setembro 08, 2009

A Vida Pensada

Nasci pobre. Numa casa rica. Nunca faltou teimosia. A nenhum dos elementos do meu especial agregado familiar. Os almoços de domingo facilmente podiam resvalar para acesas batalhas verbais. Geralmente resvalavam. Ver um episódio dos Sopranos é sempre um doce regresso ao passado.
Também houve sempre muita força em todos nós. Desistir foi uma palavra que vim a conhecer apenas com a assinatura da acta da conferência do meu divórcio. Há desistências boas.


Cresci mais ou menos como quis. Nunca houve grandes imposições, excepto passar de ano e manter em ordem a casa… e a minha irmã. Esta mostrou-se a mais dura das tarefas e que nunca consegui realmente cumprir.
Não foi uma infância fácil. Responsabilidades a mais. Algumas carências de vária ordem e toda uma série de circunstâncias que me colocavam na lista das prováveis beneficiárias do rendimento mínimo.
Mas como em casa ninguém desiste, sem me aperceber, fiz dessas circunstâncias o post-it que se coloca na porta do frigorífico para que olhemos para ele todas as manhãs e não nos esqueçamos do nosso objectivo.
E é disto que quero falar – de objectivos.
Por muito loucos, por muito impossíveis, por muito irresponsáveis que possam parecer, agarrem-se aos vossos objectivos e NÃO DESISTAM.


Traçar metas, saber o que se quer e fazer por acontecer – outro legado importante que recebi e ao qual, quando em quando, pareço renunciar.
Uma amiga, uma vez perguntou-me quais seriam os meus três desejos se algum encontrasse um génio da lâmpada. Para meu grande choque, não consegui lembrar-me de um só. Eu não tinha desejos! Ainda me foquei por alguns minutos na esperança de alguma coisa se desenhar na minha cabeça, algo que eu ansiasse muito para pedir ao génio. Mas nada. Nada.
Essa minha ausência de objectivos atingiu-me o estômago com violência. Foi o inicio da compreensão que a raiz dos meus problemas era eu.
Os eternos empates da minha vida, os “ porque é que comigo nunca resulta”, a constante falta de “sorte” eram apenas o fruto da minha lamentável forma de pensar.
Desde então, não parei de sonhar. De ter pensamentos construtivos sobre o que quero para mim. Da minha verdade. Despedi-me do cargo de servente. Sou hoje pedreira da minha casa.


Este post foi inspirado pela recente experiência da minha irmã, também ela destinada a partilhar a mesma fila que eu na Segurança Social de acordo com as probabilidades trágicas do destino, mas que não desistiu e hoje é uma professora realizada que conquistou o seu desejo de ficar a leccionar na mesma escola onde trabalhou no ano lectivo anterior. Esse era o apelo e o desejo maior da sua alma. E conseguiu.
É com o coração repleto de orgulho e de felicidade que olho para a minha irmã mais nova, o membro mais rebelde, indisciplinado, desobediente e amoroso da família, a cumprir o seu sonho.


Sabem porquê? Porque acreditou.
Marcou um objectivo, agiu como se fosse uma certeza e o Universo simplesmente colaborou.
Foi o mais lindo trabalho de co-laboração com o céu que vi a minha mana fazer.
A todos desafio para um concurso em que não haverá vencidos: digam o que querem.
Digam-no com a mesma convicção com que respiram o ar que não se vê. Confiem que estão a ser ouvidos. E vistos. Por isso ajam também como se o resultado fosse certo.
Depois…depois é só esperar.
Atrevam-se a desejar. Para nós está reservado o que o que nós quisermos reservar.


IdoMind



About believing

7 comentários:

Viajante disse...

Olá IdoMind

Admirável!
ontem triste e solitária hoje capaz de incentivar todos os que a lêem a construírem e a lutarem pelos seus objectivos de vida.
Esse teu ar elegante e franzino, afinal esconde algo poderoso.

Beijos

O Viajante

IdoMind disse...

Viajante meu amigo

Elegante!? Quem? lol
Sabes, se pudesse escolher, voltaria a ter a mesma infância, o mesmo crescimento, as mesmas condicionantes, tudo. Não foi muito fácil na altura, mas hoje salto muros como uma gazela...

Beijos e já ti liguei tá..

Shin Tau disse...

IdoMind

obrigada pela partilha tão pessoal. É verdade não foi fácil, mas graças a todas essas experiências hoje somos duas mulher sós, mas com muita força e determinação.

brigada por teres sempre acreditado em mim e por me continuares a mostrar que é possível tudo!

Força nessas tuas conquistas e já sabes, focalizar a nossa energia sempre!!!

Beijocas

IdoMind disse...

Mana,

Nem sei o que me deu para partilhar isto. Se calhar começo a vencer o ressentimento de não ter nascido filha do Onassis! Pode ser.

Vou focalizar! Vou focalizar!

beijos

HAZEL disse...

Gostei muito deste post. Genuíno. Sentido.
Revi-me nele.
Gosto muito da tua irmã. E de ti, mesmo sem nunca te ter visto.
Beijinhos

IdoMind disse...

Hazel,

Obrigado...
Isto da minha irmã fez-me mesmo ir ao passado. Ver o que podíamos ter sido e aquilo que nos tornámos. Sabes, acredito cada vez mais que fazemos a nossa sorte.
Tens razões para gostar da minha cassula, é um ser humano extraordinário, quanto a mim...bom, tenho dias...lol
Um beijinho muito grande e obrigada por teres lido com o mesmo sentimento com eu escrevi

Fada Moranga disse...

E eu aqui tão cheia de pedidos para o génio da lâmpada!... :-))))

Ricas manas!
Bem hajam por estas partilhas!
Beijos***deFada

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