abril 21, 2011

Foram as vozes...

Reedito hoje um texto que me saiu lá das profundezas quando o escrevi.
Os tempos negros de então, deram lugar a maior claridade. Sei hoje que assim é. Sempre. Tudo se sucede, permanentemente. Ou nas sábias palavras da minha querida avó Bernardete " Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe."
Porque estamos na época certa, aí vai.
A todos uma Santa Páscoa.


Fui homem como tu. Sei tudo sobre os teus cansaços. Senti o peso da pele que se oferece aos rigores da Terra. A mesma pele que recebe a carícia e a ofensa. Conheci a bondade e a intolerância. Comi com santos e falei com demónios. Lutei com os meus. Fui tentado. Tive medo. Tive tanto medo. 

A lua estava quase cheia no Olival quando pedi que fosse afastado de mim o cálice. Já lhe adivinhava o sabor…Foi de joelhos que aceitei que fosse feita a Sua vontade e não a minha, porque era homem e não lembrava que a vontade Dele é a Nossa.
Fui espada como tu. Dividi. Feri.Trouxe guerra a cada casa conforme as batalhas a travar. As prisões a derrubar. As escolhas a fazer. A Vontade Maior a cumprir.
Fiz a minha Mãe chorar…

Eu ateei o fogo que queima e que limpa. Eu fui desordem.
Ensinei. Quem quis ouvir ouviu. Falei perigosamente. Livremente. O poder das palavras reside no seu uso oportuno. Necessariamente corajoso. Ideia alguma foi plantada sem as forças do vento contrário. Atirei as pedras que agitaram a placidez da ignorância. E as que deram Vida.
Fui homem como tu, no meio de outros homens como nós. Escarneceram de mim. Tantos dedos apontados. Tantos braços levantados. Só porque me atrevi a ser Eu. Porque permaneci fiel ao meu plano. Porque Me ouvi e fui até ao fim do caminho. Só porque a verdade assusta. Sendo pequenos como podemos fazer coisa grandes? Se formos só homens como podemos agir como Deuses?

Fui isto e muito mais. Este é o meu testemunho. Tudo faz parte. Aceita quem és e para onde vais. Decide quem queres ser e para onde irás a seguir. Escolhe. Tranquilamente. Amorosamente. Tudo faz parte. Tecer a coroa de espinhos e usá-la.
Olha para o Alto, de onde vens, sempre que a noite estiver demasiado escura para ver os sinais. Fala comigo quando olhares ao teu redor e te achares sozinho. Escuta-me à hora do almoço naquele banco virado para a praia dos pescadores. Eu não páro de existir porque não acreditas em mim mas só o saberás quando o quiseres saber.
Reconhece-me em todas as faces… e verás.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. E fui só um homem. Como tu.
Se tens ouvidos, ouve…

IdoMind
About The Exemple

abril 08, 2011

"Deslarga"


Queres manter o quê afinal? O conforto pequenininho de uma vida assim-assim ou a imagem no espelho da casa-de-banho que penteias para o mundo. O que merece afinal esse esforço todo para manter? Esse amassar do coração todo. Esse sacrifício todo. Esse desespero íntimo todo. Esse medo todo. Dependes. Delegaste a responsabilidade de ser feliz em mãos alheias. Aceita então as bofetadas.
E aceita que podem acabar no instante em que decidires que queres que acabem.
O meu instante foi numa fila de trânsito. Encostei assim que pude e estive muito tempo a chorar sentada na relva de um jardim. Tudo ficou tão claro. Como se houvessem dois Sois a iluminar a Terra. Estava mesmo cansada… De não ter orgulho de mim. De exigir o inexigível. De falar estrangeiro e de ser estrangeira. Da incapacidade de corresponder. Da culpa.Tanta culpa.
Cansada de esperar.

Mas esperar o quê? Era ao contrário: estava tudo à minha espera. Está sempre tudo à minha espera. Que eu vá. Simplesmente vá. De preferência sem malas. Fazer o que me apetece. O que considero correcto ou aquilo que combinar melhor com aquela que a minha pele abriga. De seguir o meu grilo. Ser quem me traz paz e sonos tranquilos. Que eu ria. E que eu abrace por amor, amizade ou porque compreendo que é difícil ser Homem. Que diga sim ao compromisso de tratar da minha parte com o máximo respeito por mim. E, inevitavelmente, com o máximo respeito por todos.

Está tudo à espera que eu seja o exemplo. E para isso é necessário que eu seja livre...

Que tire do bolso as chaves das celas do estabelecimento prisional chamado “EU”. Que o faça voluntariamente. Antes do motim. Antes que a revolta instaure a Justiça, com uma zanga, que a honestidade escusaria. Que eu entregue as chaves antes que me sejam arrancadas. À força e no momento menos esperado.
Se eu conseguisse dizer-te no que acredito, começavas hoje a ser livre. Perguntavas-te se isso de que precisas é a causa da tua felicidade. Ou da tua infelicidade... 

Talvez concordasses comigo e te livrasses, agora, do que cumpriu o seu papel e está fora de prazo. A personalidade caduca que já só te traz dissabores em vez de sorrisos. O casamento morto sem a certidão de óbito emitida. O trabalho frustrante que te dá dinheiro para comprimidos. Ou cursos de pintura…Esses objectos todos que ocupam o TEU espaço e o tempo dos teus filhos. Da tua mulher, namorada ou da tua vizinha de cima gira como tudo. Do passeio junto ao rio enquanto o sol de põe e percebes como és abençoado.

