abril 26, 2010

Parcialmente Nublado...ou não?

Nos últimos tempos tenho passado por experiências que me levaram a reavaliar valores e sobretudo relações.
Ponderar sobre o que ainda faz sentido manter na minha vida, cada vez maior (estranha, dirão alguns...) e aquilo ou aqueles de quem me devo despedir, reconhecendo a importância que tiveram na minha caminhada rumo a mim. E agradecendo-lhes.
O bem não é sempre bem e o mal não é sempre tão mau.
Tudo é parcialmente nublado.
Acredito que quem segue o Jardim, dá por si muitas vezes a pensar " Mas onde diabo foi ela buscar isto?"
Geralmente as minhas partilhas são bocados dos meus pensamentos, pedaços dos meus sentimentos sobre a vida conforme a vou vivendo. Por vezes são fruto de sonhos que tive, de algum encontro, de uma coincidência engraçada. Pode não parecer mas as sementes que aqui lanço têm uma razão de ser. Escrevo por um motivo...e com uma finalidade.
Explico-vos isto porque hoje me apetece-me partilhar convosco um video da Pixar. São cerca de 5 minutos que me fazem pensar várias horas. 
Até onde devemos ir, até onde devemos aceitar, até que ponto sofrer por aquilo que julgamos ser O correcto ? Como saber quando continuar e quando desistir. Haverá valores que se devem sobrepor à nossa felicidade individual?
Se tiverem paciência vejam. Se tiverem vontade, partilhem.



IdoMind
about cloudy things

abril 16, 2010

My Shin´s Day!!!!

Eu e tu. Somos sempre eu e tu.
Os anos passaram. Já lá vão alguns. Quase todos bastante dificeis.
E agora que olho para trás parece que a infância foi a mais longa das alturas.
Sobretudo a tua, que nunca na verdade largaste.
Mais uma férias. Faltas, muitas faltas e mais uma falsificação de assinatura.
Mais uma briga com o matulão repetente da escola que se meteu com a míuda do 1.º ano.
Mais uma mochila perdida...
Mais uma mentira aos pais.
E a tua força minha irmã. Essa tua força que vem de tal forma de ti que a Terra poderia girar duas vezes por dia.
Sabes, não estás muito diferente dessa criança rebelde, inconformada, que não ia embora para casa com um não.
Continuas inocente. Acreditas nas coisas e, Meu Deus, acreditas nas pessoas. De verdade. Com intensidade. Dedicas-te. Oferesces-te. Sofres, quando te dás conta que afinal só tu continuaste criança... No mundo perfeito que queres, os adultos deviam viver a brincar e brincar de viver. Acreditando que tudo isto é apenas um recreio.
As tuas pressas. A tua urgência no fazer. E rápido!
Ainda me irritas um bocado com isso mas também é por isso que te respeito.Tu és a que faz sempre alguma coisa...Porque é que toda a gente não vai brincar contigo, não é? :)
Tu és a que dança de mãos dadas cantando a todos que se juntem à festa.
Tu e eu, agora mulheres, à procura de nós.
Continuo assim, como na foto, por trás de ti, guardando-te. Mesmo quando parece que não me importo contigo. Mesmo quando não me vês. Como os anjos.
Tu e eu. No príncipio, agora e, gostava muito, sempre...
Amo-te
Parabéns

E se ainda tinhas algumas dúvidas que sou capaz de qualquer coisa por ti, aqui vai...

abril 15, 2010

Quando não há saída

Invento uma. Pode não ser logo. Preciso quase sempre de esperar que o pânico passe. Às vezes calha de chorar quando o medo fica mesmo assustador. Vem o desespero e espero um pouco mais. Não o contenho, não o controlo e não me iludo. A pedra está ali. É enorme. Praticamente um muro. Fico pequena. Falo sozinha. Lamento ser pequena e falar sozinha. Sento-me a ter pena de mim por tudo o que me acontece e que não mereço. Lá para o final do dia, e como o muro não desaparece, chamo a cabeça de volta para junto do pescoço. “ Anda lá, é só mais um desafio. Faz o que fazes tão bem – pensa.” Diz a mesma voz que me ensinou a acreditar no impossível.
Repouso então os olhos no que está à minha frente. De que forma trouxe eu isto à minha vida. A Lei é justa, só devolve o que geramos. Que filhos dei eu à luz cuja maternidade me custa agora reconhecer.
O burburinho do mundo confunde-me. Rodeio-me por isso do silêncio que preciso para falar comigo e ouvir o que tenho a dizer-me. É assim, calada e quieta, que faço o exercício da honestidade. Onde foi que podia ter ido pela avenida ampla da esquerda e fui pela ruela estreita mais à direita. De propósito. Que palavras a dançar nos meus lábio abafei. Que gestos pendentes anulei. Deixei novamente que pensamentos descontrolados dessem vida aos meus temores.

