agosto 24, 2012

"One Simple Idea"



Lembras-te há alguns anos atrás, naquela tarde às voltas velozes, aflitas e circulares lá no escritório? De trás para a frente na mesma linha imaginária no chão, ao pé do armário onde batia sempre com o ombro e dizia sempre que o mesmo palavrão. Lembras-te? Não consegui ver nada durante horas além do precipício esfomeado por mim. Foi horrível. Ficar sozinha e cega à beira de precipícios é horrível. Esqueci-me de ti. Esqueci-me que havia oceanos de outras palavras para além daquelas, impetuosas e insubmissas, à bulha na garganta  seca. Cheguei a sentir tonturas de tanta angústia. Lembras-te?
Tinha acabado de fazer asneira e a vida tinha acabado de me retribuir a gentileza. Mas nessa altura eu ainda não sabia nada acerca de retribuições. Nem que a Vida era um ser vivo.

Como de costume, não pude desesperar à vontade. Tive de segurar o pânico e pedir-lhe com maneiras que se aguentasse só até mais logo, à noitinha, quando chegasse a casa e pudesse consumir-me livremente. É sempre assim, não é? Nunca posso perder-me logo, entregar-me logo, cair logo. Ali. Redonda e derrotada. É como se estivesse proibida de me enamorar pelo medo e fugir imprudentemente com ele. Fui forçada a encobrir os meus escombros com a compostura necessária. Exigida. Sou sempre assim, não é? Exigente...
Na minha pior tarde, negaste-me meio minuto de luto. 
E como era, continua a ser.
Podias ter feito para que aquelas pessoas não tivessem aparecido. Precisado de mim. Podias ter arranjado uma avaria, outra urgência, um nascimento qualquer. Podias ter-me deixado sair antes que chegassem. Mas não. Fizeste-me ficar e fizeste-te ouvir:

Ama-me quando menos merecer porque será quando mais vou precisar”.

Foi a primeira vez que ouvi essa expressão. Depois dessa tarde, noutras voltas velozes na mesma linha imaginária doutro chão, voltei a ouvi-la. Dirigida a mim e a outros.
Acalmei. Lembras-te? Tinha-me esquecido o que queria dizer amar. Que esse verbo não bailava em nenhum oceano mas que era o próprio mar. Ouvi-te a passar-me a mão no cabelo...Ouvi-te a ensinar-me que há respostas que aguardam a sua vez em quandos. Respostas para nós em quandos nem sempre só nossos.
Hoje, não tão cega, menos surda e bem lembrada de todas as palavras-lição, peço-te que me ames neste quando em que não mereço, talvez, mas que é dos quandos em que mais preciso.


Tenho o indicador no interruptor e sabes o que quero fazer. Segura-me. Eu deixo que me agarres. Toma, rendo-te a minha mão direita. A esquerda fica livre para colher flores para ti enquanto formos andando. Ajuda-me a ficar cá fora.
Contigo. 
À luz. 
Empurra-me o Sol para o ventre e faz-me candeia..
É que está a escapar-me o tal Desígnio que dá pernas às pessoas e razão aos acontecimentos. Tenho de continuar mais uns metros, é isso? Um, dois, vários quarteirões ou nem sequer parar até estar o mais longe que conseguir para encontrar o porquê exilado num quando que não alcanço? Daqui e Agora…

Quando? Quando é que achas que já chega? 
Brinca comigo doutra coisa. Menos perigosa. Que não me esburaque a alma, não dê vertigens, nem acabe no alcatrão. Pura, para variar... Dá-me algo puro para eu brincar. Dá-me algo puro que brinque comigo com pureza. Com verdade.
Com a coragem que só o que é puro conhece. E usa. Ainda há disso?
Que seja a bem. Do bem. E me faça melhor.

Era aqui que me querias trazer? Aos limites evitados, às fronteiras respeitadas, ao meu confim? Estás a pedir-me que confie e continue para lá do que parece para encontrar o que é?
Até ia. Mas não estou a ser capaz. 
Em que quando guardaste a minha força? O meu Ar...
E quando pensas recompensar-me? 
Estava a pensar que o podias começar a fazer já. 
Salva-me quando menos merecer porque é quando mais vou precisar.
Falas comigo daqui a pouco? Envia-me uma expressão nova que me dê um novo sentido. Algum.
Senão, quando?

IdoMind
about keeping my eyes off the ground

3 comentários:

Onda Encantada disse...

I always love different ideas... the kind'off we're not expecting...

Begginings start from here, not from there...

<3 <3 <3

Pedra do Sertão disse...

Passeando para deixar um abraço...

Muito bom seu texto!

IdoMind disse...

Olá Pedra do Sertão :)

Que bom receber visitas!
Obrigado pelas palavras simpáticas.
Volte sempre por favor.
um beijinho

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