janeiro 21, 2010

On/Off


Quero porque quero.
Não me perguntes outros porquês, porque não sei responder. Quero e quero muito. Tanto que perco o sono só em pensar que não vou ter. Ou que vou perder.
Hoje dormi uma hora. O meu travesseiro não aconselha, mantém-me bem acordada para me impedir de fugir à noite de tudo o que vou fugindo de dia.

Vamos lá a saber porque é que eu quero…
Porque é que é tão importante isto ou aquilo. Esta ou aquela palavra. Um convite. O olhar especial. Dinheiro… Ser bonita. Coisas e mais coisas. Porque esta urgência do que está para lá de mim.

São agora três da manhã e acho que, afinal, tudo o que quero é sentir-me segura.
No trabalho. Nas relações. Comigo. É só uma questão de segurança.Talvez seja mais honesto dizer controlo. Eu quero controlar. Chego à arrogância de querer controlar os meus sentimentos. De domar as emoções.
Se souberem o que sinto vão poder controla-me e isso é que eu não quero.

Pelas quatro da manhã revejo os meus medos. O que me leva a proteger-me. Do que é que quero ficar segura. A minha nuvem é o melhor lugar do mundo...
Como tu, quero evitar o sofrimento. Quero ficar segura de sofrer. Algumas lágrimas trazem lâminas que nos dilaceram. E aprendemos que chorar dói. Para evitar a dor, a jeito de vacina, imunizamo-nos contra o que faz doer – a própria vida.
É por isso que choramos cada vez menos e nos zangamos cada vez mais. Desprezamos o milagre que somos aceitando uma pequenez que não temos.
É por isso que não nos VEMOS uns aos outros. Não ouvimos os gritos presos nas mesmas laringes que nos dizem bom dia. Todos os dias. É por isso que não nos sentimos.

Cada um na sua nuvem, bem longe da nuvem do lado.
São os efeitos secundários da tal vacina que nos torna resistentes à vida. Perdemos a faculdade de sermos humanos a desfrutar da nossa a humanidade.
E não será esta a pior forma de sofrimento?
Resistir à vida também é resistir ao Amor. À gargalhada. À gratidão do combate bem travado em que nos descobrimos melhores e mais capazes do que pensávamos.
Vou aterrar a minha nuvem.
Que as minhas lágrimas sejam breves. Que os erros sejam mestres.
Will I see you around?

IdoMind
about understanding my self

6 comentários:

António Rosa disse...

Excelente texto, que permite grande aprendizagem.

Cada vez mais creio que aquilo que explicas de forma tão primorosa e certeira, é o que separa uns e outros.

Aqueles que se atrevem a passar a barreira invisível e aqueles que não se atrevem.

Mas como se convencionou que passar a barreira chama-se «isto e aquilo», as pessoas ficam a tremelicar de medo.

Sim, medo dos meios ligado a uma maior consciência (chamem-se o que se chamar).

E a vida em si, sobretudo nas grandes cidades, não ajuda a descongelar essas situações.

beijocas.

angela disse...

Ido
Lindo e reflexivo texto, gostei bastante e creio que o medo de errar, de ser ejeitado, de se descontrolar, demonstra nosso desejo de ser deuses e não humanos.
beijos

Viajante disse...

