maio 31, 2010

Uma Limpeza

Vai. Mas vai mesmo. Não te fiques pelo conforto desse chão que pisas em círculos, sem que te leve, na verdade, a lado algum. Substitui as paisagens já gastas, para que os teus olhos de novo se abram. E de novo Vejam. Há todo um universo que te está a escapar. Do lado de fora da tua caixa aguarda-te o Infinito.
Não ouves o barulho distante das alternativas que desprezaste? Não te assaltam por vezes à noite, enquanto descansas? Enquanto desligas do programa seleccionado, a funcionar em automático. Não ouves? Aquele ruído miudinho a rondar-te a cabeça mesmo antes de adormeceres?  Não é cansaço. Não é stress. Não é nenhum dos motivo que inventas para justificar uma vida menor. E injustificável.
São as vozes abafadas de quem és realmente. Daquilo que queres quase desesperadamente. De quem amas a sério. É a felicidade que congelaste a gritar para se estilhaces o gelo. Ali está ela, suspensa, à espera que te tornes Homem. Não queres ser feliz? Deixa então de ser cobarde e vai.
Vai romper com o que já não te serve. Vai dizer adeus a quem nunca na verdade quiseste. Ou simplesmente deixaste de querer porque tudo tem o seu prazo e a sua função. 
Este é o tempo de regressar ao Caminho. E devolver o Outro ao seu. Ousa Ser quem te sonhas, porque acabaste de acordar com vontade de Viver. 
Não te escondas atrás dos teus filhos. Das tuas contas. Do mártir que habituaste a alimentar-se de piedade. Das obrigações famintas de reconhecimento. Parte o espelho e mostra-te sem distorções.
Vai cortar os fios das dependências que te adoecem antes que te matem. Ninguém precisa de ti ao meio. Se estiveres, está por inteiro. Quando saíres, sai de vez. Cura ou desiste mas não fiques a infectar. Amputa se necessário todos os cordão que te agarram os pés e impedem de crescer. A alma mirra a cada certo que não é o teu.


És ímpar. Assim como o teu Destino. E o de todos nós. O meu Destino precisa do teu.
Preciso que tenhas a Coragem de dizer: “Este sou eu”. E sejas.
Que ponhas os teus lábios ao serviço do meu anjo.
Não anules uma vida que pode ser… a Nossa vida.

Sê responsável contigo. Com os teus sentimentos. Mesmo com os infantis. Sobretudo com esses. Com os despropositados. Que nem sabes de onde vieram. E com aqueles que te assustam tanto que os injurias com mil nomes só para os manteres à porta do teu coração. Como se conseguisses. Cuidado para quem levas os teus últimos pensamentos à noite. E para quem vão os primeiros logo pela manhã. Não fujas. E não te ponhas a antever um filme de guerra ou um drama. Podes estar enganado, sabes. Pode ser afinal uma história de amor pendente de um capítulo escrito por ti.
Sente-TE. E tudo estará bem se for para teu bem.

Pergunto-te se não queres conhecer o Amor. Mas aquele que é mesmo amor. Livre! 
Aquele que não tem de fingir uma vontade que não tem. Nem de carregar nos botões de controlo que já conheces tão bem. O amor incompatível com a manipulação das culpas e dos erros que não deixas que se esqueçam. Sempre que te convém. O amor que não tem de mentir. Nem vir no carro a pensar numa desculpa qualquer, para mais uma falta de amor...
Fica atento a ti. 
Estás a Amar?
IdoMind
about clean souls

maio 27, 2010

Tenho isto para ti



Há situações que nos entristecem. Há situações que nos incomodam. Há situações que arrasam connosco. Mas são só situações.
Há pessoas que nos magoam. Tanto. Há pessoas que não nos vêem, mesmo quando estamos aos saltos à frente do nariz a dizer “ estou aqui, estou aqui”. Há pessoas que nunca conseguimos fazer felizes. 
Mas são só pessoas.
Somos todos, só pessoas na vida uns dos outros. A criar situações.

Esqueço com frequência que estou aqui ao teu serviço. Ao nosso. Que preciso de ti e tu precisas de mim. Tu e eu somos sinais nos cruzamentos. Pistas combinadas no Caminho. É na intercessão que te encontro. Sempre. E tu a mim. Eu sou o sentido proibido que te obriga a voltar atrás. Eu sou a luz vermelha que te faz parar. E aguardar. Depois trocamos e passas a ser tu quem me impõe um limite de velocidade. Que me mandas virar à direita naquela rua onde costumo ir em frente. Tu és o sinal de estacionamento permitido…
O aviso de estrada com curvas. Que eu ignoro...


