agosto 17, 2009
agosto 07, 2009
A Carta de Amor Perfeita...para Mim

Porque te vi.
Mas não atravessei a estrada. Não corri, nem te abracei. Nem sequer te falei. E fui para casa a sentir-me menor. Trouxe uma tristeza que me atirou para dentro de mim.
Gosto tanto de ti. Da tua diferença. Dizes o que pensas e o que sentes. Sem medo. Não deixas que a vida te polua. Resistes imaculada às subtilezas dos relacionamentos humanos. E respeito-te por isso. Não temes assumir-te. No bom e no mau. És uma mulher valente, que idealizo a combater comigo, de mão dada,tudo o que turva a verdade da alma.
E quando falas de sinais, das coincidências que nos levam ao encontro das nossas verdadeiras escolhas, da lua em peixes ou “ se não aconteceu é porque há outros planos preparados para nós”, fico completamente extasiado. Nunca acreditei em grande coisa, mas confesso-te que me apetece ir para esse teu mundo de realidades mágicas e de energias divinas generosas.Tenho vontade de conhecer esse teu Deus bem disposto, Pai compreensivo e atento. Queria pedir-te que me levasses a voar contigo e me mostrasses o que está para lá da terra onde me construi.
Como vês, estou apaixonado…
Hoje resolvi ser um pouco tu e deixar que as minhas palavras fossem ditadas apenas pelo amor. Por este amor desarmado, desinteressado e tão grande que tenho por ti.
És uma romântica. Eu sei. Vais gostar de receber esta carta. Não sei se vais gostar que seja minha. Mas por mim, por nós e por tudo o que é possível, hoje não me importa.
Acredito em imortalidade desde que vi o meu reflexo nos teus olhos. Estava a olhar para mim, mas não era eu. Percebi que há muito és o amor das minhas vidas.Tenho andado à tua procura em muitos sítios. Em vários tempos. Em mais braços do que devia.
julho 29, 2009
A puxar ao sentimento
"Numa aldeia vietnamita, um orfanato dirigido por um grupo de missionários foi atingido por um bombardeamento. Os missionários e duas crianças tiveram morte imediata e as restantes ficaram gravemente feridas. Entre elas, uma menina de oito anos, considerada em pior estado. Era necessário chamar ajuda por um rádio e, ao fim de algum tempo, um médico e uma enfermeira da Marinha dos EUA chegaram ao local. Ele foi preparado às pressas, ao lado da menina agonizante, e espetaram-lhe uma agulha na veia. Ele mantinha-se quietinho e com o olhar fixo no tecto. Passado algum momento, deixou escapar um soluço e tapou o rosto com a mão que estava livre. O médico perguntou-lhe se estava a doer, e ele disse que não, mas não demorou muito a soluçar de novo, contendo as lágrimas. O médico ficou preocupado e voltou-lhe a perguntar e novamente o menino negou. Os soluços ocasionais deram lugar a um choro silencioso, mas ininterrupto. Era evidente que alguma coisa estava errada.
Foi então que apareceu uma enfermeira vietnamita de outra aldeia. O médico pediu-lhe que ela procurasse saber o que se estava a passar com Heng. Com voz meiga e doce, a enfermeira foi conversando com ele e explicando-lhe algumas coisas. E o rostinho do menino foi se aliviando. Minutos depois ele estava novamente tranquilo.
Nestes tempos em que o egóismo dança descontrolado em tantos corações, dando voz a afirmações perigosas como " já não há amigos, tenho é muitos conhecidos", "não podemos confiar em ninguém, temos de contar é connosco" " primeiro eu, depois eu, a seguir eu e então..." e outras similires que vão abrindo a fossa, cada vez maior, entre nós e os outros, apeteceu-me partilhar a pureza do doce Heng.
Sinto-me menos pequena cada vez que leio esta história porque vivo num sítio onde há quem dê todo o seu sangue para que um amigo viva.
O relato dizia ser verídico.
Resta-me acrescentar:
Quando conseguirmos dar todo o nosso sangue por alguém,
Quando conseguirmos, apesar da dor, manter o braço esticado,
Quando conseguirmos nos rostos do mundo ver o nosso amigo,
Quando finalmente nos lembrarmos que nós somos todos
julho 28, 2009
Manas Catita contra o Apocalipse!
