junho 21, 2011

Próxima Paragem..?

Mana, lembras-te de cantar para ti? Sob a ameaça veemente que se contasses, eu negaria e todos te chamariam mentirosa? Ontem, mais uma insónia. Suave, foi só até às 4 e pouco da manhã…tive muito tempo a pensar em muitas coisas. Ocorreu-me essa memória de nós. Eras tão gira. Amorosa até ao enjoo. Eu fria. Até ao arrepio... Vai bem longo o caminho desde esses tempos de te infiltrares na minha cama quando fazias asneira, tinhas medo ou querias só que eu te amasse…É tarde e rio comigo mesma porque no fundo nada mudou assim tanto. Mantenho nestes ossos, agora mais sólidos e já consolidados, esse registo de rigidez e um desejo de ausência de tudo o que me peça alguma entrega.

A cama continua resistente a infiltrações. Assim como Eu. Dou por mim a dizer-me que sou assim. Como se “ser assim” justificasse o conforto de não tentar ser melhor. 
Continuo muito desperta. Nem um bocejo a anunciar a chegada de sono. Não me apetecia muito pensar no quero disto tudo. Bom era adormecer e amanhã quando acordasse isto tivesse passado.
Cheguei a uma estação que não me permite sentar-me a observar as chegadas e as partidas. Vou ter de embarcar. Vou ter de escolher um destino. Não gosto. Prefiro estar em todos os lados sem ter de estar em nenhum. Ou apenas num. A vida está a falar comigo e a dizer-me “Compromete-te. Aceita esta possibilidade de descobrir que uma existência enlaçada pode ser uma existência livre. Leve. Que ficar não significa parar. Nem entregar significa perder. Dar multiplica. É uma espécie de milagre que acontece a quem tem a fé suficiente para viver a sério. Não queres experimentar? Anda. Desembala-te e anda Encaixar-te”.

Como sinto uma pressão na barriga, sei que o meu desafio está aqui, no compromisso. Na chegada a horas ao trabalho de construir alguma coisa. De colocar depois todo o meu empenho nessa construção. De persistir. A luta para mim é manter-me com as costas viradas para trás. E o peito para a frente. Cravar pés na terra e aguentar os embates, sem desvios airosos. Descer o meu balão de ar e fazer algum turismo por aqui, onde anda toda a gente. Quem sabe até pedir um visto de residência…

Minha irmã, hoje cantaria para ti de novo. Se pedisses, é claro. Bem mais solta, sem as vergonhas ou os acanhos que tinha quando não gostava nada de mim. Mas continuaria a proibir-te de contar. Falta esse passo em direcção ao resto do mundo que não faz parte do meu mundo.
Só ainda fiz metade do percurso. Com muitos intervalos pelo meio. Encontrei-me com pessoas que não precisam de Deus para aceitar o combate de fazer o bem seja qual for o mal que as possa atacar. Pessoas que não precisam de ninguém para ser Alguém. Pessoas que baixam os braços de vez em quando e aprendem o valor da ajuda. Mostraram-me que todos temos as nossas lições. Feitas à medida.
Vi nos “ não consigo” delas os meus próprios e inspiraram-me a conseguir.
Consigo isto. Plantar sementes. Muito íntimas. Impregnadas de mim. Não conseguia até ter começado.
E afinal é assim, a felicidade não se espera, começa-se.
E eu começo por dizer sim.
IdoMind
about going a little bit further 

junho 15, 2011

Num eclipse qualquer

Ajuda-me. Não quero ser feia. Nem fazer coisas feias. Daquelas que aleijam e marcam e mudam as pessoas de formas que não imaginamos. Que quase nunca prevemos. Não quero andar por aí a ensombrar a luz de ninguém, acesa e mantida às vezes a tanto custo. Se adivinhássemos o peso de alguns sorrisos, chorávamos. Eu não quero ter de adivinhar o que carregas com esses olhos doces. Os mil desesperos agrilhoados na tua voz amiga. O que levas para a almofada e abafas lá, nesses sítios que precisam de palavras-passe.
Salva-me do egoísmo de me julgar a única filha de uma Mãe austera. Diz-me que também tens medo. Seja do que for. Ou não digas nada e pede-me só um abraço… Mas desaperta-me o nó da venda que te tolda de mim. Ajuda-me a Ver-te.

Desembaraça-medo arame farpado e segura-me enquanto dou o pulo para o teu lado da cerca. Recebe-me com carinho. Estou em bruto e também embrutecida. Desenvolvi sentidos apurados de defesa e de ataque porque em tempos me vi gazela numa selva feroz. Aprendi a misturar-me. A passar despercebida para não ter que lutar. Tornei-me hábil a criar distracções para evitar respostas urgentes, escolhas arriscadas e, no fundo, assumir quem sou. Fui sendo conforme me foram permitindo, de modo mais ou menos indolor, de todas as cores sem mostrar a minha. Este foi o meu plano de fuga do que se chama viver. Não me apetecia o incómodo da conquista e fiquei-me pela indiferença.

Revelei-te o meu esquema. E ainda oiço o seu apelo ao longe, algumas vezes. Com algumas pessoas...Ainda é fácil gelar as emoções e desligar-me da corrente. Desunir-me de tudo o que exige a exposição da minha fragilidade. E ficar fechada na caixa. Mas não quero. Cá fora estás tu…
A alegria pelos sucessos dos que amo. O companheirismo que se revela naquela etapa mais dura. A felicidade de um convite. De uma descoberta. De um Encontro…
Vou ficar. Ajuda-me estimar-te. A tratar-te bem. Sem fios que se puxam para fazer mexer a cabeça ou o coração. Sem leituras de pensamento. Sem esperar nada. Nem palavras, nem gestos, nem a chegada das pessoas que não somos. Eu e tu a sermos eu e tu. Só. A partilhar idiotices inconfessáveis. A confidenciar mágoas e ecos de episódios com finais pouco felizes. A entregar a chave que nos abre a Alma.
Esta é a minha. E podes entrar…