Algumas paisagens distraem-me tanto que precisas de crescer para que eu repare em ti, ali especado no passeio, indicando-me a direcção. Já precisaste de proibir o trânsito para me afastar de alguns becos sem saída. Obrigado. Não te percebi. Pensei que era má vontade. Intransigência. Cheguei a pensar que não gostavas de mim. Julguei-te egoísta. Julguei-te perdido. Julguei-te tão longe da Essência. 
Afinal estavas só a Ajudar-me.


Como eu te ajudo. Não me julgues. Confia que estou a fazer a minha parte. Com honestidade. Comprometo-me a ser Fiel. Com o que sinto ecoar no meu coração. Com o que fica depois do lamento, da decepção, da raiva e do desespero, do desejo que não satisfiz. Com tudo que sei, porque sei, ser a minha Verdade.
Conta por isso com todas as palavras que não gostarias de ouvir. E com o silêncio que gostarias de ver quebrado. Conta com a solidão. Certo que estarei sempre contigo, mesmo quando não estou. 


Comprometo-me a mostrar-te todas as cartas para que não tenhas de adivinhar o que tenho na mão. No meu jogo ninguém perde.
Confia na minha escolha. Que não é impensada. Nem insensível. Alheia às tuas angústias ou dores. Será uma escolha sentida. Confia em mim empenhada em ser melhor. E escolhe.

Só temos de ser transparentes para que a Luz brilhe nos dois.

IdoMind
about fireflies

maio 25, 2010

A sombra

Somos feitos às metades. Que nos fazem aos bocados. Rompem-nos. Ficamos por aí espalhados e tentar perceber se ainda temos pés. E onde estão eles plantados. Há ventos que nos arrancam as raízes. Empurram-nos para tão longe que quando queremos voltar, já nos esquecemos de como fazê-lo. Aprendemos então que as nossas pernas podem andar de muitas maneiras diferentes. Desconfio até, que as minhas fazem mais que andar. Desenham projectos. Combinam viagens e até marcam partidas para lugares que não me apetecia nada conhecer. Ou revisitar…
As minhas metades estão numa espécie de guerra. Não se falam, excepto para discutirem qual delas tem razão. Uma tem de ter razão. Só uma. As metades não entendem que a razão está em todo o lado ao mesmo tempo. E é por isso que tudo tem uma razão. A sua razão.
Que não é melhor. Que não é pior. A mais bonita ou a mais hedionda. A razão de cada coisa é perfeita. Incomparável a qualquer outra razão porque é única. Uma razão feita à medida. Por alguma razão…
Eu acredito no propósito que me trouxe aqui. E a ti. E nos fez em metades.
Reconheço a Beleza também à noite. O brilho da Lua ainda é brilho. Luz que ilumina. Eu ainda sou eu quando sou egoísta. Quando me nego a dar. Porque não quero. Não tenho vontade ou sem saber bem porquê. Continuo a ser eu quando prego cancelas no meu jardim e fixo o sinal de proibido entrar. Só porque não estou capaz de fazer melhor. Eu não perco o meu rumo por me perder de vez em quando. Eu nunca me perco se vou à minha procura.
Gosto da música triste que me deprime ainda mais nos momentos em que vem aquela saudade. Tanto quando a outra alegre que celebra comigo um dia radioso de praia. Tenho dias de querer ficar calada. De vazio. Vejo o fosso que me separa dos outros com contentamento. Não gosto de toda a gente a todas as horas. De algumas pessoas até nem gosto a hora nenhuma.
Esta minha metade ruim que teima em ser. Porque sim. E que nem a minha metade boa consegue domar. Mais uma discussão. Outra insónia. 
Mas eu sinto-me eu mesmo quando a doçura dá lugar à zanga. Eu sou eu quando corro, quando ando, quando páro. Até sou eu quando faço o que julgava jamais fazer. Quando te magoo. De propósito. Porque nem sempre sei quem sou afinal e preciso que me digas. Ou me ajudes a descobrir.
Por isso, ambos temos razão. E no fim tudo cumpre a sua parte.
Mesmo as metades que nos fazem aos bocados.


IdoMind

About everything

maio 21, 2010

Uma branca

E não é que os dias melhores vieram? A minha querida sexta-feira chega acompanhada do sol abrasador de que tinha tantas saudades.
Deixo aqui o resultado do aturado exame de consciência que me tomou de assalto nesta confusa semana, que agora, e finalmente, termina.

Fui muito ao passado. 
Lembrei-me de coisas que julgava esquecidas. Reconheci certas dores que pensava já não doerem. 


