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junho 09, 2009

És tão lindo! Maravilhoso! Mesmo engraçado!

Preparados para a loucura? Hoje, terça-feira, é dia de ser diferente e de fazer a diferença.
Escolhi para esta semana dizer a beleza de cada um.
Vou olhar, vou ver e vou ligar-me aos outros. Vou descobrir-lhes os detalhes. Os pormenores que marcam a sua identidade. Pessoal e intransmissível.

Somos uma mescla de preto e branco. Uma confusão mais ou menos arrumada de sentimentos e razão. Somos sábios com falta de memória e idiotas com rasgos de uma lucidez espantosa. Clarividente quase. Parece-nos até que tocamos a verdade das coisas, mas depois toca a campainha. É o homem da luz para fazer a contagem, o carteiro com umas contas para entregar, o amigo a queixar-se da namorada, o filho mais velho que se esqueceu do saco de treino e voltamos a esquecer-nos do conhecimento adquirido ao longo de tantas experiências.
Somos também quem fazem de nós. Alguns são só o que fazem deles. Habituados a ouvir como são imaturos, teimosos, sempre a mesma coisa, que não mudam, começam a identificar-se com aquilo que lhes dizem que são e não com aquilo que sabem que são.

Outros identificam-se com as suas decisões. Algumas tomadas em condições particulares há muito tempo atrás mas que acabaram por tornar-se padrão porque lhe trouxeram reconhecimento ou respeito. Certas decisões abriram um fosso entre eles e os outros e agora não há força para construir uma ponte. Ainda o chamariam de louco se depois de tantos anos de desinteresse, começasse a perguntar às pessoas como estão, se querem ir jantar fora ou se lhes chamassem a atenção para a lua cheia maravilhosa que se plantou no céu da cidade.

Comportamentos que foram cimentando o nosso eu para o mundo. E o mundo já só nos conhece daquela maneira. Tudo o que escapa ao modo de agir habitual, esperado e congruente com a nossa maneira, gera cuidados. Devemos estar com algum problema que não queremos partilhar. Ou então é o período. Não, deve ser algum medicamento…
Para não preocupar ninguém, vestimos o mesmo tipo de roupa por muitos anos. Arriscamos uma vez ou outra não ir logo para casa depois do trabalho. Não falamos com desconhecidos. Abafamos os nossos detalhes.

Acredito que progrido quando faço progredir. Melhoro quando faço melhorar. Caminho suave quando espalho suavidade. E alegria vem para o meu canteiro sempre que a semeio noutras searas. Acredito nos olhares que mudam as paisagens.E as pessoas.


Assim, esta semana que me esperem a colega gordinha a quem vou dizer que tem um sorriso LINDO! Que gosto quando ela entra na sala porque tudo fica mais claro. Vou dizer-lhe que é importante tê-la comigo…
E àquele cliente que acha que tem tanto azar com as mulheres, que começa a perder a já pouca confiança que tem em si, vou falar-lhe da tranquilidade que se respira quando ele está. Que gosto dele porque é sensato e porque é generoso. E também porque passei a apreciar aquelas histórias de amor dele que acabam sempre na fnack a refazer pela trigésima vez a sua colecção de música clássica…

À minha irmã…à minha querida irmã, pouco tenho a dizer mas ela tem muito para ouvir…
Vou ser louca também com ela e confessar-lhe que amo a vida que transpira de cada poro dela. O ímpeto que a faz andar sempre para frente, levando-a tão longe que já não consegue olhar para trás. Esta é marca da minha irmã – ela VIVE… E vou dizer-lhe que ela me inspira a viver. Espera já todas as loucuras de mim, bem sei, mas estas palavras vão fazê-la sorrir, chorar e amar ainda mais estar por cá.
E a minha proposta para esta semana é mesmo esta – dizer as palavras que inspiram a viver.
Dizer a todos que sem eles, isto não teria a mesma piada. Falem-lhes da sua beleza. Se olharem vão perceber qual é. Para lá da senhora da secretaria, do pai, da miúda do pronto-a-vestir, da mulher e do homem, há um ser humano desejoso que lhe digam como é bonito. Que alguém consiga ver através deles e gostar do que encontra.
Na amálgama que somos, está misturada a divindade. É só vê-la. E proclamá-la.