IdoMind
about nudity

junho 09, 2011

Príncipes: precisam-se


O Amor está poluído. Coberto de nódoas. Dos restos das decisões mal decididas. Do perdão que não nos concedemos. Das sobras das decepções e dos despojos do que fomos perdendo. Tijolo a tijolo, erguemos as paredes que, tijolo a tijolo, temos de demolir. Vamos embatendo nas paredes uns dos outros. Partindo a cabeça. Rachando o coração.
Juntamos os pedaços, enquanto juramos que “nunca mais” nos vamos empenhar tanto. Dar tudo. Fazer isto e muito menos aquilo. Que vamos ter mais cuidado. Há quem jure nunca mais amar…Há quem o consiga. São os que vão estando sem estar. Aqueles dos beijos sem a troca e dos truques aperfeiçoados de cama em cama. Deixam os lençóis com o cheiro a nada e os braços pendurados a abraçar o vazio. São os Vazios que nos esvaziam.
Damos por nós a consentir que nos manchem a alma. Autorizamos o roubo da nossa essência. Dos nossos sonhos. Do que desejamos que a vida nos ofereça. Escondemos bem escondidos os sentimentos porque sentir é coisa de gente fraca e todos queremos ser fortes. Temos de ser fortes. Então, com o peito destroçado, acenamos a cabeça e dizemos que está tudo bem. E dizemos que compreendemos, o que não tem qualquer compreensão.

O Amor escapa das etiquetas. Não se cataloga. Não tem preço. Não é um produto como outro qualquer ao alcance da nossa mão e das nossas posses. Não se compra, não se permuta, não se usa e deita fora depois de bem amarrotado e pronto para a reciclagem. O amor não é negociável. Não obedece a termos, condições… a prazos. O amor não é nosso, é o que somos.

É uma dádiva que devemos dar se é a dádiva que queremos receber. Exige respeito. Viagens para fora do nosso umbigo, ao lugar onde mora a sensibilidade do outro. Não vale atropelar sem sequer olhar para um lado. Não vale mentir. Não vale tudo…
Deve ser simples. Digno e dignificante. Deve ser bonito…
Mas suponho que faça parte complicar até termos perdido noção das regras e já nem sabermos porque começámos o jogo. Esquecer por uns tempos a honra em nome de uma vitória oca. Tão fugaz que precisamos de lançar os dados outra e outra vez só para sentir qualquer coisa.

Sei que a minha valentia não é em vão. Eu mereço o risco de nem sempre acertar. E o de ser atingida…
Quando chegar vai ser simples. Digno.Cheio de Beleza. Eu sei.
IdoMind
About getting on track

maio 27, 2011

Mania das visões

Agradecia que parasses. Por ai mesmo. Encontraste o sentido da vida e fico feliz por ti. Não me tires o prazer de descobrir o Meu. E então se for mais a Norte? No Oeste? Noutro planeta rodeada de gente verde-alface com antenas? E então? Os traços das nossas mãos são diferentes porque a nossa Viagem não é mesma. Deixa-me desviar-me, andar às voltinhas, perder-me até. Julgas que esta fé foi encontrada numa rua bem iluminada? Que dei de caras com esta coragem, sem lutas, sem máculas? Por cada escolha há um atalho. Ou muitos. Alguns com a placa de sinalização, outros que só se revelam quando nos livramos das silvas e regressamos à nossa rota. Há atalhos tão largos que se confundem com a Estrada Principal…

Com um pé no Desvio e outro no Caminho, cheguei aqui assim – mais Mulher. 

Aquela que dizes que gostas. Que respeitas. Então porque te esforças tanto para me mudar? Poisa o martelo e espera que seja eu a quebrar a minha casca. Cá dentro a transformação ainda está a acontecer. As minhas entranhas ainda se revolvem muito a ajustar-se à pessoa em que me torno. Permite-me sentir-me a mudar. Por mim. Ouvir a pele velha cair e a nova a romper, por vezes furiosa, outras timidamente. Eu e a Mudança não nos damos bem, uma de nós é sempre violenta para a outra. Não queiras estar no meio porque serás tu a perder…

Podes desejar-me o melhor, mas sabes lá se me fará bem. Desconheces o meu propósito. Os mil seres que hospedo neste peito, cansado e confuso. Por isso, espera. Fica só por perto. Se te apetecer. De lanterna acesa e ombro preparado nos becos por onde me sitiar. Por acaso já conseguiste dividir uma dor? Cortar lágrimas a meio e entregar uma parte a alguém para não teres de chorar tudo sozinho? Eu não. Caminha comigo então, não por mim.
Pára de me empurrar. De me apressar. De me deixar na mesa-de-cabeceira os desenhos do trajecto por onde achas que devo seguir. Só conseguirás que siga por outro, o mais distante possível de teu… Esta sou eu, a autodidacta. Partilha comigo a vitória sobre todos os labirintos. Festeja as minhas feridas porque me trouxeram até ti, até aqui, assim…Partilha comigo a tolerância pelas desigualdades. Todas elas. Principalmente as que te foram mais difíceis de entender. De aceitar. Nelas está o trabalho que tenho para te oferecer: amar mesmo sem nem sempre compreender.
IdoMind
About patience and patient people

maio 19, 2011

Vem tudo abaixo, vem tudo de Cima

Que eu não tema nunca os raios paridos das nuvens negras que se abraçam a avisar-me do que aí vem. Qualquer tempestade se anuncia. Que eu retribua com igual educação e não a ignore. Nem aos gritos dos trovões ordenando que me mexa. Busque eu o guarda-chuva e poise o comando da televisão. E a desligue em vez de lhe aumentar o volume. Que eu não tema o fogo que consume o telhado. Que come as portas de todos os quartos.
Esta é a casa de Deus e estremece quando eu me fixo, porque o chão é morada para as árvores. A minha é no céu. De quando em quando caio na tentação de penhorar as asas em troca de raízes. Apenas para perder ambas. E depois descer a correr, com os pés nus, a escadaria da torre que erigi, com uma janelinha para a vida. 
Foi o Diabo que me levou ao colo, cantando-me as mentiras destinadas a ruir. E agora que caem, Eu caio também. Há pedaços de mim misturados com os escombros. O meu coração. Meio partido, meio perdido, muito ferido. Mas limpo. Livre do que não É. Do que nunca foi, nem Meu, nem para Mim. E do ego desfeito no solo, solta-se a alma. Sacode-se e grita o meu nome, para que de novo me junte a Ela na busca de Nós.
Perdi-me no orgulho de achar que tinha chegado, cega aos círculos em que me cerquei. À estrada infinita estendida à minha frente. Fiz da estalagem um lar e deixei-me ficar. Com as portas bem fechadas sem perceber que não estava segura, mas apenas trancada. Sufocaria no meu próprio ar não fosse esta gloriosa perda.