A ignorância é um luxo que se paga caro. Ainda ando aos trambolhões pela toca abaixo aprendendo que O País das Maravilhas pode ser pouco maravilhoso. E mais profundo do que pensava. De quando em quando ainda acho que há insignificâncias no Universo. Coisas mínusculas e sem importância que vão passar despercebidas. Como se o Universo fizesse pausas e não me prestasse atenção. Como se eu não fosse o Universo. Depressa, e cada vez mais depressa, é-me mostrado que tudo importa. Que tudo volta.

Este é o meu pecado – recusar-me a ser Deus. E a que é a maior das bênçãos torna-se na maldição que me leva a momentos como estes. De joelhos, em sincera confissão.
Conheço bem as minhas fraquezas. Tu conheces as tuas. Negá-lo é perpetuar a repetição da mesma dor. Das mesmas quedas. Das mesmas perdas…
E eu estou tão cansada…Tu não estás?
Bom, tenho de fazer qualquer coisa quanto a este muro. Quero continuar. Quero ver o que está para lá deste bocado de chão. Ainda de joelhos, ainda em silêncio, olho para cima e peço ajuda.
Prometo-me vigiar-me. Com muito amor, porque faz parte de ser humano não ser perfeito.
Prometo-me aceitar-me. Sem culpa, porque as diferenças são a cor do mundo.
Prometo-me mudar-me. Sempre, porque as mudanças são boleias das estrelas.
Sei que a felicidade não é uma opção. Só o tempo que demoro a reconhecê-lo.
A felicidade sou eu a agradecer todos os muros que ergo para chegar mais perto do Céu.
Como este.
Idomind
About Recognizing

março 29, 2010

Foram as vozes...


Fui homem como tu. Sei tudo sobre os teus cansaços. Senti o peso da pele que se oferece aos rigores da Terra. A mesma pele que recebe a carícia e a ofensa. Conheci a bondade e a intolerância. Comi com santos e falei com demónios. Lutei com os meus. Fui tentado. Tive medo. Tive tanto medo.
A lua estava quase cheia no Olival quando pedi que fosse afastado de mim o cálice. Já lhe adivinhava o sabor…Foi de joelhos que aceitei que fosse feita a Sua vontade e não a minha, porque era homem e não lembrava que a vontade Dele é a Nossa.

Fui espada como tu. Dividi. Feri.Trouxe guerra a cada casa conforme as batalhas a travar. As prisões a derrubar. As escolhas a fazer. A Vontade Maior a cumprir.
Fiz a minha Mãe chorar…

Eu ateei o fogo que queima e que limpa. Eu fui desordem.
Ensinei. Quem quis ouvir ouviu. Falei perigosamente. Livremente. O poder das palavras reside no seu uso oportuno. Necessariamente corajoso. Ideia alguma foi plantada sem as forças do vento contrário. Atirei as pedras que agitaram a placidez da ignorância. E as que deram Vida.
Fui homem como tu, no meio de outros homens como nós. Escarneceram de mim. Tantos dedos apontados. Tantos braços levantados. Só porque me atrevi a ser Eu. Porque permaneci fiel ao meu plano. Porque Me ouvi e fui até ao fim do caminho. Só porque a verdade assusta. Sendo pequenos como podemos fazer coisa grandes? Se formos só homens como podemos agir como Deuses?

Fui isto e muito mais. Este é o meu testemunho. Tudo faz parte. Aceita quem és e para onde vais. Decide quem queres ser e para onde irás a seguir. Escolhe. Tranquilamente. Amorosamente. Tudo faz parte. Tecer a coroa de espinhos e usá-la.
Olha para o Alto, de onde vens, sempre que a noite estiver demasiado escura para ver os sinais. Fala comigo quando olhares ao teu redor e te achares sozinho. Escuta-me à hora do almoço naquele banco virado para a praia dos pescadores. Eu não páro de existir porque não acreditas em mim mas só o saberás quando o quiseres saber.
Reconhece-me em todas as faces… e verás.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. E fui só um homem. Como tu.
Se tens ouvidos, ouve…

IdoMind
About The Exemple

março 26, 2010

"Está difícil fingir que está fácil"

Esqueci-me de onde vim. Do meu propósito. Dos que comigo aqui vieram para relembrar. Esqueci-me dos empurrões que combinei. Dos corações partidos que agendei. E daquelas palavras difíceis, tão duras de ouvir, que escrevi e dei a decorar. As lágrimas, grossas, que me aproximam da compreensão dos meus defeitos. Dos sonhos que julgo que são meus. E que afinal vêm de outro lugar. Daquele poço no meio do estômago onde o ego e o anjo se encontram à espera da digestão.

Sinto o corpo dorido das brincadeiras que planeei contigo, sentados lá, no nosso sítio na eternidade. Não me lembro quantos pontos valem as decepções. Quantas casas avançamos por cada “desculpa” que não dissermos. Para que nível passamos se conseguirmos travar a tempo aquele beijo. Se vence quem sofrer mais. Quem se camuflar mais. Quem for forte até fim e resistir à força maior que parece trazer-nos uma e outra vez ao Encontro. Não sei se é mesmo assim que deve ser, aguentar de pé amparados pelo orgulho, solitário, de não dar o braço a torcer. Não me lembro. E levo-nos a sério… E dói a sério. Como se fosse possível estar separada de ti.