É isso que queres manter? As chaves? Continuar cativo dentro de ti aprisionando também o resto? Ficar pelo mais ou menos. Oferecer o mais ou menos. É um direito que te assiste. Mas exerce-o pelo menos com rectidão e não reclames na hora de receber, porque a vida só existe devido ao justo equilíbrio de todas as coisas.
Eu escolho assumir o dever de ir. De largar. De desamarrar a alma dos pesos que a mantêm retida na mediocridade e procurar o Melhor. O Excelente. O que tem o meu nome escrito...
Conferindo também ao Outro essa sagrada possibilidade.
IdoMind
About making the necessary changes

março 29, 2011

Quem tem rabinho...

Medo aproveita este teu tempo. Acordaste forte. Parece que andaste a amealhar todas as migalhas que fomos atirando para a tua cova. Esse poço escavado na terra onde as lágrimas do desespero te matam a sede e as pequenas rendições de todos os dias te entregam a vitória. A esperança, essa, levas como despojo. És hoje o dono e o senhor do coração dos Homens. Estás no comando a ordenar-lhe que recue. Ou que atropele. Que pense só em si. Nos que tem lá em casa. Que se preserve. E se guarde fechadinho na sua Arca esperando que ninguém lhe bata aos portões. Pode ser que saiba nadar e não seja levado pelas águas… nem morra afogado.
Medo, estás a fazer do Homem de novo um bicho a rastejar. Mas agora para dentro do charco…

Ficou tão caro chegar aqui. Todas as mortes que nos levaram à defesa de cada vida. Toda a violência que nos fez querer a paz. E respeitá-la. Todo o domínio, injustificado, perverso e corrupto, que nos empurrou, mais cedo ou mais tarde, para a liberdade. Fizemos dos princípios Lei e a nossa Essência viu-se espelhada no reconhecimento da dignidade da pessoa humana como um valor inviolável e a construção de uma sociedade livre, justa e solidária como um objectivo fundamental. Atravessámos a escravatura para isso. Genocídios embaraçantes. A tirania. Uma história escrita a sangue pelo punho do poder e da ignorância. Todos consentimos. Todos estivemos de um lado e do outro. Hasteando as nossas razões fugazes, para logo a seguir saltitar para outra razão, mais razoável, que voltámos a hastear.
Estivemos nisto tudo juntos. A única coisa que alguém consegue fazer sozinho é morrer…

Ainda estamos juntos nisto. E ainda consentimos tantas coisas. É o medo a mandar-nos estar calados. Quietos. Omissos nos nossos deveres disto de Ser-Humano.
Talvez daqui a uma mão cheia de anos seja tão natural dividir a nossa abundância com os outros como é hoje dar um emprego a uma pessoa de cor, permitir que as mulheres votem ou que alguém desfavorecido estude e possa ser advogado, médico ou engenheiro. Talvez um dia seja impensável ignorar a fome de uma criança, a solidão de um velho, o sofrimento atroz da pessoa ao lado. Talvez um dia a Lei também preveja como nosso dever e como nosso direito Ser melhor.

Onde quer que estivesse na altura, ficaria muito feliz ao ler uma IdoMind qualquer a divagar sobre um tempo em que algumas pessoas acreditavam que podiam estar bem mesmo se houvessem muitas outras que estivessem mal. Uma época de trevas, governada pelo medo, em que se julgavam separadas umas das outras e independentes do Destino que as une.
Sorrio ao imaginar-me numa versão futurista, com um fato prateado num jardim holográfico a escrever com o pensamento, incrédula, sobre uma altura em que foi preciso o colapso dos pilares de uma sociedade oca e disfuncional para que cada um se mostrasse parte do todo e decidisse contribuir de forma diferente. Eu no futuro, a escrever sobre a construção das escadas do Caminho Ascendente, feitas das ruínas do que já não servia o nosso propósito Maior.
Espero escrever sobre a valentia do Homem que apesar da dor, das perdas, das noites mal dormidas se fez gigante e venceu o medo. Sobre o Homem, finalmente, a compreender-se mais que os que os lírios do campo…
IdoMind
About rought crossings

março 25, 2011

Vamos nessa, Vanessa?

(foto de Shin-Tau)

Preciso de falar contigo. Agora. Convidas-me a visitar-te? Esperas por mim à entrada e mostras-me os cantos da tua casa? Gostava que me deixasses conhecer-te. Acho que merecemos. Tenho um só pedido. Tira a armadura se faz favor. Também aqui vou deixar a minha. E vamos os dois, desarmados, travar a grande batalha - o resgate de nós mesmos.

Depõe aqui as atitudes hoje-não-que-quero-estar-sozinho, quando não queres; as palavras-punhal que arremessas para ferir quando tu próprio sangras, a indiferença pensada que encenas para ver se ainda está lá alguém… com atenção a ti. Depõe aqui o sarcasmo-escudo, a seriedade falsificada, o orgulho que embrutece. Depõe aqui o que te mantém aqui. Ainda nem sabes onde pertences e defendes esses metros quadrados como se morresses sem eles.
Olha para a frente. Para lá do horizonte cravado nos teus olhos pode haver uma ponte. Feita de estrelas, de coincidências, de sinais a lembrar-te que és infinito. E que é para lá que te diriges. “To Infinity and Beyond”! Brinca. Ainda sabes como se faz?