Se forem loucos o suficiente, claro…
IdoMind


about beuaty
P.S Aproveitem os feriados para louvar e viver toda a loucura. Podem experimentar esta com a outra da boa disposição. Bombástico!!
Exemplo: Quando falarem com aquele amigo que tem sempre a cabeça na lua e se esquece de tudo, digam-lhe que ele é o máximo, que só vos faz rir e perguntem-lhe o que é que um distraído pergunta ao outro.Não sabem?
- " A azeitona tem pernas?"
- Não - responde o outro.
- Então comi um besouro!"
LOL LOL LOL

maio 11, 2009

Loucuras


Ligaram-me. Não atendi. No dia seguinte, pela manhã, retribui a chamada.

Onde andavas àquela hora? Pensei que depois de saíres daqui tinhas ido para casa” – perguntou a minha melhor amiga com quem tinha estado na noite anterior até bastante tarde.
“E vim. Mas atrasei-me um pouco nas portagens.”- respondi eu.
“Problemas?”- indagou
“Não. Estive a beber chá e a conversar um bocadinho.” – esclareci.
? Não percebi.” – exclamou ela, julgando, tenho a certeza, que tinha perdido algum bocado da conversa devido a deficiências de rede.
“Como era tarde a senhora da portagem convidou-me a entrar e a beber um chá com ela.” – elucidei de imediato.
“Mas onde?” Perguntou a minha melhor amiga depois de um pequeno, mas muito significativo silêncio. Continuava a julgar que a rede estava péssima, aposto.
“Já te disse, na portagem.”
“Na portagem?!! Mas na portagem como? Dentro do cubículo?
Siiiimmm. “
“Mas…mas…”
“Então, como passo ali todos os dias a senhora pediu-me para entrar e falar um bocadinho porque o turno da noite é mais lento, custa mais a passar. Estacionei o carro no parque da portagem e entrei.”
Do outro lado, no meio de gargalhadas surpreendidas, a minha melhor amiga soltou em tom de desabafo:
“Só tu, só mesmo tu”. – e continuava a rir que nem doida.
Já não me atrevi a dizer-lhe que também troco CDs de música e alguns livros com outros colegas da senhora da portagem.


Este chá na portagem às 2horas da madrugada começou a ser preparado muito tempo antes, no dia em que acordei diferente dos outros dias, mais louca. Num dia em que me apeteceu ser alguém que voa.


Desconheço se por responsabilidade de alguma conjuntura planetária esquisita ou se devido a algum processo hormonal estranho a ocorrer dentro de mim, o facto é que me levantei disposta a fazer coisas que não faria habitualmente. Talvez tenha sido o cansaço de tantos dias baços, a fazer-me ansiar por brilho. Não sei. Sei que de repente a vida pareceu mais pequena para toda a grandeza dentro de mim. Era preciso ampliá-la.

Habitualmente sou (era) reservada. Naquele dia abri as cancelas do meu ser e convidei todos a entrar. Mostrei-lhes o meu relvado verde e fofo, a minha casa simpática e acolhedora, onde seriam sempre bem vindos para comer daqueles biscoitos que estavam no forno e cujo aroma perfumava o ar de boa disposição.


No ínicio fui fazendo estes convites a medo, até que percebi que todos nos receamos uns aos outros. Não era a única medrosa. Estamos geralmente à espera que nos façam mal. Que traiam a nossa confiança. Que se riam de nós. Que falem nas nossa costas. Que nos magoem. Que não nos respeitem. Que não nos entendam. No fundo, temos medo que não gostem de nós.
Então, e como disse o protagonista de um filme que vi recentemente, para não sermos rejeitados, rejeitamos logo à partida. E é assim que vivemos e coabitamos hermeticamente fechados em pequenas embalagens de vidro. Cada um na sua.

Eu vi-me livre da minha desde aquele dia esquisito. As primeiras inspirações no ambiente inóspito e imprevisível cá de fora, foram difíceis. Tive de me concentrar para respirar fundo e adaptar-me. Mas logo os meus pulmões se habituaram à qualidade inigualável deste ar partilhado por todos.


O meu primeiro acto de loucura: falar aberta, simpática e amorosamente com quem se cruzar comigo. A mim valeu-me um chá na portagem.

Acham que fazem melhor?

IdoMind


about all the sweetness inside...
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