Devem os meus braços estender-se mais uma vez, apalpando às escuras a tua presença ausente? É tão alto o teu castelo. E como são imponentes as minhas muralhas. Sei que estamos exaustos do Combate. Das perdas que ainda cá estão, por detrás dos gestos pensados. Dos passos cautelosos e lentos de adultos e bons alunos. Caem muito as crianças. Mas depressa voltam a correr como imortais.


Achas que podemos reinventar as regras?
Achas que podemos começar de novo? Todos os dias. Todos os minutos. Estabelecer uma nova meta chamada " Nós".

Podíamos começar assim: antes de qualquer jogada, sentarmo-nos uns instantes, três segundos que sejam já serão suficientes expirar a poluição alojada nos pulmões. Que nos contamina e adoece a alma. Inspirar então de olhos fechados percebendo que no relógio da existência temos a duração de uma borboleta. E o mesmo processo de transformação.
Obrigado por todos os rasgos que desferiste no meu casulo.
Fico a dever-te as minhas asas…
Obrigado por também te esqueceres que tu és eu a tentar chegar a casa. E eu sou tu a tentar lembrar-me do caminho.
Tu e eu… nos intervalos da verdade a brincar aos faz de conta.
Tu e eu a achar que isso existe para nos descobrirmos o mesmo sopro de Deus. O mesmo sangue. A mesma carne. A mesma alma. O mesmo destino - AMAR.

Em nome do amor vou fazer por me lembrar o quanto te amo.Todos os dias.Todos os minutos.Agora.De novo...
IdoMind

about doing it better

março 22, 2010

O Jardim Acorda

Este Inverno foi o mais longo dos Invernos.Trouxe um frio que não conhecia e nada me aqueceu. Assim fiquei, encolhida sobre mim, para que o pouco calor não se perdesse e eu, por fim, esquecesse acerca do mundo que é redondo e dá a cada coisa o seu tempo. Mesmo os Invernos longos não são eternos.

Numa destas manhãs, pareceu-me ouvir um apelo imperceptível que vinha lá de fora. A medo fui-me trazendo até à entrada do ninho onde aninhada aguardei a chegada da que sei que sou. Era a força da vida que cantava, anunciando a promessa dos começos que quisermos começar. Era a força da vida a renovar as minhas forças. Cantavam os pássaros, as árvores e até o mar bradava com a alegria de quem sabe que também a sua solidão estava a acabar. A nostalgia das praias desertas em breve partirá.

Era Primavera. Era isso que estava a acontecer. A despedida das trevas expulsas pela luz. Mais uma vez…

Tive vontade de chorar. Pelo que passou e doeu tanto. Pelo que ainda não passou e continua a doer. Pelas feridas novas que vou arranjar enquanto conduzo o Carro Sagrado. Estou parada com um pé na caverna e o outro no relvado cada vez mais verde. O Sol, ainda príncipe, manda-me tirar a roupa que abafa o brilho. E convida-me ao trabalho. É tempo de plantar. De perder as mãos na Terra semeando em solo rico as sementes do meu amanhã.. É tempo de fazer. De refazer. De desfazer. É tempo de acordar. Sacudir o que foi e preparar o que vai ser.

Sou a jardineira do meu jardim. Esta é a missão. Cuidar do meu pedaço de existência. Como puder. Com o que tiver. Guiada pela sabedoria de todas as outras colheitas. Dos dias de sol e dos dias de chuva, que me levaram a crescer. Dos muitos dias assim assim em que tive de escolher. Das Primaveras que não compreendi senão no Inverno seguinte.
Plante eu com humildade para aceitar que o meu jardim não é o melhor. O maior. O mais bonito. É só um pingo de cor, uma gota de orvalho, a quietude perfeita de uma manhã no cenário infinito da criação. E é lindo, assim humilde, cumprindo a sua parte no Desenho Divino.

Aguarde eu com Fé, os frutos que ainda batalham no ventre da Mãe rumo ao Céu. Não me deixe esta certeza no final feliz. Ainda que não o esperado. Todas as flores são bonitas se nelas procurarmos a sua beleza. E se me perfumarem o caminho, ainda que preferisse rosas, vou agradecer aos malmequeres.

Haja Amor no meu jardim. Na jardineira que dele trata. Nos que por nós passam. Nos que param. Nos corações que namoram com os actos. E com os pensamentos. Reconheça eu o Amor de que tudo é feito e viva assim em Amor comigo e contigo.