Se eu te chamar para jogar às escondidas, vens? Ou ao lencinho. À apanhada! És capaz? Tiras a gravata e vais no meu encalço? Escondes-te no armário e ficas à esperas que eu te descubra? E depois corremos os dois a ver quem chega primeiro. Fazes batota e eu deixo-te ganhar porque sou mulher e a minha vitória reside na tua gargalhada. Estou a falar muito a sério. Vês-te na brincadeira comigo? Despreocupado. Leve. Feliz… porque é tão bom o quentinho do Sol, o cheiro dos bebes, dar beijos, aquela música que enche o espaço...

Eu só sei brincar. Eu só sei Rir. Eu só me sei descobrir em todas as coisas. Levar e deixar o que me é concedido com tanta generosidade. Eu só sei retribuir por estar viva. Nasci para me amar em tudo. E para me divertir no processo. É para isso que aqui estou. E tu também. Se tropeçasse numa lamparina, pedia ao génio um tapete mágico para ti. Para que te sobrevoasses. Para que te elevasses acima de cada momento. De cada parte de ti que se encontra contigo a pedir-te uma decisão. Tu, no teu tapete mágico movido a alegria, a seres muitos. A perceber que ninguém é além de ti. Que ninguém está sozinho. Que ninguém é mau. Frio. Com a mania. Incompreensivo ou inflexível. Cada um veste uma armadura diferente. Só isso. 
Convida-te para casa deles. Diz-lhes que não vais estragar nada. E não estragues mesmo. Pisa com meiguice o soalho vizinho porque pode ranger, de tanto desgaste, até ao passo mais suave.

Se quiseres dou-te boleia na minha carpete. Claro, carpete! Um tapete não me chega. Gosto de companhia. De andar por aí a exibir a Beleza disto tudo. De espalhar os pós pirlimpimpim cor-de-rosa choque ou azul-céu que trago sempre numa bolsinha junto ao coração. Adoro passar em voo raso, esticar a mão e agarrar os prevenidos. Os imunizados ao sonho, à esperança, ao desejo que não tem rédeas. Enlaçar com energia os asmáticos que respiram a experiência aos bocadinhos e com cuidado. Puxá-los para a carpete e levá-los a tomar um chá na Terra do Nunca. Trazer os doentes a arejar. Aqueles que acreditam que não há nada a fazer. Que a sua cura vai adoecer outros. Ou que será tão sofrida que preferem morrer devagar. Sentados numa cadeira ou prostrados diante de uma vida que nem para eles já faz sentido.
Eu escolho celebrar a existência. Anda comigo, sem armas, dizer-lhe obrigado. 
Por tudo…
IdoMind
about the ficcion 

março 18, 2011

Da Brisa para o Ciclone


Queres exemplos. Está bem. Até porque me é mais fácil ser concreta. Arrumada. Com as atitudes e respectivas reacções devidamente catalogadas. Vim ao arquivo para atender ao teu pedido. Espero que os ficheiros que escolhi, te sejam úteis. Sabes que a minha história tem sido emocionante. Estranha, dirás tu. Talvez. Mas olha o que fez de mim. Uma jardineira! Um touro aviador a saltitar de nuvem em nuvem. Sem se importar com a altura, a distancia ou com o dinheiro que tem no bolso para voltar.

Não sei se fiz sempre tudo bem. Não devo ter feito porque chorei muitas vezes. Fiquei sem dormir outras tantas. E andei à luta com sentimentos pouco bonitos dias e dias até decidir como queria encerrar o combate. Tive tão pouco orgulho nalgumas decisões. Cujo custo paguei, não muito depois, sem refilar. Sem -porque é que isto me está a acontecer- e, definitivamente, sem desconto. O preço certo. No saldo da nossa vida não há regateio. Paga-se e recebe-se na justa medida do que dá. Mas isto tu sabes. Queres é exemplos.

Por exemplo, não gosto de toda a gente. E então? Tenho de gostar? Porquê? Se queres saber, não perco grande tempo a pensar porque não sou Jesus mas mais a sê-lo. Onde não sou santa sou honesta. Sou íntegra. Sou eu…Não me parece correcto fazer um esforço para estar com quem não quero ou não gosto ou não me diz nada. Eu não gostaria que alguém se esforçasse para estar comigo se não quisesse, se não gostasse de mim ou se lhe fosse indiferente. Já pensaste nisso, alguém estar contigo por favor. Porque tem de ser…
Nem pensar! Comigo tudo é para ser autêntico porque tudo é Único. Só tenho esta vida para viver. Este tempo para desfrutar. Estas pessoas para conhecer. E amar. Ou não.

Tenho-me apercebido que quanto mais esforço fazes mais vais ter de te esforçar. Seja no que for. Com quem for. O grau de exigência vai crescendo. Na paciência que tens de produzir. Nas cedências que tens de te convencer que valem a pena. Na anulação de ti que hipotecas por um bem que achas maior. E um dia vais ter de dar um grito. Nesse dia vais ouvir “ passou-se”, "não tomou os medicamentos”,“ deve andar com problemas em casa”. E é legítimo que o digam, porque até te andavas a esforçar tão bem. A enganar-TE tão bem…
O meu farol é a minha felicidade. Se fico feliz, se há uma paz-gato enroscada no meu peito sossegada, é porque está tudo bem. Geralmente, só se vai embora quando vem a dúvida-gata arranhar-me a cabeça. Enquanto não sei que decisão tomar sou uma arena com a plateia lotada...

