setembro 08, 2010

Decisions Decisions

Já não sei dizer sim ou não como os miúdos dizem. Porque sim ou porque não. Porque querem ou porque não querem. Porque têm tempo ou não têm. Porque lhes apetece mesmo isso ou têm fome de outra coisa. Nãos ou sins rápidos, daqueles que ganham sempre aos “mas”.
Os meus estão assim, precedidos de muitos mas. Pergunto-me se estou a crescer ou só a ficar velha. Cuidadosa. A olhar para o semáforo antes de atravessar a estrada esperando que fique total, inquestionavelmente verde. Bem devagar, porque as correrias podem fazer cair. E magoar. Com a idade tudo fica mais lento, até sarar as mazelas de uma queda. O crescimento ensina-nos isso. A velhice faz-nos temê-lo.
Neste país de ninguém, entre a sabedoria e o medo, nascem as minhas decisões. E os nãos e sins que preferia manter talvezes…até não haver carros, nem gente, nem passeios, nem o perigo de tropeçar, alcançando, ilesa, o outro lado.



“Se viver fosse para ser seguro, serias inquebrável” – diz a sabedoria. “Terias vindo feita de matéria que não deita nem sangue nem lágrimas”. É para doer. É para correr. É para sentir… E continuar. Mais crescida. Nunca só mais velha.
É para lembrar a sorrir da tragédia que foi o primeiro amor não correspondido. O namorado impotente que veio depois e nos fez sentir “comível só em caso de necessidade”. O Natal em que soubemos que o ex-marido era pastor… E abanar a cabeça pensando como eram importantes os detalhes que não tinham importância nenhuma. E outros que foram tão importantes que nos mudaram e nos deram um par de olhos novo. As pessoas às quais pedimos ajuda na definição de quem somos. E como as amaldiçoámos por toda a raiva, desespero e frustração, que nos atiraram para lugares escuros. Bastava ter acendido a luz do respeito por nós. Dizer, com a serenidade que a compreensão sempre traz, que não estamos, naquele momento, capazes de fazer diferente. E assumir as nossas escolhas de pé…

Se viver fosse para ser seguro não haveria Amor.
Pelos pais que têm o dom de espetar as facas onde ferem mais. Pelos irmãos que nos fazem agradecer estarem aqui connosco a partilhar o mesmo sobrenome e um caminho nem sempre relvado. Os filhos que ensinam a dar. Mesmo quando não dão nada. Mesmo quando não merecem receber. O homem de outra que abana as prateleiras de uma moralidade, afinal, não tão bem arrumada.
É porque há Amor que sabemos que estamos vivos. Quanto mais cresço, ou envelheço, mais acredito que ele está na origem e no fim de tudo. E no Meio, onde vamos sendo obrigados a fazer opções. A ir ou a ficar.
Tudo passa. Todos passam. Ficamos nós. Com os frutos da nossa colheita. Gostava plantar um vasto campo de trigo que amadureça e dê semente para o meu pão.  Gostava de me orgulhar do trabalho que fiz. De ter cumprido a missão com mérito. E agradecer com o coração cheio de emoção ter estado cá. 
Alma com pele de mulher a dizer sim ou não como os miúdos.
IdoMind

About Righteousness

10 comentários:

Fada Moranga disse...

Esta miuda escreve tão bem! Se calhar, se a vida te fosse fácil, não escreverias assim... Oh bela poeta!
Bem hajas!
Beijo*deFada

IdoMind disse...

Fada..

Ouvir isto de ti...Obrigado, não consigo dizer mais nada. Sabes que antes de publicar o que quer que fosse, enviava para a Shin e, coitada, forçava-a a ver. " E então, e então? Está muito mau?"
Ainda me dá disso mas menos forte.

Tens razão, mais ou menos como as pessoas com deficiência, foi a escrever que consegui por cá fora as convulsões e também os sonhos que moram cá dentro..
Um beijo fada linda

Onda Encantada disse...

Ido,

Ouço isto enquanto te leio http://www.youtube.com/watch?v=AAx4YSzjVWU deve ser o efeito da minha lua em transito, conjunta a plutão na 8...playing from deep below...

A minha filha mais nova diz que este album a faz chorar... eu integro... e se calhar é mesmo isso que preciso de fazer... sem sins, sem nãos...

Leio-te... leio-te... e de certeza que ... tudo passa mesmo! E no fundo, mesmo no fundo, é uma gratidão passar por aqui, mas há momentos em que apetece parar o mundo e deixarem-nos sair...

Contudo estou com a Fada... "Esta miuda escreve tão bem!"...
Ido you got it!!!


Ah! Conheci uma pessoa que dizia que "Everything that's after a but... is bullshit" :)

Sem mas... sim porque sim, e não porque não! E porque não há-de ser assim?

Abraçoooooooooooooooooooooooooooo

E um profundo obrigada!!!

Beijos ondulados da vida :)

IdoMind disse...

Onda...