Poucos minutos depois estava a desligar o computador e a caminho de uma tarde, que eu ainda não sabia, mas que suspeitava, seria de loucura.
Uma vez que no leque das coisas normais da vida, como o companheiro, a casa e o emprego, também os blogs passaram a ocupar uma fatia importante da nossa rotina diária, trocámos impressões sobre os temas que têm andado em discussão, um ou outro comentário, as nossas próprias opiniões e chegámos até a algumas conclusões pertinentes.
Dizia-me a Shin que a Internet está a ser bombardeada com artigos sobre o fim do mundo, o profetizado 2012 que se aproxima a passos largos trazendo o anúncio da morte de muitos e talvez mesmo no nosso planeta azul.
Constato, mais uma vez, que não passamos de teóricos. À semelhança da beata católica que põe o pé fora da igreja e já está a chamar nomes à vizinha do 2.º esquerdo, também quem se dedica à espiritualidade, na hora da verdade, quando chamados a acreditar e a colocar em prática o conhecimento legado de todos os Mestres, esquecem quem são e de onde vieram.
Conscientes do nosso poder criador, cedemos a visões apocalípticas, enchemos o nosso coração de pânico e alimentamos o medo plantado por alguns homens ( sim eram só homens) e perpetuados por outros até hoje.
Não é no que acredito.
Porque não cuidar dela ao invés de inventarmos outra, que inevitavelmente também vamos destruir porque será sempre mais fácil que manter.
O positivo disto tudo? Acreditando que já um novo planeta à nossa espera, estamos a criá-lo e a tal Nova Jerusalém leva mais um tijolo a cada artigo, a cada pensamento, a cada bocado de fé na sua existência.
julho 27, 2009
Causas, efeitos e defeitos

Não vou cair naquele lugar onde o seu sopro deixa de ter alcance. E também não vou permanecer lá caída até que a direcção mude e uma brisa ou uma ventania venham de novo, erguendo-me do chão.
Não me sinto uma boneca emaranhada em cordéis, manobrada e comandada por mãos que não as minhas próprias. Os meus risos e os meus choros encontro-os na volta dos meus gestos. Das minhas palavras. Das minhas omissões.
O sol e a chuva dos meus dias revezam-se ao ritmo dos meus tempos. Daquele em que agradeço, comovida, por ser parte. O tempo em que sou mais pequena. Em que me encolho sobre mim e volto à posição fetal. A cabeça dobrada atrás de um par de braços cruzados, aguardando o inevitável nascimento. E vem o medo. Do que está lá fora. O medo de não conseguir. O medo de esquecer o caminho para casa. O medo de nunca, verdadeiramente, nascer.
Estes são os tempos em que me convenço que sou um pirilampo sozinho numa noite escura. Mantendo a minha luz apagada porque quem sabe o que pode ela iluminar ou revelar.
Eu sou o recomeçar. Eu sou os mil despertares depois de cada parto difícil. Eu sou a cria e o criador.
E é por isso que sou o beijo depois da discussão. A desculpa depois da ofensa. A carta perfumada no pára- brisas depois das palavras agrestes. O jantar de família depois do orgulho estúpido.
Eu sou o barquinho que depois da tempestade se vê navio.
Eu sou um pirilampo que se iluminou e afinal só viu AMOR…
julho 17, 2009
Por dizer
Tenta fechar os olhos e sentir-me. Não me vejas. Não olhes para esta pessoa que demorei um vida a construir, porque essa não sou eu. Precisei de me armar. De reunir instrumentos para a luta que imaginei existir. Precisei de criar defesas.Mantive o castelo limpo de adversários. E de tudo o resto também.
Fui percebendo que era um castelo triste e vazio, assombrado pelos ecos de todos que gritaram lá fora para entrar. Não era seguro abrir os portões da fortaleza. Que cavalos de Tróia poderiam estar preparados para mim? À cautela fui mantendo a porta fechada e o chão da minha casa intacto a pés alheios.
Se eu soubesse que a casa é a soma das pegadas dos que amamos e deixamos de amar. Dos que nunca vamos esquecer. É o último degrau que range e denuncia o nosso regresso tardio. É o lugar que guarda as memórias das palavras precipitadas. Das lágrimas sentidas. Da queda que deixou aquela cicatriz. Da tarde em que me rendi ao mundo e adormeci num colo.
