março 25, 2011

Vamos nessa, Vanessa?

(foto de Shin-Tau)

Preciso de falar contigo. Agora. Convidas-me a visitar-te? Esperas por mim à entrada e mostras-me os cantos da tua casa? Gostava que me deixasses conhecer-te. Acho que merecemos. Tenho um só pedido. Tira a armadura se faz favor. Também aqui vou deixar a minha. E vamos os dois, desarmados, travar a grande batalha - o resgate de nós mesmos.

Depõe aqui as atitudes hoje-não-que-quero-estar-sozinho, quando não queres; as palavras-punhal que arremessas para ferir quando tu próprio sangras, a indiferença pensada que encenas para ver se ainda está lá alguém… com atenção a ti. Depõe aqui o sarcasmo-escudo, a seriedade falsificada, o orgulho que embrutece. Depõe aqui o que te mantém aqui. Ainda nem sabes onde pertences e defendes esses metros quadrados como se morresses sem eles.
Olha para a frente. Para lá do horizonte cravado nos teus olhos pode haver uma ponte. Feita de estrelas, de coincidências, de sinais a lembrar-te que és infinito. E que é para lá que te diriges. “To Infinity and Beyond”! Brinca. Ainda sabes como se faz?

Se eu te chamar para jogar às escondidas, vens? Ou ao lencinho. À apanhada! És capaz? Tiras a gravata e vais no meu encalço? Escondes-te no armário e ficas à esperas que eu te descubra? E depois corremos os dois a ver quem chega primeiro. Fazes batota e eu deixo-te ganhar porque sou mulher e a minha vitória reside na tua gargalhada. Estou a falar muito a sério. Vês-te na brincadeira comigo? Despreocupado. Leve. Feliz… porque é tão bom o quentinho do Sol, o cheiro dos bebes, dar beijos, aquela música que enche o espaço...

Eu só sei brincar. Eu só sei Rir. Eu só me sei descobrir em todas as coisas. Levar e deixar o que me é concedido com tanta generosidade. Eu só sei retribuir por estar viva. Nasci para me amar em tudo. E para me divertir no processo. É para isso que aqui estou. E tu também. Se tropeçasse numa lamparina, pedia ao génio um tapete mágico para ti. Para que te sobrevoasses. Para que te elevasses acima de cada momento. De cada parte de ti que se encontra contigo a pedir-te uma decisão. Tu, no teu tapete mágico movido a alegria, a seres muitos. A perceber que ninguém é além de ti. Que ninguém está sozinho. Que ninguém é mau. Frio. Com a mania. Incompreensivo ou inflexível. Cada um veste uma armadura diferente. Só isso. 
Convida-te para casa deles. Diz-lhes que não vais estragar nada. E não estragues mesmo. Pisa com meiguice o soalho vizinho porque pode ranger, de tanto desgaste, até ao passo mais suave.

Se quiseres dou-te boleia na minha carpete. Claro, carpete! Um tapete não me chega. Gosto de companhia. De andar por aí a exibir a Beleza disto tudo. De espalhar os pós pirlimpimpim cor-de-rosa choque ou azul-céu que trago sempre numa bolsinha junto ao coração. Adoro passar em voo raso, esticar a mão e agarrar os prevenidos. Os imunizados ao sonho, à esperança, ao desejo que não tem rédeas. Enlaçar com energia os asmáticos que respiram a experiência aos bocadinhos e com cuidado. Puxá-los para a carpete e levá-los a tomar um chá na Terra do Nunca. Trazer os doentes a arejar. Aqueles que acreditam que não há nada a fazer. Que a sua cura vai adoecer outros. Ou que será tão sofrida que preferem morrer devagar. Sentados numa cadeira ou prostrados diante de uma vida que nem para eles já faz sentido.
Eu escolho celebrar a existência. Anda comigo, sem armas, dizer-lhe obrigado. 
Por tudo…
IdoMind
about the ficcion 

2 comentários:

Carlos Avelar disse...

Fico fascinado e não me é fácil comentar...só posso dizer que continuo a vir ao jardim com regularidade.E deixar um pedido, continue a brindar-nos com estas pequenas grandes maravilhas...obrigado.

IdoMind disse...

Oh Carlos! Mil perdões. Este comentário passou-me despercebido...

Espero que seja apologista do velho adágio " mais vale tarde do que nunca" lol

Eu é que agradeço...A visita e, sobretudo, o apoio. Do fundo do meu coração, obrigado. Sei que estas palavras são sinceras...
beijinhos e cuide bem da minha mais nova ;)

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