Estou só a levantar-me e já vou. Naquele amontoado de destroços estão expectativas, muito trabalho, alguns maus bocados, o saldo dos fracassos e dos sucessos. Estão lá os desejos que desejei. Os silêncios doados por um bem maior, o que fiz e deixei de fazer para que as coisas corressem bem. Quanto investimento pessoal na manutenção da estrutura... Estão ali soterradas as recordações da pessoa que me esqueci que era. Naquele monte de pedras está a minha fotografia…

Vou olhar só mais um momento. O suficiente para conseguir agradecer à providência a queda inesperada da farsa. Preciso de encontrar a Ordem no caos que ficou depois desta Intervenção.
Morri antes de morrer. Talvez não morra ao morrer.
Agora é só nascer. Outra vez.
Ser de novo... Sem ficar Velha.
IdoMind
about the best for me even hidden in the worst

maio 16, 2011

Mas qual será o bendito do planeta?

Desculpem. Não me deu para a seriedade nem para análises filosóficas sobre a vida. Estou meio aérea e com grande dificuldade em ser adulta. Não me apetece. Desde sexta-feira que estou nisto. Espero que passe rápido. Enquanto não passa, hoje dou-vos música.

Adoro música. Deixar-me levar por ela. Ou ficarmos as duas na minha sala, despreocupadamente, a dançar. A dança puxa o canto. Claro. Em menos de nada estou a fazer duetos. Empenhadíssima em acompanhar a voz do outro, esforçando a garganta para não o deixar mal nos agudos. E o que eu canto! Posso não encantar, mas divirto-me muito. Dá-me um certo prazer fazer estas figuras tristes… E assim, com o espírito preenchido de boa disposição, agradeço terem inventado a música.


Nas minhas piores telhas – música.
Se preciso de ideias – música.
Quando já não aguento o ruído todo cá fora – música.
Naquele jantar - música…muita música…

Há uma melodia agrafada junto ao registo dos meus momentos marcantes. Quer sozinha, quer com companhia, quer completamente sozinha com companhia, de fundo houve sempre qualquer coisa a tocar. E toca até hoje. Como se as notas desses momentos tivessem conquistado a vida eterna, ecoando para lá do efémero. Sempre que oiço Jeff Buckley inevitavelmente lembro-me que enquanto assinava o meu divórcio, de um rádio qualquer dentro da conservatória, só se ouvia “ Aleluia, aleluia”…
O doido de um cliente que me enviou um CD para o escritório com o “Princesa” gravado umas trezentas vezes acompanhado com uma carta onde escreveu o seguinte trecho: 
Tu és... tudo aquilo que um homem pode querer 
Dás-me prazer, 'tás ao meu lado para me defender 
Adoro o teu sorriso, quando me olhas com ternura 
Acredita, eu paraliso 
És bonita, simpática, tão atraente 
Derretes-me todo, com o teu olhar inocente 
Palavras doces na tua boca parecem brisas 
Tu não andas, tu deslizas

Na altura não achei piadinha nenhuma. Ia à igreja todos os dias, apertava o último botão da camisa e ainda não jardinava. Mas hoje, se calha de ouvir isto, atiro-me para o chão a rir.
É claro que Anthony and the Jonhsons me leva ao Coliseu, à minha irmã…
O samba ficou associado a um kumbáya, danças do mundo lover, a querer convencer um grupo de alternativos que aquele ritmo era espiritual.” Uma cena muita profunda” na expressão dele. Do meu ponto de vista, foi a fuga mais rápida de uma sala de estar a que já assisti.

A música que ouvimos, diz quem nós somos. A música que ouvimos diz como é que estamos. Uma espécie de barómetro de humor. Revela como vai o nosso coração. A nossa cabeça. A nossa vida. Em quem pensamos.E em quem gostávamos que pensasse em nós.
Eleva-nos ou ajuda-nos a abrir o buraco onde nos afundamos. Alegra-nos ou vai buscar o lenço. Põe-nos a sonhar ou deixa-nos perdidos no nosso próprio pesadelo. A música reflecte-nos. 
Quase instintivamente, quando conheço mal alguém, tento perceber que música gosta. E adivinhem lá qual é a primeira informação que vejo nos perfis do facebook…
A música combina com banho. Velas e vinho. Com conduzir. Com esplanadas. Parvoíces e amigos. Rima com beijinhos. E mais qualquer coisa.
A música tem uma alma. Que fala com a nossa. É só calarmo-nos e Ouvir o que dizem.
O diálogo hoje deve ser interessante, oiço a Fiona Apple cantar ..

IdoMind
About everything that surrounds me
P.S. Eu avisei que não estava para seriedades.

maio 06, 2011

Profundidade ou só Idade?

Tudo espremido sobra o sabor. O gosto que fica depois da prova. O sorriso que se abre ao lembrar ou a cabeça que se esconde entre as mãos a jeito de se querer esquecer. A vista sobre o pomar fecundo que cresce para lá da cerca ou a maça caída na terra a morrer sozinha. No fim disto tudo fica o que deixamos… O legado é dado em vida e nele se encontra, ou se perde, a nossa imortalidade.
É agora que estamos a fazer a nossa história. Depende de nós registá-la em vários volumes ou resumi-la na inscrição simples duma pedra tumular. 


