junho 03, 2014

Promessas





E quando te humilharem e não te zangares,
zango-me por ti,

não contigo.

IdoMind

about echos in my heart

Constantemente




Quem te disse que não te vejo? Ainda ontem estavas em todo o lado...
Fui sair para ver o mar e, sem querer, porque queria outra coisa, foi a ti que vi. Infinitamente profundo, a dançar para mim, em tons de azul e de adeus. De inconstância. De forças...
Ali estiveste comigo, a tarde toda, enquanto para os outros a tarde só passava.

Por isso, quem te disse que não te vejo. Que não te sinto...
Constantemente.

IdoMind

what remains

maio 27, 2014

Aqui



Num fim de tarde de Inverno, dentro do carro, em frente - o mar.
Num abraço e nas lágrimas, poucas, mas pesadas, que ainda oiço cair quando os dias ficam mais cinzentos

Num adeus...
Naquela despedida.

Foi aí que te guardei.
E é aí que, de vez em quando, te vou buscar.

IdoMind

about specific memories 

maio 21, 2014

A tempo deste tempo



Tenho um "amo-te para te dizer.
Uma desculpa para apresentar.
Um fiz o contrário do que sentia para expiar.

Tenho o meu coração para te dar...

E antes que seja tarde,
a vida passe
e eu me esqueça que nasci para ser feliz,

anda cá, meu amor,

temos uma valsa para dançar.

idoMind

about leaving nothing to say

Esperas



Foi sempre fácil chegar a ti. Eras alcançável porque ainda tinha as duas asas. Foi quando te viste no chão, esquecido de voar, que te perdi. Ganhaste medo e, desde estão, mal te vejo quando passas.

És a minha águia que já foi beija-flor.

Onde te escondes tu, alma da minha alma, que não te alcanço mais, nem com olhos da eternidade. Onde quer que estejas, para onde quer que vais, levas-me em bocados desta saudade.

E eu que fui o teu berço, agora sou Espera.

Mas é assim que tem de ser
e a vida ensina a quem quer aprender
a cada nova Primavera
os pássaros voltam

ao mesmo cais.


IdoMind

about pauses

Opss



7 mentiras institucionalizadas, que nem por isso deixam de ser mentira:

. desculpa, tinha o telemóvel no silêncio.

. está tudo bem.

. apanhei um acidente no caminho ( um camião, uma avaria, tive um furo, fiquei retido na garagem... - os automóveis dão boas desculpas)

. não vai dar, já tenho coisas combinadas.

. estou quase a chegar ( quando ainda se está a sair de casa...)

. não fui eu.

. já me passou, só muito de vez em quando é que penso nele.

IdoMind

about those little lies

Se


Se fazemos
filhos,
tão lindos,
Estrofes
perfeitas,
Cálices
da lama
tirada do chão;

Se fazemos
Amor,
dom sagrado
geramos vida
música
eterna
eco do Infinito
no nosso coração

Se fazemos
guerra,
por todo o lado
e fazemos sofrer.
Se fazemos
chorar
e fazemos morrer.
Se fazemos
asneiras
sem admitir
e fazemos rasteiras
que fazem cair.

Parece-me Irmão,
que fazer o Bem
ou fazer mal
está apenas

na nossa mão...

IdoMind

about my hands

Por aí



Oiço-te nos intervalos da chuva deste dia que ainda é de Primavera.
Oiço-te no olhar cruzado e rápido que a mulher sentada à minha frente, dá ao homem sentado do outro lado. Falas-me no silêncio gritante deles e no abafar do desejo com o sorriso educado de sempre. E amanhã, começa tudo outra vez...
Oiço-te a gargalhada no velhinho que há mais de vinte anos pede o café pingado e come apenas o creme do pastel de nata.

Oiço-te por toda a parte, porque estás em mim onde quer que estejas.

Oiço-te nestas saudades, porque sei onde Moro...

IdoMind

about the smooth brise

abril 01, 2014

São loucas




De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.
Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.


No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito,

estás sempre comigo

Amália Rodrigues, Barco Negro

IdoMind

about what sings to me

Perder para Ter






Vou falar-se sobre perder.
Primeiro uma casa.
Depois um homem.
E de perder o chão.
O emprego.
Quase todas as certezas.
Ficar sem um tostão.
Vai-se a força.
A paciência.
E por fim a fé...
Perde-se, acho que tudo,
menos a vida, que,
chegamos a querer perder até.