Percebi que Eu sou aquilo que me lembro. A soma das minhas memórias moldou-me. Devo a todos pretéritos o meu presente. A todas as quedas, este andar mais lento e cuidadoso…


Se eu não me lembrasse de ontem, hoje dava-te um abraço como se nunca tivéssemos discutido, discordado ou teimado num orgulho estúpido que nos vai tapando a vista para o teu e o meu melhor. 
Dizia-te outra vez como te respeito como se nunca te tivesse dito. Pedia-te ajuda como se nunca ma tivesses recusado. Aprenderia a conhecer-te de novo, olhando-te como se nunca te tivesse visto.


Se eu esquecesse o que ficou para trás, recebia a sorrir o que está a minha frente. Arriscaria como se nunca tivesse perdido. Acreditaria como se nunca me tivessem enganado. Entregaria o coração como se nunca o tivessem partido. 


Cada dia seria isso, Um dia. Podia ser O dia.

Pintaria os lábios de vermelho. Vestia aquele vestido. Esquecendo como me acho feia. Deslocada.  Sempre fora do tempo e do espaço das outras mulheres. Tirava as ligaduras destas feridas antigas que custam a sarar. E ia para a rua, livre.


A memória fez-me medrosa. Prudentemente contida. A memória fez-me fazer uma casinha bonita nas nuvens onde vivo sozinha.
Se começasse de novo sem carregar o velho, talvez voasse. Talvez crescesse. E tudo teria uma dimensão diferente. 
Guardaria esta memória. Apenas Eu mudo de tamanho…
IdoMind
About digestions

maio 19, 2010

Vincent



Hoje deu para aqui. Para o meu Vincent.
Então,


Aos Vicents em nós.
À tristeza, às dúvidas, à vontade de correr de volta para o útero.
Ao medo de estar enganado. De ser diferente. A toda a roupa preta. 
Ao nevoeiro de Londres que nos deixa invisíveis. Aos dias de chuva.
Ao quarto preto que pintamos de sombras.
Às assombrações. 
A todas as memórias que nos apertam o estômago. 
Aos momentos em nos vimos abandonados. E chorámos.
À outra metade escura escondida atrás do sorriso cintilante. Cínico. 
Ao desejo secreto que todos desapareçam. 
Ao fracasso que inventamos para não tentar. 
A tudo o que não existe a não ser numa alma dorida.
Aos corações que não querem sentir. 
Aos sentimentos maus de que temos vergonha. 
À culpa. Aos monstros que criamos.
Aos contrários. 
Ao equilíbrio.
Seja breve o desespero.
Seja iluminada a escuridão.
Ela também fala. E muito tem a dizer.
Às saudades de um abraço. Aos erros corrigidos.
A todos os pedidos de desculpa. Às despedidas necessárias.
À imperfeição. A este segundo perfeito.
À lua e ao sol à luta dentro de mim. 
A nós.
A dias melhores.


IdoMind


about opposites

maio 17, 2010

Fingidos

Sim, é importante saber que mundos contróis dentro de ti quando não estás a erguer paredes cá fora.
É importante saber porque te escondes. O que te assusta tanto assim para achares que tens de ser dois. Ou até três. Tantos quantos necessários para que não te descubram. A ti. O verdadeiro.  Aquele que aparece no espelho de manhã enquanto escovas os dentes e que mal reconheces. Se experimentares ficar a olhar por mais um bocado, talvez te lembres do homem por detrás do a máscara. Experimenta enfrentar o teu reflexo e dizer várias vezes em voz alta “ eu, eu, eu, eu, eu..” sem tirar os olhos dos teus olhos.
Di-lo até que surjas. E vais surgir. Vais emergir das entranhas do lago plácido e escuro onde tens hibernado. Pode ser que sintas uma tontura. O sono foi longo. Podes não conseguir à primeira porque não estás habituado a perder o controlo sobre ti. E a ver-te.

É importante estares disposto a mudar. É importante assumir que és uma farsa. Esta talvez seja a parte mais difícil. Mas sabes que és. Não dizes o que pensas. Não fazes o que dizes. Apertas a mão de tanta gente que não gostas. Sorris sempre…
Tens desculpa para tudo isto. Dás-lhe  o nome de responsabilidade, de cortesia, de obrigação e até de educação.
Eu chamo de farsa.
Tu dizes – saber viver.
Eu pergunto  - será mesmo?

Conheço bem o conforto dessa paz fabricada. Debilmente mantida. Inútil. Mais cedo ou mais tarde vais ter de lutar. Vais ter de por pontos finais. Vais ter de te mostrar… 
É a própria vida que o impõe. Para teu bem.
Vai ser impossível continuar a respirar o mesmo ar.  Viver na mesma casa. Ouvir as mesmas coisas. Uma e outra vez e mais outra, o mesmo discurso, as mesmas queixas e as mesmas acusações que já sabes de cor. E que vais deixar de suportar. Mais cedo ou mais tarde. Escolhe se queres enlouquecer primeiro.