Deve ser porque gosto de escrever, mas quando me ponho a pensar no fim, que pode vir inesperadamente amanhã, imagino o resumo desta minha vida espalhado em diários arquivados numa fila de prateleiras infindável. Vejo-me sentada no chão a ler os capítulos escritos pelos que se cruzaram comigo. Tento adivinhar a narração que fariam do encontro imediato de terceiro grau, aqui com a jardineira. O que pensaram, o que sentiram. Que diferença fiz. Que gosto deixei…

Não ando com ideias estranhas, só com muita consciência do que é realmente importante. A qualidade dos nossos dias é definida por nós. E só por nós. Esta é a verdade. A que nos custa a aceitar porque isso de ser diferente e sair por aí a fazer impossíveis por nós e pelos outros é coisa de super-heróis. Identificamos-nos melhor com o cidadão anónimo e desprotegido à mercê de um vilão qualquer. Disfarçado num chefe qualquer. Numa mulher ou marido qualquer. Num azar. Pode ser mais fácil acreditar que O poder está fora de nós, não necessariamente menos doloroso.

Celebrei o meu aniversário ontem e parece que tive uma ameaça de epifania. 
As mensagens de parabéns vieram de todas as maneiras. Até por correio! Normal, aquele que ainda leva selo. Amigos de longa data e outros mais dentro do prazo, clientes que não vejo há anos e clientes que vejo mais que aos meus pais, pessoas a quem compro coisas (como a senhora que tem o melhor pão de Mafra do mundo!) tiraram minutos do seu tempo para me dizer “ Lembrei-me de ti”. E com carinho.

No fim do dia, já deitada, dei por mim a concluir “Nós somos aquela parte que também fica a fazer parte dos outros.
A parte que quero dar é a melhor. A mais compreensiva. A mais solidária. A mais madura. A que pensa no que está por detrás das acções e das coisas que nos fogem da língua, antes de agir. Ou de reagir. Que faz perguntas a si própria e procura entender antes de julgar. A que está lá por amor. Por nenhuma outra razão. A parte de mim que entrego é, seja a que for, a verdadeira.
Farei HOJE para que, tudo espremido, sobre sempre uma gargalhada ou a alegria por ter deixado esta Parte na Vossa parte…
IdoMind
About my writing

maio 04, 2011

O tempo não tem asas, comprou um jacto particular!


Hoje deu-me para parar. Seguir de olhos abertos, o que já ouvi tantas vezes de olhos fechados, e ver-me como uma personagem de uma história. Sem me envolver. Sem me identificar com a pessoa que me fui fazendo. Observar-me. De longe.
Só ainda passou meio-dia e já me fartei de rir. Gosto do que vejo. Gosto de mim nesta pele. Sou boa pessoa. Genuinamente empenhada em melhorar o que me rodeia. Acordo geralmente a cantar e confiante que todos os dias serão grandes dias. Faço rir. E rio também porque viver é muito giro. E dá prazer. Há a cama feita de lavado, o café fresco e o peculiar vizinho que antes do jogging matinal faz o seu aquecimento, mesmo em frente da janela da minha cozinha, de calçãozinho, meia branca e uma fita à rambo do fitness encaixada na cabeça.

O mar acompanha-me. Viver aqui, tão perto deste azul todo, faz-me sentir agradecida e lembra-me a menina, que conheci num dos meus voluntariados, perguntar-me como era a praia. Lembra-me que chorei nesse dia. Ninguém devia partir sem saber como é a água salgada a namorar-nos o corpo. Ou o som das ondas aos murmúrios. Ela partiu.

E vejo outra coisa que me agrada: eu gosto das pessoas. Por razão nenhuma em especial. Gosto delas. Desejo-lhes bem. Ajudo no que posso. E sobretudo no que me apetece. Recusar ajuda é muitas vezes a melhor forma de ajudar. Ninguém pode caminhar o Caminho alheio. E ainda que sofram connosco ninguém pode sofrer por nós. Acho que gosto da sensatez desta gaiata que arrendei…
Vejo-me a lidar tranquila com o meu lado menos luminoso. Ou iluminado.Com o facto de não ser perfeita. De ainda andar de grosa na mão a alisar arestas. Bem cortantes algumas delas. Eu sei. Observo isso daqui. As minhas palavras têm força. Que eu domino e direcciono com mestria. Porque algumas me fizeram mal também a mim, sou agora selectiva no meu vocabulário. Escolho expressar-me com e em Amor. Porque o Amor não dói. Nem destrói. Só a sua ausência. Eu escolho construir.
Agora vem a parte a engraçada. As noites em claro. As lágrimas queixo abaixo. O peito às palpitações descontroladas. Sem ser daquelas boas. As outras... Como se não bastasse ser humana, ainda sou mulher! Tenho a menstruação, a lua e uma série de processos bioquímicos a empurrar-me para o chocolate, para o charco aos beijos aos sapos e para o sexo descomprometido quando a paciência é atropelada pela vontade…Tenho renda para pagar. A idade a avançar. A gravidade a actuar. Ahhhh! São três quilos de Toblerone se faz favor!
Rio de novo. Sou divertida quando estou bem, mas sou hilariante quando estou mal.

Vejo daqui a minha irmã. E brilho muito. Ora ao abraço, ora ao palavrão, ela é a minha bomba de gasolina no meio do deserto. Reconheço daqui quem me ama. Só porque sim. Tanto, que até dá a sua paz quando a minha vai de férias. Ou emigra mesmo por uns tempos. Mais um palavrão, uns copos valentes em pura partilha ou aquele alinhamento dos chakras e fica tudo bem. Volto a rir pelo bom trabalho que os nossos pais fizeram… Duas e ambas destrambelhadas…
Vale a pena. Com tudo e por tudo, vale a pena. 
Gosto deste truque de olhar de cá cima para mim lá em baixo. Subo mais um degrau e quando mais alto estou, melhor vejo que a Vida é só uma perspectiva. Se mudarmos de lugar vamos vê-la de outra forma…
IdoMind
about random and apparently meaningless thoughts

abril 21, 2011

Foram as vozes...