Atrás de todas as gargalhadas descontraídas, que uso para me distrair da força que me chama para ti, atrás delas, estou lá eu a pedir-te que me abraces. Rápido. Por favor. Que me abraces como se tivéssemos nascido embrulhados um no outro. E que me deixes ficar assim, embrulhada a ti, apenas por mais algum tempo. A sentir-te.
Pudera eu dizer-te todas estas coisas. Mantenho-te na ignorância do que passa dentro de mim e faço-te perder nas dúvidas e no medo. Eu sei.
julho 13, 2009
" Caminhante não há Caminho..."

Porque o céu inalcançável não me deixa esquecer que nada acaba nunca.
Porque a cada passo me movo nalgum sentido.
Porque apesar de tudo continuo a acordar. A respirar. Às vezes com a vontade de aspirar o mundo para dentro do peito. Outras vezes com uma dor na garganta. Mas não páro de respirar. Mesmo podendo fazê-lo. E dou mais um passo.
Porque lá à frente, tempos depois, entendo os porquês que o agora me impede de aceitar com mansidão. Porque sou teimosa e faço perguntas à vida. Porque acho que tenho direito a respostas. Porque acredito que alguém as tem e as quer partilhar. Mas aos poucos, como convém a alunos despreparados para as lições mais difíceis de compreender. Confio no professor. Acompanha-me desde a primeira vogal e sabe a exacta medida da minha força. Da minha inteligência. Da resistência das minhas pernas.
Porque cá dentro me dizem que estou a ir bem. E que posso ir muito melhor. Que tudo está aqui para me levar onde sempre quis chegar. Onde devo chegar. Onde mereço. Que pode ser mais fácil. Porque acredito que sim. Porque peço e sou ouvida.
Porque já testemunhei o maravilhoso.
Por tudo não desisto. Mesmo quando a luz custa a entrar pela janela. Quando já não apetece empunhar a espada. Ou um sorriso. Nesses dias em que não vejo o amor.
E peço, mais uma vez, que me ajudem, a segurar esta mão pronta a matar os sonhos. A por um cadeado no coração. A agir sob as ordens da razão. Só.
Que, por favor, não me deixem cair na ilusão que estou sozinha. Que abrandem as certezas que preciso de cravar à beira do caminho para me sentir menos perdida. Que o cansaço serene para que venha mais uma vez a esperança e a capacidade de sonhar.
Hoje sonho comigo a não desistir dos sonhos.
about keep on going...no matter what
julho 09, 2009

O Jardim mudou, como espero que tenham reparado.
Todas as sementes que aqui lancei não pararam de medrar em mim e para fora de mim. O Jardim mudou-me. Pode até parecer absurdo porque ainda se associa muito o conversar, o partilhar, através da Internet coisas de miúdos, de gente com carências ou com dificuldade em interagir socialmente.
Mas a verdade é que a cada post que publiquei fiquei diferente. As regas, então , foram água para a minha alma, que se foi transformando no pé de feijão do gigante.
Foi nesta brincadeira séria de dizer o que penso, o que sinto, o que sonho, que deixei de ter medo dos outros. De mim. No Jardim descobri que somos todos bonitos uns dias. Menos bonitos noutros. E que não há qualquer problema com isso. Florescemos quando aceitamos que no meio do trigo, aparecerá sempre algum joio. Que precisa de ser tratado.
A Shin, com a criação do Jardim, deu-me a foice para a mão. Como tem sido magnifica a minha ceifa...Obrigada minha irmã...
Escrever é fácil. Plantar o Jardim tem sido uma alegria. Que tenho partilhado e vou continuar a partilhar com todos, que como eu, são homens com lembranças das asas.
Sejam bem vindos ao meu Jardim, que é vosso para nele respirarmos o doce odor das flores que a vida põe à beira do nosso caminho e sob os nosso pés.
julho 06, 2009
Sonho, where are you?

Deve ser assim com toda a gente, às vezes não se consegue sonhar.
Mas tenho um compromisso e pretendo cumpri-lo, por isso aí vai o sonho desta semana – paz.
Se estas buzinas na cabeça se silenciassem por um momento… Se o meu coração deixasse de levar socos… Se o eu que mora comigo não se magoasse tanto… teria paz.