As decisões, essas, tomo-as assim: “ IdoMind Maria, se fosses perfeita o que farias diante disto?”
E é aqui que nós divergimos, porque eu acredito que pode morar toda a perfeição num não redondinho. Dito com firmeza. Muito mais que num assentir cobardolas. Ah, desculpa! Queria dizer num sim politicamente correcto. O problema é que alguns problemas só se resolvem com um murro na mesa. E abençoada a coragem para dá-lo! Ser instrumento de Deus é muitas vezes ser uma vassoura…
Também temo consequências. Mas temo muito mais ficar dependente de anti-depressivos. De me esquecer de quem sou. De adormecer a Minha Verdade para aceitar a Vontade dos outros.

Tudo se resume à tua Verdade.

Falo tanto dela porque quanto mais ando, mais constato que sem a Minha Verdade não saio do lugar.
Por isso, em casa, a Tua Verdade. 
No trabalho, a tua Verdade. 
Na amizade, no amor, nas companhias, na religião, na tua boca, nos teus actos – a Tua Verdade.
Ainda que rigorosa. Pouco disposta a desmazelos. Apressada. Ainda que impulsiva temperada de rispidez. E quem não precisa de vez em quando de um bom impulso ríspido?
A Tua Verdade, secular e profunda, a gostar do que é sólido. Verdadeiro…
O que não toleras são as máscaras, ainda não percebeste? O lobo que vem vestido de cordeiro. Não é que não gostes de lobos. Não gostas é de fingimentos…
Feiticeira, varre o teu círculo das inverdades porque a tua Magia está na tua Limpidez.
Mantém-a. Exige-a.
IdoMind
about a certain kid with troubles with diplomacy

março 17, 2011

"A borboleta é a larva com uma atitude positiva"

Apesar de tudo continuas a mandar-me este Sol. Dias como o de hoje que apagam a memória da chuva e do frio das semanas anteriores. Que me fazem acreditar de novo no fim dos Invernos. E da severidade que ensina a todos os caminhantes a importância das cavernas. Eu gosto de cavernas. De limpar os pés da terra agarrada aos sapatos e aninhar-me no ventre de cada etapa. Gosto da ausência do que me distrai do Apelo. E de deixar do lado de fora o barulho de cá de fora. Todos os ruídos que vão ensurdecendo a minha pobre alma, já aos gritos, a dizer-me que está ali. Eu própria falo muito. Quero participar da festa e berro como os outros pelo meu lugar. Sem verdadeiramente o querer, a festa ou o lugar. Nem precisar. Sabendo-o. Não Sou demitida do Mundo e às vezes aceito as suas regras. Como esta, do barulho. Por isso, cansada e rouca, agradeço a existência de cavernas e do seu silêncio…

"A perfect spot" de Cutteroz

Dos encontros que por lá tenho. Com os espíritos do passado e futuro que invoco para perceber, e quantas vezes justificar, um presente que não me apetece tão merecido. Na caverna, o presente obeso às minhas cavalitas faz dieta. E perde peso até caber em mim como um vestido levezinho. Como custa controlar a vontade de comer da culpa e da falta de amor por mim. Do medo de não pertencer a lado nenhum. A ninguém. Com ninguém. De não ser entendida. Ou mal entendida. De ser entendida perfeitamente e ainda assim não estar satisfeita. Sem saber porquê. E lá vai mais uma colherada de açoites, goela abaixo até ao estômago…
A caverna convida ao jejum. Só se faz ouvir aos desintoxicados. De outro modo tudo o que se sente é fome. A purificação exige privação. Quanto menos me alimento dos frutos que não são da minha árvore, mais me dou conta que não me agradeço o suficiente. Nem ao meu corpo, lindo e resistente, que me acompanha na aventura. Sou má para mim. Castigo-me. Vou pelas veredas mais difíceis só para doer, só para custar, só para, frequentemente, não conseguir. Para partir a cabeça a sério e ficar contente com isso. Como se na dor se escondesse uma espécie de redenção. Gosto de me sacrificar... E depois permanecer até beirar o martírio. Desvio-me da Oportunidade que me cai ao colo porque não mereço ser feliz…Oh minha rica caverna quanta lucidez desencubro na tua imparcialidade!

Dentro de ti, com espaço só para mim, não entram ele, ela, eles, elas, vós, nem nós porque apenas EU estou aqui. Eu e as minhas escolhas. Eu e os resultados. Eu e o próximo passo.
Sou senhora de mim, só a mim me devo obediência. Só para comigo tenho deveres. Só eu me ordeno ao que quer que seja. E posso partir. Morar onde quiser. Ter outra vista. Ou restaurar a minha casa. Eu tenho o poder de Me mudar. É por isso impossível magoarem-me. Humilharem-me. Prejudicarem-me. De algum modo infligirem-me um mal. Não há nada que ele, ela, eles, elas, vós ou nós possam fazer-me que eu não queira que me façam. Nada que possam dizer que eu não queira ouvir. Não me aparecem sem que eu os tenha chamado. E não são exactamente como são se EU  não precisasse deles assim. Vieram todos ajudar-me no meu Trabalho. E eu retribuo ajudando no deles e no nosso. A vida é uma elaborada co-laboração. 
Nesta caverna, de lamparina na mão, confrontei a minha sombra. Vejo-a desvanecer-se à medida que outra Primavera desponta em mim, pintando de luz o útero de onde renasço. Renovada, despeço-me até ao próximo Inverno da jornada.
Que bom ser uma mulher das cavernas para ser uma mulher em evolução…

IdoMind
about refreshing

março 11, 2011

Peace of Cake

Como é que eu faço? Se queres mesmo saber, exige somente vontade. Parar. 
O tempo. A raiva. A auto-comiseração. As emoções anãs. O medo…
Parar. Antes daquela palavra, parar. Antes daquele gesto, parar. Naquele pensamento, parar. E ficar, assim, parada até vir a certeza que estou a ser eu a dar o meu melhor. Que estou a reflectir todas as cores da minha alma. Que Sou Deus a espalhar amor. O Sol em explosões de Luz e de Calor. Que sou Arquitecta com as mãos na Obra. A voz doce que acorda. A verdade. Mesmo a difícil de aceitar. E se calhar, sobretudo essa.