Reedito hoje um texto que me saiu lá das profundezas quando o escrevi.
Os tempos negros de então, deram lugar a maior claridade. Sei hoje que assim é. Sempre. Tudo se sucede, permanentemente. Ou nas sábias palavras da minha querida avó Bernardete " Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe."
Porque estamos na época certa, aí vai.
A todos uma Santa Páscoa.


Fui homem como tu. Sei tudo sobre os teus cansaços. Senti o peso da pele que se oferece aos rigores da Terra. A mesma pele que recebe a carícia e a ofensa. Conheci a bondade e a intolerância. Comi com santos e falei com demónios. Lutei com os meus. Fui tentado. Tive medo. Tive tanto medo. 

A lua estava quase cheia no Olival quando pedi que fosse afastado de mim o cálice. Já lhe adivinhava o sabor…Foi de joelhos que aceitei que fosse feita a Sua vontade e não a minha, porque era homem e não lembrava que a vontade Dele é a Nossa.
Fui espada como tu. Dividi. Feri.Trouxe guerra a cada casa conforme as batalhas a travar. As prisões a derrubar. As escolhas a fazer. A Vontade Maior a cumprir.
Fiz a minha Mãe chorar…

Eu ateei o fogo que queima e que limpa. Eu fui desordem.
Ensinei. Quem quis ouvir ouviu. Falei perigosamente. Livremente. O poder das palavras reside no seu uso oportuno. Necessariamente corajoso. Ideia alguma foi plantada sem as forças do vento contrário. Atirei as pedras que agitaram a placidez da ignorância. E as que deram Vida.
Fui homem como tu, no meio de outros homens como nós. Escarneceram de mim. Tantos dedos apontados. Tantos braços levantados. Só porque me atrevi a ser Eu. Porque permaneci fiel ao meu plano. Porque Me ouvi e fui até ao fim do caminho. Só porque a verdade assusta. Sendo pequenos como podemos fazer coisa grandes? Se formos só homens como podemos agir como Deuses?

Fui isto e muito mais. Este é o meu testemunho. Tudo faz parte. Aceita quem és e para onde vais. Decide quem queres ser e para onde irás a seguir. Escolhe. Tranquilamente. Amorosamente. Tudo faz parte. Tecer a coroa de espinhos e usá-la.
Olha para o Alto, de onde vens, sempre que a noite estiver demasiado escura para ver os sinais. Fala comigo quando olhares ao teu redor e te achares sozinho. Escuta-me à hora do almoço naquele banco virado para a praia dos pescadores. Eu não páro de existir porque não acreditas em mim mas só o saberás quando o quiseres saber.
Reconhece-me em todas as faces… e verás.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. E fui só um homem. Como tu.
Se tens ouvidos, ouve…

IdoMind
About The Exemple

abril 08, 2011

"Deslarga"


Queres manter o quê afinal? O conforto pequenininho de uma vida assim-assim ou a imagem no espelho da casa-de-banho que penteias para o mundo. O que merece afinal esse esforço todo para manter? Esse amassar do coração todo. Esse sacrifício todo. Esse desespero íntimo todo. Esse medo todo. Dependes. Delegaste a responsabilidade de ser feliz em mãos alheias. Aceita então as bofetadas.
E aceita que podem acabar no instante em que decidires que queres que acabem.
O meu instante foi numa fila de trânsito. Encostei assim que pude e estive muito tempo a chorar sentada na relva de um jardim. Tudo ficou tão claro. Como se houvessem dois Sois a iluminar a Terra. Estava mesmo cansada… De não ter orgulho de mim. De exigir o inexigível. De falar estrangeiro e de ser estrangeira. Da incapacidade de corresponder. Da culpa.Tanta culpa.
Cansada de esperar.

Mas esperar o quê? Era ao contrário: estava tudo à minha espera. Está sempre tudo à minha espera. Que eu vá. Simplesmente vá. De preferência sem malas. Fazer o que me apetece. O que considero correcto ou aquilo que combinar melhor com aquela que a minha pele abriga. De seguir o meu grilo. Ser quem me traz paz e sonos tranquilos. Que eu ria. E que eu abrace por amor, amizade ou porque compreendo que é difícil ser Homem. Que diga sim ao compromisso de tratar da minha parte com o máximo respeito por mim. E, inevitavelmente, com o máximo respeito por todos.

Está tudo à espera que eu seja o exemplo. E para isso é necessário que eu seja livre...

Que tire do bolso as chaves das celas do estabelecimento prisional chamado “EU”. Que o faça voluntariamente. Antes do motim. Antes que a revolta instaure a Justiça, com uma zanga, que a honestidade escusaria. Que eu entregue as chaves antes que me sejam arrancadas. À força e no momento menos esperado.
Se eu conseguisse dizer-te no que acredito, começavas hoje a ser livre. Perguntavas-te se isso de que precisas é a causa da tua felicidade. Ou da tua infelicidade... 

Talvez concordasses comigo e te livrasses, agora, do que cumpriu o seu papel e está fora de prazo. A personalidade caduca que já só te traz dissabores em vez de sorrisos. O casamento morto sem a certidão de óbito emitida. O trabalho frustrante que te dá dinheiro para comprimidos. Ou cursos de pintura…Esses objectos todos que ocupam o TEU espaço e o tempo dos teus filhos. Da tua mulher, namorada ou da tua vizinha de cima gira como tudo. Do passeio junto ao rio enquanto o sol de põe e percebes como és abençoado.

É isso que queres manter? As chaves? Continuar cativo dentro de ti aprisionando também o resto? Ficar pelo mais ou menos. Oferecer o mais ou menos. É um direito que te assiste. Mas exerce-o pelo menos com rectidão e não reclames na hora de receber, porque a vida só existe devido ao justo equilíbrio de todas as coisas.
Eu escolho assumir o dever de ir. De largar. De desamarrar a alma dos pesos que a mantêm retida na mediocridade e procurar o Melhor. O Excelente. O que tem o meu nome escrito...
Conferindo também ao Outro essa sagrada possibilidade.
IdoMind
About making the necessary changes

março 29, 2011

Quem tem rabinho...