Se não fosse tão importante ter razão. Se não fosse urgente ser amada. Se não importasse ser especial… sei que teria paz.
Se não vivesse no amanhã. Se tirasse com valentia os pés do ontem. Se acreditasse que só tenho o agora. ESTE momento único, irrepetível de criação do ser humano que sonho ser.
A paz está aqui. Neste momento em que estou sentada diante de um monitor a falar de sonhos para quem quiser ouvir.
Estará, quem sabe, mais logo na minha mesa. Na comida que vou levar à boca. Lembrar-me-ei que não terei outra refeição igual. Lembrar-me-ei também dos que não comem há muitos dias. Vou comer como quem comunga de uma coisa maior.
A paz vai estar na conversa séria que ando a adiar. Já não tenho medo. Já posso ouvir tudo. E ter paz. Já não vou perder mais tempo imaginando respostas. Construindo os cenários possíveis e os diálogos prováveis que acabam sempre comigo dorida. Isto de pensar por mim e pelos outros é extenuante.
Porque estou em paz vou simplesmente dizer o que quero. O que sonho. Como gostaria que tudo fosse. Sem guerras. Sem ansiedades. Despojada de tudo a não ser a verdadeira vontade de caminhar em paz, comigo.
Não importa ganhar. Também não é relevante perder. É o que faço durante a batalha que me define. Estarei em paz se me respeitei. Se travei todas as lutas que deviam ser travadas e se evitei todas as que nunca deviam ter começado. Se fui forte e admiti os meus fracassos. Se celebrei sem pudor as minhas vitórias. A paz está com o guerreiro fiel a si mesmo. Que usa a mesma espada com firmeza e com brandura.
A paz é o passo que estou a dar. Esta mão metida no bolso que vou estender ou não. Os olhos cobertos de açúcar. É o entendimento que contorna as rochas do outro e descobre um lago secreto, a transbordar de serenidade. É a paciência.
Às vezes também temos de aprender a navegarmo-nos. Dobrar os cabos escarpados que a vida nos foi esculpindo. Ou deixar que alguém se lace aos nossos mares e parta à descoberta do nosso lago secreto, tão sereno.... À espera de ser encontrado. A paz pode ser o encontro.
Cada um saberá o que lhe traria paz. Sonhem com isso. Vão fundo e não temam a profundeza dos vossos desassossegos. Olhem para eles de frente e chorem se for preciso. Reconheçam o porquê detrás dos actos. Sobretudo reconheçam as vossas necessidades. Tudo o que acham que precisam para ter paz. E lembrem-se, não faz mal ser incoerente se outro caminho agora parece melhor.
A única incoerência consiste em manter escolhas caducas. Roupas que já não nos ficam bem. E que trazem desconforto.
Ponham-se confortáveis com a vida. Destapem-se e a paz virá.
IdoMind
julho 02, 2009
Amor...Amor...Sempre o Amor

Talvez assim seja com coisas sagradas da vida – indefiníveis. E nesse estado devem permanecer.
O Amor não se explica. Não se equaciona. Não se testa. O Amor não tem uma quadrícula nos formulários que criámos para a nossa vida. É o “outros” no fim da página.
E a única coisa que sei acerca do Amor é que é palhaço por profissão. Faz-nos rir e chorar. Usa umas fatiotas engraçadas, quase ridículas, mas não se importa com isso. Está alegre e quer mostrá-lo. Exagera tudo. Na gargalhada, na dor, nas tribulações e nas trapalhadas. Porque é uma criança grande a experimentar o mundo de uma nova maneira. Tem relógios enormes, sapatos de gigante, botões do tamanho de planetas. Ele quer ser visto. Porque é bonito. Porque a felicidade não se esconde. E ele sabe.
De repente estamos a levantarmo-nos mais cedo para fazer o pequeno-almoço a alguém. E a sorrir! O tique nervoso é sensual e as piadas são todas hilariantes. Nada parece mal. Desajustado ou apenas parvo. Não. Tudo é tão especial…
Hoje sei que NÓS é que ficamos especiais e tudo à nossa volta ganha uma dimensão diferente. Estamos a ver pela primeira vez o milagre da vida. E sentimo-nos agraciados. O Amor é uma graça.