No fundo do poço
resta olhar para o Alto
e pede-se
um intervalo,
uma escada.
uma mão.
Neste render, me calo,
a resposta, se a há, tarda.
Ou talvez de tanto perder,
tenha perdido também
...A audição

Mas olha para mim,
meu irmão...
Aqui diante de ti, de pé.
Ainda é cedo
para a carne ferida,
mas a alma de tão Alta,
mesmo vergada,
quer-me erguida.
Viver é não ver o Fim,
nem até onde vai
a Descida.
É fé. É credo.
É transformar a terra,
na tua Subida.
E entretanto
perder

o Medo...

IdoMind

about keep on going

março 26, 2014

Obrigado


Segui-te
como se seguem os sonhos,
os vôos dos pássaros
e as coisas que acontecem.

Entreguei-me
como se entrega um filho à Vida,
um pai à Terra
e o corpo ao que está escrito.

Quis-te. Tanto.
Como se querem lençóis lavados,
água fresca e um par de braços´
depois da travessia de um deserto.

Amo-te.
Para sempre.
Por isto.
Por tudo.


IdoMind

about what my heart makes me write about

março 23, 2014

If I could


7 arrependimentos:

. ter cumprido todas as regras, mesmo quando o meu coração me dizia para as quebrar.

. ter percebido demasiado tarde, que é mais fácil mudar-ME do que mudar o quer que seja.

. ter chorado às escondidas, quando devia ter mostrado que estava a doer. Muito.

. ter sido cruel, convencida que estava a ser frontal. Desculpem...

. não ter abandonado tudo e andar 3 anos a aprender que há convites que se aceitam sem pensar.

. ter comprado uma casa. Quem tem raízes, são as árvores.

. Não te ter segurado e dizer-te "Fica." Nem ter pedido depois " Volta"...

IdoMind
about learning

março 21, 2014

Marte Retrogrado...tão bom.






Ainda vou a tempo de pedir desculpa pelas coisas que disse quando estava zangada?
Perdi toda a razão, ao perder a cabeça e permitir que o bicho ferido, aninhado cá dentro, deitasse as garras de fora para afastar outra agressão. Que é sempre a mesma. Tu atropelas-me. E nem notas.

Da pior forma possível, quis travar-te e embatemos os dois. Um no outro.
Desculpa. Já andei tanto, já parei tanto, já ressuscitei tanto e não fui capaz de ser melhor que tu. Talvez depois de ti, eu diga também " já me cansei tanto."
É que nunca esteve bem aceitar-te porque " tu és assim" e resignar-me à esperança de um dia seres de outra maneira. Nunca esteve bem ignorar os problemas e remata-los com um " não vale a pena " que valia essa pena e valia muito mais coisas.
Nunca esteve bem o segundo lugar...

Quando se ama, partilham-se todos os lugares, sobretudo os mais nossos, onde deixa de ser preciso estar sempre a bater à porta ou pedir autorização para entrar.

Era assim que gostava de te ter dito que me senti sempre do lado de fora, a pedir-te que te juntasses a mim.

IdoMind

about self control

Chega uma altura, em que temos de decidir se viramos a página
... ou fechamos o livro.


Ido Mind
about unfinished business

março 19, 2014

Olá Gordinho




Bom dia do Pai. 

Agora que somos os dois adultos, achas que conseguimos falar? Discordámos quase sempre de praticamente tudo, porém eu vivi para te agradar e tu viveste para me segurar. Sem jamais admitir. Claro, somos a cópia um do outro.


Outro pai ter-me-ia deixado dormir até mais tarde, mimado mais, poupado mais e, até talvez, amado mais. Ou pelo menos mostrado.
Tu não. Puxaste-me para a frente de todas as batalhas, e desde cedo me ensinaste que o Bom Combate se ganha de boa atitude em boa atitude. Que não se foge. Que não se encolhe. Que não se desiste. Que o medo não pode nunca ser maior que a Força.

Limpaste-me as feridas, mas nunca me impediste de cair...E o que cresci a julgar desamparo, foi afinal o que me fez mais Capaz e mais Mulher. Hoje eu não fujo, não me encolho e não desisto. Devo-te a minha integridade. Todas as minhas opções verticais. Honestas. Duras...


Pai, fizeste o que soubeste. 

Demorei estes anos todos para vê-lo. E reconhecê-lo.
Porque eu sou igual a ti - lenta, teimosa e difícil mas impossível de não se amar.

IdoMind 

about growind up, while my dad is growing old
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