Medo aproveita este teu tempo. Acordaste forte. Parece que andaste a amealhar todas as migalhas que fomos atirando para a tua cova. Esse poço escavado na terra onde as lágrimas do desespero te matam a sede e as pequenas rendições de todos os dias te entregam a vitória. A esperança, essa, levas como despojo. És hoje o dono e o senhor do coração dos Homens. Estás no comando a ordenar-lhe que recue. Ou que atropele. Que pense só em si. Nos que tem lá em casa. Que se preserve. E se guarde fechadinho na sua Arca esperando que ninguém lhe bata aos portões. Pode ser que saiba nadar e não seja levado pelas águas… nem morra afogado.
Medo, estás a fazer do Homem de novo um bicho a rastejar. Mas agora para dentro do charco…

Ficou tão caro chegar aqui. Todas as mortes que nos levaram à defesa de cada vida. Toda a violência que nos fez querer a paz. E respeitá-la. Todo o domínio, injustificado, perverso e corrupto, que nos empurrou, mais cedo ou mais tarde, para a liberdade. Fizemos dos princípios Lei e a nossa Essência viu-se espelhada no reconhecimento da dignidade da pessoa humana como um valor inviolável e a construção de uma sociedade livre, justa e solidária como um objectivo fundamental. Atravessámos a escravatura para isso. Genocídios embaraçantes. A tirania. Uma história escrita a sangue pelo punho do poder e da ignorância. Todos consentimos. Todos estivemos de um lado e do outro. Hasteando as nossas razões fugazes, para logo a seguir saltitar para outra razão, mais razoável, que voltámos a hastear.
Estivemos nisto tudo juntos. A única coisa que alguém consegue fazer sozinho é morrer…

Ainda estamos juntos nisto. E ainda consentimos tantas coisas. É o medo a mandar-nos estar calados. Quietos. Omissos nos nossos deveres disto de Ser-Humano.
Talvez daqui a uma mão cheia de anos seja tão natural dividir a nossa abundância com os outros como é hoje dar um emprego a uma pessoa de cor, permitir que as mulheres votem ou que alguém desfavorecido estude e possa ser advogado, médico ou engenheiro. Talvez um dia seja impensável ignorar a fome de uma criança, a solidão de um velho, o sofrimento atroz da pessoa ao lado. Talvez um dia a Lei também preveja como nosso dever e como nosso direito Ser melhor.

Onde quer que estivesse na altura, ficaria muito feliz ao ler uma IdoMind qualquer a divagar sobre um tempo em que algumas pessoas acreditavam que podiam estar bem mesmo se houvessem muitas outras que estivessem mal. Uma época de trevas, governada pelo medo, em que se julgavam separadas umas das outras e independentes do Destino que as une.
Sorrio ao imaginar-me numa versão futurista, com um fato prateado num jardim holográfico a escrever com o pensamento, incrédula, sobre uma altura em que foi preciso o colapso dos pilares de uma sociedade oca e disfuncional para que cada um se mostrasse parte do todo e decidisse contribuir de forma diferente. Eu no futuro, a escrever sobre a construção das escadas do Caminho Ascendente, feitas das ruínas do que já não servia o nosso propósito Maior.
Espero escrever sobre a valentia do Homem que apesar da dor, das perdas, das noites mal dormidas se fez gigante e venceu o medo. Sobre o Homem, finalmente, a compreender-se mais que os que os lírios do campo…
IdoMind
About rought crossings

março 25, 2011

Vamos nessa, Vanessa?

(foto de Shin-Tau)

Preciso de falar contigo. Agora. Convidas-me a visitar-te? Esperas por mim à entrada e mostras-me os cantos da tua casa? Gostava que me deixasses conhecer-te. Acho que merecemos. Tenho um só pedido. Tira a armadura se faz favor. Também aqui vou deixar a minha. E vamos os dois, desarmados, travar a grande batalha - o resgate de nós mesmos.

Depõe aqui as atitudes hoje-não-que-quero-estar-sozinho, quando não queres; as palavras-punhal que arremessas para ferir quando tu próprio sangras, a indiferença pensada que encenas para ver se ainda está lá alguém… com atenção a ti. Depõe aqui o sarcasmo-escudo, a seriedade falsificada, o orgulho que embrutece. Depõe aqui o que te mantém aqui. Ainda nem sabes onde pertences e defendes esses metros quadrados como se morresses sem eles.
Olha para a frente. Para lá do horizonte cravado nos teus olhos pode haver uma ponte. Feita de estrelas, de coincidências, de sinais a lembrar-te que és infinito. E que é para lá que te diriges. “To Infinity and Beyond”! Brinca. Ainda sabes como se faz?

Se eu te chamar para jogar às escondidas, vens? Ou ao lencinho. À apanhada! És capaz? Tiras a gravata e vais no meu encalço? Escondes-te no armário e ficas à esperas que eu te descubra? E depois corremos os dois a ver quem chega primeiro. Fazes batota e eu deixo-te ganhar porque sou mulher e a minha vitória reside na tua gargalhada. Estou a falar muito a sério. Vês-te na brincadeira comigo? Despreocupado. Leve. Feliz… porque é tão bom o quentinho do Sol, o cheiro dos bebes, dar beijos, aquela música que enche o espaço...

Eu só sei brincar. Eu só sei Rir. Eu só me sei descobrir em todas as coisas. Levar e deixar o que me é concedido com tanta generosidade. Eu só sei retribuir por estar viva. Nasci para me amar em tudo. E para me divertir no processo. É para isso que aqui estou. E tu também. Se tropeçasse numa lamparina, pedia ao génio um tapete mágico para ti. Para que te sobrevoasses. Para que te elevasses acima de cada momento. De cada parte de ti que se encontra contigo a pedir-te uma decisão. Tu, no teu tapete mágico movido a alegria, a seres muitos. A perceber que ninguém é além de ti. Que ninguém está sozinho. Que ninguém é mau. Frio. Com a mania. Incompreensivo ou inflexível. Cada um veste uma armadura diferente. Só isso. 
Convida-te para casa deles. Diz-lhes que não vais estragar nada. E não estragues mesmo. Pisa com meiguice o soalho vizinho porque pode ranger, de tanto desgaste, até ao passo mais suave.