IdoMind
About my garden

janeiro 26, 2010

Daqui até Mim

Onde está a tal linha que divide o deserto, a floresta e os mil oceanos dentro de nós. Onde acaba o território árido em que estão sepultadas as dores e as mágoas e todas as palavras feias que nos nos disseram. Onde se escondem as pedras que ferem. Que nos rasgam os passos.

Quando me ausento e fico a olhar do outro lado da porta, vejo gente de areia. Gente seca. E choro um pouco. Por cada flor que morreu. Por cada borboleta que pereceu. Por cada metro do nosso bosque que não cuidámos. Por toda a gente verde que se deixou tornar amarela.

Vejo gente pedregosa. Com acessos difíceis. Ladeada de escarpas impossíveis de escalar. De vencer. São a gente das montanhas onde é sempre Inverno. Onde faz sempre frio. Onde a noite cai mais rápido. Isoladas no seu rigor sobrevivem dos hábitos a que a solidão obriga. Só contam consigo. Só esperam o pior. Não adormecem e por isso não sonham. O meu coração aperta mais um pouco. Bastava que baixassem a cabeça para que dessem conta do imenso vale que jaz a seus pés… Onde o Sol repousa os seus raios e a Mãe opera os seus milagres.

Suspiro e a minha atenção é cativada pelo desfile de exuberância da gente amazona. Orgulhosas da sua beleza inigualável. Vestem-se de fruta exótica que oferecem num bandeja enfeitada de elogios e risos que embriagam. São a gente ilusão. Trazem a inveja.Trazem o cíume. Sobrevivem dos insectos, tontos e meios cegos, que apanham nas suas teias invisíveis do faz-de-conta. Tudo é aparente. A verdade é tratada com antipressivos e não há imperfeição que alguma maquilhagem não disfarce. Mas por detrás da camuflagem colorida há apenas um vazio sem fim. Para onde não espreitam. Mais um antidepressivo e a festa continua. São os que mais me doem porque são a gente morta a fingir que está viva. Se conseguissem despregar os olhos do umbigo e descobrir o horizonte tapado pelas palmeiras ocas…

Eu sou de areia. Eu vivo nas montanhas. Eu enfeito-me. Eu sou toda a gente que foge de si. E dos outros. Eu sou a inadaptada que se adapta. Outras vezes sou só a que corre para o seu esconderijo, mais ou menos florestado, mais ou menos desértico, mais ou menos longínquo, para evitar a Grande Aventura. E os aventureiros que nos desafiam a conhecer outras paisagens. A percorrer outros caminhos. A perder-me…

Tu também és Eu a ser toda a gente. Tu também tens uma ilha linda num mapa só teu. Também és amarelo, escarposo e maquilhado. Tu também tens medo.
Somos todos jardins plantados sobre terrenos acidentados porque a vida não é plana.
Que o deserto seja travado com água da nossa Nascente. Que a montanha sirva apenas para nos levar mais perto do céu. Que na floresta encontremos a verdadeira Riqueza.
Que nós sejamos nós a fazer o melhor.
IdoMind
About being pure

janeiro 21, 2010

On/Off


Quero porque quero.
Não me perguntes outros porquês, porque não sei responder. Quero e quero muito. Tanto que perco o sono só em pensar que não vou ter. Ou que vou perder.
Hoje dormi uma hora. O meu travesseiro não aconselha, mantém-me bem acordada para me impedir de fugir à noite de tudo o que vou fugindo de dia.

Vamos lá a saber porque é que eu quero…
Porque é que é tão importante isto ou aquilo. Esta ou aquela palavra. Um convite. O olhar especial. Dinheiro… Ser bonita. Coisas e mais coisas. Porque esta urgência do que está para lá de mim.

São agora três da manhã e acho que, afinal, tudo o que quero é sentir-me segura.
No trabalho. Nas relações. Comigo. É só uma questão de segurança.Talvez seja mais honesto dizer controlo. Eu quero controlar. Chego à arrogância de querer controlar os meus sentimentos. De domar as emoções.
Se souberem o que sinto vão poder controla-me e isso é que eu não quero.

Pelas quatro da manhã revejo os meus medos. O que me leva a proteger-me. Do que é que quero ficar segura. A minha nuvem é o melhor lugar do mundo...
Como tu, quero evitar o sofrimento. Quero ficar segura de sofrer. Algumas lágrimas trazem lâminas que nos dilaceram. E aprendemos que chorar dói. Para evitar a dor, a jeito de vacina, imunizamo-nos contra o que faz doer – a própria vida.
É por isso que choramos cada vez menos e nos zangamos cada vez mais. Desprezamos o milagre que somos aceitando uma pequenez que não temos.
É por isso que não nos VEMOS uns aos outros. Não ouvimos os gritos presos nas mesmas laringes que nos dizem bom dia. Todos os dias. É por isso que não nos sentimos.