Nem fiquei com vontade de dizer nada depois deste teu comentário..Só no silêncio, a sentir a força nestas tuas palavras..chiça...

Pois, é uma música-toupeira, esgravata as nossas entranhas. É o que sinto quando a oiço. Aliás todo o album.
Aproveita e vai bem ao fundinho, bem lá atrás, com esse trânsito, para depressa começares a subida rumo ao presente de uma Onda Renovada ;)

Quando escrevo é para mim. É tipo agenda para não me esquecer como as coisas são e como eu quero que sejam. Nunca vou conseguir expressar o que sinto sempre perante reconhecimentos, como o teu, de que fez eco o que escrevi, que outras pessoas passam pelos dias de inferno pessoal. Que também têm dúvidas. Que também erram.
Fico contente porque não estou doida sozinha :))

Eu é que agradeço Ondinha e tens razão porque é que não há-se ser assim?

Um abraço muito forte

Shin Tau disse...

Pois é, costumavas telefonar e chatear com medos parvos de inseguranças mais parvas ainda, mas o uno prega-nos partidas e para este nem pude atender, não foi!?! Ainda bem, pois não há nada que recear e vês, tiveste logo a Fadinha a fazer a minha vez e sem ser pedido ;d abençoada seja!

Lindo, escreves para ti e talvez por isso nos toques a todos, não nos estás a querer ensinar, mas apenas a recordar-te de como a vida é e como tu operas nela...e todos nos revemos nisso livremente!

Lindo, mais um belo despertar em sintonia com a nova paisagem, e o silêncio foi substituído pela música oferecida pela Onda, belo, muito belo!
Estamos mesmo todos interligados e eu cada vez mais feliz por estar lá à frente a fazer acontecer. ;)

Amo-te, amo-vos, sem mas nem porquês, é como é, assim sem qualquer controlo... que música inspiradora!!!

Virgínia Jorge disse...

Olá

Depois de todos estes comentários, tudo o que eu poderia dizer seria redundante.

Mas, mais uma vez, não pude resistir a deixar a minha pegada neste Jardim, que está lindo!!

E por isso digo: sim, as tuas palavras fazem eco; conseguem exprimir um turbilhão interior, que não é só teu, é de todos nós...

Beijinho
Virgínia / Sheela Na Gig ;)

Maria Paula Ribeiro disse...

Minha linda amiga,

Soberbo texto.

As tuas palavras ecoam em nós mesmos, sem sim sem não, sem talvez...
Ecoam porque é a tua/nossa alma que grita, fala, ecoa....

E por muitas inseguranças que possas sentir, uma certeza porém, a tua alma fala Livremente...

Um Ser que caminha livremente,
Um Ser de Amor livre,
Uma alma que é apenas Tu própria!!!

Bem-hajas amiga!

Beijo e Abraço! ;)

IdoMind disse...

Oh Minha Shinnnn

O sacana do mexilhão deu mesmo cabo de mim! Eu bem disso que alguma coisa havia mudado.
Agradeço profundamente ao Universo se sintonizar comigo mesmo quando insisto em estar AM..
É verdade veio a fada... fazer-me sorrir e sentir melhor comigo por ter partilhado algo tão intimio..

Veio a Onda...com sua leveza profunda fazer-me quase chorar, comovida, e por o artigo a cantar.

E agora vieste tu...com um Amor tão forte que o senti aqui...
Minha irmã como és bonita.

O Ursinho fez um belo trabalho, está aqui uma confraria engraçada, está..

Beijos a todas

IdoMind disse...

Virginia

Que bela surpresa! O jardim tem as cancelas abertas e adoro que venham até cá ver as vistas e pisar a relva.

Pois é, ser mulher não é lá muito fácil. Ser mulher com consciência, pior!! É a menstruação, a lua, é continuar o processo de auto-conhecimento com pessoas dependentes de nós, o chocolate!!!
Há dias, como disse a Ondinha, que era parar o mundo para nós saltarmos fora.
Se eu te disser que quando acabo de escrever fico a olhar e a pensar " mas de onde é que isto veio?"
Não sei bem mas enquanto for fazendo sentido para mim e eco em outras almas com dias menos bons como os meus, não me interessa de onde venha desde que continue a vir.
Obrigado pela visita...
beijinhos

IdoMind disse...

Maria Paula

Até me arrepiaste...
Dava-te um grande abraço agora. Não vens muitas vezes mas quando apareces deixas marca...
A minha alminha deve ter dias coitadinha, de se sentar e pensar " tanta gente que nasceu a 5 de Maio de 75 e eu fui escolher esta gaja."Não lhe dou muitas hipóteses de se expressar livremente..
Ontem estive a rever "Tudo sobre a minha Mãe" do Almodovar e ficou-me a reflexão de Agrado - uma transexual - " Somos autênticos quando nos aproximamos daquilo que sonhamos ser".
Eu sou autêntica quando escrevo.
Obrigado do fundo do meu coração pelas tuas palavras.

Estas mulheres decidiram por-me a chorar!!!!

um beijo muito grande

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