Se quiseres dou-te boleia na minha carpete. Claro, carpete! Um tapete não me chega. Gosto de companhia. De andar por aí a exibir a Beleza disto tudo. De espalhar os pós pirlimpimpim cor-de-rosa choque ou azul-céu que trago sempre numa bolsinha junto ao coração. Adoro passar em voo raso, esticar a mão e agarrar os prevenidos. Os imunizados ao sonho, à esperança, ao desejo que não tem rédeas. Enlaçar com energia os asmáticos que respiram a experiência aos bocadinhos e com cuidado. Puxá-los para a carpete e levá-los a tomar um chá na Terra do Nunca. Trazer os doentes a arejar. Aqueles que acreditam que não há nada a fazer. Que a sua cura vai adoecer outros. Ou que será tão sofrida que preferem morrer devagar. Sentados numa cadeira ou prostrados diante de uma vida que nem para eles já faz sentido.
Eu escolho celebrar a existência. Anda comigo, sem armas, dizer-lhe obrigado. 
Por tudo…
IdoMind
about the ficcion 

março 18, 2011

Da Brisa para o Ciclone


Queres exemplos. Está bem. Até porque me é mais fácil ser concreta. Arrumada. Com as atitudes e respectivas reacções devidamente catalogadas. Vim ao arquivo para atender ao teu pedido. Espero que os ficheiros que escolhi, te sejam úteis. Sabes que a minha história tem sido emocionante. Estranha, dirás tu. Talvez. Mas olha o que fez de mim. Uma jardineira! Um touro aviador a saltitar de nuvem em nuvem. Sem se importar com a altura, a distancia ou com o dinheiro que tem no bolso para voltar.

Não sei se fiz sempre tudo bem. Não devo ter feito porque chorei muitas vezes. Fiquei sem dormir outras tantas. E andei à luta com sentimentos pouco bonitos dias e dias até decidir como queria encerrar o combate. Tive tão pouco orgulho nalgumas decisões. Cujo custo paguei, não muito depois, sem refilar. Sem -porque é que isto me está a acontecer- e, definitivamente, sem desconto. O preço certo. No saldo da nossa vida não há regateio. Paga-se e recebe-se na justa medida do que dá. Mas isto tu sabes. Queres é exemplos.

Por exemplo, não gosto de toda a gente. E então? Tenho de gostar? Porquê? Se queres saber, não perco grande tempo a pensar porque não sou Jesus mas mais a sê-lo. Onde não sou santa sou honesta. Sou íntegra. Sou eu…Não me parece correcto fazer um esforço para estar com quem não quero ou não gosto ou não me diz nada. Eu não gostaria que alguém se esforçasse para estar comigo se não quisesse, se não gostasse de mim ou se lhe fosse indiferente. Já pensaste nisso, alguém estar contigo por favor. Porque tem de ser…
Nem pensar! Comigo tudo é para ser autêntico porque tudo é Único. Só tenho esta vida para viver. Este tempo para desfrutar. Estas pessoas para conhecer. E amar. Ou não.

Tenho-me apercebido que quanto mais esforço fazes mais vais ter de te esforçar. Seja no que for. Com quem for. O grau de exigência vai crescendo. Na paciência que tens de produzir. Nas cedências que tens de te convencer que valem a pena. Na anulação de ti que hipotecas por um bem que achas maior. E um dia vais ter de dar um grito. Nesse dia vais ouvir “ passou-se”, "não tomou os medicamentos”,“ deve andar com problemas em casa”. E é legítimo que o digam, porque até te andavas a esforçar tão bem. A enganar-TE tão bem…
O meu farol é a minha felicidade. Se fico feliz, se há uma paz-gato enroscada no meu peito sossegada, é porque está tudo bem. Geralmente, só se vai embora quando vem a dúvida-gata arranhar-me a cabeça. Enquanto não sei que decisão tomar sou uma arena com a plateia lotada...

As decisões, essas, tomo-as assim: “ IdoMind Maria, se fosses perfeita o que farias diante disto?”
E é aqui que nós divergimos, porque eu acredito que pode morar toda a perfeição num não redondinho. Dito com firmeza. Muito mais que num assentir cobardolas. Ah, desculpa! Queria dizer num sim politicamente correcto. O problema é que alguns problemas só se resolvem com um murro na mesa. E abençoada a coragem para dá-lo! Ser instrumento de Deus é muitas vezes ser uma vassoura…
Também temo consequências. Mas temo muito mais ficar dependente de anti-depressivos. De me esquecer de quem sou. De adormecer a Minha Verdade para aceitar a Vontade dos outros.

Tudo se resume à tua Verdade.

Falo tanto dela porque quanto mais ando, mais constato que sem a Minha Verdade não saio do lugar.
Por isso, em casa, a Tua Verdade. 
No trabalho, a tua Verdade. 
Na amizade, no amor, nas companhias, na religião, na tua boca, nos teus actos – a Tua Verdade.
Ainda que rigorosa. Pouco disposta a desmazelos. Apressada. Ainda que impulsiva temperada de rispidez. E quem não precisa de vez em quando de um bom impulso ríspido?
A Tua Verdade, secular e profunda, a gostar do que é sólido. Verdadeiro…
O que não toleras são as máscaras, ainda não percebeste? O lobo que vem vestido de cordeiro. Não é que não gostes de lobos. Não gostas é de fingimentos…
Feiticeira, varre o teu círculo das inverdades porque a tua Magia está na tua Limpidez.
Mantém-a. Exige-a.
IdoMind
about a certain kid with troubles with diplomacy

março 17, 2011

"A borboleta é a larva com uma atitude positiva"

