junho 25, 2013

Sair da casca


Ainda ontem era pato,
feio e sem jeito
no meio da alvura.
No lago, de parto
a rasgar-se pelo peito
por igual brancura
Ainda ontem penava
sofria
com pena de mim
e nisto humilhava
rendia
o cisne dentro de mim.

Hoje, transformada
nado mesmo pelo meio
sem temer mais nada
que o próprio receio
de não ser amada.


IdoMind
about hatching

Ai..ai...



És tão bonita, 
que com frequência 
me esqueço 
que és uma mulher
e te tomo como 
um pedaço de lua
cheia
que posso levar para casa
num bolso
na boca
ou assim...


IdoMind

about beautiful things that people say

Casos assim e assim-assim


Nós embrulhados,
numa forma de presente
tu conteúdo, eu recipiente.
Corpos colados
Destinos cruzados
para sempre 
para sempre...


Sem visceralidade
falha-me a cumplicidade.


IdoMind
about The one

Sombra de árvore alheia


Temos esta natural tendência
para a maníaca arrumação
da nossa própria demência 
na segurança de um padrão.

Inventamos nomes e categorias
para podermos rotular
o aceitável e o "é só manias"
onde cada um vai encaixar.

Mas quando é a nossa vez
de sermos assim julgados
apelidamos de pequenez
o que nos outros são pecados.

Que importa a vida alheia
ou as pequenas diferenças
se a nossa própria é cheia
do que tomamos por ofensas.

Somos desiguais.
Não é isso a Liberdade,
sermos Especiais
dentro da Unidade?

IdoMind


about tolerance

Detalhes



Há um bigode que separa,
o horror
da comédia
o grito
da gargalhada.
O terror
a tragédia
o maldito,
da palhaçada.
Foi só sofrimento
com o bigode
inumano
da alma alimento
o do doce insano
Temos uma história
que convém não repetir.
Que seja sempre a vitória
dos bigodes que fazem rir.


Apetece uma nova Ordem.
Atenção aos custos...


IdoMind
about understanding the past

Mudasti



Eu tinha uma saia de ganga, quando era menina, de que gostava tanto, mas tanto, que queria usa-la todos os dias. A minha mãe não deixava, mas não fazia mal. Eu TI-NHA aquela saia de ganga, era MI-NHA e podia vesti-la quando quisesse.

Um dia deixou de me servir.
Por algum tempo ainda a mantive. Numa altura pensei se seria possível mandar fazer outra igual, ajustada ao corpo que eu não conseguia impedir de crescer. Eu ia crescendo mas a saia ia ficando. Ali, penduradinha no último cabide do meu guarda-roupa. A minha mãe, a cada mudança de estação e na troca sazonal das roupas de Inverno pelas de Verão e vice-versa, dava com a saia. Abanava a cabeça e dizia " Enfim" mas, conhecendo a filha que tinha, nunca tocou na saia.

Com 24 anos mudei de casa e, no meio da roupa guardada na arrecadação, ali estava ela. A minha querida saia.
Senti um calor bom no coração. Vi-me novamente míuda rabina, de franja e saia de ganga, a descer a rua como se o mundo não me metesse medo nenhum. E sorri...

Finalmente disse adeus à minha saia.
Olhei para ela com os olhos de hoje e quase me senti culpada de a achar foleira. Jamais vestiria uma saia, sequer parecida com aquela, actualmente.

A minha saia, que me ensinou sobre fidelidade e estimar as coisas de que gostamos, deu-me a sua última lição: agarrarmos-nos ao que deixa de nos servir, mais cedo ou mais tarde, torna-se ridículo.

Eu tinha uma saia de ganga.


IdoMind
about letting go

Olhos Abertos. E a mente também.


E se eu já fui ouvida
em humilde oração
mas ande tão perdida
atrás de uma ilusão
que não me vi atendida
com divina perfeição.