Hoje sei também que o Amor não se procura. Encontra-se simplesmente. Está sentado dentro de nós à espera da sua vez. Saímos tantas vezes lá para fora, com pouco mais que um desejo verdadeiro de dar de frente com ele, numa esquina qualquer, assim sem esperar. Pedimos e suplicamos que naquela manhã, quando formos pagar o estacionamento, o Príncipe Encantado surja a pedir para trocar uma moeda de um euro. E acabe a noite a jantar connosco à beira Tejo. Ou que durante uma aula de ginástica, sejamos surpreendidos por alguém com um cartaz a dizer “ Adoro-te. Há muito, muito tempo.”
Quem não sonha com o extraordinário.? Quem não fez um sorriso quando leu o parágrafo anterior? Quem não quer ser feliz?
Instintivamente sabemos que Amor é sinónimo de felicidade. Então porque amar dói tanto, na maioria das vezes?
Talvez porque queiramos fazer do Amor uma coisa que ele não é – racional, previsível e sobretudo controlável.

Isso já não é Amor. São os esquemas que precisamos de usar para manter aquilo que achamos que podemos perder. A contradição é que por causa dos esquemas acabamos mesmo por ficar com as mãos vazias e o peito destroçado.
O Amor também não é usável, utilizável ou instrumento para alcançar o que quer que seja. O Amor é o princípio e o fim de tudo. O Amor é. Não tem. Não quer. Desconhece o “eu” porque só o “nós” lhe soa a verdade.
O Amor é pontual e sabe sempre quando chegar e quando partir. O Amor é o mais valente dos sentimentos, porque sem luta ganha todas as batalhas. Mas é preciso que seja mesmo Amor.
Mas ando sempre com duas moedas de cinquenta cêntimos na carteira e no intervalo da aula de ginástica, pelo sim pelo não, espreito para o vidro…
Acredito. É uma questão de tempo até que o Amor que planto e cuido dentro de mim encontre, num destes dias de sol, o Amor de outro jardineiro sonhador…
julho 01, 2009
Meu Deus...
Depois das mudanças dos últimos meses, vem a adaptação, o reajuste. As consequências das minhas escolhas e a vontade firme de ajudar a minha árvore recém-plantada a frutificar e a crescer para lá das nuvens, obrigou-me a uma dedicação exclusiva. O Jardim não recebeu, por isso, a atenção habitual.
Mais que ver Deus, tenho-O sentido. Respirei fundo e tomei decisões. É importante decidir. É importante confiar que a vida não é para se temer mas para se viver. E que cair faz bem. Por vezes, é com o nariz no chão e os joelhos esmurrados que damos de caras com a força anestesiada dentro de nós.
Apercebi-me que as palavras dos vários Mestres não são só palavras. Que são A palavra. Pobres homens que andam a gritar o mesmo há milénios. Pobres de nós que ensurdecemos a nossa alma e tornamos a experiência tão mais difícil do que alguma vez deveria ser.
Para aliviar, e porque no fundo sabemos que temos de estar enganados acerca disto tudo, procuramos, avidamente, respostas. Em todos os lados. Em todas as pessoas. Desde mapas astrais a conselhos de amigas. Vale tudo menos parar e ouvir o que temos a dizer a nós próprios.
Mas a verdade é que apenas nós sabemos a direcção e o rumo. Bem como o destino. Ninguém nos diz nada que nós já não saibamos. Temos é dificuldade em acreditar em nós. Ou medo. Indelével, perante as nossas maiores dúvidas, um murmúrio passa rente ao ouvido soprando “sim, é por aí, não receies”. O arrepio que eriça os cabelos quando os olhos pousam sobre aquele alguém. O cheiro que fala connosco e nos leva para longe. Quem já não sentiu todas estas coisas?
Acredito que Deus, ou como Lhe queiram chamar, não deixou de falar há dois mil atrás para alguns escolhidos, em boa forma física (parece que Deus só falava nas montanhas!).
Acredito que Ele fala comigo. Sempre. Para o escutar melhor e porque os meus filtros também se sujam, estabeleci um código de comunicação.
Dirijo-me ao Arquitecto como se fosse o meu melhor amigo e costumo dizer-lhe “ Bem sei que sabes quais são as minhas angústias, mas…” e depois ponho o coração a falar. Por fim peço que me ajude a ver a estrada mais brilhante para mim. E costuma resultar. O brilho já veio de caminhos que não me apetecia nada percorrer, mas reconheço que foram os mais importantes e que me levaram mais perto de onde devia chegar.