Vai ser impossível sustentar a mentira que inventaste para impedir os nãos que também fazem parte nisto de crescer. As despedidas inevitáveis que rasgam bocados de nós. As palavras zangadas que nos tingem de tristeza.

Porque mentes? Porque crias tantas versões de ti por cima do gesso do teu verdadeiro Eu?
Que necessidade é essa de nos dares apenas a Ilusão do que és?
É assim tão pouco o Amor que te tens?
É importante responder. Porque vai ser impossível travar a volta da farsa.

IdoMind
                                                                                                   About reflections

maio 10, 2010

Uma questão de talento





Se ao menos não fosse tão teimosa. Se ao menos as minhas raízes não fossem tão profundas. Se eu conseguisse agradecer sempre e ver para lá da curva para onde me dirijo. Se eu não fosse tão forte e quebrasse de vez em quando expondo esta fragilidade revestida de ferro.
Se eu chorasse à tua frente…
Se eu te dissesse como são longas algumas noites…
Que há uma imensidão de coisas que não entendo. E te pedisse para ficares mais um bocado. Que bebesses mais um café e me ajudasses a ouvir-me enquanto falo para ti. Tu que me reflectes para eu me veja feita de branco e de preto. Parte nuvem, parte terra a querer subir  com os pés amarrados pelo medo de largar.
Se eu te mostrasse a miúda que mora em mim…

A curiosa que fala com estranhos. Que quer espreitar o que vai nas outras cabeças. A que nada teme. A miúda ingénua que não sabe o que é julgar. Nem julgamentos. E em todos encontra o Sol.
Ser grande é deixar de dormir com os olhos abertos. Eu sei. Mas gosto tanto de me sentar no chão. Andar descalça. E de vez em quando não fugir da chuva que cai de repente. Continuar na mesma passada a sentir as gotas molhar-me a roupa sem pensar em constipações ou em aparecer encharcada no trabalho. Adoro gelado.

Um dia podíamos tirar a tarde e irmos comer um. Sujar as mãos todas e partilhar um segredo. Correr sem ser no ginásio ou para emagrecer. Fazer um pacto… de sermos miúdos um para o outro. Dizer sempre a verdade. Perdoar rapidamente. Viver como aventureiros do grande futuro que inventamos agora.
Não me sabias aventureira, não é?
Mas também se sobe às árvores de fato e salto alto.Também se brinca maquilhada. Se olhares para lá da mulher que te mostro, poderás ver-me aos pulos a convidar-te para vires sonhar.

Talvez tenha de dizer-te aquilo que espero que adivinhes. Não acreditar tanto que estás a percebes o filme e colocar legendas.
Melhor ainda. Levantar-me da cadeira de onde assisto a vida passar e realizar a minha própria história.
Há um papel para ti… Podes ser homem ou miúdo.. Mulher ou miúda. Advogada, astronauta ou bombeiro. Podes ser aquele amigo que me segue até onde a Terra acaba ou o desconhecido que me sorri no metro das 8h10m. Podes ser o amor da minha vida. Podes ser o amor de muitas vidas. Podes ser eu a ser outra coisa.
Podemos ser felizes.
Afinal a felicidade não está no meu, nem no teu desempenho mas no simples facto de estarmos aqui, neste momento, um com outro a participar noutro episódio… 
IdoMind
about directing

abril 26, 2010

Parcialmente Nublado...ou não?

Nos últimos tempos tenho passado por experiências que me levaram a reavaliar valores e sobretudo relações.
Ponderar sobre o que ainda faz sentido manter na minha vida, cada vez maior (estranha, dirão alguns...) e aquilo ou aqueles de quem me devo despedir, reconhecendo a importância que tiveram na minha caminhada rumo a mim. E agradecendo-lhes.
O bem não é sempre bem e o mal não é sempre tão mau.
Tudo é parcialmente nublado.
Acredito que quem segue o Jardim, dá por si muitas vezes a pensar " Mas onde diabo foi ela buscar isto?"
Geralmente as minhas partilhas são bocados dos meus pensamentos, pedaços dos meus sentimentos sobre a vida conforme a vou vivendo. Por vezes são fruto de sonhos que tive, de algum encontro, de uma coincidência engraçada. Pode não parecer mas as sementes que aqui lanço têm uma razão de ser. Escrevo por um motivo...e com uma finalidade.
Explico-vos isto porque hoje me apetece-me partilhar convosco um video da Pixar. São cerca de 5 minutos que me fazem pensar várias horas. 
Até onde devemos ir, até onde devemos aceitar, até que ponto sofrer por aquilo que julgamos ser O correcto ? Como saber quando continuar e quando desistir. Haverá valores que se devem sobrepor à nossa felicidade individual?
Se tiverem paciência vejam. Se tiverem vontade, partilhem.



