Tocou-me tanto… Diante do meu meu coração de jardineira desenhou-se logo a interminável cadeia de mãos que se iam largando e segurando ao longo da escadaria que é viver.
Inspirou-me também a escrever. Aqui fica ao jeito da IdoMind um desabafo, e um pedido, para nunca deixarmos de chegar lá…
Conheci um outro Deus. Que estranhei de início, tão habituada que estava à culpa de não ser perfeita. De não fazer tudo bem a todas as horas. Com todas as pessoas. Este Deus parece que tem os braços sempre estendidos, mesmo nos dias que os meus estão escondidos do mundo. Sobretudo nesses dias. Já O senti entrar na escuridão para onde corro quando fico fraca e o peso fica pesado. Lá vem Ele com mais uma coincidência, com um acaso ou uma pessoa qualquer devolver-me à minha estrada.
Eu que acordei para mim e me vi sagrada tocando este chão bendito, feito para me descobrir, assim, divina na terra. Eu que hoje sei que nada importa senão o Amor que temos na voz, nas mãos e em nós. Eu que chorei e choro, mas que não paro de me transformar. Mariposa em permanente ressureição, largando continuadamente a pele do que fui antes. E crescendo.
Ainda tenho estas arestas de carvão a escurecer o diamante. Todo o brilho. Toda a Beleza. Ainda sou humana e, tantas e tantas vezes, menina e assustada. Como tu, também temo não ser amada. De não quereres que eu chegue lá. De ouvir um “não” proferido com a secura que a dor deixa no peito. Nem sempre os meus degraus são de cimento.
A subida já me fez descer. E descerei de novo, se é lá que tu estás. Se estiveres mais acima galgarei os degraus de dois em dois para chegar a ti. E se as tuas escadas se ergueram ao lado das minhas darei um pulo, de esperança, para voar até ti e perguntar-te: "Queres vir comigo?"