Peço sinais. E sinais são-me dados. Nas grandes e nas pequenas coisas. Porque confio que Ele me ouve. E que ama. Muito. Se me pedissem para descrever a minha vida, diria que tem sido feita de Fé. Na confiança absoluta num par de mãos que me acompanha incansavelmente. Amorosamente.
Era isto que queria partilhar esta semana. Mostrar-vos o Meu Deus que vai comigo para o trabalho. Que está sentado ao meu lado no carro a ouvir comigo o último albúm de Placebo. Que ri das piadas parvas do meu melhor amigo. Que me murmura coisas, eriça o cabelo e põe fragrâncias no ar…
Não sei se é o mesmo que o Vosso. Talvez não seja. Mas não custa perguntar-Lhe, pois não?
IdoMind
About listening
junho 19, 2009
Sexta-feira : O Dia do Prazer

Mas há mais qualquer coisa na comida. Mexe connosco. As nossas reacções face aos diversos pratos são diferentes e até estados de espírito se alteram quando regalam os olhos no guloso brigadeiro a pedir para ser lenta e prazerosamente trincado.
Decidi então fazer o que me apetecer. Umas vezes deixarei uma receita, outra vez falarei sobre os benefícios do tomate e outras vou ser a poeta dos alimentos, indo onde a minha imaginação e o teclado me levarem.
O tempo aqueceu. O sol tira-nos a roupa. Faz-nos suar. Ter mais percepção do nosso corpo. E do corpo dos outros… A água do mar leva as preocupações e a areia quente convida à fantasia.
Por isso escolhi começar com uma receita bem quente para acalorar o fim-de-semana que, parece, será abrasador…
Arroz de caril e tâmaras
Ingredientes:150 gr de tâmaras secas sem caroço; 150 gr de soja granulado fino; 300 gr de brócolos; 1 chávena de arroz basmati; óleo de amendoim q.b.2 dentes de alho; sal q.b.; especiarias q.b.- cominhos, noz -moscada, caril, açafrão, salsa seca (abusem!)
Fazer então um refogado de alho com óleo de amendoim.
Ao refogado, juntar as tâmaras e a soja fina. Mexer um pouco e adicionar água em abundância (cerca de 1,5 litros), juntando, em seguida, as especiarias e o sal. Quando levantar fervura, adicionar o arroz e os brócolos. Deixar cozinhar até o arroz estar cozido.
Este arroz é maravilhoso, mas se o juntarem a umas espetadinhas vegetarianas… é de ir ao céu e voltar
Fica a receita:
Experimentem pincelar a espetada com mel…
A sobremesa…bom, são todos crescidinhos pelo que depois desta refeição, bem regada daquele vinho, só podia ser uns grandes, vermelhos e suculentos morangos, mergulhados em chocolate derretido com uns grãozinhos de pimenta acabada de moer.
Um GRANDE FIM-DE-SEMANA para todos!
junho 18, 2009
Onde está toda a gente?
Gostava de ter o dom de fazer vos sentir o deslumbre que sinto quando aceito o mistério. A fusão de mim com os outros e com aquilo que não vejo, que nos une numa aliança divina. Gostava de ter o dom de vos mostrar a luz que me encadeia para a ilusão revelando-me o autêntico. A que só permite vislumbrar a perfeição. Desses momentos iluminados fica o murmúrio de um enigma planeado para me fazer andar. Para me fazer subir o cume mais alto desta jornada vertiginosa de me lembrar quem sou. Gostava de ter o dom de vos fazer lembrar. Se o meu candeeiro vos pudesse caiar de branco o caminho… Gostava de levar-vos para lá, onde a alma repousa todos os cansaços porque volta a entender. Tem andado ocupada com o medo e esqueceu-se que as doenças do mundo não a podem adoecer. Deixa-se escurecer de tal modo que chega a acreditar que nada existe para lá do escuro. A alma grande a tentar caber em sítios pequenos. Em pessoas pequenas. Em vidas minúsculas. Gostava de ter o dom de vos dizer, com a candura bonita que desarma as mais elaboradas teias mentais, que as vossas almas são muito grandes. Tão grandes. Que não estão aqui para se encaixarem. Vieram para ver que não há caixa que vos contenha. A não ser aquela que fabricam. Gostava de ter o dom de desempacotar almas…

Because IdoMind
junho 16, 2009
É a pura da Loucura!