IdoMind
about cloudy things

abril 16, 2010

My Shin´s Day!!!!

Eu e tu. Somos sempre eu e tu.
Os anos passaram. Já lá vão alguns. Quase todos bastante dificeis.
E agora que olho para trás parece que a infância foi a mais longa das alturas.
Sobretudo a tua, que nunca na verdade largaste.
Mais uma férias. Faltas, muitas faltas e mais uma falsificação de assinatura.
Mais uma briga com o matulão repetente da escola que se meteu com a míuda do 1.º ano.
Mais uma mochila perdida...
Mais uma mentira aos pais.
E a tua força minha irmã. Essa tua força que vem de tal forma de ti que a Terra poderia girar duas vezes por dia.
Sabes, não estás muito diferente dessa criança rebelde, inconformada, que não ia embora para casa com um não.
Continuas inocente. Acreditas nas coisas e, Meu Deus, acreditas nas pessoas. De verdade. Com intensidade. Dedicas-te. Oferesces-te. Sofres, quando te dás conta que afinal só tu continuaste criança... No mundo perfeito que queres, os adultos deviam viver a brincar e brincar de viver. Acreditando que tudo isto é apenas um recreio.
As tuas pressas. A tua urgência no fazer. E rápido!
Ainda me irritas um bocado com isso mas também é por isso que te respeito.Tu és a que faz sempre alguma coisa...Porque é que toda a gente não vai brincar contigo, não é? :)
Tu és a que dança de mãos dadas cantando a todos que se juntem à festa.
Tu e eu, agora mulheres, à procura de nós.
Continuo assim, como na foto, por trás de ti, guardando-te. Mesmo quando parece que não me importo contigo. Mesmo quando não me vês. Como os anjos.
Tu e eu. No príncipio, agora e, gostava muito, sempre...
Amo-te
Parabéns

E se ainda tinhas algumas dúvidas que sou capaz de qualquer coisa por ti, aqui vai...

abril 15, 2010

Quando não há saída

Invento uma. Pode não ser logo. Preciso quase sempre de esperar que o pânico passe. Às vezes calha de chorar quando o medo fica mesmo assustador. Vem o desespero e espero um pouco mais. Não o contenho, não o controlo e não me iludo. A pedra está ali. É enorme. Praticamente um muro. Fico pequena. Falo sozinha. Lamento ser pequena e falar sozinha. Sento-me a ter pena de mim por tudo o que me acontece e que não mereço. Lá para o final do dia, e como o muro não desaparece, chamo a cabeça de volta para junto do pescoço. “ Anda lá, é só mais um desafio. Faz o que fazes tão bem – pensa.” Diz a mesma voz que me ensinou a acreditar no impossível.
Repouso então os olhos no que está à minha frente. De que forma trouxe eu isto à minha vida. A Lei é justa, só devolve o que geramos. Que filhos dei eu à luz cuja maternidade me custa agora reconhecer.
O burburinho do mundo confunde-me. Rodeio-me por isso do silêncio que preciso para falar comigo e ouvir o que tenho a dizer-me. É assim, calada e quieta, que faço o exercício da honestidade. Onde foi que podia ter ido pela avenida ampla da esquerda e fui pela ruela estreita mais à direita. De propósito. Que palavras a dançar nos meus lábio abafei. Que gestos pendentes anulei. Deixei novamente que pensamentos descontrolados dessem vida aos meus temores.

A ignorância é um luxo que se paga caro. Ainda ando aos trambolhões pela toca abaixo aprendendo que O País das Maravilhas pode ser pouco maravilhoso. E mais profundo do que pensava. De quando em quando ainda acho que há insignificâncias no Universo. Coisas mínusculas e sem importância que vão passar despercebidas. Como se o Universo fizesse pausas e não me prestasse atenção. Como se eu não fosse o Universo. Depressa, e cada vez mais depressa, é-me mostrado que tudo importa. Que tudo volta.

Este é o meu pecado – recusar-me a ser Deus. E a que é a maior das bênçãos torna-se na maldição que me leva a momentos como estes. De joelhos, em sincera confissão.
Conheço bem as minhas fraquezas. Tu conheces as tuas. Negá-lo é perpetuar a repetição da mesma dor. Das mesmas quedas. Das mesmas perdas…
E eu estou tão cansada…Tu não estás?
Bom, tenho de fazer qualquer coisa quanto a este muro. Quero continuar. Quero ver o que está para lá deste bocado de chão. Ainda de joelhos, ainda em silêncio, olho para cima e peço ajuda.
Prometo-me vigiar-me. Com muito amor, porque faz parte de ser humano não ser perfeito.
Prometo-me aceitar-me. Sem culpa, porque as diferenças são a cor do mundo.
Prometo-me mudar-me. Sempre, porque as mudanças são boleias das estrelas.
Sei que a felicidade não é uma opção. Só o tempo que demoro a reconhecê-lo.
A felicidade sou eu a agradecer todos os muros que ergo para chegar mais perto do Céu.
Como este.
Idomind
About Recognizing

março 29, 2010

Foram as vozes...