Exige a intenção bem acordada de Ser todas as coisas. O rigor que o caminho impõe, porque certas portas só se abrem quando certas portas são encerradas. De vez ou só por algum tempo. O discernimento para distinguir umas de outras. A humildade para voltar atrás quando percebo que me enganei. Um ou vários pedidos de desculpas.
Exige disposição para recomeços. A flexibilidade para entrar por uma janela. E paciência. Primeiro comigo. É dentro de mim que começa o granjeio das flores que espero desabrochar nos outros.
Tenho dias. E depois tenho aqueles dias…é assim que a Vida mostra que quer mais de mim. E então sorrio. Amorosamente respeitando-me. Sem pressas. Se a minha escolha ainda não é sublime, paro. E sorrio outra vez porque descobri a Sabedoria…

Todos os dias começam então com sorrisos. Com o ouvir a manhã a pedir-me para nascer de novo. Porque posso. A morte e a vida pertencem-me. Sou princípio sem fim. Sou Agora sem antes nem depois. Eu sou a aliança do Tudo. Eu sou casada com o mundo.
É com responsabilidade que assumo esta União.
Por isso paro muito mais…
Pergunto-me muito mais…
Observo-me muito mais…
E transformo-me.
Se conseguires fazer o mesmo, toda a Terra e todo o Céu se encherão de homens com asas. Homens-anjo. A poisar em galhos e nas estrelas. Aqui e lá, levando e trazendo, a Essência de toda a Vida.  

É assim que eu faço, paro a minha humanidade quando chega solteira. Egoísta e de alguma forma magoada. Ou divorciada da claridade que me faz cintilar. Peço-lhe, com carinho, que sinta as penas no coração e se deixe elevar rumo ao Alto.
É assim que eu faço, vigio-me…
IdoMind
About uncovering the diamond

março 03, 2011

Passado a quanto me obrigas a obrigar

Se eu viesse limpinha não me assustavas tanto. Terias graça. Serias a graça. A prenda pedida há tantas orações atrás. Em tantas noites de Inverno. E eu seria criança, a delirar com cada rasgo do papel de embrulho. Sem saber o que está na caixa e feliz com isso porque fosse o que fosse e como fosse, seria bom.
Viveria a alegria inofensiva da descoberta de ti. Dos detalhes que te compõem. Carregava nos botões todos para ver o que faziam. Esticava as mãos e tocava-te. Sem medo de partir, de ferir, de estragar. Se eu viesse limpinha ia brincar contigo sem medo de cair… 
Até podíamos correr! Ir para longe de casa. Deixar os lugares seguros e entrar pelo mundo adentro. Deixar um “dupla maravilha esteve aqui” escrito numa árvore ou numa pedra qualquer.
Se eu viesse limpinha dava-te a mão confiando que não a largarias. Que não me deixarias sozinha e perdida num lugar escuro, algures. Fazíamos tudo num dia. E se houvesse o dia a seguir, sorriamos para o Sol e dizíamos obrigado por podermos brincar de novo.

Mas não venho limpinha. 


Já tive de procurar a luz e depois acendê-la para sair das cavernas onde de repente me vi abandonada. Já tive de fazer o caminho de volta sem mapa. Já perdi as asas e regressei a pé. Já demorei muito a tratar alguns ferimentos. Já me esfolei toda e tive de ficar de cama. Sei ao que sabe o vazio que vai ocupando o espaço antes preenchido pelas mensagens matinais, os convites atrevidos a meio da tarde e os beijos demorados que obrigavam a ir depressa para o carro. Sei muito sobre cansaço. Impaciência. Nãos. Estúpidos e sem razão. Apenas cansados. Porque não apetece. Porque é tarde. Porque é cedo. Porque chove. Porque está muito calor. Até que me canso…

Venho suja e cansada.

Venho cheia de memórias de chãos cobertos de cacos. De os pisar. Passar por cima deles ouvindo o estilhaçar de corações mais frágeis que o meu. E que eu não cuidei. Nem lidei com o cuidado requerido. Lembro-me de ter sido egoísta e feito só à minha maneira. De não me ter esforçado porque não era preciso, alguém fazia a força por dois. Trago palavras proibidas. As que causaram zanga. Olhares de reprovação. Alguns “ és incrível” e várias horas frente ao mar a duvidar de mim. Lembro-me de não ter jeito para fazer o jeito. E de me sentir desajeitada.
Se eu viesse limpinha vestia-te. Tu sentias a minha pele e eu sentia o teu toque. Tu percebias como sou delicada e eu percebia que és suave. Tu vias porque tenho medo e eu via que nada há a temer.
Se eu viesse limpinha não estava aqui a escrever. Estava aí a dizer-te…
IdoMind

about the future more than certain

fevereiro 23, 2011

Irra!