Cada um na sua nuvem, bem longe da nuvem do lado.
São os efeitos secundários da tal vacina que nos torna resistentes à vida. Perdemos a faculdade de sermos humanos a desfrutar da nossa a humanidade.
E não será esta a pior forma de sofrimento?
Resistir à vida também é resistir ao Amor. À gargalhada. À gratidão do combate bem travado em que nos descobrimos melhores e mais capazes do que pensávamos.
Vou aterrar a minha nuvem.
Que as minhas lágrimas sejam breves. Que os erros sejam mestres.
Will I see you around?

IdoMind
about understanding my self

janeiro 15, 2010

To live or not to live

Já andei um bocado. Vi muitas coisas. Vivi outras quantas. Já caí. Levantei-me e lá fui, de novo. Já fiz asneiras. Já me arrependi. Disse o que não sentia. Já fiz o contrário do que queria.

Algumas lições estão aprendidas. Muitas ainda para aprender. Depois há aquelas em que pareço sempre reprovar. Se ao menos houvessem passagens administrativas nisto da evolução.
Tenho pensado muito no tempo. Nas oportunidades. Em escolhas. Tenho duvidado que as haja. Lia no outro dia que:
“ Muitas vezes o destino nos encontra nas estradas que escolhemos para o evitar.”
Senti esta afirmação como um murro no estômago.Se assim é, e comigo tem sido, haverá então escolha?
Percebo, apesar de virar a cabeça para o lado fingindo que não vejo, as voltas que o Universo dá para estender à minha frente exactamente o que preciso para ir mais além. Para me espreitar para lá do horizonte que me impus.
Uma e outra vez deparo-me com a mesma situação. Com a mesma pessoa. Com os mesmos obstáculos. Com as mesmas amarras que me impedem de fazer diferente.
E quando o tempo passa, sem que eu tenha deixado de ser eu, igual a mim mesma, pergunto-me sempre qual será o limite de tentativas. Qual será o prazo para adiar uma vida? Um amor…
A única e verdadeira perda reside na cobardia de experimentar. No momento feito só para nós a que dissemos adeus sem nunca o termos convidado para uma conversa e um café.
Ultimamente, sempre que estico os braços sinto como é estreito o meu mundo. Caibo apenas eu. E este é o preço pago pelos cobardes – a solidão. A pobreza, porque nada recebe quem nada dá.

Mas se o destino frequentemente nos encontra no caminho que escolhemos para O evitar, poderei eu confiar que nada será deixado por cumprir? Que aquilo que me une a ti sabe que eu nem sempre tenho a força que demonstro. Que é tão difícil não ter medo…
Se estou destinada ao que quer que seja, a quem quer que seja, cada vez que dou um passo atrás quando podia dar mil em frente, estarei a fazer uma escolha ou a executar uma ordem? Estarei eu a fugir, como penso que estou, ou a ir afinal ao encontro do que está marcado?
Talvez não seja importante. Talvez esteja a querer fazer a digestão sem ter comido nada. Talvez as respostas se respondam no segundo que eu decidir dizer sim ao mistério do segundo a seguir. Talvez o importante seja criar o depois, agora.
Talvez…
Ou talvez o Fim da história já esteja escrito bastando-me escolher se o quero a cores ou a preto e branco. Com ou sem ilustrações. Simples, como um conto mágico ou a puxar para o drama intrincado.

Talvez seja inevitável o Final Feliz.
Talvez…

IdoMind

about The Journey

janeiro 11, 2010

Para 2010


Sinto que,

A magia está no ar. Ao meu redor, dança iluminada.
Seja eu, finalmente, capaz de a trazer.
Seja eu capaz de a manter.
Pois este é o tempo da alegria semeada.
Que vou colher.
Há esta certeza na felicidade merecida.
Há a bater no peito este acreditar.
A força que se juntou em mim, a pulsar .
Agradecendo a dávida a ser recebida.

Cada chegada que me levou a uma partida.

Sinto o chamamento desta vida, irrepetível e singular.
Agora que sou outra, a que estava à espera, escondida,
E aqui chegada, tão cansada, tão crescida.
Sinto. Sei. No final, tudo o que importa é amar.

A mim. A ti. Os segundos que me são dados.
Transformá-los em pedaços de algodão.
Converter a dor em lição.

Esta é a alquimia do coração.
Descobrir que não há caminhos errados,
Fomos todos abençoados
Por destinos entrelaçados
Nesta sagrada união.

IdoMind
about hopes and dreams

dezembro 22, 2009

Passo Um


Lá, onde dói, é onde devo de ir para ver e arrancar a lança da minha angústia. São os meus “nem pensar” que devo repensar em nome da vida que quero para mim. É a minha felicidade submersa que o exige. Tenho a sensação de a procurar no escuro de luz apagada. Porque eu gosto dos caminhos difíceis. Aqueles mais compridos que dão a volta e me trazem ao mesmo lugar. Que me cansam até deixar de perceber a diferença entre viver e apenas respirar. Se não gostasse, há muito teria acendido a lâmpada que trago nas mãos. Mas nem pensar em iluminar certos espaços. Porquê? Porque dói revelar as fendas, as fugas e as falhas da minha casa, afinal, imperfeita.