Fui homem como tu. Sei tudo sobre os teus cansaços. Senti o peso da pele que se oferece aos rigores da Terra. A mesma pele que recebe a carícia e a ofensa. Conheci a bondade e a intolerância. Comi com santos e falei com demónios. Lutei com os meus. Fui tentado. Tive medo. Tive tanto medo.
A lua estava quase cheia no Olival quando pedi que fosse afastado de mim o cálice. Já lhe adivinhava o sabor…Foi de joelhos que aceitei que fosse feita a Sua vontade e não a minha, porque era homem e não lembrava que a vontade Dele é a Nossa.

Fui espada como tu. Dividi. Feri.Trouxe guerra a cada casa conforme as batalhas a travar. As prisões a derrubar. As escolhas a fazer. A Vontade Maior a cumprir.
Fiz a minha Mãe chorar…

Eu ateei o fogo que queima e que limpa. Eu fui desordem.
Ensinei. Quem quis ouvir ouviu. Falei perigosamente. Livremente. O poder das palavras reside no seu uso oportuno. Necessariamente corajoso. Ideia alguma foi plantada sem as forças do vento contrário. Atirei as pedras que agitaram a placidez da ignorância. E as que deram Vida.
Fui homem como tu, no meio de outros homens como nós. Escarneceram de mim. Tantos dedos apontados. Tantos braços levantados. Só porque me atrevi a ser Eu. Porque permaneci fiel ao meu plano. Porque Me ouvi e fui até ao fim do caminho. Só porque a verdade assusta. Sendo pequenos como podemos fazer coisa grandes? Se formos só homens como podemos agir como Deuses?

Fui isto e muito mais. Este é o meu testemunho. Tudo faz parte. Aceita quem és e para onde vais. Decide quem queres ser e para onde irás a seguir. Escolhe. Tranquilamente. Amorosamente. Tudo faz parte. Tecer a coroa de espinhos e usá-la.
Olha para o Alto, de onde vens, sempre que a noite estiver demasiado escura para ver os sinais. Fala comigo quando olhares ao teu redor e te achares sozinho. Escuta-me à hora do almoço naquele banco virado para a praia dos pescadores. Eu não páro de existir porque não acreditas em mim mas só o saberás quando o quiseres saber.
Reconhece-me em todas as faces… e verás.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. E fui só um homem. Como tu.
Se tens ouvidos, ouve…

IdoMind
About The Exemple

março 26, 2010

"Está difícil fingir que está fácil"

Esqueci-me de onde vim. Do meu propósito. Dos que comigo aqui vieram para relembrar. Esqueci-me dos empurrões que combinei. Dos corações partidos que agendei. E daquelas palavras difíceis, tão duras de ouvir, que escrevi e dei a decorar. As lágrimas, grossas, que me aproximam da compreensão dos meus defeitos. Dos sonhos que julgo que são meus. E que afinal vêm de outro lugar. Daquele poço no meio do estômago onde o ego e o anjo se encontram à espera da digestão.

Sinto o corpo dorido das brincadeiras que planeei contigo, sentados lá, no nosso sítio na eternidade. Não me lembro quantos pontos valem as decepções. Quantas casas avançamos por cada “desculpa” que não dissermos. Para que nível passamos se conseguirmos travar a tempo aquele beijo. Se vence quem sofrer mais. Quem se camuflar mais. Quem for forte até fim e resistir à força maior que parece trazer-nos uma e outra vez ao Encontro. Não sei se é mesmo assim que deve ser, aguentar de pé amparados pelo orgulho, solitário, de não dar o braço a torcer. Não me lembro. E levo-nos a sério… E dói a sério. Como se fosse possível estar separada de ti.

Devem os meus braços estender-se mais uma vez, apalpando às escuras a tua presença ausente? É tão alto o teu castelo. E como são imponentes as minhas muralhas. Sei que estamos exaustos do Combate. Das perdas que ainda cá estão, por detrás dos gestos pensados. Dos passos cautelosos e lentos de adultos e bons alunos. Caem muito as crianças. Mas depressa voltam a correr como imortais.


Achas que podemos reinventar as regras?
Achas que podemos começar de novo? Todos os dias. Todos os minutos. Estabelecer uma nova meta chamada " Nós".