IdoMind


about what I want being what I need

junho 13, 2013

13 de Junho


Imagem de Santo António, do artista português José Franco (criador da aldeia típica de Mafra, vulgarmente conhecida por "Bonequinhos de Mafra") que me foi oferecida pelo próprio.

Hoje acendi-lhe uma vela e fiz uma pequena oração:

" Zelador dos enamorados
ouve esta minha prece
ajuda os pares que andam trocados
e leva cada um a quem o merece."

Encontrem-se.
Reconheçam-se.
Insistam.
Em ser felizes.


IdoMind
about hapiness

Um+Um=Dois


Deus pode juntar.
Santo António dar uma mão.
São pessoas que se levam ao altar
mas é das almas a união.

Porque se assim não for,
o sonho a dois está condenado
a morrer de desamor
todos os dias um bocado.

A regra é simples e antiga:
dá o que gostarias de receber.
È assim que a vida liga
o que o egoísmo leva a perder.

Fala doce e amorosamente,
pois há sempre uma solução.
Escuta quieto, honestamente
a voz sábia do teu coração.

É ele que indica o caminho
e a forma de caminhar.
Se o rei da casa for o carinho
nada há que vos possa separar.


O Céu ajuda.
Eu colaboro


IdoMind
about relationship's wealthy management.

Desculpa -cada um com a sua



E depois a gente cresce.
Retira-se um pouco do mundo para conversar com as mágoas antigas e as reacções do costume. 
Lá, no sítio onde dói sempre muito.
E depois a gente pergunta-se.
Melhora-se...
Larga as desculpa e, se for bem feito, até agradece as bofetadas que nos moldaram o caracter. 
Todas elas, mas sobretudo as que não usaram mãos para nos ferir.
E depois a gente percebe.
Finalmente.
Que é mais confortável viver escondido atrás dos outros
...que darmos a nossa própria carne à Vida.

E depois a gente escolhe....
Compreender. Perdoar. Seguir.
Ou não.


IdoMind
about responsability for my actions. Mine alone.

Por baixo



Só me viste despida. 
Para me veres nua, 
tens de passar para lá da pele 
e encontrar-me misturada nas feridas.

IdoMind
about being undressed

Uns


De onde eu venho,
somos todos iguais
tudo o que tenho 
é também dos demais.

Não há lados,
nem oposições.
Estamos ligados 
em todas as direcções.

O que fui e sou
também és e serás
se aqui estou
é porque tu aqui estás.

Só regresso contigo
e vamos a voar
pelo trilho antigo
rumo ao Lar.


IdoMind
about minding

junho 01, 2013

Extensões



Agora,
Sim, neste instante,
vou fazer por estar
onde tu não chegares...

É hora,
e só o Tudo é bastante
nessa parte que te faltar
toma-me, para te segurares.

Porque é assim que está feito
para que o plano se cumpra,
quando um está desfeito
há outro se lhe junta.

Não vês?
A vida só acontece,
ainda apetece,
porque tudo o que É
veio aos pares...


IdoMind

                                                                                                                              about being there for you.

maio 16, 2013


Sopa, mezinha
ralhete breve,
dizeres antigos
tão engraçados,
canja de galinha,
cabeça com neve
olhos amigos 
sangue herdado.

A prece singela
contra o diabo
A sesta da tarde
a palmada no rabo
a fé numa vela
luz que me guarde
de todo o pecado.

Este é o meu obrigado
a jeito de oração
ainda te queria ao meu lado
avó do meu coração.


IdoMind
about who always cared

maio 15, 2013

Em português


Diziam-lhe: livrou-se você de uma coisa má. Mas ela tinha saudades. Imaginava-o sem a sua protecção. Pensava que talvez estivesse sem comer bem, sem dormir, talvez não tivesse cuidado com o frio da noite, com o peso das batatas, com o zangado de algum animal. O seu menino mau podia estar todo errado, mas perto dela era corrigido nos perigos.


 Valter Hugo Mãe, in " O Filho de Mil Homens"

Tão bom que é encontrar nas palavras dos outros, os nossos sentimentos.

IdoMind
about beautiful writings
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