Hoje assisti a dois seres humanos, presumivelmente inteligentes, a discutir. Faz bem discutir e não foi isso que chamou a minha atenção. A causa da discussão é que foi interessante. Queixava-se uma, a mais alta das duas, que a outra não havia colocado os pacotes de açúcar no balcão da forma que eles costumam ser colocados. Perguntou a mais baixa se a nova disposição dos pacotes de açúcar dificultava o respectivo acesso por parte dos clientes. Ao que a colega respondeu que não, mas que não era daquele modo que costumavam ser arranjados. E ponto final.
Estavam nisto quando entrou um cliente, que depois de as cumprimentar, pediu um café.
Enquanto a mais alta tirava o café, o cliente retirou um pacote de açúcar e fez o seguinte comentário “ Que giro, assim fica mais fácil tirar o pacote sem ver a mensagem”. Referia-se àqueles pacotes da Nicola que dizem “ Um dia..” isto ou aquilo Sabem quais são?Explicou que gostava de tirar sempre um pacote de açúcar com a mensagem para o seu dia, mas que tinha de virar a cara porque da forma como estavam dispostos no recipiente, viam-se todas as mensagens dos pacotes.
Imediatamente pensei “ Loucura para esta semana – desarrumar!”
Se olharmos, vamos perceber que não somos muito diferentes daquelas duas empregadas de balcão, em muitos aspectos da nossa vida. O que nos cerca espelha-nos. Nós somos os chinelos direitinhos encostados aos pés da cama, os livros guardados por autor, o ecrã enfeitado de post-it. Nós somos o café curto ou cheio. A mesa do canto do restaurante.
Quantos hábitos. Quantas rotinas que criámos.
Proponho que NOS desarrumemos. Nem que seja para nos voltarmos a arrumar exactamente do mesmo jeito. Vamos experimentar durante a semana contornar os nossos costumes.
Se tomam banho primeiro e o pequeno-almoço depois, façam ao contrário. Se estacionam sempre no mesmo sítio, deixem o carro noutro, de preferência longe do local habitual.
Se fazem as compras no mesmo lugar desde tempos imemoriais, mudem, vão a outro. Afinal toda a gente precisa do vosso dinheiro. Aproveitem e pelo caminho bebam uma água num café onde nunca tenham entrado. Perguntem qualquer coisa ao rapaz que anda a repor as prateleiras. Mesmo que não precisem de nenhuma informação. Levem bombocas. Lembram-se como gostavam de bombocas em pequenos? Toda a gente gostava de bombocas. Em casa vão gostar desse regresso ao passado. Mesmo que não sejam do tipo de come bombocas…levem-nas e comam-nas com toda a satisfação do mundo.
Aquela porta ao lado do elevador não é uma dispensa. São as escadas. Usem-nas. Usufruam mais uns minutos convosco enquanto sobem os degraus. Há qualquer coisas de mágico em subir escadas quando estamos de bem com a vida. Vem-nos cada pensamento…vejam por vós.
Não liguem a televisão esta semana. O mundo não mudará assim tanto. Vão até ao armário dos cds onde encontrarão muita música que vos fará lembrar muitos momentos e muitas pessoas. Porque não a põem a tocar? De novo. Melhor ainda, entrem numa loja e comprem alguma cd porque gostaram do nome da banda ou porque já ouviram falar dela ou simplesmente peçam ao empregado que vos diga o que é que agora está a dar.

Ajam como não agiriam. Façam o que não fariam. Digam o que silenciariam. Experimentem desarrumarem-se.
Os efeitos serão visíveis ao cabo de uma semana. Um dia não basta. Não esqueçam que estamos a ir contra hábitos de anos. Não pretendo que façamos como a câmara de Lisboa com a campanha “ Lisboa sem carros”. Não. Se embarcarem comigo na desarrumação, tentem manter-se nesse estado pelo menos uma semana. Vamos ver como corre a “semana ao contrário.”