Não te menti. Nunca te disse que iria ser fácil. Nunca te prometi ser a versão feminina de ti. Ir por onde tu vais. Gostar do que tu gostas. Ou sequer tentar. Nunca me escondi atrás de um sim resignado. Nem concordei só para evitar levantar poeira. O que tiveste foi a mim. No bom e no mau, sempre eu. Esperavas que o tempo, umas partilhas e alguns abraços em momentos importantes me mudassem? Esperavas que o teu empenho fosse compensado de alguma maneira? Julgaste que andava enganada acerca de quem sou e que iria encontrar-me quando te encontrei?

Porque misturas tudo? Não basta que esteja contigo? Livremente. Verdadeiramente. Porque quero. Porque fazes sentido ao meu lado. Porque é no teu peito, de olhos fechados, a sentir-te, que sei que estou onde devo estar. Não é isto suficiente? Escolhi-te…
Abri-te a porta de casa e, aos poucos, reconheço, a do coração. Não vou pedir desculpa por ter uma velocidade diferente da tua. Nem por transportar uma vida anterior. Outros homens. Quase sempre as mesmas marcas. Nenhuma fez de mim cobarde. Estou aqui contigo, não estou? E a aceitar-te como único. A viver-nos como uma estreia.
Não confundas uma maneira de ser com falta de amor. Nenhum outro motivo me faria convidar-te ao meu Caminho. Não tenho medo, e até gosto, da solidão. Não sinto qualquer relógio a dar horas e todas as minhas necessidades podem ser satisfeitas com menos complicações. É por te querer que me dou ao trabalho de esclarecer. De falar. De sair fora de mim e mostrar-me. Quero que também me queiras. A mim. Não aquela que foste desenhando na esperança que ganhasse vida. E se achares que é intolerável ter-me assim, amar-me assim, respeitar-me assim, agradeço que te dês ao trabalho de esclarecer. De falar. De te mostrares.
Se vou chorar? Possivelmente. Mas prefiro chorar um pouco agora, que muito lá mais à frente.

Sei que confundirás também esta frontalidade, com frieza. Pensarás “ falas assim porque não te custa perder-me. Na realidade nunca estiveste comigo” e como estarás errado…
Não te experimentei. Não foste um teste. Não embarquei à espera do naufrágio. Não foi nada disso. Talvez o meu muito seja um nada para ti. Talvez precises do que eu ainda não sei dar. Que nunca venha a saber, porque dou de outra maneira. Não sei…

Para mim o Amor É e permite Ser. Acolhe. Cresce na diferença e agradece por ela. Acaricia os cabelos e pergunta “ É mesmo isso que queres? “ E fica connosco a ver-nos a aprender. Muitas vezes com os erros. Puxa-nos para ele, volta a acariciar os cabelos e diz, com os olhos resplandecentes de orgulho,“ amo-te tanto, tonta.”
Este é o meu Amor.
É este que tenho para oferecer. Julguei que soubesses. Agora sabes.
O meu Amor é o amor dos destemidos. O que liberta. Sabe que a Estrada nos devolve tudo o que nos pertence e por isso confia. 
O meu Amor é o Amor dos comprometidos com a sua verdade. Esta é a minha. 
IdoMind
About transparency

fevereiro 18, 2011

Não deixes que eu Te deixe

Obrigada.
Obrigada.
Obrigada.
Podia ficar a dizer-Te isto o dia todo.

IdoMind
about amazing events

fevereiro 16, 2011

A minha é assim

A chuva forte parecia querer partir o vidro da janela do quarto e entrar por ali adentro. Levantei-me para espreitar, na esperança que não fosse tão mau como imaginava. Era pior! Os portões do Inferno foram abertos no Oeste! Tudo alagado. Muitas coisas a voar. Ah! Mesmo do tipo de dias que eu gosto…
Comecei logo a falar sozinha. Sou como aquelas máquina de calcular do chinês, só trabalho a sol. Nos dias invernosos, como o de hoje, tenho de fazer um esforço acrescido para achar que a vida é bonita.
Rotina normal: a minha chávena de leite de soja enquanto passo os olhos pelas principais notícias do dia, vejo como andam os astros e vou ao Grimoire. Ia chorando a rir. Vejam porquê aqui .
Esta minha mais nova...
Inspirada, também deixo uma imagem.

E que tal é a vossa criança interior?
IdoMind
about the truth inside

fevereiro 11, 2011

The day that you stop running - Is the day that you arrive

Ouve-se com frequência “Viver não custa, custa é saber viver.” 
Discordo inteiramente. Viver não custa nada e saber viver menos ainda. 
Saber viver é igual a saber respirar. Inato. Natural. Não se aprende. Relembra-se.
Mas porque viver como sabemos é demasiado simples, fazemos então o extraordinário- complicamos...
Tudo! Desde aceitar um singelo convite, a mudar a cor do cabelo ou ter um filho.
Eu também tenho a tendência para querer perceber todos os porquês, das coisas, das pessoas, da existência. 
Para antever as todas consequências de todos os actos. E depois temê-las...Tanto, que acabo por ficar quieta. Tão quieta que às vezes parece que morri.
Digo muitas vezes que da próxima quero vir com livro de instruções...
É quando me canso de mim mesma que me lembro Saber viver. Entrego e entrego-me.
Parto os copos, os pratos e tudo o que estiver no armário se achar que a minha felicidade está na minha desarrumação.

