lhe que venha para Portugal viver com ele. Menos normal, mas muito bonito…
Ela vem. E fica. Corre tudo bem. Passa um ano. A janela continuava aberta sem que isso incomodasse. Mas havia um problema que começava a ensombrar a felicidade do casal – a permanência ilegal dela no País. Impedida de se candidatar a um emprego, de andar despreocupada num centro comercial, de conduzir... Estava limitada a uma meia-vida.
E o ser humano suporta quase tudo, menos a limitação. Seja de que espécie for. Tudo que nos limite, mais cedo ou mais tarde gera a rebeldia, nos melhores casos, ou ressentimento, nos piores. Antes que isso acontecesse, o homem foi procurar uma solução. Trazendo também uma sugestão que de tão engenhosa me fez ter a certeza que a nossa raça irá sobreviver sempre a todo o tipo de catástrofes naturais ou outras.

O processo mais simples de regularizar a situação da sua “Pocahontas” (como ele lhe chamava) seria casar. E ele até nem se importava. Mas colocavam-se as questões com que iniciei este artigo. E se ele se arrependesse? Se se apaixonasse noutra viagem qualquer. Ou no trabalho. Se simplesmente não quisesse mais? Não lhe estava a apetecer fazer uma cama em que não quisesse deitar-se depois. Foi então que teve uma ideia…
A ideia, para a qual não consegui ainda encontrar o adjectivo à altura, foi a seguinte: seria juridicamente possível que a mulher outorgasse, em simultâneo com o acto de casamento, uma Procuração Irrevogável, conferindo-lhe poderes a ele, homem, para em qualquer altura requerer o divórcio dissolvendo assim o matrimónio?
Fiquei a olhar para a pessoa à minha frente a tentar perceber se estava a falar a sério ou a ter um ataque de humor negro.
Estava a falar a sério.

Demorei alguns minutos a responder-lhe, perdida entre a veneração por uma cabeça capaz de uma ideia destas e o ruído da fé em histórias de amor perfeitas a partir-se dentro de mim.
Este homem queria uma garantia para o Amor. Com condições e um prazo. Brutal. 
É só levar um pouco mais longe o conceito de casamento enquanto contrato e, porque não, prever que possa ser denunciado unilateralmente em caso de insatisfação ou de uma oferta melhor. Tipo TV cabo. Porque não estabelecer-se um período experimental?
Talvez não devesse ter aberto esta porta...

Para quem está a ler e pensar “mas olha, está bem pensado…muito bem pensado, é possível?” se calhar não fazia mal nenhum perguntarem-se:
“ Quem sou eu nos relacionamentos.”
E muito mais pertinente, tem resultado? 

To be continued
IdoMind
About don´t run over people
p.s. Pocahontas o caraças!
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