Apesar de tudo continuas a mandar-me este Sol. Dias como o de hoje que apagam a memória da chuva e do frio das semanas anteriores. Que me fazem acreditar de novo no fim dos Invernos. E da severidade que ensina a todos os caminhantes a importância das cavernas. Eu gosto de cavernas. De limpar os pés da terra agarrada aos sapatos e aninhar-me no ventre de cada etapa. Gosto da ausência do que me distrai do Apelo. E de deixar do lado de fora o barulho de cá de fora. Todos os ruídos que vão ensurdecendo a minha pobre alma, já aos gritos, a dizer-me que está ali. Eu própria falo muito. Quero participar da festa e berro como os outros pelo meu lugar. Sem verdadeiramente o querer, a festa ou o lugar. Nem precisar. Sabendo-o. Não Sou demitida do Mundo e às vezes aceito as suas regras. Como esta, do barulho. Por isso, cansada e rouca, agradeço a existência de cavernas e do seu silêncio…

"A perfect spot" de Cutteroz

Dos encontros que por lá tenho. Com os espíritos do passado e futuro que invoco para perceber, e quantas vezes justificar, um presente que não me apetece tão merecido. Na caverna, o presente obeso às minhas cavalitas faz dieta. E perde peso até caber em mim como um vestido levezinho. Como custa controlar a vontade de comer da culpa e da falta de amor por mim. Do medo de não pertencer a lado nenhum. A ninguém. Com ninguém. De não ser entendida. Ou mal entendida. De ser entendida perfeitamente e ainda assim não estar satisfeita. Sem saber porquê. E lá vai mais uma colherada de açoites, goela abaixo até ao estômago…
A caverna convida ao jejum. Só se faz ouvir aos desintoxicados. De outro modo tudo o que se sente é fome. A purificação exige privação. Quanto menos me alimento dos frutos que não são da minha árvore, mais me dou conta que não me agradeço o suficiente. Nem ao meu corpo, lindo e resistente, que me acompanha na aventura. Sou má para mim. Castigo-me. Vou pelas veredas mais difíceis só para doer, só para custar, só para, frequentemente, não conseguir. Para partir a cabeça a sério e ficar contente com isso. Como se na dor se escondesse uma espécie de redenção. Gosto de me sacrificar... E depois permanecer até beirar o martírio. Desvio-me da Oportunidade que me cai ao colo porque não mereço ser feliz…Oh minha rica caverna quanta lucidez desencubro na tua imparcialidade!

Dentro de ti, com espaço só para mim, não entram ele, ela, eles, elas, vós, nem nós porque apenas EU estou aqui. Eu e as minhas escolhas. Eu e os resultados. Eu e o próximo passo.
Sou senhora de mim, só a mim me devo obediência. Só para comigo tenho deveres. Só eu me ordeno ao que quer que seja. E posso partir. Morar onde quiser. Ter outra vista. Ou restaurar a minha casa. Eu tenho o poder de Me mudar. É por isso impossível magoarem-me. Humilharem-me. Prejudicarem-me. De algum modo infligirem-me um mal. Não há nada que ele, ela, eles, elas, vós ou nós possam fazer-me que eu não queira que me façam. Nada que possam dizer que eu não queira ouvir. Não me aparecem sem que eu os tenha chamado. E não são exactamente como são se EU  não precisasse deles assim. Vieram todos ajudar-me no meu Trabalho. E eu retribuo ajudando no deles e no nosso. A vida é uma elaborada co-laboração. 
Nesta caverna, de lamparina na mão, confrontei a minha sombra. Vejo-a desvanecer-se à medida que outra Primavera desponta em mim, pintando de luz o útero de onde renasço. Renovada, despeço-me até ao próximo Inverno da jornada.
Que bom ser uma mulher das cavernas para ser uma mulher em evolução…

IdoMind
about refreshing

março 11, 2011

Peace of Cake

Como é que eu faço? Se queres mesmo saber, exige somente vontade. Parar. 
O tempo. A raiva. A auto-comiseração. As emoções anãs. O medo…
Parar. Antes daquela palavra, parar. Antes daquele gesto, parar. Naquele pensamento, parar. E ficar, assim, parada até vir a certeza que estou a ser eu a dar o meu melhor. Que estou a reflectir todas as cores da minha alma. Que Sou Deus a espalhar amor. O Sol em explosões de Luz e de Calor. Que sou Arquitecta com as mãos na Obra. A voz doce que acorda. A verdade. Mesmo a difícil de aceitar. E se calhar, sobretudo essa.

Exige a intenção bem acordada de Ser todas as coisas. O rigor que o caminho impõe, porque certas portas só se abrem quando certas portas são encerradas. De vez ou só por algum tempo. O discernimento para distinguir umas de outras. A humildade para voltar atrás quando percebo que me enganei. Um ou vários pedidos de desculpas.
Exige disposição para recomeços. A flexibilidade para entrar por uma janela. E paciência. Primeiro comigo. É dentro de mim que começa o granjeio das flores que espero desabrochar nos outros.
Tenho dias. E depois tenho aqueles dias…é assim que a Vida mostra que quer mais de mim. E então sorrio. Amorosamente respeitando-me. Sem pressas. Se a minha escolha ainda não é sublime, paro. E sorrio outra vez porque descobri a Sabedoria…

Todos os dias começam então com sorrisos. Com o ouvir a manhã a pedir-me para nascer de novo. Porque posso. A morte e a vida pertencem-me. Sou princípio sem fim. Sou Agora sem antes nem depois. Eu sou a aliança do Tudo. Eu sou casada com o mundo.
É com responsabilidade que assumo esta União.
Por isso paro muito mais…
Pergunto-me muito mais…
Observo-me muito mais…
E transformo-me.
Se conseguires fazer o mesmo, toda a Terra e todo o Céu se encherão de homens com asas. Homens-anjo. A poisar em galhos e nas estrelas. Aqui e lá, levando e trazendo, a Essência de toda a Vida.  

É assim que eu faço, paro a minha humanidade quando chega solteira. Egoísta e de alguma forma magoada. Ou divorciada da claridade que me faz cintilar. Peço-lhe, com carinho, que sinta as penas no coração e se deixe elevar rumo ao Alto.
É assim que eu faço, vigio-me…
IdoMind
About uncovering the diamond
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