Desejo-vos, neste dia do prazer, que DES-COM-PLI-QUEM!
Just Enjoy the Ride!!!


Shut the gates and sunset
After that you can't get out
You can see the bigger picture
Find out what it’s all about
You're open to the skyline
You won't want to go back home
In a garden full of angels
You will never be alone

But oh the road is long
The stones that you are walking on
Have gone

With the moonlight to guide you
Feel the joy of being alive
The day that you stop running
Is the day that you arrive

And the night that you got locked in
Was the time to decide
Stop chasing shadows
Just enjoy the ride

If you close the door to your house
Don't let anybody in
It's a room that's full of nothing
All that underneath your skin
Face against the window
You can't watch it fade to grey
And you'll never catch the fickle wind
If you choose to stay

But oh the road is long
The stones that you are walking on
Have gone

With the moonlight to guide you
Feel the joy of being alive
The day that you stop running
Is the day that you arrive

And the night that you got locked in
Was the time to decide
Stop chasing shadows
Just enjoy the ride

Stop chasing shadows
Just enjoy the ride
IdoMind
about the ride

fevereiro 08, 2011

Insólitos Ido


Hora: 21h45m. Local: Pingo Doce.

Habitualmente, faço as minhas compras cerca de vinte a quinze minutos antes do encerramento do super mercado. É quanto me basta para escolher os legumes, a fruta, agarrar 500 gramas de tofu, outras 250 gramas de seitan e, nas semanas difíceis, ir buscar um Toblerone e uma caixinha de bombocas.

Gosto de ir quando tudo está silencioso. Mais quieto. A hora em que as mães estão a fazer as coisas próprias de mães e os pais entretidos no Facebook. Não é porque me considere melhor que qualquer outra pessoa para me misturar com elas no cumprimento das tarefas mais prosaicas. Tem a ver com o meu pragmatismo. Prefiro os corredores desimpedidos. Sem a gritaria das crianças já cansadas, arrastadas pela secção da higiene e presas pela mão, enquanto a sua progenitora decide se tem o cabelo normal, oleoso ou seco. Para mal dos pequenos, ainda se puseram a inventar os caracóis perfeitos e o liso escorregadio…
Eu e o meu carrinho, numa condução suave e tranquila, estacionando sem tropeços junto às minhas prateleiras. Que, àquela hora, já estão repostas. Outra vantagem das compras tardias.
E não há filas.

Na caixa, um homem à minha frente aguardava a saída do talão e outro, atrás de mim, segurava duas caixas de lâmpadas. Simpática, como me é natural, disse ao senhor das lâmpadas que poderia passar-me à frente, uma vez que não está a ser uma semana fácil, e, além do Toblerone e das bombocas, mesmo por cima da courgettes, jaziam várias embalagens de gomas.
- Agradeço, mas tenho todo o tempo do mundo - respondeu-me com um sorriso descontraído, como quem tinha, de facto, todo o tempo do mundo.
Sorri de volta.

- O Woody Allen tem razão, sabe?
- Também acho - respondi-lhe - na minha próxima vida também quero vivê-la de trás para a frente- e pisquei-lhe o olho.
Percebi que ficou surpreendido. Não esperava com certeza que uma devora-gomas (reparei que tinha mirado de soslaio a minha terapia em forma de tijolinhos e ursinhos cobertos de açúcar) fosse capaz de ler pensamentos e muito menos que soubesse alguma coisa sobre o irreverente realizador Nova Iorquino.
Sorrimos os dois.

- É verdade... Agora que sei tantas coisas, não consigo fazer outras tantas. (Devia andar a passear pelos cerca de cinquenta e poucos anos). Agora que sei o que importa, vejo, com algum lamento, que não dei importância à vida. A maior parte de nós anda muito enganado quanto às nossas prioridades. Eu andei. E agora, com tempo para tudo, nada tem tempo para mim. A terra continuou a girar enquanto estive parado a achar que estava a viver.

E ficou a olhar para alguma coisa que não estava ali. Ou que eu não via.

- Mas olhe que a Terra é redonda. Passa muitas vezes pelo mesmo lugar. Ela não pára, mas espera. Espera por nós sem parar - pensei eu em voz alta, sem a cabeça ter ido a tempo de ajudar-me a não ser chica-esperta.

O rapaz da caixa, ouvia-nos congelado. Não demonstrava grande pressa para ir embora. Também lhe li o pensamento: “ Está qualquer coisa a escapar-me, mas esta m***a é profunda...”

O senhor das lâmpadas, fixou-me e perguntou num tom pesado:
-  E o que ficou para trás?
- É lá que deve estar - afirmei com a certeza de quem sabe o quanto custa caminhar carregada de malas com roupa que já não serve.
- O que foi apenas serviu para nos preparar para o que pode ser. Se há coisas que diz que já não pode fazer, não perca esse tempo que diz que tem, e faça as que pode.
Quando me inteirei da minha insolência, pedi-lhe desculpa. Quem era eu para estar com conselhos. Eu! Cuja vida dava, mesmo, um filme indiano!
Sem pedir autorização, deu-me um abraço.
- Não peça desculpa por ser espontânea. É na espontaneidade que se esconde a nossa essência. E eu gosto da sua.
Engoli em seco enquanto pensava "oh Meu Deus!"

Eu e o senhor das lâmpadas saímos juntos do Pingo Doce, acompanhou-me até ao carro e convidou-me para almoçar esta semana juntamente com a esposa.