Certas coisas e palavras que nem pensar em fazer ou dizer. Algumas pessoas a quem nem pensar em pedir o que quer que seja. Mesmo que precise muito. Desculpas e obrigados que nunca atravessaram a barreira entre a cabeça e os lábios porque nem pensar em proferi-los. Dúvidas que nem pensar em esclarecer. Fraquezas que nem pensar em mostrar que tenho. A fragilidade de mulher que nem pensar em admitir. Estes sentimentos agarrados à minha humanidade que nem pensar em partilhar...

Lá, onde dói, é para onde me dirijo porque Tudo o que há sou Eu e Eu sou Tudo o que há. A faca que fere e o golpe que sangra. As costas e o chicote. No fim temo-me apenas a mim mesma.

Eu sou a que se vê a ser também o que não é e que decide Mudar. A que se silencia para se ouvir. Quieta para sentir de onde vem a dor. Reconhecê-la. E depois… apagar o “nem pensar” e escrever “porque não?”.
IdoMind
About being painfully honest

dezembro 19, 2009

O que foi e o que pode ser

Jamais saberei que paisagens perdi ao longo dos trilhos que abandonei para continuar por este que atravesso. Onde me levariam esses caminhos em cuja entrada tantas vezes parei procurando adivinhar o que se ocultava para lá da curva, onde a visão acaba e a fé começa. Prostrada pelo medo das pedras e das armadilhas, guardiãs da felicidade prometida, continuei pela vereda conhecida. De longe mais segura. Até ter deixado de o ser. Não há estradas sem pedras. Não há tesouros sem armadilhas. Hoje sei-o.

Jamais saberei que pessoas ficaram por conhecer nos sítios que evitei, para permanecer neste quadrado quentinho e confortável, em que me aninho sobre mim mesma porque é difícil cair no mundo. Essa bola com vontade própria que quero tanto entender. Ver os porques mesmo antes dos porquês. Tornar a minha colheita menos dolorosa. Receber apenas quem me quer receber. Ser imune aos nãos que fazem ferida. Mas nada há que não se colha.Nem as omissões.Pessoa alguma entra sem ser desejada.E todos temos espadas. Que usamos. Hoje também o sei.


Onde estaria eu agora, se não estivesse aqui? Com quem e como? Seria eu feliz? Seria eu esta soma única de pessoa feita de alegrias e um bom punhado de noites mal dormidas?
Jamais saberei.

Se podia ter feito diferente? Sim. Podia ter decidido desnudar-me do orgulho. Dos pequenos egoísmos. Daquilo que não importa e mostrar-me, limpa, sem as capas que me protegeram de viver. Que adiaram os voos imprevistos que os sonhos marcam no descanso da razão.
Podia ter confiado mais. Em mim… Podia ter olhado melhor. Para mim...
Esperei que lá fora me dissessem como era cá dentro e não vi que tudo lá fora pedia que eu mostrasse o que estava cá dentro. Que o desse porque era bonito. Porque era bom. E tudo que ofereci foram pedaços daquilo que sou. Pedaços que não enchem, que não satisfazem, que não matam a fome de Amor que todos sentimos.

Sim, podia ter sido diferente. Se não tivesse tremido quando o pés exigiam firmeza. Se não tivesse duvidado tanto quando bastava uma decisão. Se as rédeas dos meus cavalos nunca tivesses saído destas mãos. Hoje seguro-as, depois de tanto empurrar o chão para me erguer das quedas. Se eu não paralisasse a cada convite para dançar.

Quanto ficou para trás sempre que não quis seguir em frente...

Tudo o que É, é criação e o que foi não volta assim a ser. Não igual. Não da mesma maneira. Com o mesmo cheiro ou sabor que não quis experimentar.
Jamais saberei se seria capaz de fazer bem aquele trabalho que nunca tinha feito, nem quis fazer.
Jamais saberei se aquela rapariga do restaurante, que apanhei a chorar, precisava de ajuda. De uma amiga.
Jamais saberei se a minha avó sabia o quanto eu a admirava. Que ainda menina, já pedia nas minhas orações para ser sempre forte como ela. Agora restam apenas estas saudades.
Jamais saberei se quem partiu teria ficado se eu tivesse falado. Se o silêncio que uso para me murar tivesse sido quebrado pelas palavras e as desculpas sentidas que morreram no pensamento.

Eu jamais saberei o que ficou por sentir na vida que não escolhi ao lado de alguém. Junto de ti, numa tarde de domingo qualquer a ver filmes deitados no sofá com a manta de lã por cima. Nunca saberei...


Mas acredito na Bondade que conhece a dureza de ter um corpo. Acredito que nos dá o que precisamos. Uma e outra e outra vez porque nos quer ver chegar... Acredito no que tem de ser porque escolhemos que fosse. Acredito em portas abertas.
Que eu as veja... e não tema mais entrar.

