Também houve sempre muita força em todos nós. Desistir foi uma palavra que vim a conhecer apenas com a assinatura da acta da conferência do meu divórcio. Há desistências boas.
Cresci mais ou menos como quis. Nunca houve grandes imposições, excepto passar de ano e manter em ordem a casa… e a minha irmã. Esta mostrou-se a mais dura das tarefas e que nunca consegui realmente cumprir.
Não foi uma infância fácil. Responsabilidades a mais. Algumas carências de vária ordem e toda uma série de circunstâncias que me colocavam na lista das prováveis beneficiárias do rendimento mínimo.
Mas como em casa ninguém desiste, sem me aperceber, fiz dessas circunstâncias o post-it que se coloca na porta do frigorífico para que olhemos para ele todas as manhãs e não nos esqueçamos do nosso objectivo.
E é disto que quero falar – de objectivos.
Traçar metas, saber o que se quer e fazer por acontecer – outro legado importante que recebi e ao qual, quando em quando, pareço renunciar.
Uma amiga, uma vez perguntou-me quais seriam os meus três desejos se algum encontrasse um génio da lâmpada. Para meu grande choque, não consegui lembrar-me de um só. Eu não tinha desejos! Ainda me foquei por alguns minutos na esperança de alguma coisa se desenhar na minha cabeça, algo que eu ansiasse muito para pedir ao génio. Mas nada. Nada.
Essa minha ausência de objectivos atingiu-me o estômago com violência. Foi o inicio da compreensão que a raiz dos meus problemas era eu.
Os eternos empates da minha vida, os “ porque é que comigo nunca resulta”, a constante falta de “sorte” eram apenas o fruto da minha lamentável forma de pensar.
Desde então, não parei de sonhar. De ter pensamentos construtivos sobre o que quero para mim. Da minha verdade. Despedi-me do cargo de servente. Sou hoje pedreira da minha casa.

Este post foi inspirado pela recente experiência da minha irmã, também ela destinada a partilhar a mesma fila que eu na Segurança Social de acordo com as probabilidades trágicas do destino, mas que não desistiu e hoje é uma professora realizada que conquistou o seu desejo de ficar a leccionar na mesma escola onde trabalhou no ano lectivo anterior. Esse era o apelo e o desejo maior da sua alma. E conseguiu.
É com o coração repleto de orgulho e de felicidade que olho para a minha irmã mais nova, o membro mais rebelde, indisciplinado, desobediente e amoroso da família, a cumprir o seu sonho.
Sabem porquê? Porque acreditou.
Marcou um objectivo, agiu como se fosse uma certeza e o Universo simplesmente colaborou.
Foi o mais lindo trabalho de co-laboração com o céu que vi a minha mana fazer.
A todos desafio para um concurso em que não haverá vencidos: digam o que querem.
Digam-no com a mesma convicção com que respiram o ar que não se vê. Confiem que estão a ser ouvidos. E vistos. Por isso ajam também como se o resultado fosse certo.
Depois…depois é só esperar.
Atrevam-se a desejar. Para nós está reservado o que o que nós quisermos reservar.
IdoMind
About believing


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