Podíamos começar assim: antes de qualquer jogada, sentarmo-nos uns instantes, três segundos que sejam já serão suficientes expirar a poluição alojada nos pulmões. Que nos contamina e adoece a alma. Inspirar então de olhos fechados percebendo que no relógio da existência temos a duração de uma borboleta. E o mesmo processo de transformação.
Obrigado por todos os rasgos que desferiste no meu casulo.
Fico a dever-te as minhas asas…
Obrigado por também te esqueceres que tu és eu a tentar chegar a casa. E eu sou tu a tentar lembrar-me do caminho.
Tu e eu… nos intervalos da verdade a brincar aos faz de conta.
Tu e eu a achar que isso existe para nos descobrirmos o mesmo sopro de Deus. O mesmo sangue. A mesma carne. A mesma alma. O mesmo destino - AMAR.

Em nome do amor vou fazer por me lembrar o quanto te amo.Todos os dias.Todos os minutos.Agora.De novo...
IdoMind

about doing it better

março 22, 2010

O Jardim Acorda

Este Inverno foi o mais longo dos Invernos.Trouxe um frio que não conhecia e nada me aqueceu. Assim fiquei, encolhida sobre mim, para que o pouco calor não se perdesse e eu, por fim, esquecesse acerca do mundo que é redondo e dá a cada coisa o seu tempo. Mesmo os Invernos longos não são eternos.

Numa destas manhãs, pareceu-me ouvir um apelo imperceptível que vinha lá de fora. A medo fui-me trazendo até à entrada do ninho onde aninhada aguardei a chegada da que sei que sou. Era a força da vida que cantava, anunciando a promessa dos começos que quisermos começar. Era a força da vida a renovar as minhas forças. Cantavam os pássaros, as árvores e até o mar bradava com a alegria de quem sabe que também a sua solidão estava a acabar. A nostalgia das praias desertas em breve partirá.

Era Primavera. Era isso que estava a acontecer. A despedida das trevas expulsas pela luz. Mais uma vez…

Tive vontade de chorar. Pelo que passou e doeu tanto. Pelo que ainda não passou e continua a doer. Pelas feridas novas que vou arranjar enquanto conduzo o Carro Sagrado. Estou parada com um pé na caverna e o outro no relvado cada vez mais verde. O Sol, ainda príncipe, manda-me tirar a roupa que abafa o brilho. E convida-me ao trabalho. É tempo de plantar. De perder as mãos na Terra semeando em solo rico as sementes do meu amanhã.. É tempo de fazer. De refazer. De desfazer. É tempo de acordar. Sacudir o que foi e preparar o que vai ser.

Sou a jardineira do meu jardim. Esta é a missão. Cuidar do meu pedaço de existência. Como puder. Com o que tiver. Guiada pela sabedoria de todas as outras colheitas. Dos dias de sol e dos dias de chuva, que me levaram a crescer. Dos muitos dias assim assim em que tive de escolher. Das Primaveras que não compreendi senão no Inverno seguinte.
Plante eu com humildade para aceitar que o meu jardim não é o melhor. O maior. O mais bonito. É só um pingo de cor, uma gota de orvalho, a quietude perfeita de uma manhã no cenário infinito da criação. E é lindo, assim humilde, cumprindo a sua parte no Desenho Divino.

Aguarde eu com Fé, os frutos que ainda batalham no ventre da Mãe rumo ao Céu. Não me deixe esta certeza no final feliz. Ainda que não o esperado. Todas as flores são bonitas se nelas procurarmos a sua beleza. E se me perfumarem o caminho, ainda que preferisse rosas, vou agradecer aos malmequeres.

Haja Amor no meu jardim. Na jardineira que dele trata. Nos que por nós passam. Nos que param. Nos corações que namoram com os actos. E com os pensamentos. Reconheça eu o Amor de que tudo é feito e viva assim em Amor comigo e contigo.

IdoMind
About my garden

janeiro 26, 2010

Daqui até Mim

Onde está a tal linha que divide o deserto, a floresta e os mil oceanos dentro de nós. Onde acaba o território árido em que estão sepultadas as dores e as mágoas e todas as palavras feias que nos nos disseram. Onde se escondem as pedras que ferem. Que nos rasgam os passos.

Quando me ausento e fico a olhar do outro lado da porta, vejo gente de areia. Gente seca. E choro um pouco. Por cada flor que morreu. Por cada borboleta que pereceu. Por cada metro do nosso bosque que não cuidámos. Por toda a gente verde que se deixou tornar amarela.