IdoMind

about living and learning

dezembro 07, 2009

As pequenas mortes na vida

Vai onde tiveres de ir. Segue o chamamento que levas os dias a ignorar. Vai. Nada temas porque a voz que ouves é a tua a lembrar-te do que te prometeste. São os ecos intemporais dos teus passos a chamar por ti.
Larga tudo o que tiver de ser largado. O caminho faz-se melhor sem malas. Sem o passado que pesa. O homem que foste dissolveu-se no homem que és. Agora. Nesta decisão de agir ou não agir. De dar ou não dar. De dizer ou calar. De partir ou ficar. De tentar…


Vai sozinho. Não carregues ninguém contigo. Todos temos sítios para onde ir. Coisas para largar. A direcção é a mesma mas os percursos são diferentes. E não duvides que nos encontraremos. Por isso, não lamentes, festeja. No final lá estaremos de taças erguidas a brindar ao Plano. Que é sempre infalível.

Já olhaste para as crianças no início de cada ano lectivo? A ansiedade com que folheiam os novos livros. Pegam neles antevendo os desafios que encerram, com os olhos a brilhar de entusiasmo. Tão desejosos por começar. Conhecer a nova turma. Alguns, a nova escola. Os professores. Não voltam a pensar no ano que passou. A lição foi aprendida e os livros que estudaram nada mais têm a ensinar. Querem mais.
Assim é toda a vida. E que assim seja.

É tempo de largar se há muito tempo não choras a rir. Se a última surpresa que tiveste foi a mudança lugar da padaria no teu supermercado. Ou a planta que colocaram na entrada do teu emprego.
É tempo de seguir se há muito tempo não conheces alguém cor-de-rosa. Ou azul claro. Alguém que tenhas levado para casa no coração, depois de teres trocado algumas, simples, palavras. Mas que são as últimas que te lembras antes de adormecer com um leve sorriso.
É tempo de mudar se não sentes vontade de ir respirar o mar ou não tens ideias parvas. Se ficas com a telha e a resolves arrastando os móveis de casa, a tarde toda. Ou a pensar em revestir com papel de parede aquele canto de quem vai da cozinha para a sala. É definitivamente tempo de largar se já não dás beijos de olhos fechados… Ou pensas se fechaste a garagem enquanto fazes amor.

Vai, se perdes mais tempo a olhar para o relógio que a celebrar todas horas que passam… Larga e vai procurar-te. Vai desenhar-te. Pinta a imagem mais bonita que tens de ti. Fá-lo por ti. Por nós.
Liberta-te do peso dos mortos. Que partam, para que tu partas também, perpetuamente rumo ao teu Lugar.
IdoMind
about reborning
A JARDINEIRA RECOMENDA:
Numa onda de grande sincronicidade, ficam aqui os links para três posts que li esta manhã, de outros que, como eu, andam em diálogo com a morte...boa leitura.

dezembro 03, 2009

Este é para ti!


Como se não bastasse o frio, ainda há esta amargura que se sente quando passamos uns pelos outros. Uma espécie de azedume que se transmite pelo ar e contamina os nossos pensamentos mais bonitos de dúvida e insegurança.
Estamos meio agrestes. Deixámos o anonimato anular a nossa humanidade. Estrangular a vontade de rir. Bem alto, sem vergonhas parvas de marcar o espaço com o som das gargalhas. Abdicámos do direito a ser pessoa pelo conforto de ser um número. Renunciámos ao amor em troca de uma lógica que nos põe a salvo de algumas lágrimas. De alguns erros, como entregar o coração a quem não o quer receber, de dizer desculpa a algúem que ainda não sabe o poder de um perdão, de escolher uma vida extraordinária…
Pouco normal, dirão alguns. Porque aderimos também a um acordo tácito sobre o que é aceitável. Quanto mais aderentes, mais aceitável. Mais normal…

Também gosto de normalidade. Mas quando me traz satisfação. Quando a compreendo e aceito porque há coisas que são como são. Que nos dá a oportunidade de sermos o que quisermos ser.
Não gosto da normalidade que me escraviza a normas que não entendo. Que o meu coração não reconhece. Que não encontram eco em mim. Sim, faço todos os dias a escolha anormal de ser absolutamente honesta comigo. De qualquer modo, já não consigo enganar ninguém, vai sendo cada vez mais difícil pentear as antenas atrás das orelhas.

Vi tanta zanga logo pela manhã. Olhos reluzentes de mágoa, protegidos com uma capa de orgulho. Vi bocas fechadas a dizer “dói tanto!”.
Enquanto olhava, pensava que se fossem capazes de ser mais doces uns com outros, nenhum de nós estaria ali. Estaríamos talvez em casa a tomar o pequeno-almoço ao som do nosso albúm preferido. Talvez a preguiçar mais uns minutos nos lençóis de flanela e a pensar como a vida é boa. Talvez na brincadeira com outros bloggers.

