setembro 15, 2010

Dar

As cordas caíram de velhas e agora já posso chegar lá, onde o meu calor é preciso. Dar o colo que afasta as nuvens negras estacionadas na cabeça. Trazer-lhe o bom tempo, soprando a tempestade com uma gargalhada, porque o único Inverno que existe é o que inventamos para nós. Tirar do bolso um punhado de pensamentos radiosos, iguais à luz escondida em tudo que é, os que iluminam o próximo passo. E todas as etapas menos claras.
 

Este mimo guardado que deixa o cheiro a esperança no capítulo seguinte. Num desfecho que não poderíamos imaginar melhor. Rompe agora livre dos medos que o mantinham escravo. Enquanto houver Homens haverá sempre Horas diferentes. É preciso aceitar a velocidade de cada um, sem questionar o amor que respira a outra cadência. Que ainda dorme, esperando, quem sabe, o carinho que o acorde. Há amores que temos de ir acertando até que se vejam como são – um número pintado no mesmo relógio a olhar para o ponteiro que lá vem, quase quase a chegar…

Que bom dar beijos! Encostar os lábios, e sem falar, dizer o que pede para ser dito. Juntamente com as mãos, algumas palavras também andaram reféns da imagem oca a que nos atracámos. Como se fosse falta de educação dizer “ Adoro-te” ou ofensivo confessar que o mundo é um sítio muito mais bonito desde a tarde em que se partilhou a mesma secretária na Biblioteca Nacional. Há sentimentos que são grandes que deixam de caber dentro de nós. Vertem.


Desde que dou beijos com as mãos soltas, tornei-me mãe de muitos obrigados, desculpa e gosto tanto de tis. Não nos diminui sentir. O que nos reduz é ocultá-lo. Fingir que não foi nada e correr para a casa de banho apanhar os cacos de uma auto-estima estilhaçada. Ignorar quem tem sempre tempo para nós sem nunca arranjar um minuto para lhe perguntar – “como tens passado?”. Olhos nos olhos, porque é um ser humano que está à nossa frente.
 

Tratamos tão mal quem nos quer mais bem. Pode ser que um dia alguém explique esta tendência de distribuir sorrisos na rua e pedradas em casa… Não é por nos conhecerem melhor que têm de desculpar tudo. Não é por saberem que “somos assim” que ganhamos o direito de não tentar ser de outra maneira. Não é porque nos amam que suportam melhor a nossa falta de amor. Ou de respeito…É ao contrário. É por isso tudo que lhes dói muito mais.

Eu sou a favor dos braços que me aninham. Dos peitos feitos à minha medida em que me encaixo e caibo tão bem. Daqueles que carregam memórias de uma expedição feita a quatro pernas. A dois corações. Que contam sobre os rigores, algumas alegrias e merecidos  triunfos que foram sendo escritos no mesmo diário da viagem. Há peitos onde pertencemos…

Porque acredito que sou toda a gente, dou a toda a gente aquilo em que acredito - bondade, compreensão e a minha verdade.
Porque prefiro andar levantada, escolho estender a mão em vez de apontar o dedo.
Porque sou responsável por Ti, cresço olhando por Nós…

IdoMind
about this hands of mine

6 comentários:

Shin Tau disse...

Não é fácil...não é mesmo! É um lembrete que devemos manter bem visíveis na memória!

Mais um lindo texto!

:***

IdoMind disse...

Minha Shin

É só começar...E perseverar.
Quando formos a ver já não conseguimos agir de outra forma.

love ya

Onda Encantada disse...

Ido! Sem duvida!

Que sincronia!

Agora, não consigo explicar mais, depois se houver depois, irei dizer algo mais, por agora, continuo a sentir que vale a pena continuar sempre a dar, incondicionalmente.

Beijos linda :)

Maria Paula Ribeiro disse...

E em silêncio escuto e leio...

Adorei!

Bem-hajas por tão bela partilha.

Beijo

MP

Marcia Toito disse...

MARAVILHOSO SEU BLOG! POSTEI SEUS TEXTOS LÁ NO MEU, NÃO PUDE RESISTIR!!!
INCRÍVEL A FACILIDADE NO PENSAR!
AGRADEÇO POR TAÕ BELAS PALAVRAS

IdoMind disse...

Olá Márcia

Até fiquei meio sem jeito..obrigado por partilhar os meus desabafos no seu blog. Já andei por lá a passear. Um templo para quem gosta da palavra...
Mais uma vez muito obrigado.

beijinho

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