Olá IdoMind

Não sei se quando colocaste a foto no teu post pretendias exprimir um desejo ou uma constatação. Porque se por acaso julgas que a maior parte das pessoas não tem um botão de ligar e desligar estás enganada.
Quando cruzamos a porta para entrar nesta universidade planetária estamos apenas cobertos com duas camadas.
Uma a principal é de amor para interagirmos com todos os que se cruzarem no nosso caminho. A outra é de vontade de harmonizar com o Cosmos, que se traduz na realização dos nossos objectivos evolutivos, aquilo a que chamamos percorrer o caminho.
Depois a educação que recebemos primeiro em casa e depois nas instituições vão-nos colocando outras camadas e infelizmente nem todas são positivas e a pouco e pouco vamos esquecendo as que estão por baixo.
O medo, a inveja, o sofrimento e sei lá que mais vão aos poucos substituindo o amor e a harmonia. Deixamos de ser, só nos preocupamos em parecer e por isso temos de ter. Ter bens dinheiro beleza amor amigos, no fundo sermos iguais aos outros. Aquilo que deveria ser uma interacção de amor com o que nos rodeia passou a ser quase uma imposição que nos esmaga.
Com o ter surge a insegurança e o medo de perder: os bens. A beleza, os amigos, a relação.
Esta necessidade de ter controla o nosso dia a dia e leva-nos numa incessante procura que nos faz sofrer e aos que connosco se cruzam. Acabamos a projectar nos outros as nossas inseguranças, Julgamos que a amizade, o amor ou a felicidade são assim como fatos que podemos encontrar num qualquer pronto-a-vestir, esquecendo que de facto eles são “obras” que demoram tempo a construir e muito empenho para solidificar.
Minha amiga acredito que a análise que fizeste sobre os teus medos foi profunda e que as conclusões foram acertadas, mas se fosse a ti não aterrava a tua nuvem de vez , porque irão com certeza surgir situações em que irás precisar dela, não para chorares as tuas mágoas ou fugir deste mundo mas para avaliares as decisões a tomar.
Como te disse noutro comentário nem tudo o que corre mal é por nossa culpa tens que diminuir essa ânsia de querer ter, de querer controlar para te sentires segura. Resistir à vida é não viver.

Beijos

O Viajante

PS mas que raio te terá acontecido no “passado”???

Shin Tau disse...

IdoMind Maria

pena teres "fugido" um pouco de ti no meio deste texto, dá-te segurança saberes que somos muitos assim! LOL a mim também!

Não acredito que a tua nuvem ande longe das dos outros, ou então não percebi o que querias dizer! A pessoas que oferece chupas mágicos aos clientes não é uma pessoa que viva alienada dos outros!

Talvez o que te custe admitir é que é nas relações próximas e intimas que a coisa fica difícil! Já reparaste que o facto de teres muitos amigos faz com que, de forma a estares com todos, acabes por não ter nenhuma relação profunda com quase nenhum!?!? Quantos grupos distintos tens?

De facto a única pessoa que ainda te vai conseguindo tocar dentro sou EU hahahahahaa mas se calhar é só tarot :P

Acho que só tenho uma única coisa a te dizer: ACEITA_TE tal qual como és! Só assim terás alguma paz interior! Se estás assim, se te colocaste nessa situação é porque o início foi em ti mas o fim também o será!

Centra-te, olha-te ao espelho, olha-te ao espelho,olha-te ao espelho,olha-te ao espelho,olha-te ao espelho,olha-te ao espelho,olha-te ao espelho,olha-te ao espelho,olha-te ao espelho,olha-te ao espelho,olha-te ao espelho

Fica aqui uma sugestão musical! http://www.youtube.com/watch?v=3laWD67g3PA

Amo-te sis

António Rosa disse...

CONVITE

Amanhã, segunda-feira, dia 25 Janeiro, vai ser publicada no meu blogue 'Cova do Urso', a entrevista colectiva ao Marcelo Dalla, em que várias bloguistas colaboram enquanto entrevistadoras.

Deixo aqui a lista das entrevistadoras, pois alguma delas pode ser sua amiga ou vizinha na blogoesfera. Por ordem das perguntas na entrevista:

Cristina Siqueira - O Livro Sagrado da Sacerdotisa
Anorkinda - Neide Escada da Rosa
Maria de Fátima - O Portal Mágico
Cris França - Canto do Contar Contos
Angela - Entremeios
Tina - Semeadora de Luz
Renata Maria Parreira Cordeiro - Eu e Daí?
Sônia Beth - Astros e Estrelas
Siala Ap Maeve - Eridanis
Glorinha Leão - Café com Bolo
Sônia Nunes - Gentil Carioca
Tânia Resende - Afirmações de Luz
Maria Paula Ribeiro - BandarraVet

Então, até segunda, no 'Cova do Urso'. Vamos todos passar bem e confraternizar. O Marcelo e eu estaremos presentes, nos comentários, a interagirmos com todos.

Abraço,

António Rosa

adriana disse...

"Olha-te ao espelho..."

1+1+1+1+1+1+1+=0

E você já sabe onde está Deus...

beijo

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