Mas não estaríamos ali, azedos e amargos à procura de alguém que confirmasse que estávamos certos. Que a razão estava, inteira e indubitavelmente, do nosso lado. De um lado e do outro, dois seres humanos muito feridos, com memória apenas do que tinha sido mau. Nenhum se lembrava já dos piqueniques junto ao rio quando vinham da escola, do primeiro beijo, de todas as vezes que fizeram amor e sentiram que o seu lugar era ali, um com o outro.

Saí sem saber bem para quê. Quando dei por mim estava a comprar um chupa-chupa. Não correu bem, só havia um enorme, vermelho, de um boneco chamado Noddy. Paciência. Foi mesmo esse que ofereci à cliente, que olhou para mim. Olhou para chupa, voltou a olhar a olhar para mim e solta um sorriso que me fez ganhar o dia.

Disse-lhe: “ Lá fora a vida continua, com chupa-chupas, bombons e muitas coisas boas para saborearmos. É só escolhermos do que queremos alimentar-nos”.

Percebi que ela percebeu que o que nos levava ali era despropositado. Que estava a dar importância e adensar um sentimento que não era inocente, como aquele chupa-chupa escandalosamente infantil. Do outro lado do mundo, enquanto ela estava numa luta em que ninguém vence, havia alguém que dedicava uma vida a fazer doces. Para crianças. E para adultos no intervalo do crescimento. Para jardineiras destravadas de sensatez...
“Isto pode ser mais fácil, não é? “ perguntou-me ela.
Senti-a a voltar lá atrás, à pureza dos momentos que não se repetem e dos sentimentos limpos de expectativas frustradas.

Fiquei imensamente feliz por ver o peso desvanecer-se do rosto dela e dar lugar à ansiedade de sair dali para estar sozinha com o chupa, que segurava com carinho nas mãos.

Decidi, por uma semana inteira, oferecer um chupa a alguém. Sem motivo algum. E se me perguntarem porquê, responderei, à míuda:
“ Porque o mundo precisa da tua doçura.”

IdoMind
about lollipoping the world
P.S eu já recebi o meu doce

novembro 30, 2009

Obrigada Sílvia...

Hoje li uma frase maravilhosa. Foi deixada por Sílvia Freedom em comentário ao meu post anterior. Então diz assim: “ Aonde eu não chego…lá está você…”.
Tocou-me tanto… Diante do meu meu coração de jardineira desenhou-se logo a interminável cadeia de mãos que se iam largando e segurando ao longo da escadaria que é viver.
Inspirou-me também a escrever. Aqui fica ao jeito da IdoMind um desabafo, e um pedido, para nunca deixarmos de chegar lá…

A vida despiu-me. Foi assim nua, e a tremer, que lhe perguntei, num grito abafado, o que queria de mim. Aprendi a andar de novo. Por outros caminhos. Com novas metas. Aprendi a ver de novo.
Conheci um outro Deus. Que estranhei de início, tão habituada que estava à culpa de não ser perfeita. De não fazer tudo bem a todas as horas. Com todas as pessoas. Este Deus parece que tem os braços sempre estendidos, mesmo nos dias que os meus estão escondidos do mundo. Sobretudo nesses dias. Já O senti entrar na escuridão para onde corro quando fico fraca e o peso fica pesado. Lá vem Ele com mais uma coincidência, com um acaso ou uma pessoa qualquer devolver-me à minha estrada.

Eu que acordei para mim e me vi sagrada tocando este chão bendito, feito para me descobrir, assim, divina na terra. Eu que hoje sei que nada importa senão o Amor que temos na voz, nas mãos e em nós. Eu que chorei e choro, mas que não paro de me transformar. Mariposa em permanente ressureição, largando continuadamente a pele do que fui antes. E crescendo.
Eu consciente do que sou, às vezes não estou lá. Aonde tu não chegas.
Ainda tenho estas arestas de carvão a escurecer o diamante. Todo o brilho. Toda a Beleza. Ainda sou humana e, tantas e tantas vezes, menina e assustada. Como tu, também temo não ser amada. De não quereres que eu chegue lá. De ouvir um “não” proferido com a secura que a dor deixa no peito. Nem sempre os meus degraus são de cimento.

A subida já me fez descer. E descerei de novo, se é lá que tu estás. Se estiveres mais acima galgarei os degraus de dois em dois para chegar a ti. E se as tuas escadas se ergueram ao lado das minhas darei um pulo, de esperança, para voar até ti e perguntar-te: "Queres vir comigo?"



Vamos por aí ver o tal Deus a enlouquecer-nos porque é dos insanos o Reino do Céu. Vamos ser insentatos e viver a Nossa Verdade. Deixar os véus pelo caminho. Destapar o coração para nos vermos. Anda comigo dizer quem és. Descobrir-te filho da vida que geras. Anda comigo distribuir alegria. Subir degraus aos pares. Pular escadas. Chegar lá, onde outros aguardam nossa chegada.
IdoMind
about reaching out
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