Hoje fui almoçar à tasca da esquina. Fui tratada como rainha. Claro que o empregado de mesa me perguntou de que signo era eu… E se acreditava “nessas coisas”. Falou-me de portas que fecham sozinhas na casa dele…
Nos sítios mais inesperados, nas horas mais imprevistas, espera-nos a vida. Aquela que pode não ser tão arrumada como gostaríamos, mas definitivamente mais rica.
E podemos sempre voltar a arrumar-me. A diferença é que saberemos porquê.
Boas desarrumações
IdoMind
junho 15, 2009
Elos

Afastado o trânsito mental que estrangula a livre circulação das ideias maiores, deixem-se inspirar pelas visões que escolhemos encobrir com vários véus, até que delas ficou apenas uma leve memória do que poderíamos alcançar se as seguíssemos.
Nada tenho contra o egoísmo. Considero-o até bastante útil. É o que nos mantém no nosso trilho isolado até nos apercebermos dos muitos trilhos paralelos que desaguam num caminho único – a partilha. É preciso que nos esgotemos no nosso egoísmo para que não restem dúvidas sobre o que somos e o que na realidade queremos. Para ser altruísta é preciso ter sido egoísta o suficiente para irmos ao fundo de nós, apenas por nós, e entendido que as mãos abertas nunca estão vazias.
A liberdade está onde o medo é proibido. Podemos encontrá-la no “não” audaz porque o “não” é a resposta que sabem ser o sim a vós mesmos. O sim àquilo que condiz convosco. O sim que a vossa alma espera. Quando somos livres somos capazes de dizer não. Sem culpa.
A liberdade também costuma ser vista ao lado da verdade. Alguns falam dos estragos que as duas podem fazer e chamam a esta dupla, egoísta. Ser livre é ser verdadeiro. A tempo inteiro. Sem os intervalos em que somos meias-verdades de nós próprios. Já vendemos falsificações. Das nossas verdadeiras opiniões. Do que nos faz realmente palpitar. Dos sonhos que ninguém sonha que nós sonhamos. Mas cumprimos a pena porque nenhum crime contra a nossa essência fica impune. Sabemos disso e hoje, dia do sonho acordado, somos capazes de dizer todas as verdades. Sem pecado.
Ser livre é aceitar o nosso destino. E dar os passos no seu encontro. Ou esperar que ele venha ao nosso. São livres. Façam como sabem que tem de ser feito.
Sonho por isso com liberdade. Levar-me-á onde sei que quero ir. Tão livre que sou, que não consinto em aprisionar ninguém. À minha volta não há prisões. Nem de gelo ou de vidro. Ou aquelas de chocolate, doces e frágeis, mas que não deixam de ser prisões. A minha amizade não prende e o meu amor não é carcereiro. De nada. De ninguém. É com isso que sonho. Ser livre e dar liberdade.

Acabaram-se os meses que se tornam anos, longos e tristes, longe de nós. Hibernados nas cavernas em que nos vamos abrigando aqui e ali. Encolhidos no aconchego de um casamento morno. Essa temperatura adequada que nunca aquece, nem arrefece. Nas cavernas não há estações, tudo é um interminável Outono.
Cheira-nos a Verão lá fora. Sentimos a frescura das chuvas renovadoras. Sabemos que os campos estão pintados de flores. Mas amarramo-nos na caverna dos deveres e das obrigações até que a luz do sol fere já os olhos.
Também eu preferia encontrar o meu destino sem causar sofrimento, a mim ou aos outros. Mas onde há dor, não há liberdade. É porque estamos presos a apegos moribundos e alguns já a deitar cheiro mas dos quais não queremos passar a certidão de óbito. É porque estamos amarrados a memórias do que foi que queremos muito que volte a ser, a esperanças que nunca vão deixar de ser só isso. A dor é aquela parte de nós a lutar pelo seu lugar. Que não quer de modo nenhum ceder a desconhecidos.
Por isso sonho com a liberdade. Não me quero agrilhoada, nem quero agrilhoar. Quero-me encadeada. Um elo entre muitos elos, todos livres, formando o Plano.
Sonhem-se também livres para que possam encadear-se na liberdade que nos foi concedida de ESCOLHER.
Sonhem e escolham. Aposto nas saídas das cavernas. Ainda que doa. Ainda que faça doer. Nada dura para sempre, nem a dor.
Ser livre é ser forte. E sonho com isso.
IdoMind