Não toquei no Toblerone, nas bombocas e num tijolinho sequer…
Idomind
about going with the flow


Para quem não conhece fica o texto do Woody Allen:

"A minha próxima vida”, de Woody Allen
Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voila! Acaba como um orgasmo!

fevereiro 05, 2011

Live and let live

Eu espero. Tu esperas. Todos esperamos. Quase sempre sem muito alcançar. Apenas desesperando. Azedando. Arrancando do coração, com mágoa, as pessoas-ideia que plantámos na cabeça. Porque é que têm de ser tão reais? Com defeitos e isso. Com problemas que lhes vão furtando a paciência que lhes exigimos que tenham. O tempo todo. Com patrões cegos e ordens parvas que se cumprem porque é assim que tem de ser. Mastiga-se a raiva e ingere-se a dose de veneno diária. Sem perder a compostura. A aflição que é mantermo-nos compostos com as veias envenenadas. Mas como a pessoa-ideia está sempre bem-disposta, um bom-dia menos caloroso é inaceitável. Não pelo menos sem as perguntas que não apetecem resposta ou a retaliação que não encontra força para o embate. Já não se termina o pequeno-almoço…

As pessoas-ideia às vezes só precisam do seu tempo. E da nossa compreensão. Só isso.


E nós precisamos de não as imaginar mas sim de conhecê-las. De tapar com tolerância as fendas abertas pela decepção de descobrirmos ao nosso lado alguém que apenas é de carne e osso. Não voa. Não lê pensamentos. Não é feito de ferro ou outra matéria indestrutível. Carne e osso. Onde podemos infligir golpes e abrir feridas.
Nós sim, temos poder quando somos importantes para as pessoas-ideia. Tanto que elas até pensam em mudar-se por nós. É assim que algumas personalidades se escondem nas sombras. Amordaçadas, obscurecendo gradativamente. Até ao dia em que fazem o que não era esperado…

Ninguém nos pode desiludir porque ninguém nos pode iludir. Essa é a ilusão. A verdade é que nós fazemos isso tudo sozinhos. Vemos o que queremos ver. Às vezes, o que conseguimos, porque ainda estamos a aprender muito acerca de nós. São as quedas do muro que nos levam para o outro lado. À travessia dos nossos limites. Se quisermos. Se não temermos continuar e ir uns metros mais além de quem pensamos que somos. Espreitar o que por lá anda. Ter a ousadia de vestir uns padrões diferentes para a etapa que se segue.Ou aspirar à santidade e seguir nú.

Hoje, olho para ti e tento Ver-te.
Também quero que me Vejas. Anda cá e senta-te: "esta sou eu". 
Nem sempre fui assim. E também não é assim que vou morrer. Conta comigo para estar contigo até ambos sentirmos que somos melhores juntos que sozinhos. Ou com outro alguém. Até sentires que a vida é mais gira comigo por perto. Até te sentires grande e feliz. A tocar as nuvens de tão alto. Não te quero pessoa-ideia. Quero-te a ti. Por isso apenas espero que te sejas fiel. A ti. Sempre a ti. Estarás a deixar-me Ver-te. A escolher dar-te a mão ou um abraço de despedida.

De mim podes esperar a mesma liberdade para te conheceres a ti mesmo que eu espero que me concedam para me conhecer.
Sem culpa. Sem vergonha. Sem medo.
Liberdade para Ser, sendo, nem sempre o que se espera mas o que É. 
IdoMind
about cutting the strings

fevereiro 04, 2011

Bem bom ser mimada...e mimar também

No Grimoire há conhecimento. Confiável. Fruto de estudo sério e empenho verdadeiro. No Grimoire há bons conselhos. Sempre boa música. Fotos que nos ficam na memória. É no Grimoire que mora o Alegria…
Parece que agora também há doces. A Shin ofereceu-me um. Conheço-a. Sei que não foi por cortesia fraterna nem medo de represálias judiciais :)
É porque ela vê qualquer coisa no Jardim.
Aceito por isso, feliz, a prenda da minha mais nova.


Há umas regras. Responder a algumas coisas e passar o selo a 15 blogistas.

As questões:
Nome: A míuda que se importa
Uma música: How to disappear completely dos Radiohead 
Humor: Inteligente. Nem sempre apreciado (ou entendido lol)
Uma estação do ano: Verão. Claro!
Como prefere viajar: Por mar, de barco ou a nado…
Série: Dexter
Frase ou palavra mais dita por você: tá frio!
O que achou do selo: Inesperado. 

Não vou passar para 15 blogistas. Vou entregar apenas a 4 por razões especiais:
- à Maria Izabel Viegas que está em Obras de Edificação de um sitio novo Simples Assim 
- à Márca Toito que começou há pouco tempo a lançar as suas belissimas Armadilhas do Tempo  
- a Luisa Sal com o seu Cristal de Cura a crescer devagar mas muito bem.
- à Mimi...No Portal Mágico aprende-se a maior das magias - a simplicidade.

Não dou selos a blogistas homens...Não pode ser!
Vou dar ao que merece todos os mimos: o meu querido António. 
Ele já recebeu este selo mas não quero saber. Uma carrinha cheia de selos seria pouco para reconhecer o trabalho que o Ursinho tem vindo a desenvolver ao longo deste tempo directamente da sua Cova...

Shin muito obrigada.
Love You

IdoMind
about gifts
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