Vejo gente pedregosa. Com acessos difíceis. Ladeada de escarpas impossíveis de escalar. De vencer. São a gente das montanhas onde é sempre Inverno. Onde faz sempre frio. Onde a noite cai mais rápido. Isoladas no seu rigor sobrevivem dos hábitos a que a solidão obriga. Só contam consigo. Só esperam o pior. Não adormecem e por isso não sonham. O meu coração aperta mais um pouco. Bastava que baixassem a cabeça para que dessem conta do imenso vale que jaz a seus pés… Onde o Sol repousa os seus raios e a Mãe opera os seus milagres.

Suspiro e a minha atenção é cativada pelo desfile de exuberância da gente amazona. Orgulhosas da sua beleza inigualável. Vestem-se de fruta exótica que oferecem num bandeja enfeitada de elogios e risos que embriagam. São a gente ilusão. Trazem a inveja.Trazem o cíume. Sobrevivem dos insectos, tontos e meios cegos, que apanham nas suas teias invisíveis do faz-de-conta. Tudo é aparente. A verdade é tratada com antipressivos e não há imperfeição que alguma maquilhagem não disfarce. Mas por detrás da camuflagem colorida há apenas um vazio sem fim. Para onde não espreitam. Mais um antidepressivo e a festa continua. São os que mais me doem porque são a gente morta a fingir que está viva. Se conseguissem despregar os olhos do umbigo e descobrir o horizonte tapado pelas palmeiras ocas…

Eu sou de areia. Eu vivo nas montanhas. Eu enfeito-me. Eu sou toda a gente que foge de si. E dos outros. Eu sou a inadaptada que se adapta. Outras vezes sou só a que corre para o seu esconderijo, mais ou menos florestado, mais ou menos desértico, mais ou menos longínquo, para evitar a Grande Aventura. E os aventureiros que nos desafiam a conhecer outras paisagens. A percorrer outros caminhos. A perder-me…

Tu também és Eu a ser toda a gente. Tu também tens uma ilha linda num mapa só teu. Também és amarelo, escarposo e maquilhado. Tu também tens medo.
Somos todos jardins plantados sobre terrenos acidentados porque a vida não é plana.
Que o deserto seja travado com água da nossa Nascente. Que a montanha sirva apenas para nos levar mais perto do céu. Que na floresta encontremos a verdadeira Riqueza.
Que nós sejamos nós a fazer o melhor.
IdoMind
About being pure

janeiro 21, 2010

On/Off


Quero porque quero.
Não me perguntes outros porquês, porque não sei responder. Quero e quero muito. Tanto que perco o sono só em pensar que não vou ter. Ou que vou perder.
Hoje dormi uma hora. O meu travesseiro não aconselha, mantém-me bem acordada para me impedir de fugir à noite de tudo o que vou fugindo de dia.

Vamos lá a saber porque é que eu quero…
Porque é que é tão importante isto ou aquilo. Esta ou aquela palavra. Um convite. O olhar especial. Dinheiro… Ser bonita. Coisas e mais coisas. Porque esta urgência do que está para lá de mim.

São agora três da manhã e acho que, afinal, tudo o que quero é sentir-me segura.
No trabalho. Nas relações. Comigo. É só uma questão de segurança.Talvez seja mais honesto dizer controlo. Eu quero controlar. Chego à arrogância de querer controlar os meus sentimentos. De domar as emoções.
Se souberem o que sinto vão poder controla-me e isso é que eu não quero.

Pelas quatro da manhã revejo os meus medos. O que me leva a proteger-me. Do que é que quero ficar segura. A minha nuvem é o melhor lugar do mundo...
Como tu, quero evitar o sofrimento. Quero ficar segura de sofrer. Algumas lágrimas trazem lâminas que nos dilaceram. E aprendemos que chorar dói. Para evitar a dor, a jeito de vacina, imunizamo-nos contra o que faz doer – a própria vida.
É por isso que choramos cada vez menos e nos zangamos cada vez mais. Desprezamos o milagre que somos aceitando uma pequenez que não temos.
É por isso que não nos VEMOS uns aos outros. Não ouvimos os gritos presos nas mesmas laringes que nos dizem bom dia. Todos os dias. É por isso que não nos sentimos.

Cada um na sua nuvem, bem longe da nuvem do lado.
São os efeitos secundários da tal vacina que nos torna resistentes à vida. Perdemos a faculdade de sermos humanos a desfrutar da nossa a humanidade.
E não será esta a pior forma de sofrimento?
Resistir à vida também é resistir ao Amor. À gargalhada. À gratidão do combate bem travado em que nos descobrimos melhores e mais capazes do que pensávamos.
Vou aterrar a minha nuvem.
Que as minhas lágrimas sejam breves. Que os erros sejam mestres.
Will I see you around?

IdoMind
about understanding my self
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